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Terras Raras e geopolítica: China restringe comércio com empresas americanas | Café com ESG, 23/06

Terras Raras em pauta no Brasil e no exterior

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Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do tema ESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O pregão de segunda-feira fechou em território positivo, com o IBOV e o ISE avançando 1,21% e 1,58%, respectivamente.

• Do lado das empresas, (i) a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, celebrou nesta segunda-feira a assinatura de um acordo com o BNDES para pesquisas relacionadas a minerais críticos e estratégicos, ligados às cadeias da transição energética – a parceria permitirá a troca de informações e a análise de lacunas de capacidade produtiva e tecnológica, além de projetos e iniciativas em execução ou em desenvolvimento; e (ii) a Rumo informou ontem que Pedro Palma deixará o cargo de diretor-presidente da companhia e será substituído interinamente por Daniel Rockenbach, que está há 15 anos na empresa e atualmente comanda a controlada Malha Sul – a mudança passa a valer em 20 de julho.

• Na política, a China restringiu o comércio com ao menos dez empresas norte-americanas em uma medida retaliatória que atinge grupos centrais para os esforços dos EUA de desenvolver uma cadeia de suprimentos de terras raras capaz de competir com a de Pequim – entre as companhias incluídas na “lista de entidades” estão USA Rare Earth e MP Materials, segundo comunicado divulgado ontem.

Gostaria de receber os relatórios ESG por e-mailClique aqui.
Gostou do conteúdo, tem alguma dúvida ou quer nos enviar uma sugestão? Basta deixar um comentário no final do post!

Brasil

Bahia é laboratório do primeiro empréstimo ESG da história da agência japonesa JICA

“A Bahia foi escolhida para sediar um experimento inédito no mercado global de finanças sustentáveis. A Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) assinou seu primeiro empréstimo vinculado a metas ESG em toda a sua história e o destinatário é a Neoenergia Coelba, distribuidora de energia elétrica que atende 6,9 milhões de clientes no maior estado do Nordeste. No Brasil, o grupo espanhol conta com um portfólio de geração 87% renovável. O contrato, no valor de R$ 764 milhões, é um Sustainability-Linked Loan (SLL), uma modalidade de crédito em que a taxa de juros varia conforme a empresa cumpre ou não compromissos de sustentabilidade previamente acordados. A operação está alinhada a uma iniciativa lançada na COP30 em Belém voltada a promover investimentos da agência japonesa em mudanças climáticas, energias renováveis, eficiência energética e biodiversidade. Embora a JICA atue há décadas, é a primeira vez que estrutura um instrumento financeiro desse tipo no mundo. Na prática, a Neoenergia Coelba paga menos se atingir os compromissos e vice-versa. O mecanismo transforma o financiamento em um instrumento de pressão real sobre o desempenho da companhia de energia, diferentemente de um simples empréstimo verde, em que o dinheiro precisa ir para um projeto específico. Segundo a companhia, o contrato tem duas frentes: a digitalização da rede de distribuição de energia e o aumento da participação de engenheiras eletricistas nas operações da Coelba, com a inclusão de uma métrica de gênero atrelada aos juros.”

Fonte: Exame; 22/06/2026

BNDES e Petrobras fecham parceria sobre minerais críticos e estratégicos

“A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, comemorou, nesta segunda-feira (22), a assinatura de um acordo com o BNDES para pesquisas relacionadas a minerais críticos e estratégicos, vinculados às cadeias da transição energética. “Vamos pesquisar os minerais essenciais para a eletrificação”, disse Chambriard, em evento no banco, com a presença do presidente Lula (PT). “Queremos dominar o cenário de tecnologia no Brasil” A parceria da petroleira com o banco, focada no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), vai permitir a troca de informações e de análises de lacunas de capacidade produtiva ou tecnológica, projetos e iniciativas em execução e em fase de desenvolvimento. Haverá ainda novas iniciativas que contribuam para o desenvolvimento das cadeias de transição energética e de óleo e gás. A executiva reforçou a contribuição da Petrobras em ampliar as vendas de petróleo, que levaram o produto a ser o principal item em exportação da pauta do Brasil. Ela antecipou que as exportações deste ano também serão recorde: “Este ano, vamos repetir”.”

Fonte: Valor Econômico; 22/06/2026

Pedro Palma deixará cargo de diretor-presidente da Rumo a partir de julho

“A Rumo informou, nesta segunda-feira (22), que Pedro Palma deixará o cargo de diretor-presidente da companhia. As razões da saída do executivo não foram informadas pela empresa de logistíca ferroviária. A posição será preenchida interinamente por Daniel Rockenbach, que está há 15 anos na Rumo e atualmente ocupa o cargo de diretor-presidente da controlada Malha Sul. A mudança passará a valer a partir de 20 de julho.”

Fonte: Valor Econômico; 22/06/2026

Rumo escolhe Rockenbach, “ferroviário raiz”, como novo CEO

A Rumo deve anunciar Daniel Rockenbach – um executivo que comanda a Malha Sul da companhia – como seu novo CEO, colocando à frente da operação um veterano da casa com amplo background no setor ferroviário, fontes a par da nomeação disseram ao Brazil Journal. Rockenbach – mais conhecido na Rumo como “Rock” – vai substituir Pedro Palma, que estava há dois anos no cargo e há 13 na companhia. Inicialmente, o novo CEO vai assumir a posição de forma interina – já que a Cosan está no processo de venda de uma participação na companhia, e a entrada de um novo sócio pode levar a novas mudanças no C-Level. A troca no comando vem num momento em que o mercado cobra a Rumo por uma melhor execução de seu capex e maior assertividade comercial. Uma fonte próxima à Rumo disse que a escolha de Rockenbach se deve a seu “histórico consistente dentro da empresa na execução da estratégia comercial” bem como seu “sucesso em diversos projetos de eficiência operacional e otimização da estrutura organizacional.” “Ele tem um perfil de ‘ferroviário raiz’: trabalha há 20 anos no setor e conhece profundamente o modelo de negócio,” disse esta fonte. “Além disso, junto com o [ex-CEO] Julio Fontana, ele fez um trabalho muito bom na extração das sinergias comerciais e operacionais na fusão da Rumo com a ALL, no planejamento estratégico da Rumo entre 2015 e 2020, e na gestão da Malha Sul ao longo dos últimos dois anos.” Rockenbach trabalha há 16 anos na Rumo: ele entrou na empresa na sua criação, em 2010. Antes de comandar a Malha Sul, foi diretor comercial e COO. E antes da Rumo, trabalhou quatro anos na MRS Logística e na ALL Logística. Ele assume o cargo no dia 20 de julho.”

Fonte: Brazil Journal; 22/06/2026

Pará tem posição privilegiada na corrida da bioeconomia

“Sob a liderança de açaí, castanha e cacau, o Pará está em posição privilegiada na corrida da bioeconomia como eixo de desenvolvimento, com a promessa de ganhos sociais e mitigação climática. A transição ocorre em um cenário de novas políticas públicas, demanda por práticas sustentáveis e acenos de financiamento. Há estoques naturais de bioprodutos e grande extensão de áreas já desmatadas e degradadas aptas à restauração em modelos emergentes de negócios, mas o mapa do caminho enfrenta barreiras em um momento-chave para a agenda avançar e mudar a lógica econômica da derrubada da mata. Além da estruturação da base produtiva, busca-se capital público e privado, atração de mercados e aumento de escala compatível com o conhecimento tradicional e a valorização da floresta. Após a visibilidade da COP30 em Belém, no ano passado, o Estado mobiliza cerca de R$ 1 bilhão em investimentos na economia da sociobiodiversidade, sendo R$ 600 milhões em infraestrutura. A estimativa é de um retorno de R$ 1,3 bilhão, em três anos – valor que aumenta no caso de aportes em tecnologias, industrialização e comercialização, conforme projeções do WRI Brasil.“Não vemos mais o setor como um puxadinho ou nicho, mas um novo paradigma econômico”, diz Camille Bemerguy, secretária-adjunta de Bioeconomia do Pará. Segundo ela, a estratégia é criar ambiente propício para negócios capazes de promover a escala da bioeconomia, que hoje representa 3,5% do PIB estadual, dominado pelo agronegócio e pela mineração. A meta é alcançar o patamar de 11% até 2050, a partir de inovações em produtos de maior valor agregado e da economia da restauração florestal, com cerca de US$ 1 bilhão investidos neste período.O movimento é resultado do Plano Estadual de Bioeconomia do Pará, que em três anos beneficiou 500 mil pessoas e 5 mil negócios de vários perfis, segundo a plataforma que monitora as ações – 50% já implementadas. “Falta entendimento do mercado para uma maior aproximação de grandes empresas”, reconhece Bemerguy, ao revelar que o governo estadual estuda incentivos fiscais para atrair indústrias ao sonhado “Vale Bioeconômico” paraense.”

Fonte: Valor Econômico; 23/06/2026

Pará deve receber US$ 14,7 bilhões em investimentos em mineração

“Segundo maior produtor mineral do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, o Pará deve captar US$ 14,66 bilhões (cerca de R$ 73,3 bilhões) para investimentos no setor no quinquênio 2026-2030. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e corresponde a pouco mais de 19% do que o setor poderá receber no país no mesmo período. Embora não haja no momento projeções de desempenho para este ano, o Pará foi responsável em 2025 por mais de um terço da receita nacional da mineração. Dos R$ 298,8 bilhões faturados, R$ 103,1 bilhões foram gerados pelas mineradoras que atuam lá. O Estado abriga não apenas a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo (Serra dos Carajás), mas também é um dos principais polos exportadores de minérios do país – nos últimos três anos, foi responsável por, em média, 36,5% do que o país enviou para fora. Quase metade dos municípios paraenses possuem hoje alguma atividade de mineração. No entanto, operar na Amazônia impõe desafios que precisam ser contornados. Entre eles, gargalos logísticos, regras ambientais complexas e investimentos significativos para desenvolver projetos com tecnologia de ponta, soluções de baixo impacto ambiental e descarbonização. Nessa pegada ambiental, a Mineração Rio do Norte (MRN) desembolsará R$ 900 milhões na construção de uma linha de transmissão que conectará suas operações ao Sistema Interligado Nacional (SIN) para receber energia limpa. “Buscamos reduzir em 21% a pegada de carbono a partir de 2027”, explica Guido Germani, CEO da MRN, líder na produção de bauxita e responsável por cerca de 30% da produção da alumina e de cerca de 20% da produção de alumínio no país. A empresa investiu no ano passado R$ 51 milhões em projetos socioambientais. Para garantir suas operações pelos próximos 15 anos, com produção de 12,5 milhões de toneladas/ano de bauxita, Germani diz que a companhia prevê investimentos de R$ 9 bilhões até 2041, além dos R$ 1,9 bilhão programados para 2026. No ano passado, a companhia desembolsou R$ 810,9 milhões (54,7% a mais em relação a 2024) para segurança operacional, eficiência energética, infraestrutura e sustentabilidade. “O foco da MRN é manter o patamar atual de produção, apesar de contar com 18 milhões de toneladas de capacidade instalada, o que permite aumentar a atual se houver maior demanda”, acrescenta Germani.”

Fonte: Valor Econômico; 23/06/2026

Solução para corte de geração de energia em usinas de etanol é improvável no curto prazo

“A corte de geração de energia nas usinas tipo 3, grupo que inclui plantas de cogeração que usam biomassa de cana-de-açúcar para gerar energia é preocupante, mas não há solução à vista, diz Alexandre Leite, sócio da área de energia do Dias Carneiro Advogados. “Para a cogeração, não tem previsão de reembolso [pela energia não vendida], só tem para as renováveis”, observa. Para ele, uma solução para o imbróglio teria que passar por alterações legislativas. As distribuidoras afirmam que apenas seguem ordens do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). “Entendemos que os prejuízos causados pela interrupção de energia que decorrem de determinação do operador do sistema (…) não caracterizam uma falta de prestação do serviço”, disse a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), em nota. Sobre a capacidade do distribuidor de selecionar qual usina sofrerá o corte de geração de energia (“curtailment”), a Abradee disse que “desde o início tem defendido que os critérios de curtailment sejam transparentes, tecnicamente fundamentados e que considerem as especificidades operativas de cada unidade de geração”. Já o ONS afirmou que “as diretrizes gerais do Plano [de Gestão de Excedentes] foram apresentadas em workshop destinado a todos os agentes envolvidos, em especial distribuidoras e Aneel”, para “garantir ampla transparência, difundir o entendimento sobre a importância da medida e obter contribuições que permitam aprimorar sua aplicabilidade prática”.”

Fonte: Globo Rural; 22/06/2026

Preços nos postos: Etanol é comercialmente vantajoso em oito estados e no DF

“Entre 14 e 20 junho, os preços da gasolina subiram e os do etanol caíram na média nacional. O biocombustível foi negociado a R$ 4,13 por litro (-0,5%) – menor valor desde janeiro de 2025 –, enquanto o combustível fóssil foi vendido a R$ 6,62/L (+0,2%). Com isso, o valor do etanol seguiu na faixa considerada economicamente favorável para o consumidor. Conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a relação entre o preço do biocombustível e o da gasolina foi de 62,4%, retração ante os 62,8% da semana precedente e o menor indicador desde março de 2024. Os números divulgados pela ANP levam em conta não somente o que é observado nos postos, mas também os volumes vendidos. Dessa forma, grandes mercados consumidores têm maior representatividade no resultado. Considerando as médias estaduais, o renovável segue economicamente vantajoso em oito estados e no Distrito Federal. De 15 a 19 de junho, o hidratado foi vendido pelas usinas de São Paulo a R$ 2,2429/L, elevação de 0,8% frente aos R$ 2,2247/L da semana anterior. Já nas usinas goianas, o produto passou por uma alta de 1,1%, enquanto nas mato-grossenses houve baixa de 1%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Em relação aos valores nos postos, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No intervalo mais recente, a pesquisa da ANP foi feita em 374 cidades brasileiras, duas a mais do que na semana anterior.”

Fonte: NovaCana; 22/06/2026

CFC apresenta à Fazenda ‘terceira via’ para reverter recuo da CVM 

“O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) propôs ao Ministério da Fazenda caminhos para superar o impasse com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a divulgação de informações financeiras de sustentabilidade e clima pelas empresas de capital aberto. Em ofício enviado ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, o conselho propõe restabelecer a obrigatoriedade de reportes alinhados aos padrões IFRS S1 e S2, que a autarquia revogou em maio, mas com o prazo de início de vigência alterado de 2026 para 2028. A manifestação, enviada no fim da semana passada, soma-se à reação contrária de entidades dos mercados de capitais e financeiro à Resolução 244, que desmontou o cronograma desenhado pela Resolução 193, de 2023. Essa não é uma reação qualquer: o CFC integra a coordenação do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), o órgão que elabora e faz a tradução técnica para o ordenamento brasileiro das normas do International Sustainability Standards Board (ISSB). Foi o CBPS quem editou os pronunciamentos CBPS 01 e 02, equivalentes ao IFRS S1 e S2. A escolha do destinatário também tem alvo certo. Em vez de dialogar diretamente com a CVM, o CFC apela à Fazenda, por esta ser a interlocutora que a própria Resolução 193 reconhecia como ponte entre a agenda de transformação ecológica do governo e a de finanças sustentáveis da autarquia. O conselho pede que a pasta avalie a proposta “em articulação com a CVM” e coloca o CBPS à disposição para modelar os dispositivos normativos.”

Fonte: Capital Reset; 22/06/2026

São Paulo investe R$ 6,5 bilhões e entrega 500 novos ônibus elétricos

“A Prefeitura de São Paulo entregou neste domingo, 21, um lote de 500 novos ônibus elétricos para o sistema municipal de transporte coletivo. Com a incorporação dos veículos, a cidade passa a operar uma frota de 1.759 ônibus elétricos, consolidando a maior operação desse tipo no Brasil. Os novos ônibus foram apresentados em uma ação realizada na Marginal Tietê, onde ocuparam duas filas paralelas ao longo de aproximadamente 7,2 quilômetros de via interditada. A entrega faz parte da estratégia da cidade para reduzir as emissões do transporte público e substituir gradualmente os veículos movidos a diesel. Pela regulamentação municipal, concessionárias não podem mais renovar a frota com ônibus a diesel quando os veículos atingem o fim de sua vida útil. De acordo com a prefeitura, os 500 novos ônibus deixarão de consumir aproximadamente 20 milhões de litros de diesel por ano e evitarão a emissão anual de mais de 45 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂). A estimativa também aponta uma redução de 110,6 toneladas de óxidos de nitrogênio (NOx) e de 0,9257 tonelada de material particulado. Segundo os cálculos apresentados pela administração municipal, o efeito ambiental dos novos veículos corresponde ao plantio de aproximadamente 3,2 milhões de árvores. Individualmente, cada ônibus elétrico equivaleria ao plantio de cerca de 6.400 árvores e evitaria a emissão de aproximadamente 87 toneladas de CO₂ por ano.”

Fonte: Exame; 22/06/2026

Internacional

A empresa chinesa CATL aposta que a troca de baterias reduzirá os custos dos caminhões elétricos na Europa

“A CATL planeja lançar mais de 30 estações de troca de baterias para caminhões elétricos na Europa até 2035. A maior fabricante de baterias do mundo aposta que a tecnologia pode reduzir os custos para as frotas a níveis inferiores aos dos caminhões a diesel. O grupo chinês fará parceria com a Octopus Energy, a maior fornecedora de energia residencial do Reino Unido, para construir uma rede de centros de troca de baterias que, segundo as empresas, poderá atender mais de 300.000 caminhões elétricos e gerar investimentos privados superiores a £ 30 bilhões na região. Com a troca de baterias, os caminhões elétricos poderão substituir baterias descarregadas por baterias totalmente carregadas em minutos, evitando o processo de recarga rápida, que leva quase uma hora. O modelo também pode reduzir o custo inicial de aquisição de um caminhão elétrico, pois as operadoras não precisam ser proprietárias da bateria, e as células podem durar mais se forem carregadas mais lentamente. “Com a troca de baterias… seremos mais baratos do que o diesel é hoje”, disse Greg Jackson, fundador da Octopus Energy, ao Financial Times. Embora tenha reconhecido que os custos do diesel foram inflacionados pela guerra no Irã, ele afirmou que, mesmo quando o preço do diesel cair, “nossos custos serão praticamente os mesmos” e, “ao contrário do diesel, ficaremos mais baratos a cada ano”. Espera-se que as primeiras estações de troca de baterias sejam instaladas no Reino Unido no próximo ano. Oscar Luo, chefe de investimentos internacionais da CATL, disse que a troca de baterias pode coexistir com o carregamento ultrarrápido, outra tecnologia liderada pela CATL e pela fabricante chinesa de veículos elétricos e baterias BYD.”

Fonte: Financial Times; 22/06/2026

Europa enfrenta onda de calor histórica com até 44°C; noites quentes em continente pouco preparado para o calor agravam riscos à saúde

“A Europa Ocidental enfrenta uma das ondas de calor mais intensas já registradas para o mês de junho, com temperaturas que podem atingir 44°C na Espanha e superar os 40°C em diversas regiões da França. O calor extremo já provoca interrupções em serviços públicos, fechamento de escolas, cancelamento de eventos esportivos e é apontado como um dos fatores que contribuíram para a morte de três idosos na França. A situação mais crítica é vivida pelos franceses. Quase metade dos departamentos do país foi colocada em alerta vermelho — o nível máximo de risco —, afetando cerca de 35 milhões de pessoas. As autoridades orientaram a população a evitar exposição ao sol, suspender atividades físicas ao ar livre e reforçar a hidratação. Segundo o serviço meteorológico francês, o país enfrenta um período de calor “excepcional” tanto durante o dia quanto à noite, com temperaturas acima de 40°C em cidades como Bordeaux, Toulouse e Limoges. Paris também deve registrar máximas próximas de 39°C. As temperaturas mínimas noturnas permanecem muito acima da média e já bateram recordes em diversas localidades. “Muitas pessoas vão sofrer porque o organismo acumula os efeitos de dias consecutivos de calor intenso”, afirmou a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, ao pedir atenção especial aos idosos e pessoas mais vulneráveis.No sudoeste francês, autoridades informaram que a morte de três pessoas entre 80 e 95 anos foi parcialmente atribuída às altas temperaturas. Além disso, dez pessoas morreram afogadas durante o fim de semana, em acidentes ocorridos enquanto buscavam aliviar o calor.”

Fonte: Globo; 22/06/2026

Chevron entra no setor de geração de energia com acordo de IA com a Microsoft

“A Chevron assinou um contrato de 20 anos para vender eletricidade à Microsoft para um data center no oeste do Texas, consolidando a entrada da gigante petrolífera americana no setor de energia para atender à significativa demanda gerada pela expansão da inteligência artificial. A produtora de petróleo e gás está trabalhando com a Engine No. 1, uma empresa de investimentos americana, para desenvolver o Projeto Kilby, que fornecerá 2,7 gigawatts de capacidade na Bacia Permiana. A Chevron deve tomar a decisão final sobre a construção de uma usina termelétrica a gás para o projeto ainda este ano. A empresa não divulgou o custo do Projeto Kilby, que está entre os maiores data centers dos EUA. “Este é um diferencial competitivo para nós”, disse Jeff Gustavson, presidente de novas energias da Chevron, em entrevista ao Financial Times. Ele afirmou que, de todos os projetos de data center anunciados nos EUA, “quase nenhum atingiu o marco que alcançamos hoje, tanto em termos gerais quanto especificamente entre nossos concorrentes”. A Chevron está em uma corrida com a rival ExxonMobil para expandir sua atuação em usinas de energia fora da rede, aproveitando a abundante produção de gás natural na Bacia Permiana, o coração energético do país. A NextEra Energy, uma empresa de serviços públicos com sede na Flórida, anunciou no ano passado uma parceria com a ExxonMobil para desenvolver usinas termelétricas a gás natural para atender seus clientes, entre eles o Google. A Chevron está se posicionando para se beneficiar da expansão da infraestrutura de IA nos EUA, à medida que grupos de tecnologia como Microsoft, Amazon e Alphabet (dona do Google) investem bilhões de dólares para aumentar a capacidade de seus data centers. Embora as empresas tenham colhido os frutos dos preços mais altos do petróleo bruto em decorrência da guerra com o Irã, o aumento da produção de petróleo na Bacia Permiana sobrecarregou a capacidade de escoamento de gás natural por gasodutos na região. O gás natural é um subproduto da produção de petróleo.”

Fonte: Financial Times; 22/06/2026

Grupo de energia renovável captará US$ 3,6 bilhões no maior IPO da China em quatro anos.

“A divisão de energia renovável de um conglomerado estatal chinês está se preparando para abrir capital na Bolsa de Valores de Shenzhen, naquela que será a maior oferta pública inicial (IPO) da China continental em mais de quatro anos. A China Resources New Energy Holdings deve captar US$ 3,6 bilhões ao iniciar as negociações em Shenzhen, na maior venda de ações na China continental desde o IPO da Cnooc em Xangai, em 2022. Segundo comunicado à Bolsa de Valores de Shenzhen, a empresa captará cerca de 24,5 bilhões de yuans (Rmb) ao ofertar 2,42 bilhões de ações a um preço pouco superior a 10 yuans por ação. A emissão atraiu forte interesse de investidores de varejo; a tranche de ações reservada para oferta online teve uma demanda 683 vezes superior à oferta, mesmo após o acionamento de um mecanismo de realocação (clawback) em favor de investidores offline. O interesse dos investidores de varejo pode ter sido impulsionado por medidas recentes de Pequim para limitar a exposição dos cidadãos chineses aos mercados de ações dos EUA. O alerta do órgão regulador para que ações estrangeiras fossem adquiridas apenas por canais oficiais surgiu poucos dias depois de a SpaceX, de Elon Musk, revelar detalhes de seu IPO de grande porte. A empresa é o braço de energia renovável da China Resources Power — listada em Hong Kong e também subsidiária do vasto conglomerado estatal China Resources Holdings. A China Resources Power propôs pela primeira vez a cisão (spin-off) da China Resources New Energy em março de 2023. A operação finalmente chega ao mercado em meio a sinais de uma recuperação mais ampla nos mercados de capitais da China continental, com o volume de emissões de ações em IPOs no mercado interno (onshore) registrando alta de 138% em relação ao mesmo período do ano passado. O órgão regulador de valores mobiliários da China havia endurecido o processo de aprovação de IPOs durante uma fase de baixa do mercado entre 2021 e 2024, como parte dos esforços para apoiar a bolsa de valores.”

Fonte: Financial Times; 23/06/2026

Países da Europa Central e Oriental exigem que a UE fortaleça o fundo de carbono para os membros mais pobres.

“Países da Europa Central e Oriental, incluindo Polônia, Bulgária, Romênia e Estônia, exigiram que a União Europeia fortaleça um fundo que ajuda as nações mais pobres da UE a fazerem a transição para energia limpa, conforme mostrou uma carta vista pela Reuters, enquanto Bruxelas se prepara para reformular a maior política de mudança climática do bloco. A Comissão Europeia está preparando uma revisão do sistema de comércio de emissões da UE (ETS) e está recebendo demandas concorrentes de governos e indústrias sobre como alterar o enorme esquema. A proposta da Comissão deve ser apresentada em 15 de julho. Em uma carta à Comissão Europeia datada de 19 de junho, os 12 governos instaram a UE a fortalecer o “fundo de modernização” – uma reserva de receitas das vendas de licenças do mercado de carbono, que investiu mais de 20 bilhões de euros (US$ 22,85 bilhões) desde 2021 para ajudar os Estados-membros mais pobres da UE a se livrarem dos combustíveis fósseis. “No atual contexto político e econômico, caracterizado por riscos geopolíticos e incertezas crescentes, mecanismos de financiamento previsíveis continuam sendo uma condição essencial para o sucesso da transição energética na UE”, dizia a carta. “Solicitamos um aumento significativo na escala do financiamento, alinhado aos crescentes desafios da transição.” A carta também foi assinada pela Grécia, República Tcheca, Croácia, Hungria, Letônia, Lituânia, Eslováquia e Eslovênia. A revisão do Sistema de Comércio de Emissões (SCE) da UE foi planejada para reformular o mercado de carbono a longo prazo, para além de 2030, a fim de alinhá-lo com a meta climática geral da UE para 2040 de reduzir as emissões em 90%.”

Fonte: Reuters; 22/06/2026

Índia não deve exportar açúcar por vários anos, com El Niño e demanda por etanol

“A Índia, que já foi o segundo maior exportador mundial de açúcar, deverá ter um excedente reduzido para exportação por pelo menos mais três safras, já que as condições climáticas do El Niño ameaçam a produção de cana e o aumento da demanda por etanol restringe a oferta. Essas duas pressões devem manter milhões de toneladas de açúcar fora do mercado mundial, reduzindo a oferta para importadores na Ásia, África e Oriente Médio e sustentando os preços de referência em Londres e Nova York. Uma ausência prolongada da Índia nos mercados de exportação retiraria um importante fornecedor, à medida que os riscos climáticos e as políticas de biocombustíveis remodelam os fluxos globais do comércio de ‌açúcar. Entrevistas com mais de uma dúzia de executivos do comércio e da indústria, fontes governamentais e agricultores mostram que a menor disponibilidade de cana e a crescente demanda por etanol deixarão pouco para exportação por vários anos, levando os corretores de empresas globais a alertar as sedes sobre a redução das oportunidades na Índia, segundo fontes do setor. O açúcar é um tema politicamente sensível na Índia, maior consumidor mundial, onde doces são muito populares e muitas famílias de baixa renda dependem dele como fonte barata de calorias. “A oferta já está escassa na Índia, e agora o El Niño está se tornando um grande risco”, disse Rahil Shaikh, diretor-gerente da Meir Commodities India, uma corretora com sede em Mumbai.”

Fonte: NovaCana; 22/06/2026

China restringe comércio com dez empresas dos EUA na disputa pelo controle de terras raras

“A China restringiu o comércio com ao menos dez empresas norte-americanas, em uma medida retaliatória que atinge alguns grupos centrais para os esforços dos EUA de construir uma cadeia de suprimentos de terras raras capaz de rivalizar com a de Pequim. USA Rare Earth e MP Materials, além da fabricante de motores de alta tecnologia Aveox, estão entre as dez companhias adicionadas à “lista de entidades” da China, de acordo com um comunicado emitido pelo ministério do Comércio nesta segunda-feira (22). A pasta chinesa afirmou que a medida foi uma resposta à inclusão “indevida” de entidades do país à “Lista de Empresas Militares Chinesas” de Washington, ao mesmo tempo em que protege a “segurança nacional e os interesses” da China. O ministério das Finanças da China disse em comunicado que empresas nacionais estão proibidas de comprar produtos de outras 46 empresas de defesa dos EUA. As medidas de retaliação de Pequim vieram menos de duas semanas depois de o Pentágono reincluir a gigante do comércio eletrônico Alibaba, o grupo de buscas e IA Baidu e a produtora de veículos elétricos e baterias BYD em uma lista de empresas chinesas que foram proibidas por serem consideradas um risco à segurança nacional dos EUA devido a supostas conexões com o Exército de Libertação Popular. As empresas chinesas negaram ter vínculos militares. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, se reuniram em Pequim no mês passado e concordaram em trabalhar por uma “relação construtiva de estabilidade estratégica”. A expectativa é que eles se encontrem novamente em setembro, antes do término de uma trégua em sua guerra comercial em novembro.”

Fonte: Folha de São Paulo; 22/06/2026

Reino Unido aposta alto no clima, mas perde seu fiador 

“O primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciou nesta segunda-feira (22) que deixará a liderança do Partido Trabalhista inglês e, portanto, o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. O anúncio ocorre durante a Semana do Clima de Londres, que tem ganhado espaço na agenda de transição climática, e pouco após o país apresentar uma das metas climáticas mais ambiciosas do planeta. Há dúvidas, agora, sobre o compromisso político para sustentá-la. A sucessão de Starmer, somada à pressão crescente de adversários políticos pelo fim de compromissos verdes, coloca em xeque a capacidade de o país manter o ritmo. O Reino Unido apresentou no início do mês sua nova meta para 2040: reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 87% em relação aos níveis de 1990. Ela ainda depende de aprovação do Parlamento inglês, mas contrasta com os recuos recentes de potências como Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Índia. O cenário pós-Starmer é incerto. O nome mais cotado para sucedê-lo é Andy Burnham, atual prefeito da Grande Manchester. Ele se denomina como um “socialista pró-mercado” e disse à Bloomberg estar “de mente aberta” sobre permitir mais perfurações em águas britânicas para exploração de petróleo e gás natural. O Reform UK, que lidera as pesquisas de intenção de voto, prometeu abandonar metas climáticas, cancelar contratos de parques eólicos e ampliar a exploração de combustíveis fósseis. Um de seus principais expoentes, Nigel Farage, é um parlamentar alinhado ao presidente dos EUA, Donald Trump. Já o Partido Conservador, que lidera a oposição, prometeu revogar o Climate Change Act, lei promulgada em 2008 que estabeleceu metas juridicamente vinculativas para a redução das emissões de gases de efeito estufa no Reino Unido.”

Fonte: Folha de São Paulo; 22/06/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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