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Expert XP 2026 | Infraestrutura: investindo na transformação do Brasil

Na Expert XP 2026, gestores discutem o avanço da infraestrutura no Brasil, os incentivos ao setor e as oportunidades de alocação de longo prazo.

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No painel “Infraestrutura: Investindo na Transformação do Brasil”, Leonardo Ono, gestor de crédito da Legacy, Pierre Massari, Diretor Executivo de Crédito da Arx, e Petrônio Cançado, Head e Gestor de Crédito da Occam, debateram, sob moderação de Renato Chaladovsky (Head of Credit Trading da XP), por que a infraestrutura voltou ao centro das carteiras brasileiras.

A conversa, que ocorreu durante o primeiro dia da Expert XP 2026, percorreu desde o volume recorde de investimentos e a mudança na composição do funding até o desenho dos incentivos fiscais, as lacunas estruturais do mercado de crédito local e as recomendações de alocação para os próximos anos.

Infraestrutura de volta ao centro das carteiras

O ponto de partida foi o volume: o país investiu R$ 260 bilhões em infraestrutura em 2024, cerca de 2,4% do PIB, com projeção de R$ 300 bilhões em 2026. Apesar do patamar recorde, os números seguem distantes dos 4% considerados necessários para fechar o gap de investimentos.

Mais relevante do que o volume, na avaliação dos participantes, foi a mudança na composição do funding, hoje majoritariamente privado. Petrônio Cançado atribuiu o protagonismo recente ao avanço concreto de projetos em saneamento, rodovias e geração de energia, viabilizado por um planejamento que finalmente destravou demanda, e destacou a natureza dos ativos envolvidos, com fluxos de caixa estáveis e corrigidos pela inflação.

Pierre Massari acrescentou dois vetores regulatórios: a isenção das debêntures incentivadas, que ganhou relevância à medida que a participação do BNDES no financiamento do setor se reduziu, e a tributação dos fundos exclusivos, que direcionou capital para fundos de infraestrutura. Leonardo Ono trouxe a perspectiva do investidor, marcada pela busca por previsibilidade em um mercado historicamente concentrado em renda fixa soberana, e apontou data centers e fibra ótica como frentes que se somam aos setores tradicionais.

O debate sobre o desenho dos incentivos fiscais

Houve convergência entre os participantes quanto ao caráter transitório que o modelo deveria ter. Petrônio Cançado avaliou que, do ponto de vista de alocação de capital, o cenário ideal seria a ausência de incentivos setoriais, ainda que reconheça a carência de investimentos em infraestrutura como justificativa para o desenho atual. Pierre Massari seguiu a mesma linha, lembrando que o capital é escasso e que cada incentivo criado tende a migrar recursos que poderiam financiar outros setores. Leonardo Ono acompanhou o diagnóstico, observando que o Brasil construiu um arranjo sem paralelo em outros mercados, nos quais o financiamento de infraestrutura cabe majoritariamente aos fundos de pensão, enquanto aqui a isenção foi o instrumento encontrado para atrair o investidor de varejo.

Para ele, ainda que não seja o modelo ideal, é hoje necessário, por viabilizar projetos com impacto direto na população. A discussão se estendeu à comparação entre NTN-B e debêntures incentivadas, com destaque para a vantagem do carrego isento em papéis longos.

Paciência e diversificação como pilares da alocação

Como mensagem final, os especialistas defenderam horizonte longo e portfólios pulverizados. Os três observaram que o investidor preocupado com volatilidade migrou para produtos atrelados ao CDI, movimento compreensível, mas pouco compatível com a natureza do crédito de infraestrutura. Pierre Massari apresentou a assimetria em dois cenários: o patamar atual de juros reais dificilmente se sustenta no longo prazo, o que representa uma oportunidade de ganho para quem se posiciona agora; e, caso se sustente, o quadro tende a vir acompanhado de inflação elevada, contra a qual os títulos atrelados ao IPCA oferecem proteção.

Petrônio Cançado apontou a carteira pulverizada como uma oportunidade relevante no momento, condicionada a acompanhamento próximo e a uma alocação calibrada ao apetite de risco de cada investidor. Leonardo Ono reforçou o papel da diversificação, lembrando que o impacto de um evento de crédito é substancialmente menor em uma carteira ampla do que em uma concentrada. O consenso foi que a volatilidade de papéis longos é característica do ativo, e não um defeito a ser evitado, cabendo ao mercado explicá-la melhor ao investidor.

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