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Brexit, eleições americanas e resultados do terceiro trimestre no Brasil serão os destaques da semana

Tudo o que você precisa saber sobre os mercados nacional e internacional, com análises econômicas e políticas sobre fatos que podem impactar seus investimentos.

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IBOVESPA -0,8% | 98.309 Pontos

CÂMBIO 0,56% | 5,65/USD

O que pode impactar o mercado hoje

O Ibovespa fechou em queda de 0,8% na última sexta-feira (16), sem entretanto reverter a alta de 0,85% na semana, encerrando aos 98.309 pontos.

Nessa segunda-feira, mercados globais amanhecem em alta (EUA +0,8% e Europa +0,5%), apesar do endurecimento de medidas de distanciamento social na Europa, diante de expectativas renovadas sobre um novo pacote de estímulos nos EUA ainda antes das eleições. A presidente da Câmara dos Representantes norte-americana, Nancy Pelosi, definiu a próxima terça-feira (20) como o prazo para chegar a um acordo com a Casa Branca para que um pacote seja aprovado antes de 3 de novembro.

Já na Europa, o primeiro ministro britânico, Boris Johnson, anunciou na sexta-feira (16) o fim das negociações com a UE sobre acordo do Brexit. No entanto, deixou a porta entreaberta para continuação de conversas com o bloco. O anúncio foi interpretado como tentativa de Johnson de pressionar a UE a ceder em pontos que considera importante, e não de realmente acabar com as conversas.

Enquanto isso, a China divulgou na madrugada de hoje o resultado do PIB do terceiro trimestre. Uma alta de +4,9% na comparação anual. A expectativa do mercado era uma alta de +5,3%. Resultado condizente com o crescimento de +2,1% esperado para o ano.

No Brasil, a Câmara dos Deputados e o Senado retomam nesta semana as atividades interrompidas nos últimos dias por conta das campanhas municipais, mas ainda sem funcionamento completamente normal — e sem perspectivas de discussão sobre o Pacto Federativo e a regulamentação do teto de gastos, que ficaram para depois das eleições municipais. Esperamos também o impacto das falas de Paulo Guedes, na sexta, e Rodrigo Maia, no sábado (ambos em evento promovido pela XP Investimentos), que negaram haver espaço para a prorrogação do auxílio emergencial por meio da extensão do estado de calamidade. Segundo Maia, isso seria uma sinalização negativa para a estabilidade fiscal brasileira.

Em economia, segundo reportagem no Valor Econômico, o setor aéreo ainda não recebeu nenhum aporte dos R$ 6 bilhões pelo BNDES prometidos no início da pandemia. Outro setor de serviços que também poderá enfrentar restrições de oferta é o de telecomunicações, segundo a Folha de São Paulo. O jornal veicula hoje entrevista com o presidente da Huawei, que afirma que o Brasil poderá atrasar em até quatro anos a implementação da tecnologia 5G com o impasse sobre o leilão da nova tecnologia.

Na agenda econômica da semana, o destaque será a divulgação do IPCA-15 na sexta-feira. Nossa previsão é 0,90%.

Finalmente, no lado corporativo, publicamos ontem o relatório com a prévia dos resultados para o terceiro trimestre de 2020, um dos mais esperados pelos investidores. Os indicadores econômicos referentes ao trimestre têm apontando para uma retomada significativa, e esperamos que essa melhora se reflita também nos resultados a serem reportados pelas empresas brasileiras, com parte das companhias começando a dar sinais de recuperação, o que nos permite acreditar que o pior dos impactos frente ao COVID-19 ficou para trás.

Ainda do lado das empresas, fizemos uma atualização do setor de siderurgia e mineração, sem alteração nas recomendações. Vale continua sendo nossa preferida do setor com destaque para os dividendos em 2021, que podem passar de 9%, caso o minério de ferro fique acima dos US$100/t. Nosso novo preço-alvo é de R$86/ação para o final de 2021.

Por fim, a B3 divulgou os dados operacionais do mês de setembro com destaque para: i) o volume financeiro médio diário (ADTV) do segmento de ações, recuando -10,8% na comparação mensal e expandindo 69,9% anualmente e; ii) o crescimento do número de investidores 3,6% mensalmente e 114,8% anualmente.

Tópicos do dia

Coronavírus

Revisamos em agosto o target do Ibovespa para 115.000 pontos
Medidas econômicas para combater o coronavirus no Brasil

Para ler mais conteúdos, clique aqui.

Brasil

  1. Boletim Focus: Projeções de IPCA e Câmbio para 2020 são elevadas novamente

Internacional

  1. Política internacional:  Pelosi diz a Casa Branca que tem até terça-feira para acordo sobre pacote de estímulo
    Acesse aqui o relatório internacional

Empresas

  1. Prévia dos resultados do terceiro trimestre de 2020: Um trimestre de recuperação
  2. Atualização em Siderurgia e Mineração (VALE3, BRAP4, GGBR4, GOAU4, USIM5)
  3. B3 (B3SA3): Dados operacionais de setembro
  4. Proteínas (BRFS3, MRFG3): rebanho bovino brasileiro cresce pela primeira vez em três anos em 2019


Veja todos os detalhes

Brasil

Boletim Focus: Projeções de IPCA e Câmbio para 2020 são elevadas novamente

  • A projeção de IPCA para 2020 continuou em ritmo de expansão, passando de 2,47% na última semana para 2,65%. Para 2021, as projeções permaneceram em 3,02%;
  • A projeção de PIB para 2020 melhorou marginalmente, passando de -5,03% para -5,00%. Por outro lado, para 2021, foi reduzida de 3,50% para 3,47%;
  • A projeção da taxa de câmbio passou de 5,30 para 5,35 para 2020 e permaneceu em 5,10 para 2021. E a projeção de Selic permaneceu em 2,00% ao final de 2020 e em 2,50% ao final de 2021. Clique aqui para conferir mais detalhes.

Internacional

Política internacional:  Pelosi diz a Casa Branca que tem até terça-feira para acordo sobre pacote de estímulo

  • A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, definiu a próxima terça-feira (20) como o prazo para chegar a um acordo com a Casa Branca sobre o pacote de estímulo a economia americana para que o mesmo seja aprovado antes da eleição no dia 3 de novembro. A democrata recentemente rejeitou uma proposta de USD 1,8 trilhões e Trump então afirmou que apoiaria um pacote maior, mas há resistência à idéia entre republicanos no Senado. Pelosi deve falar com o Secretário do Tesouro hoje;
  • No lado corrida pelo controle da Câmara Alta, foi reportado que o senador Lindsey Graham de South Carolina recebeu uma doação de campanha do CEO da Oracle no mesmo dia em que foi anunciado que a empresa havia sido escolhida para um acordo com a chinesa ByteDance pelo aplicativo TikTok. Vale ressaltar que o republicano que já enfrenta uma disputa surpreendentemente acirrada por sua vaga no Senado;
  • Na Europa, o primeiro ministro britânico, Boris Johnson, anunciou na sexta-feira (16) o fim das negociações com a UE sobre acordo com Brexit. No entanto, deixou a porta entreaberta para continuação de conversas com o bloco. O anúncio foi interpretado como tentativa de Johnson de pressionar a UE a ceder em pontos que considera importante, e não de realmente acabar com as conversas.

Empresas

Prévia dos resultados do terceiro trimestre de 2020: Um trimestre de recuperação

  • Após o período mais desafiador de 2020, com a queda histórica do PIB no segundo trimestre de -9,7% e os resultados das empresas refletindo os profundos impactos da pandemia, a temporada de resultados do terceiro trimestre começou no dia 15 desse mês e é uma das mais esperadas pelos investidores;
  • O mercado, segundo dados da Bloomberg, espera uma melhora em relação ao 2o trimestre, mas ainda assim com resultados mais fracos em relação a 2019. O consenso de mercado espera uma queda de -15% no lucro operacional (EBITDA) para as empresas do índice Ibovespa no 3o tri 2020 em relação ao mesmo período de 2019, e uma queda de -60% no Lucro Líquido. No 2o trimestre de 2020, o mais impactado pela pandemia, o mercado esperava uma queda de -73% no Lucro Operacional (EBITDA), e os resultados vieram melhores que o esperado, com uma queda de “apenas” -26,5%;
  • Os indicadores econômicos referentes ao trimestre têm apontando para uma retomada significativa, e esperamos que essa melhora se reflita também nos resultados a serem reportados pelas empresas brasileiras, com parte das companhias começando a dar sinais de recuperação, o que nos permite acreditar que o pior dos impactos frente ao COVID-19 ficou para trás. Sem dúvidas, a pandemia afetou os segmentos da economia de maneiras diferentes e esperamos que alguns setores se destaquem em relação à outros nessa temporada. Clique aqui para ler o relatório completo e saber o que esperamos para os diferentes setores e empresas.

Atualização em Siderurgia e Mineração (VALE3, BRAP4, GGBR4, GOAU4, USIM5)

  • Atualizamos nossos modelos para incorporar preços mais elevados das commodities, em especial do minério de ferro (US$110/t ao final de 2020). Mantemos nossa preferência por minério de ferro (Vale) ao invés de aço em 2021, devido à forte demanda de minério de ferro na China após incentivos do governo e movimento de recomposição de estoques da Vale, após os impactos do Covid-19. Apesar de algum espaço para queda do minério de ferro em relação aos níveis atuais, a Vale gera muito caixa, em nossa opinião. Mantemos as recomendações inalteradas e reiteramos Vale como nossa top pick;
  • Vale e Bradespar: Atualizamos o preço-alvo da Vale para R$86/ação (de R$85/ação), incorporando os preços mais altos de minério de ferro e menores custos no futuro, com base em volumes mais altos no segundo semestre. Aumentamos nossa previsão do preço do minério de ferro para US$110/t ao final do ano (de US$95/t) por conta de (1) demanda forte na China e (2) movimento de recomposição de estoques da Vale. Com relação aos volumes de minério, reduzimos nossa estimativa de 2020 para 300mt (de 305mt), que se compara com o piso do guidance da companhia de 310mt. Para Bradespar, matemos nosso desconto de holding justo de 20% e atualizamos nosso preço alvo para R$57/ação (de R$55/ação). Portanto, temos preferência pelas ações da Vale vs. Bradespar;
  • Gerdau e Metalúrgica Gerdau: Estamos aumentando o preço-alvo da Gerdau para R$25/ação (de R$22,5/ação) com a alta nos preços do aço e vendas de aços longos ainda fortes com boa atividade na construção civil. Estimamos uma redução de 10% nas vendas no Brasil em 2020 na comparação anual (vs. -12% A/A anteriormente). O setor siderúrgico no Brasil tem espaço para mais aumentos de preços devido ao dólar alto e aos preços internacionais saudáveis, além da paridade de importação negativa atualmente (inferior a -10%, em nossa opinião). Vemos a Gerdau sendo negociada a 6,7x EV/EBITDA 2021E, em linha com a média histórica. Em Met. Gerdau, mantemos nosso desconto de holding justo de 20% e atualizamos nosso preço alvo para R$11,7/ação (de R$10,5/ação);
  • Usiminas: Estamos aumentando nosso preço alvo para R$12/ação (de R$8,5/ação) com os novos preços de commodities e uma recuperação mais rápida do que o esperado no setor automotivo. Em nossa opinião, os preços mais altos do minério de ferro e os aumentos nos preços do aço – seguindo uma paridade de importação ainda negativa – devem melhorar os resultados da empresa no futuro. Nosso novo EBITDA esperado para 2021 de R$3.2 bilhões implica uma margem de 20% (vs. 14% anteriormente). Vemos uma recuperação gradual dos volumes de aços planos no segundo semestre (fechando 2020 em queda de 12% vs. 2019) com uma demanda ligeiramente melhor e um movimento de recomposição de estoques no setor automotivo. Mantemos a recomendação Neutra. Clique aqui para acessar o relatório completo.

B3 (B3SA3): Dados operacionais de setembro

  • A B3 soltou na última sexta-feira os dados operacionais referentes a setembro, com sinais mais modestos;
  • O volume financeiro médio diário de setembro recuou -10,8% mensalmente e expandiu 69,9% anualmente para R$ 27,9 bilhões. Apesar disso, o número de investidores ativos segue crescendo, expandindo 3,6% mensalmente e 114,8% anualmente, aos 3,1 milhões de investidores;
  • Os dados foram positivos dada a capacidade da companhia de manter o alto patamar de volumes enquanto investidores esperavam volumes ainda menores no curto prazo pós-COVID. Importante também lembrar que IPOs e follow-ons voltaram e, embora não sejam representativos na receita, ajudam o volume de médio e longo prazo.

Proteínas (BRFS3, MRFG3): rebanho bovino brasileiro cresce pela primeira vez em três anos em 2019

  • De acordo com a Reuters, o rebanho bovino do Brasil cresceu pela primeira vez em três anos em 2019, segundo dados do IBGE. Vale lembrar que o país é o maior exportador mundial de carne bovina. Já o rebanho de suínos diminuiu ligeiramente, enquanto que o de frango ficou estável no mesmo período. Confira todos os detalhes no nosso relatório semanal, o Expresso Alimentos & Bebidas;
  • Bovinos: o rebanho do país totalizou 214,7 milhões de cabeças em 2019, um aumento de 0,4% em relação a 2018, sobretudo devido ao aumento da retenção de vacas para reprodução. Em 2017 e 2018, o tamanho do rebanho havia diminuído. Na nossa visão, este aumento em 2019 indica que a retenção de fêmeas já vem ocorrendo há algum tempo e que em 2020 ela deve ser intensificada devido à dinâmica positiva do mercado, uma vez que o setor segue impulsionado pela demanda chinesa;
  • Suínos: o rebanho brasileiro caiu 1,6%, para 40,6 milhões de cabeças, em 2019. Na nossa visão, a melhora das exportações e o aumento dos preços domésticos levaram os produtores a acelerar o processo de engorda – o que pode ter afetado o tamanho do rebanho -, já que se espera que o setor continue se beneficiando de boas margens e mais investimentos em produção;
  • Frango: o tamanho do plantel ficou relativamente estável em 1,5 bilhão de cabeças em 2019. Nossa principal preocupação continua sendo a possibilidade de um cenário de excesso de oferta que, aliado ao aumento do custo dos grãos para ração, poderia deteriorar as margens do segmento. Para evitar tal cenário, a redução do plantel avícola parece ser o cenário mais plausível para 2020, na nossa opinião.
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