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Futuro dos mercados: quais são as grandes teses do momento?

Na Expert XP 2026, gestores discutem as grandes teses globais e os riscos para o Brasil

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Nesta quinta-feira (23), durante a Expert XP 2026, o painel “Futuro dos mercados: quais são as grandes teses do momento?”, foi moderado por Felipe Manfredini (responsável por Parcerias de Fundos de Investimento da XP), e contou com a presença de Walter Maciel (CEO da AZ Quest Investimentos), Daniel Dupont (gestor do Kapitalo NW3 Plus) e Bruno Marques (responsável pela área de multimercados da XP Asset). Eles discutiram os principais fatores que devem direcionar os mercados no segundo semestre, além das oportunidades de investimento diante do atual cenário macroeconômico.

Ao abordar os principais drivers para os mercados no segundo semestre, os participantes destacaram que o cenário atual já vinha sendo construído antes mesmo dos conflitos recentes, marcado pela expansão do gasto fiscal observada desde a pandemia. Nos Estados Unidos, observa-se um impacto grande dessa lógica, além de uma sequência de choques associados ao investimento forte em IA, pressão de custos, choque de tarifas e, agora, choque nos preços de petróleo. Esse ambiente, com a economia crescendo acima do potencial, inflação acima da meta e choque simultâneo de oferta e demanda, tem sustentado juros mais altos globalmente. Outro ponto destacado foi a mudança na dinâmica das grandes empresas de tecnologia, que passaram de grandes geradoras de caixa para importantes tomadoras de poupança em função dos investimentos em infraestrutura para IA. Assim, o contexto econômico mundial favorece posições tomadas em juros, principalmente nos Estados Unidos, e uma postura mais cautelosa em relação a economias fiscalmente mais frágeis.

Transformação geopolítica

Na discussão sobre os próximos ciclos e oportunidades, ganhou destaque a avaliação de que o mundo passa por uma transformação geopolítica estrutural, marcada pelo reposicionamento da relação entre Estados Unidos e China. Nesse contexto, a reindustrialização americana e os investimentos em inteligência artificial foram apontados como tendências de longo prazo, enquanto a fragilidade econômica e demográfica da China pode levar a uma redistribuição global de capital, criando novas oportunidades e riscos para mercados emergentes.

Também foi ressaltado que estratégias baseadas em arbitragem de eventos corporativos, especialmente operações de fusões e aquisições, oferecem uma fonte de retorno menos dependente do cenário macroeconômico e contribuem para a diversificação dos portfólios.

Em relação ao Brasil, prevaleceu uma visão cautelosa. Os gestores avaliaram que o crescimento recente tem sido sustentado pelo forte impulso fiscal, elevando a dívida pública, a inflação e o nível estrutural dos juros. Na visão do painel, um ajuste fiscal será indispensável para restabelecer a sustentabilidade das contas públicas, tornando as eleições de 2026 um dos principais catalisadores para os ativos domésticos, a depender do compromisso do próximo governo com a consolidação fiscal.

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