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O mundo pós-inflação: como investir no novo regime global?

Na Expert 2026, uma conversa sobre como investir no novo regime global

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No segundo dia de painéis da Expert XP 2026, Priscila Araújo, gestora da XP Asset, mediou um debate com Paulo Eduardo Clini (Franklin Templeton), Luis Oliveira (PIMCO) e Andressa Castro (BNP Paribas Asset Management) para discutir o novo regime de juros e inflação globais. A conversa percorreu a trajetória estrutural do dólar, o novo patamar de juros americanos, a sustentabilidade do rali de inteligência artificial na bolsa e como construir portfólio diante desse cenário.

O dólar entre duas forças opostas

O debate sobre o dólar expôs uma tensão sem resposta fácil: de um lado, o trade de IA segue sustentando ativos americanos e, por consequência, a moeda. Do outro lado, cresce a tese de enfraquecimento estrutural, alimentada pela redução do número de compradores marginais de Treasuries, China, Japão e o próprio Fed, e pelo avanço de moedas digitais, com rotação visível para ouro, prata e mercados fora dos Estados Unidos. Clini ponderou que esse caminho de enfraquecimento é estreito: em cenários extremos, seja de recessão com aversão a risco, seja de excepcionalismo americano renovado, o dólar tende a se fortalecer, o que o mercado chama de “dólar smile“. Ele lembrou ainda que a economia americana mostrava dinamismo relevante no início do ano, processo interrompido pela escalada dos conflitos geopolíticos.

Juros estruturalmente mais altos: uma escolha, não um acidente

Castro trouxe uma das teses mais provocativas do painel: a inflação não é estruturalmente alta, mas os juros devem permanecer estruturalmente mais elevados. Para ela, trazer a inflação de volta à meta é uma decisão deliberada do banco central e toda decisão tem seu preço. Ela mapeou quatro choques de oferta recentes que pressionaram o ambiente global: a pandemia, a guerra Rússia-Ucrânia, as tarifas e o conflito no Irã. Nesse contexto, a decisão do Fed entre agir agora ou aguardar até 2028 depende fortemente do desenrolar geopolítico e da atuação de Kevin Warsh à frente da instituição. A leitura de Andressa é que o longo período de juros baixos entre 2008 e a pandemia foi a anomalia, e não o novo normal. O atual patamar mais elevado de taxas é sustentado tanto pelo impulso de crescimento de curto prazo trazido pela IA quanto pela menor demanda estrutural por títulos americanos.

Uma visão dissonante: crescimento menor e assimetria para cortes

Oliveira, da PIMCO, apresentou uma perspectiva que destoa do consenso. A gestora projeta convergência gradual do crescimento americano de 2% para 1,5%, dado o vínculo estreito entre consumo e condições de financiamento, e enxerga maior assimetria para manutenção ou corte de juros do que para novas altas. Clini discordou parcialmente: os indicadores que acompanha, mercado de trabalho resiliente, boom no mercado de capitais e spreads atrativos, não apontam para uma política monetária excessivamente restritiva. Para a Franklin Templeton, o cenário de curto prazo ainda aponta para juros reais mais altos e uma curva de juros mais empinada.

A bolsa e o fluxo que a IA redirecionou

Araújo trouxe à tona uma preocupação concreta para o mercado brasileiro: empresas de tecnologia e inteligência artificial têm absorvido o fluxo de capital que, no início do ano, estava migrando para a Bolsa local, deixando ativos brasileiros com valuation deprimido e sem demanda suficiente para se mover. Cini respondeu que o mercado precifica, com razoável correção, parte dos benefícios que a IA representa para o valuation das grandes empresas de tecnologia. Ele comparou o momento atual à popularização da internet nos anos 1990, citando a Amazon como exemplo de empresa que atravessou esse ciclo. A diferença relevante em relação àquele período, porém, é que o rali atual vem acompanhado de revisão efetiva de lucros, e não apenas de rerating de múltiplos, o que não o isenta de correções significativas no caminho. Paulo destacou ainda a importância de buscar diversificação via mercados emergentes, com Taiwan e Coreia como exemplos de proteção em momentos de drawdown.

Como montar portfólio para os próximos 12 a 24 meses

Nenhuma das casas presentes recomenda concentração em uma única classe de ativo para o horizonte à frente, e a diversificação é o denominador comum entre todas as visões. A PIMCO favorece renda fixa de alta qualidade nos Estados Unidos, com carrego atrativo e proteção de downside. O BNP Paribas Asset Management combina uma visão positiva para a bolsa americana, ancorada no fluxo de IA, com exposição a moedas emergentes. Já a Franklin Templeton defende renda fixa local complementada por posições em mercados emergentes globais como caminho para equilibrar risco e retorno nesse novo regime.

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Veja os destaques do primeiro dia da Expert XP 2026

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