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Expert XP 2026: O futuro já tem preço: o mercado trilionário dos ativos digitais

Na Expert XP 2026, um painel com Felipe Paiva (B3) e Marcos Viriato (Parfin), moderado por Marcos Horie (XP)

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A tokenização de ativos e as stablecoins lastreadas em real deixaram o terreno do experimento e começam a se consolidar como infraestrutura de mercado. Essa foi a mensagem central do painel “O futuro já tem preço: o mercado trilionário de ativos digitais”, na Expert XP 2026, que reuniu Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoas Físicas da B3, e Marcos Viriato, CEO da Parfin, sob moderação de Marcos Horie, da XP.

Paiva definiu stablecoins como moedas digitais lastreadas em ativos de baixo risco, programáveis e de liquidação instantânea. A comparação com o Pix é inevitável, e ele fez questão de marcar a diferença: a stablecoin não substitui o Pix, soma-se a ele como uma nova plataforma, permitindo não apenas transferir valor, mas trocá-lo diretamente por outros ativos — o que abre espaço para pagamentos internacionais e proteção cambial em dólar. A B3 desenvolve a sua, a B3RL.

Viriato tratou do outro lado da equação: tokenização é a representação digital de ativos clássicos, o que viabiliza fracionamento e transferência com fluidez inédita. O mercado começou pelos recebíveis de crédito, mas faltava a ponta financeira — sem uma stablecoin de real, não havia moeda de troca nativa para liquidar esses ativos. Era esse o gargalo.

Do lado dos casos práticos, Viriato apontou os fundos de money market tokenizados de gestoras como BlackRock e Franklin Templeton, que já superam US$ 10 bilhões e vêm sendo usados como garantia em operações, além das ações tokenizadas da Robinhood — e defendeu que, no limite, todas as classes de ativos passarão por esse processo.

Paiva recorreu à imagem de Cruzando o Abismo, de Geoffrey Moore, para enquadrar o momento: o mercado cripto trouxe uma mudança de experiência que o mercado tradicional passou a ter de acompanhar, com negociação 24/7, mais produtos nas corretoras e maior capacidade de colateralização. O painel convergiu na leitura de que a fase anterior foi de muito experimento e pouca escala; o que muda agora é a possibilidade concreta de as corretoras estruturarem novos produtos sobre essa infraestrutura — movimento em que a própria XP já trabalha.

Os dois avaliaram que o Brasil está bem posicionado ante outros países. Paiva destacou o estágio da regulação, com discussões em curso no Banco Central e na CVM, e a infraestrutura em desenvolvimento acelerado. Viriato reforçou pelo lado tecnológico: o Drex não seguiu adiante, mas deixou três anos de validação de tecnologia, e a XP já trabalhou na tokenização de CPRs e de contratos de câmbio. “Estamos fechando os pontos de tecnologia, principalmente a liquidação com as stablecoins de real”, resumiu, lembrando que a lei de ativos digitais está em vigor e que o Banco Central já regulamentou o setor — com a consequência de que provedores de tecnologia passam a ser regulados de forma semelhante a uma corretora. Sobre o papel da Bolsa, Paiva descreveu parcerias com provedores para reduzir as fricções que hoje encarecem a implementação de produtos pelas corretoras, citou o Tesouro Reserva, lançado com o Tesouro Nacional e negociado 24/7, e foi direto sobre o horizonte das ações tokenizadas: o avanço da stablecoin é o passo que viabiliza a distribuição desses produtos.

Para o investidor, Viriato descreveu uma transição em duas etapas. Num primeiro momento, instrumentos do mercado tradicional seguirão como lastro do ativo sintético tokenizado, já com liquidação mais rápida, mais liquidez no secundário, maior fracionamento e transferência entre corretoras e bancos. A transformação mais profunda está na emissão nativa em blockchain, em uma depositária tokenizada, sem o depositário tradicional — combinando liquidação instantânea, redução de custos de transação e eficiência na emissão. No horizonte de cinco anos, ele vê mais classes de ativos tokenizadas, de precatórios e consórcios a ações e, adiante, imóveis e veículos, permitindo ao cliente enxergar seu patrimônio de forma integrada. Paiva encerrou com uma projeção mais silenciosa, porém não menos ambiciosa: a infraestrutura deve se tornar cada vez mais invisível, presente em praticamente todos os ativos, com o ganho aparecendo onde importa — no acesso e na experiência do investidor.

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