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Mike Pompeo na Expert XP 2026: liderança, risco e a ordem global em disputa

No segundo dia de painéis da Expert XP 2026, Alberto Bernal, estrategista-chefe global da mesa institucional da XP, recebeu Mike Pompeo, 70º Secretário de Estado dos Estados Unidos e ex-diretor da CIA

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No segundo dia de painéis da Expert XP 2026, Alberto Bernal, estrategista-chefe global da mesa institucional da XP, recebeu Mike Pompeo, 70º Secretário de Estado dos Estados Unidos e ex-diretor da CIA, para uma conversa sobre liderança sob pressão, os principais focos de tensão geopolítica global e o que está em jogo para o Ocidente nas próximas décadas. A mediação partiu do livro recém-lançado por Pompeo, cujo prefácio foi escrito pelo próprio filho, e cujo título, “Nunca Ceda uma Polegada”, resume a filosofia que orientou sua atuação pública: há coisas que se negociam, e há coisas que não se pode abrir mão, especialmente quando se trata de proteger a dignidade dos seres humanos.

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Veja os destaques do primeiro dia da Expert XP 2026

Liderança e cultura de risco na CIA

Bernal abriu o debate destacando um dos temas centrais do livro: a disposição de assumir riscos em ambientes de alta pressão. Pompeo contou que, ao assumir a direção da CIA, encontrou uma instituição com tolerância zero ao erro, tratada como qualquer outra agência burocrática. Sua visão era diferente: para estar à frente dos adversários, era preciso agir de forma diferente. Ele levou seis meses reformulando a equipe sênior, buscando pessoas com valores sólidos e disposição para correr riscos calculados. O objetivo era claro: transformar a agência em uma fonte de inteligência efetiva para quem toma as decisões, a começar pelo presidente dos Estados Unidos. Houve fracassos no caminho, mas também avanços concretos na capacidade do Ocidente de se proteger.

O conflito no Oriente Médio e a questão iraniana

Com o conflito envolvendo o Irã em pauta, Bernal trouxe à conversa a percepção que tinha dos clientes à época do acirramento das tensões: a maioria esperava uma resolução rápida, em cerca de dez dias. Pompeo foi direto ao ponto. Para ele, não há saída que não passe por uma vitória clara, e ceder terreno nesse contexto seria um erro estratégico. Sua posição é que o programa nuclear iraniano precisa ser desmantelado e que o regime precisa ser convencido de que as consequências de ameaçar o Ocidente e seus aliados são inaceitáveis. Ele reconheceu não saber quando o conflito terminará, mas foi que irão preservar as coisas que mais importam para seus interesses.

Os Acordos de Abraham e a transformação do Oriente Médio

Pompeo avaliou os Acordos de Abraham como uma das mudanças mais significativas na dinâmica regional das últimas décadas. Durante trinta anos, prevaleceu a ideia de que não haveria paz no Oriente Médio sem a resolução do conflito entre Israel e Palestina. Os acordos quebraram essa lógica ao convencer países árabes de que Israel tem o direito de existir, algo que ele considera um avanço real e duradouro para a estabilidade da região e para o mundo como um todo.

China: o desafio de longo prazo

Ao abordar o tema que ele mesmo descreveu como seu favorito, Pompeo foi cuidadoso em separar o povo chinês do Partido Comunista Chinês. Disse que respeita e torce pelo bem-estar da população, mas que o modelo imposto pelo regime, para ele, é incompatível com os valores do Ocidente. Sua preocupação central é com a narrativa que Xi Jinping constrói internamente e projeta para fora, apresentando o Ocidente como decadente e moralmente falido. Para Pompeo, essa batalha não é apenas militar ou econômica, é cultural e ideológica, e se vence com educação, confiança nas instituições e no exemplo concreto de comunidades que cuidam umas das outras.

Coreia do Norte, OTAN e os limites da diplomacia

Pompeo relembrou sua viagem à Coreia do Norte em 2018, a primeira de um alto funcionário americano ao país. Descreveu o líder norte-coreano como inteligente e bem-informado, mas com valores radicalmente diferentes dos ocidentais, e avaliou que as esperanças de abertura após a transição de poder não se concretizaram. Sobre a OTAN, disse que a Europa hoje está em posição mais sólida do que antes, em parte pelo efeito combinado da pressão americana por maior comprometimento financeiro e pela percepção europeia de que os riscos são reais. Para ele, a melhor forma de evitar uma guerra é fazer o trabalho difícil de dissuadi-la antes que ela comece.

O que tira o sono, e o que mantém o otimismo

Ao final, quando perguntado sobre o que mais o preocupa, Pompeo apontou a China e sua influência sobre outras nações como o principal fator de risco estrutural. Mencionou também a situação no México, onde cartéis controlam partes significativas do território, como uma ameaça concreta à estabilidade regional. Ainda assim, encerrou com uma nota de otimismo: acredita que a maioria das pessoas, em qualquer parte do mundo, sabe distinguir o bem do mal e que os valores do Ocidente têm condições de prevalecer.

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