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A revolução dos ETFs

Na Expert X`P 2026, uma conversa sobre o superciclo global dos ETFs

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Executivos da BlackRock, da Vanguard e da XP Asset avaliaram o superciclo global dos ETFs, a transição para o modelo de fee fixo e o estágio inicial da adoção do produto no Brasil, cada vez mais usado como instrumento de alocação.

Um superciclo global impulsionado pela transformação da economia

O painel reuniu Bruno Barino, CEO da BlackRock no Brasil, Mônica Camino, head de offshore nos EUA, e Leandro Bousquet, CEO da XP Asset, sob mediação de Fabiano Cintra, head de seleção de fundos na XP.

Ao traçar o panorama, Barino observou que os aportes globais em ETFs superaram US$ 1 trilhão apenas no primeiro semestre do ano e associou o crescimento exponencial do produto à transformação em curso na economia mundial, em infraestrutura, tecnologia e energia. Para ele, o ETF se tornou o veículo de escolha para conectar oferta e demanda de capital, com potencial de captar recursos ao longo de tendências como a cadeia de investimentos em inteligência artificial, cuja demanda ele estimou de US$ 5-8 trilhões.

Da indexação ao fee-based: as raízes da adoção nos Estados Unidos

Camino dimensionou a indústria global de ETFs em mais de US$ 25 trilhões em ativos e destacou os vetores por trás desse avanço. Ela remontou ao nascimento do investimento indexado, com a Vanguard lançando o primeiro fundo mútuo indexado em 1976 e o primeiro ETF surgindo nos Estados Unidos em 1993, e apontou a crise financeira de 2008 como ponto de virada, quando investidores passaram a escrutinar custos e desempenho e migraram para produtos indexados de menor custo. Camino ressaltou também a mudança na dinâmica de distribuição, da remuneração por comissão para a remuneração por fee, que redefiniu o papel do assessor de vendedor de produto para planejador financeiro, além da democratização do acesso por plataformas digitais, em que as taxas dos ETFs são iguais para investidores de varejo e para grandes patrimônios.

O Brasil no início da curva

Bousquet situou o mercado brasileiro em estágio inicial. Segundo ele, os cerca de R$ 125 bilhões sob gestão em ETFs representam pouco mais de 1% da indústria de fundos no Brasil, ante aproximadamente 37% nos Estados Unidos, o que permite ao país aprender com a trajetória americana. Bousquet defendeu que a revolução é inevitável, dados os atributos do produto, mas exige avanço em educação do cliente final e do assessor. Ele afirmou que a XP Asset ampliou sua grade de oito para 22 ETFs, com dois ou três lançamentos previstos para os meses seguintes, boa parte em renda fixa, categoria responsável por mais de 60% do crescimento do AUM de ETFs no país no primeiro semestre. O objetivo, explicou, é completar a grade para então oferecer carteiras-modelo compostas apenas por ETFs, aproveitando a eficiência tributária do produto, inclusive em comparação com o investimento direto em títulos públicos.

Fee fixo e ETF como reforço mútuo na construção de carteiras

Barino descreveu a relação entre o modelo de taxas e o uso de ETFs como um ciclo virtuoso. Na sua avaliação, a redução de custos obtida com ETFs pode ser realocada para a camada de assessoria, ao mesmo tempo em que a transição gera ganho de qualidade na gestão e escala para o negócio do assessor. Ele apontou que a evolução natural é o uso de carteiras modelo, citando que cerca de 70% dos assessores nos Estados Unidos já operam por modelos e que entre 50% e 55% dos clientes de wealth management compram ETFs por essa via, e mencionou que apenas a BlackRock conta com 1.700 ETFs e US$ 6 trilhões sob gestão. Barino avaliou que a transição para o fee-based no Brasil tem sido mais rápida do que o esperado. Bousquet reforçou que o ETF ainda é percebido no país como produto de renda variável, quando é, em sua visão, talvez o melhor instrumento de alocação, e que a XP busca mudar essa experiência.

UCITS e a mensagem final: um novo paradigma de recomendação

Sobre os ETFs domiciliados na Europa, os chamados UCITS irlandeses, Camino explicou que funcionam de forma semelhante aos americanos, com domicílio em jurisdições como Irlanda e Luxemburgo, e permitem classes de acumulação que reinvestem cupons e dividendos, diferindo a renda e oferecendo eficiência operacional e tributária, além de maior alcance de opções globais e de moedas. O moderador acrescentou que esses instrumentos podem trazer vantagens sucessórias em relação aos Estados Unidos. No encerramento, os participantes convergiram para a ideia de que o ETF funciona como building block de uma nova abordagem de recomendação, que separa beta, replicável por ETFs eficientes, de alfa, obtido com gestão ativa. Bousquet projetou que, em três anos, a fatia de fee-based na XP deve evoluir dos atuais 24% para algo próximo de 40% a 50%, com ETFs ocupando parcela relevante das carteiras.

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