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Expert XP 2026 | Mundo em movimento: perspectiva das bolsas globais

Na Expert XP 2026, especialistas discutem os impactos da inteligência artificial sobre os lucros corporativos, o ciclo de semicondutores e as perspectivas para as bolsas globais.

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O painel “Mundo em Movimento: As perspectivas das bolsas globais”, foi uma das atrações desta quinta-feira (23), primeiro dia da Expert XP 2026. Laura Howenstine, da Wellington; Alastair Pang, da Morgan Stanley; e Gina Martin Adams, da HB Wealth, debateram sob moderação de Diego Correia, da XP, o panorama da renda variável global em um momento dominado pela inteligência artificial.

Correia abriu a discussão questionando a discrepância de desempenho entre companhias do setor e o estágio em que se encontra o ciclo de semicondutores, temas que atravessaram praticamente todo o debate.

Pang assumiu a posição mais otimista. Para ele, o mercado já está observando retornos concretos sobre o capital investido em IA. O caso da Google, que vem investindo pesadamente nos últimos três anos e apresenta ROIC crescente, seria a evidência mais clara. Na leitura do gestor, o erro do mercado está em tratar esse ciclo como um investimento cíclico tradicional. O que as empresas estão produzindo, na prática, são “tokens inteligentes” capazes de substituir trabalho humano, e isso se traduz diretamente em receita. A emissão de dívida pela Alphabet seria, nesse sentido, menos um sinal de alerta do que uma confirmação de que o ciclo de compute permanece extremamente forte, com a IA agêntica como o verdadeiro ponto de inflexão puxando o repasse de preços por toda a cadeia.

Pang também espera que os beneficiários da IA deixem de se concentrar em memória, semicondutores e hyperscalers para incluir setores considerados mais “entediantes”, como bancos e o sistema de saúde americano, nos quais a tecnologia poderia destravar ganhos de produtividade ainda pouco explorados. Comparando o momento a um ciclo de expansão de margens como o de 1997, defendeu que o foco deveria estar nas companhias que já comprovam retorno, e não nas apostas sobre quem vencerá a corrida tecnológica.

Gina Martin Adams trouxe mais nuance. 75% das companhias que investem em IA dizem esperar algum retorno, mas apenas 20% de fato o estão capturando. Em alguns casos, o fluxo de caixa livre já dá sinais de queima. Bancos e telecom despontariam como os primeiros setores fora do núcleo tecnológico a apresentar retorno mensurável. Para Adams, a diferença relevante não é entre empresas de IA e as demais, mas entre companhias que constroem seu modelo de negócio em torno da tecnologia e aquelas que apenas a implementam pontualmente, e só as primeiras capturariam o benefício de forma consistente. Até aqui, as companhias de IA responderam por 75% do crescimento de lucros do S&P 500, mas Gina já identifica uma inflexão, com empresas fora desse universo também começando a mostrar resultados. Ainda assim, pondera que dificilmente os semicondutores manterão o ritmo de crescimento de receita próximo de 100% ao ano por muito tempo, com desaceleração provável a partir de 2027, mas sem que isso comprometa o crescimento no curto prazo, dado o nível de gastos ainda em curso.

Adams também rebateu comparações com a bolha das pontocom, uma vez que o mercado atual de IPOs é comedido, os spreads de valuation permanecem confortáveis e o crescimento de lucros tem acompanhado o de preços, padrão bem distinto do observado nos anos 80 e 90.

Howenstine reforçou a necessidade de diferenciar as companhias dentro do próprio espaço de IA. As grandes hyperscalers estariam mais bem posicionadas por atuarem ao longo de toda a cadeia, algumas inclusive com modelos proprietários, o que lhes garante acesso a capital em condições favoráveis para capturar as oportunidades de maior retorno. Na leitura de Laura, o ciclo estaria em estágio inicial a intermediário: a demanda por capacidade computacional ainda supera a oferta, dinâmica pouco compatível com um estágio avançado de ciclo.

Visão para semicondutores:

Pang reconheceu apenas sinais muito incipientes de desaceleração na demanda por semicondutores. Segundo ele, ainda haveria bastante espaço para a demanda por IA crescer, bastaria observar que boa parte dos usuários ainda está longe de explorar o limite das novas ferramentas no dia a dia. O gestor admite que, em algum momento, as empresas do setor precisarão planejar capacidade futura com base em expectativas de demanda, o que devolveria ao segmento uma dinâmica mais cíclica — mas considera esse ponto ainda distante.

Adams mantém uma leitura mais conservadora. Para ela, semicondutores continuam sendo um setor cíclico, apenas com um ciclo mais longo do que o habitual. Argumenta que a tendência humana de superinvestir e formar estoque excessivo de capacidade tende a se repetir também neste ciclo, ainda que estejamos em fase inicial, e que a dificuldade de antecipar o ponto de equilíbrio aumenta diante de uma tecnologia tão nova.

Howenstine trouxe a visão mais estrutural, observando que a demanda por semicondutores não depende apenas da IA, mas também de usos como eletrificação veicular, o que tornaria a trajetória do setor menos cíclica e mais secular do que no passado.

O que observar nos próximos anos

Ao serem provocados sobre qual fator merece mais atenção adiante, os gestores divergiram. Pang defendeu manter uma postura de “paranoia” generalizada, monitorando de perto se a demanda por IA de fato se sustenta, já que essa sustentabilidade seria o verdadeiro motor dos retornos futuros, e recomendou diversificação ampla diante da dificuldade de antecipar vencedores.

Adams direcionou a atenção para a inflação e para os desdobramentos da política monetária. A expectativa é de apenas uma alta de juros ainda este ano e outra em 2027, num contexto de pressão inflacionária ligada a restrições de oferta e de política fiscal mais contracionista.

Howenstine, por fim, apontou o boom de produtividade gerado pela IA, e não o volume de investimento em si, como a oportunidade mais interessante à frente, com potencial para se espalhar além das large caps americanas de tecnologia, atravessando setores, companhias e regiões.

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