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Bolsa brasileira 2026: o que pode destravar o próximo ciclo?

Na Expert XP 2026, gestores discutem o que pode destravar o próximo ciclo da Bolsa brasileira

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O que virou o jogo na primeira metade do ano

O painel abriu com um balanço do estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, que moderou o debate. Segundo ele, a Bolsa brasileira se beneficiou na primeira metade do ano do fluxo estrangeiro, do dólar mais fraco e da exposição ao petróleo, movimento que se estendeu até 15 de abril, quando teve início uma correção que devolveu metade do capital que havia entrado. Ferreira apontou três desenvolvimentos recentes que considera positivos: a retomada do fluxo em julho, o indicador de sentimento da XP em nível de pessimismo extremo, patamar que historicamente coincide com viradas de mercado, e a melhora da assimetria do Ibovespa, com o valuation voltando a oferecer potencial de alta mesmo no cenário-base e algum espaço de ganho até no cenário pessimista.

Do medo da estagflação ao cenário desinflacionário

João Luiz Braga, sócio-fundador e analista na Encore Asset, defendeu que a edição do evento pode marcar o pico do pessimismo, com o juro entre as principais razões. Ele ponderou que o quadro de juros não está tão favorável quanto no início do ano, mas melhorou em relação a junho. Braga afirmou que seu maior receio era um cenário de estagflação e que a boa notícia é a confirmação de um ambiente desinflacionário, reforçado pela leitura recente do IPCA. “Só de ter deixado o cenário de corte de juros vivo, estou super feliz”, disse. Para ele, a guerra voltou a funcionar como gatilho de risco, mas um eventual fim do conflito passaria a atuar como gatilho positivo.

Octávio Magalhães, fundador e diretor de investimentos da Guepardo Investimentos, explicou por que prefere a renda variável mesmo diante do desafio fiscal e dos juros elevados. Ele questionou a percepção de que a NTN-B seria um ativo livre de risco e argumentou que, nesse ambiente, é possível comprar boas empresas, com boa gestão e estratégia, a preços comprimidos. Ao montar o fluxo de caixa descontado, afirmou, essas companhias entregam retorno equivalente a inflação mais 14% ou 15%, o que o leva a preferir comprá-las com desconto a emprestar ao governo via título público. Em sua visão, empresas de baixa alavancagem tendem a sair vencedoras, ganhando participação de mercado, enquanto as menores se perdem no caminho. Já Ferreira acrescentou que a Bolsa negocia em preço, enquanto a renda fixa negocia em taxa, e a leitura seria distinta se as ações fossem observadas pelo yield.

A estratégia por trás da construção das carteiras diante do cenário atual

Ao tratar da alocação diante do calendário eleitoral, os três especialistas convergiram para a qualidade das empresas como critério central. Magalhães disse dar menos peso ao setor, focando em vez disso na qualidade da companhia (priorizando geradoras de caixa, com baixa alavancagem, liderança de mercado e desconto frente ao valor justo). Braga afirmou ter empresas negociando a cinco vezes o lucro, situação pouco vista, e avaliou que o cenário pessimista já está amplamente precificado, ainda que possa piorar. Ele disse evitar “histórias complicadas”, com carteira de média IPCA+12% e presença de nomes domésticos, sob o argumento de que valuation e geração de caixa importam independentemente do vencedor da eleição. André Lion, CIO e gestor de ações da Ibiuna Investimentos, que acompanha o tema eleitoral desde o ano passado, destacou a busca pelas empresas líderes de cada setor, com liquidez e boa alocação de capital, e citou o Minha Casa Minha Vida como programa que deixou de ser de governo para se tornar de Estado, com continuidade provável e benefício para algumas companhias.

Sobre o desenho das carteiras, Braga descreveu uma abordagem que busca ser agnóstica quanto a setor, tipo de empresa e método de análise, com a ressalva do compromisso com value investing e horizonte de longo prazo. “Na minha carreira, nunca vi uma oportunidade tão boa para fazer isso”, disse, notando que o investidor estrangeiro tem aproveitado o momento por olhar para frente. Na Guepardo, Magalhães explicou que um filtro qualitativo reduz o universo a cerca de 70 empresas, das quais até 14 compõem o fundo, com pesos definidos pela convicção e limite de 25%. Lion afirmou que, em todas as estratégias, o mais importante é entender os riscos assumidos, sob conceito fundamentalista, mantendo posições enquanto a tese for válida e houver margem de segurança.

Ferreira encerrou observando que, na renda variável, os momentos mais desafiadores costumam ser os de maior oportunidade, e que o nível de preço e valuation da Bolsa sustenta o otimismo mesmo em um cenário macro volátil.

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