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Capturando valor na transição energética: a estratégia de gigantes do mercado

Na Expert 2026, uma conversa sobre transição energética e sustentabilidade

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No painel “Capturando valor na transição energética: A estratégia de gigantes do mercado” da Expert XP 2026, participaram três especialistas do mercado: William Vella Nozaki, gerente-executivo de transição energética na Petrobras, Ricardo Grossi, presidente e COO da Serra Verde, e Marcella Ungaretti, head de Research ESG da XP.
A conciliação entre segurança energética e descarbonização foi um tema central nas discussões, bem como a montagem de cadeias de suprimento – segundo os palestrantes, o verdadeiro gargalo da transição, mais do que a disponibilidade de recursos naturais, nos quais o Brasil já é abundante.


De pauta de longo prazo a critério de alocação de capital


Ungaretti abriu o painel afirmando que a transição energética deixou de ser um tema de horizonte distante para se tornar central na mesa de decisão das companhias. Para a Petrobras, o tema entrou de forma transversal, atravessando desde iniciativas de descarbonização até a modernização do parque de refino – com avanço nas certificações das refinarias para que o produto seja aceito em mercados premium. Além disso, Nozaki apresentou o plano estratégico da companhia que prevê US$ 13 bilhões destinados à frente de transição. “Não é trivial falar de transição energética dentro de uma indústria de petróleo”, reconheceu o executivo, antes de apresentar a lógica que sustenta a estratégia: a companhia responde por 30% da oferta primária de energia do país e não enxerga sinal de retração no consumo; pelo contrário: para seguir ocupando esse espaço, precisa simultaneamente recompor reservas, garantir o suprimento de petróleo ao país e entrar em novas fontes. Nesse sentido, a companhia entra na tese de um petróleo com menos carbono, do gás como combustível de transição e do desenvolvimento de novos combustíveis com teor renovável.


Biocombustíveis agora, eletrificação depois


Ao detalhar onde moram as apostas, Nozaki desenhou o calendário em dois tempos. A década de 2026 a 2036 deve ser dominada por biocombustíveis, principalmente o biodiesel, pela vantagem competitiva das soluções drop-in, de incorporação e adaptação mais simples à infraestrutura existente. A agenda regulatória, sobretudo a Lei do Combustível do Futuro, foi apontada como fator determinante no desenho dessa rota. “As políticas públicas ajudam a desenhar o caminho”, resumiu. Já o período seguinte, de 2036 a 2046, tende a concentrar uma eletrificação mais acelerada – e a companhia diz estar se preparando para os dois momentos.


Terras raras: quebrar o monopólio é mais difícil do que achar o minério


Grossi trouxe o contraponto de um setor em que o Brasil parte quase do zero. Com capital americano e inglês e operação em Goiás, a Serra Verde se tornou a primeira produtora de terras raras em escala fora da Ásia. Atualmente, cerca de 90% da cadeia produtiva mundial está concentrada na China, e 99% da separação dos elementos acontece no mesmo lugar. “É um mercado que não tem de quem copiar”, disse Grossi, que relatou ter ido três vezes à China sem conseguir visitar uma única operação. Nesse sentido, a Serra Verde levou 18 anos para sair da exploração e chegar à produção, e teve de formar internamente toda a mão-de-obra técnica. Grossi também comentou sobre a fusão de US$ 2,8 bilhões com a USA Rare Earth, que deu ao grupo brasileiro 34% da companhia combinada e presença em quatro países e destravou o acesso a tecnologias que sequer estavam disponíveis no Ocidente.


Preço competitivo, acesso ao capital e previsibilidade regulatória


Na visão de Nozaki e Grossi, a viabilidade econômica é a régua que antecede qualquer outra na hora das companhias tomarem decisões sobre alocação de capital. Para Nozaki, “não se combina segurança energética e transição sem rentabilidade”. Grossi foi na mesma direção pelo lado da mineração: “Não existe nenhum negócio sem preço competitivo.” Com mais de 36 projetos de terras raras em pesquisa no país e um mercado que deve crescer ao menos 10% ao ano até 2040, o que falta, segundo ele, é acesso a capital e previsibilidade regulatória – investidores precisam de visão de longo prazo, e isso pressupõe estabilidade. Nas considerações finais, os dois convergiram: a Petrobras reafirmou o compromisso de manter papel relevante no cenário energético sem risco de abastecimento, e Grossi encerrou com a frase que sintetizou o painel – a transição energética vai acontecer, e o Brasil está bem posicionado para ela.

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