XP Expert

Banco Central deve ampliar regras para divulgação de exposição financeira a setores intensivos em carbono | Café com ESG, 06/08

Normas no Banco Central em destaque

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no X
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail
MY Banner Intratexto2semestreMid Year 2026 Hellobar mobile

Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O mercado fechou o pregão de terça-feira em território levemente negativo, com o IBOV e ISE recuando 0,09% e 0,17%, respectivamente.

• No Brasil, (i) a diretoria do Banco Central deve aprovar, ainda em agosto, uma nova norma que obrigará as instituições financeiras a divulgar dados quantitativos a respeito de sua exposição aos setores mais relevantes em emissões de gases de efeito estufa, afirmou Kathleen Krause, chefe adjunta da instituição – em contexto, o BC já obriga as instituições financeiras a divulgarem informações sobre sua exposição aos setores com alta emissão de carbono, mas até agora abrange mais informações qualitativas; e (ii) o avanço da inteligência artificial (IA) e dos data centers deve aumentar a demanda por energia limpa e estimular o mercado de créditos de carbono, avaliaram especialistas durante painel promovido nesta quarta-feira pela ANP, na Rio Innovation Week – segundo Danilo Gomes, engenheiro da Petrobras, o consumo de eletricidade pelos data centers já representa um desafio em ascensão, e a nova demanda por energia tende a fortalecer mecanismos de certificação ambiental e de rastreabilidade das emissões.

• No internacional, segundo um estudo da Climate Bonds Initiative, o volume de títulos verdes emitidos na Europa deve retomar níveis recordes este ano, levando a emissão global a um patamar histórico, à medida que o interesse renovado pela segurança energética ajuda a compensar a queda nas emissões nos EUA – globalmente, o total de emissões caminha para superar, até o fim do ano, os US$ 673 bilhões vendidos em 2024.

Gostaria de receber os relatórios ESG por e-mailClique aqui.
Gostou do conteúdo, tem alguma dúvida ou quer nos enviar uma sugestão? Basta deixar um comentário no final do post!

Brasil

Política de remuneração aos acionistas independe das eleições, diz presidente da Prio

“A política de remuneração a acionistas da Prio não depende do resultado das eleições presidenciais marcadas para outubro, afirmou o presidente da companhia, Roberto Monteiro. Segundo ele, a empresa já sabia que o pleito seria polarizado, ao mesmo tempo que o plano da Prio foi construído de olho nas oportunidades de investimentos em aquisições de ativos (M&A, na sigla em inglês). Monteiro disse que a política de remuneração aos acionistas foi construída de forma flexível, de modo que novas oportunidades de M&A permitam a suspensão de distribuições de recursos para que a empresa possa acumular caixa e realizar investimentos que julgue “interessantes”. O executivo disse ser difícil prever fatos como uma possível retomada de venda de ativos maduros pela Petrobras, por exemplo. “A política independe das eleições, mas se baseia por expectativas de [oportunidades de] M&A. A política é flexível o suficiente para abraçar tudo isso”, disse Monteiro, ao participar de teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre. Monteiro avalia ainda que o momento está fechado para transações de compra e venda de ativos, uma das estratégias de crescimento da companhia. Segundo ele, todas as vezes em que o preço do petróleo vai para patamares considerados extremos — muito elevados ou muito baixos — as transações desaparecem e o mercado de M&A “míngua”. O executivo estimou cenário de preço de petróleo na casa de US$ 90 o barril, já considerado “extremo”. “A partir de US$ 90, o mercado míngua. O vendedor quer vender sempre a [uma cotação de] US$ 90 e o comprador quer pagar US$ 75. O mesmo acontece quando [o barril] cai demais; dá uma ‘seca’ no mercado”, afirmou.
Para ele, o momento atual é de baixo número de transações, apesar do preço do petróleo girar na casa dos US$ 75. “É um patamar normal, sim, mas com uma volatilidade que impede qualquer negócio.””

Fonte: Valor Econômico; 05/08/2026

Riza quer levantar R$ 1 bi para fundo de florestas e mira demanda de estrangeiros por ativos ESG

“Com R$ 25 bilhões sob gestão, sendo R$ 5,5 bilhões no setor do agronegócio, a Riza Asset vai avançar no mercado de ativos florestais, segmento ainda pouco explorado no país e que hoje soma cerca de R$ 10 bilhões em fundos. A gestora está estruturando um fundo de aproximadamente R$ 1 bilhão para investir em florestas de eucalipto, com foco em investidores institucionais, especialmente estrangeiros, e expectativa de iniciar a captação em setembro. O veículo será um Fiagro, terá prazo de 15 anos e deverá adquirir inicialmente cerca de cinco propriedades, somando aproximadamente 20 mil hectares, onde serão implantadas florestas destinadas tanto ao fornecimento de madeira para a indústria de celulose quanto, principalmente, para o mercado de geração de energia renovável, para indústrias como usinas de etanol de milho, esmagadoras de soja e siderúrgicas. Segundo Paulo Mesquita, fundador do grupo Riza e responsável pela área de agronegócio, a gestora pretende aproveitar um momento de crescimento estrutural da demanda por madeira no país. Hoje, os cerca de R$ 5,5 bilhões em estratégias ligadas ao agro estão concentrados principalmente em crédito e terras agrícolas. Embora a Riza já tivesse experiência em terras agrícolas, sua aproximação com ativos florestais começou no fim de 2022, quando adquiriu, por meio do fundo Riza EOS, a Ecobrasil Florestas. A operação permitiu à gestora conhecer mais profundamente o setor e identificar oportunidades além da indústria de celulose. Segundo o executivo, a tese agora inclui áreas próximas a polos industriais de processamento de grãos e produção de etanol de milho, onde o consumo de biomassa cresceu significativamente nos últimos anos. A preferência será por áreas de pastagens degradadas, cujo preço ainda é inferior ao de regiões tradicionais de silvicultura. Enquanto áreas consolidadas para produção de eucalipto no Mato Grosso do Sul chegam a custar cerca de R$ 35 mil por hectare, regiões de outros estados ainda apresentam preços próximos de R$ 18 mil por hectare, de acordo com Mesquita. A ideia é usar nossa expertise em terras agrícolas para a aquisição dos ativos e para a implantação das florestas”, comenta ele, que cita seu fundo de terras Riza Terrax, listado na B3 desde 2020, com R$ 1,85 bilhão em valor de mercado. A expectativa é capturar tanto o retorno operacional da madeira quanto a valorização imobiliária das propriedades. O fundo foi desenhado para gerar receita por três frentes: venda da madeira; créditos de carbono; valorização das terras ao longo do ciclo de investimento.”

Fonte: Valor Econômico; 05/08/2026

Economia digital deve pressionar demanda por energia e créditos de carbono, dizem especialistas

“O avanço da inteligência artificial (IA) e dos data centers deve aumentar a demanda por energia limpa e estimular o mercado de créditos de carbono, avaliaram especialistas durante painel promovido nesta quarta-feira (5) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na Rio Innovation Week. Segundo Danilo Gomes, engenheiro da Petrobras, o consumo de eletricidade pelos data centers já representa um desafio em ascensão. Ele citou dados da Agência Internacional de Energia (IEA) que mostram que essas instalações consumiram 415 terawatts-hora (TWh) em 2024, cerca de 1,5% da demanda global de eletricidade. A estimativa é que esse volume chegue a 945 TWh até 2030, patamar próximo ao consumo atual do Japão. “O gargalo da economia digital deixou de ser o chip ou o data center. Hoje, o desafio é garantir disponibilidade de energia, e esses novos consumidores já chegam exigindo eletricidade de baixa emissão”, afirmou Gomes. Na avaliação do executivo, a nova demanda tende a fortalecer mecanismos de certificação ambiental e de rastreabilidade das emissões, ampliando o interesse pelo mercado de carbono. Segundo ele, empresas que operam grandes plataformas digitais e infraestrutura de IA buscam comprovar a origem renovável da energia consumida e reduzir sua pegada de carbono. Gomes afirmou que a Petrobras estuda tecnologias para automatizar a certificação de emissões e evitar dupla contagem de créditos de carbono, utilizando ferramentas digitais para aumentar a confiabilidade das informações e reduzir custos de verificação. O debate ocorre enquanto o Brasil avança na implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), criado por lei aprovada no fim de 2024. A regulamentação prevê um período de cinco anos até o funcionamento pleno do mercado. Ricardo Gedra, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), explicou que os dois primeiros anos serão dedicados à definição das regras, metodologias e setores obrigados a participar do sistema. Em seguida, haverá um período de adaptação das empresas, antes da entrada em operação do mercado regulado.”

Fonte: Valor Econômico; 05/08/2026

BNDES e bancos apontam garantias e falta de padronização como entraves ao financiamento climático

“O crescimento das finanças sustentáveis no Brasil ainda não foi suficiente para eliminar os obstáculos que impedem o capital privado de chegar a projetos de restauração florestal, agricultura regenerativa e descarbonização da indústria. A avaliação é compartilhada por representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras instituições financeiras, que defendem mudanças nos mecanismos de garantia, maior padronização de critérios e projetos mais estruturados para ampliar o financiamento climático no país. O diagnóstico foi apresentado durante debate promovido pela AYA Earth Partners na Semana do Clima em São Paulo e reflete, em parte, os aprendizados da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP), iniciativa coordenada pelo Ministério da Fazenda e secretariada pelo BNDES para mobilizar capital privado para projetos ligados à transição ecológica. Criada há dois anos, a plataforma BIP concentra sua atuação em três frentes — energia, indústria e soluções baseadas na natureza — e, segundo Julia Fontes, economista especialista em finanças climáticas do Departamento de Transição Climática do BNDES e responsável pelo secretariado da BIP, passou esse período identificando os principais obstáculos enfrentados por cada setor. No caso das soluções baseadas na natureza (SbN), a primeira mudança foi reduzir de US$ 20 milhões para US$ 10 milhões o valor mínimo dos projetos aceitos pela plataforma. Segundo Fontes, a exigência anterior acabava excluindo iniciativas como as de restauração florestal, agroflorestas e agricultura regenerativa, que costumam ser menores e menos estruturadas do que projetos de energia ou infraestrutura. Mesmo após a mudança, o principal desafio continua sendo a obtenção de garantias compatíveis com esse tipo de investimento. Segundo a economista, projetos cuja remuneração depende da futura geração de créditos de carbono têm dificuldade para atender às exigências tradicionais do sistema financeiro, como cartas de fiança lastreadas integralmente em caixa. “Imagina: seu projeto é, você quer plantar, e daqui a dez anos vai gerar crédito de carbono. Qual é a garantia antes de você gerar esses créditos? Uma terra que não está plantada não tem valor”, exemplificou.”

Fonte: Valor Econômico; 05/08/2026

Movida a biometano, UTE Paulínia Verde inicia operação comercial com contrato no LRCAP

“A Usina Termelétrica (UTE) Paulínia Verde iniciou, no dia 1º de agosto, sua operação comercial para atender o volume contratado no Leilão de Reserva de Capacidade 2026 (LRCAP). O acordo para o fornecimento de energia firme ao Sistema Interligado Nacional (SIN) tem vigência de dez anos. O projeto é desenvolvido pela Mercurio Partners, em parceria com a Orizon VR e a Gera Energia. Localizada na Região Metropolitana de Campinas (SP), um dos principais centros de carga do país, UTE foi uma das vencedoras na rodada 2026, para térmicas existententas, com 21,3 MW. Segundo a companhia, a usina é a primeira movida a biometano a integrar a rede nacional. A planta já havia sido vencedora do Procedimento Competitivo Simplificado (PCS 2021). Com investimento de R$ 180 milhões e capacidade instalada de 23,4 MW, a unidade utiliza o biogás gerado pela decomposição da matéria orgânica do lixo urbano depositado no aterro Ecoparque de Paulínia (SP). Por meio de processos de purificação, o insumo é transformado em biometano, que é queimado nos motores da usina para a geração de energia elétrica. O processo evita a emissão anual de aproximadamente 80 mil toneladas de CO2 equivalente.”

Fonte: Eixos; 05/08/2026

Com El Niño à vista, Nestlé usa IA e reduz em 36% o consumo de água em cafezais do Espírito Santo

“Nos cafezais do Espírito Santo, o último El Niño trouxe estresse hídrico e térmico à safra em 2024, obrigando os produtores a se adaptarem com a irrigação por bombas. Para dar um passo além, a Nestlé decidiu testar se a inteligência artificial poderia otimizar “quando e quanto” irrigar em 20 propriedades parceiras do Nescafé Plan. Por meio de um projeto pioneiro, a gigante de alimentos instalou estações meteorológicas nas fazendas para coletar dados de temperatura, chuva, umidade e evapotranspiração. A plataforma analisa os dados climáticos em tempo real e recomenda o momento exato para ligar e desligar a irrigação, evitando desperdícios. O resultado do piloto foi positivo: redução de 36% no consumo de água por quilo de café produzido e cerca de 15% de economia em energia, já que as bombas trabalham só pelo tempo necessário. O investimento foi de R$ 400 mil e integra o aporte global de 1 bilhão de francos suíços que a companhia já destinou ao programa Nescafé Plan até 2030. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla da Nestlé para descabonizar a cadeia do café, cacau e leite. A empresa estruturou a agricultura regenerativa como pilar central ESG depois de constatar que cerca de 70% das suas emissões de carbono vêm do setor agropecuário, boa parte delas fora do controle direto da empresa, no chamado Escopo 3, referente aos fornecedores. Hoje, o programa já apoia mais de 10 mil produtores em todo o Brasil. “Ao levarmos a tecnologia para o manejo da irrigação, promovemos um ganho ambiental e econômico ao mesmo tempo”, diz Rodolfo Clímaco, gerente de agricultura para Cafés na Nestlé e líder do Nescafé Plan no Brasil, em entrevista à EXAME. Segundo o executivo, a solução combina uma série de benefícios: preservação dos recursos hídricos, melhora na saúde do solo e redução de custos operacionais para o produtor, além de tornar as propriedades mais preparadas para enfrentar eventos climáticos extremos como secas.”

Fonte: Exame; 05/08/2026

Aéreas temem falta de combustível sustentável

“Aposta do setor aéreo para reduzir emissões, o combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) começa a ser obrigatório para os aviões comerciais a partir de 2027. O uso se dará pela mistura nos tanques junto ao querosene tradicional. As companhias, entretanto, estão apreensivas diante da oferta limitada de SAF e de seu preço até cinco vezes mais elevado do que a versão fóssil O Brasil adotou metas de descarbonização com a lei do Combustível do Futuro em 2024. Pela regra, as aéreas em voos domésticos vão ter de reduzir suas emissões em 1%, em 2027 e em 2028. O percentual sobe a cada ano depois disso, chegando a 10% em 2037. O modelo é diferente do usado em regiões como a Europa, em que a conta é feita pelo percentual de mistura do combustível. No Brasil, a política pública foi adaptada para considerar a vantagem competitiva local em biocombustíveis “No mundo, a produção é concentrada em HEFA [sigla para Hydroprocessed Esters and Fatty Acids], que vem das oleaginosas. Temos tecnologias como ETJ [a partir do etanol], que o Brasil será um dos poucos a produzir. O mandato brasileiro foi feito considerando a vantagem estratégica do país. Somos um dos poucos com uma indústria de biocombustíveis já estruturada”, disse Marcela Anselmi, gerente de meio ambiente e transição energética da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Apesar disso, as aéreas têm demonstrado preocupação com a nova norma. Maria del Mar Whittaker, diretora de responsabilidade corporativa do grupo Abra, holding da Avianca e da Gol, afirma que as regras são importantes, mas que o custo é uma barreira ao negócio “O combustível de aviação convencional representa cerca de 40% dos custos operacionais na região. O preço do SAF pode ser de 3 a 5 vezes superior ao fóssil”, disse. Segundo ela, o efeito de preço do SAF já começou a ser sentido na Europa e em países asiáticos, onde a obrigatoriedade já está em vigor Ela afirma que a transição energética precisa ser inclusiva e adaptada às realidades econômicas da região. “Na América Latina, a conectividade aérea não é um luxo, mas um facilitador social e econômico indispensável para a saúde, o emprego e o turismo”, disse a executiva. Em 2022, o grupo Latam anunciou a intenção de que o SAF representasse 5% do consumo de combustível global da aérea até 2030. O plano veio como forma de incentivar a produção de biocombustíveis na América Latina. Em entrevista recente ao Valor, o CEO global da Latam, Roberto Alvo, disse que o cenário é delicado para o SAF na região. “Infelizmente, após mais de quatro anos, ainda não temos uma só gota do SAF produzido aqui”, disse. Segundo o executivo, diante do cenário, dificilmente a empresa vai alcançar o patamar de 5% até 2030. Procurada, a Azul disse que acompanha a pauta e mantém diálogo com diferentes agentes da cadeia de biocombustíveis. “No momento, o foco é avaliar cronogramas reais de entrada em operação, discutir modelos de precificação e distribuição do combustível”, disse. Apesar da proximidade do início da obrigação do SAF, o setor ainda aguarda a publicação de um decreto presidencial regulamentando a lei. A Anac será responsável por fiscalizar e coletar os dados acerca das emissões. Já a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai determinar o percentual de redução de cada tipo de combustível. “Vamos iniciar uma consulta pública logo após a publicação do decreto presidencial. A expectativa é que, em três a quatro meses [após o aval do governo], a regulamentação da Anac esteja pronta”, disse Anselmi. Para além do preço, a oferta do SAF é um desafio. Segundo a diretora-executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Fernanda Rezende, foram mapeadas 146 instalações de SAF em operação ou anunciadas no mundo, com capacidade potencial de aproximadamente 19 milhões de toneladas anuais. Esse volume equivale a 5,7% da demanda global de querosene de aviação em 2024.”

Fonte: Valor Econômico; 06/08/2026

BC deve aprovar neste mês nova norma de divulgação de dados ESG

“A diretoria do Banco Central deve aprovar ainda em agosto a nova norma que obrigará as instituições financeiras a divulgar dados quantitativos a respeito de sua exposição aos setores mais relevantes em emissões de gases de efeito estufa, afirmou hoje Kathleen Krause, chefe-adjunta do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial do BC, durante o Fórum de Finanças Sustentáveis realizado no âmbito da São Paulo Climate Week. O tema foi submetido a consulta pública, que já se encerrou. Segundo Krause, a participação na consulta foi elevada. O BC já obriga as instituições financeiras a divulgarem informações sobre sua exposição aos setores com alta emissão de carbono, mas até agora a obrigação abrange mais informações qualitativas. Segundo Krause, a nova regulamentação vai colocar “camadas adicionais de informações quantitativas, como indicadores, metas de exposição por setor, por região, dando destaques para setores muito importantes em emissão de carbono, setor de energia, agropecuária e mineração”. Ela ressaltou que o Banco Central “tem o cuidado de promover regulação em linha com as recomendações internacionais” para “evitar custo de observância desnecessário e para que as informações sejam complementares e únicas”. Krause disse ainda que, em paralelo ao aumento das exigências, a instituição também está aperfeiçoando o processo de supervisão “para assegurar a implementação adequada desse arcabouço”. O Fórum de Finanças Sustentáveis foi promovido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Durante a abertura do evento, as três entidades reforçaram a importância de unir esforços para o desenvolvimento do tema no mercado financeiro brasileiro. “O mercado financeiro tem uma importância muito grande, mas cada um dos atores sozinho não é capaz de chegar a lugar nenhum. Nós temos que trabalhar juntos. Então o mercado bancário, o mercado de capitais e mercado segurador, quando juntos, vão conseguir realizar muito mais do que conseguiriam isoladamente”, disse Cacá Takahashi, diretor da Anbima. Claudia Prates, diretora de sustentabilidade da CNSeg, disse que as entidades estão trabalhando para entender como o setor financeiro como um todo pode contribuir para a transição climática “trocando a roda no momento em que a bicicleta está andando”, ou seja, atuando tanto na adaptação climática quanto na mitigação dos efeitos dos eventos relacionados ao clima. Isaac Sidney, presidente da Febraban, disse que o desafio hoje “não é mais de engajamento”, mas sim avançar de forma significativa na implementação de políticas já construídas, no aprimoramento da regulação e na incorporação da sustentabilidade como ativo estratégico das instituições financeiras.”

Fonte: Valor Econômico; 05/08/2026

Regulamentação da Lei do Combustível do Futuro é vista como marco para destravar uso de produto sustentável na aviação

“O Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês) vem ganhando relevância global como uma das principais alternativas para reduzir as emissões de carbono no transporte aéreo. Diante das metas internacionais de descarbonização e da crescente demanda por combustíveis de baixo carbono, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar a produção dessa solução, especialmente pela diversidade de matérias-primas disponíveis e pela experiência acumulada em biocombustíveis. Às vésperas da entrada em vigor do mandato previsto na Lei do Combustível do Futuro, em 2027, representantes da indústria, da pesquisa, do setor aéreo e do governo convergem na avaliação de que o próximo ano marcará o início de uma nova etapa para o país. O consenso é que o Brasil dispõe de ativos industriais, capacidade agrícola e conhecimento tecnológico para participar desse mercado. Durante debate promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na Rio Innovation Week, especialistas destacaram que a publicação do decreto que regulamenta a lei, aguardado para os próximos meses, será determinante para dar previsibilidade aos investimentos e viabilizar a implementação do mandato de redução das emissões da aviação doméstica. A Lei do Combustível do Futuro estabelece uma implementação gradual para o uso do SAF. A partir de janeiro de 2027, os fornecedores de querosene de aviação deverão promover uma redução de 1% na intensidade de emissões de gases de efeito estufa do combustível comercializado. Essa exigência aumenta um ponto percentual por ano, de forma escalonada, até atingir 10% de redução em 2037. Diferentemente de outros biocombustíveis, a lei não determina um percentual fixo de mistura de SAF ao querosene fóssil, mas uma meta de descarbonização, o que permite que diferentes rotas tecnológicas contribuam conforme seu desempenho ambiental. Na visão da Petrobras, o mercado brasileiro entra em uma fase de implementação depois de anos de desenvolvimento tecnológico. Segundo André Bello, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da companhia, a estratégia da estatal combina soluções de curto prazo, baseadas no coprocessamento de óleos e gorduras em refinarias existentes, com investimentos em tecnologias mais avançadas para os próximos anos. A empresa afirma estar preparando quatro refinarias para produzir SAF por coprocessamento a partir de 2027 e também desenvolve projetos de plantas dedicadas para processamento de matérias-primas renováveis.”

Fonte: Valor Econômico; 05/08/2026

Data centers devem arcar com custos ambientais e do sistema elétrico, cobram especialistas

“Especialistas defenderam, nesta terça (4/8) que a regulamentação dos data centers de inteligência artificial estabeleça mecanismos para impedir que os custos da infraestrutura elétrica necessária para atender esses empreendimentos sejam repassados aos consumidores brasileiros. O debate ocorreu em audiência pública, convocada pela senadora Teresa Leitão (PT/PE), sobre o PL 3018/2024, de autoria do senador Styvenson Valentim (Podemos/RN). O projeto estabelece regras para a operação de data centers voltados à inteligência artificial e prevê a adoção de tecnologias de eficiência energética, auditorias periódicas de consumo, divulgação de relatórios anuais, metas de redução de emissões e planos de gestão ambiental. Para Teresa Leitão, a regulamentação não pode se limitar à atração de investimentos. Segundo ela, o debate deve incorporar “reflexões sobre sustentabilidade ambiental, impactos sociais e territoriais, governança, segurança de dados, transparência, privacidade, segurança da informação e proteção dos direitos fundamentais”. “Os data centers de hoje são as caravelas do colonizador, que tentava iludir os indígenas com os espelhinhos. E agora estão querendo iludir com o Google, com TikTok”, afirmou a senadora, fazendo referência à metáfora utilizada pelo cacique Roberto Anacé. Vale lembrar que o Redata — projeto aprovado pela Câmara que condicionava isenções tributárias a data centers que utilizassem energia renovável e sistemas de resfriamento com circuito fechado de água — foi um política que nasceu do próprio governo PT, via medida provisória assinada pelo presidente Lula, sob o discurso de soberania digital. Atualmente, o Senado ainda aguarda a distribuição da matéria para votação, que segue travada em meio às discussões sobre inclusão do gás natural no texto. Roberto Anacé contesta o argumento de que grandes data centers reforçam a soberania nacional. “Não entendo uma soberania quando os cabos são interligados a todos os outros países. Falar que o data center vai trazer soberania para o Brasil é um equívoco”, disse. O líder indígena faz parte da comunidade indígena Anacé, de Caucaia (CE), vizinha ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém, onde será instalado um dos maiores projetos de data centers do país, ligado ao TikTok. O empreendimento vem sendo alvo de questionamentos relacionados ao licenciamento ambiental, pelo uso previsto de geração fóssil para backup e pela elevada demanda de água em uma região suscetível à escassez hídrica. Para ele, esses empreendimentos reproduzem uma lógica semelhante à da colonização, quando povos originários eram atraídos por promessas de progresso sem conhecer seus impactos.”

Fonte: Eixos; 05/08/2026

BNDES aprova R$ 102,1 milhões para renovação da frota de ônibus do Recife

“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 102,1 milhões em financiamento para a renovação da frota de ônibus do transporte público da região metropolitana do Recife. Os recursos serão destinados às empresas Transportadora Itamaracá e Cidade Alta Transportes e Turismo para a aquisição de 126 veículos movidos a diesel no padrão Euro 6, tecnologia que reduz a emissão de poluentes em relação aos modelos anteriores. Os novos ônibus atenderão cerca de 168,5 mil passageiros em linhas que operam na capital pernambucana e nos municípios de Olinda, Paulista, Abreu e Lima, Araçoiaba, Itapissuma, Itamaracá e Igarassu. Os veículos substituirão ônibus antigos da frota e serão equipados com ar-condicionado, plataformas elevatórias para acessibilidade, câmeras e sistema de GPS. Do total financiado, aproximadamente R$ 53 milhões serão destinados à Transportadora Itamaracá para a compra de 66 ônibus. A Cidade Alta receberá R$ 49,1 milhões para adquirir outros 60 veículos. Segundo o banco, 32 ônibus serão do modelo BRT, com cinco portas e capacidade para até 110 passageiros, enquanto os demais terão três portas, capacidade para 82 passageiros e serão utilizados em corredores exclusivos e linhas alimentadoras. Com a renovação, a frota de ônibus Euro 6 da Itamaracá passará de 80 para 146 veículos, alta de 85%. Na Cidade Alta, o número de veículos com essa tecnologia aumentará de 49 para 109, crescimento de 122%. “Estamos retirando das ruas veículos antigos e poluentes e colocando no lugar ônibus modernos, padrão Euro 6, que melhoram a qualidade do ar e a vida de milhares de pessoas que usam o transporte público na região metropolitana do Recife”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em comunicado. De acordo com o banco, os veículos no padrão Euro 6 emitem menos óxidos de nitrogênio do que as gerações anteriores de ônibus a diesel, além de reduzirem a emissão de material particulado e o nível de ruído. A tecnologia também permite maior compatibilidade com combustíveis de menor impacto ambiental, como biodiesel e HVO. A Transportadora Itamaracá e a Cidade Alta integram o Consórcio Conorte, concessionário do Sistema de Transporte Público de Passageiros (STPP) da Região Metropolitana do Recife. Juntas, as empresas respondem pelo transporte de cerca de 168 mil passageiros por dia.”

Fonte: Eixos; 05/08/2026

O artigo esquecido que pode mudar o licenciamento ambiental

“No próximo dia 12 de agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará em bloco as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 7913, 7916 e 7919) e a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC 102), definindo o destino da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025). Como era de se esperar, o debate público e as petições iniciais concentram-se nos pontos de atrito mais urgentes: as novas modalidades de licenças, as dispensas, as flexibilizações e a autonomia dos municípios, entre outros itens. No entanto, o chamado “julgamento do século” para o arcabouço climático e ambiental brasileiro corre o risco de deixar escapar uma oportunidade ímpar de modernização regulatória. Há um silêncio absoluto sobre o artigo 15 da Lei 15.190/2025, um dos dispositivos menos debatidos da polêmica nova lei, o qual carrega, porém, um grande potencial de reorientação estrutural de toda a legislação ambiental e climática. Para entender a urgência desse artigo, é preciso encarar o esgotamento do modelo atual. O Brasil opera hoje um sistema de comando e controle (pautado pela prescrição de condutas sujeitas a sanções) asfixiado por falta de pessoal, restrições orçamentárias e defasagem tecnológica nos órgãos ambientais. Somadas às ilegalidades praticadas por agentes privados, essa é a tempestade perfeita para a irresponsabilidade organizada no controle de empreendimentos e atividades econômicas de todos os portes. O resultado desse gargalo é um ambiente regulatório e de negócios onde o rigor técnico se perde na burocracia. Abre-se margem para a corrupção (como nos casos recentes envolvendo a Agência Nacional de Mineração), violações de direitos humanos em grandes obras e tragédias severas, como as de Mariana, Brumadinho e Maceió. O contexto de arrecadação efetiva das multas ambientais é outro dilema incidente sobre todos os órgãos ambientais em todos os níveis federativos. É neste cenário de colapso prático que o artigo 15 da nova lei de licenciamento surge não como um afrouxamento (como os vários que serão devidamente apreciados pelo STF), e sim como uma estratégia regulatória clara e com potencial inteligência operacional na linha do que muito se discute no plano da Regulação Responsiva. A Regulação Responsiva — frequentemente citada em meio aos recentes “backlashes” e “vai e vens” da agenda ESG — tem como principais arquitetos o criminologista australiano John Braithwaite e o jurista e economista americano Ian Ayres.”

Fonte: Capital Reset; 05/08/2026

Internacional

Agentes de IA da OpenAI e da Anthropic aparecem envolvidos em novas violações de segurança

“Um agente de inteligência artificial (IA) foi flagrado criando identidades on-line falsas para obter acesso não autorizado a sistemas seguros durante testes de modelos da OpenAI e da Anthropic, o que revelou uma série de novas violações, divulgou na terça-feira (4) o Instituto de Segurança de IA do Reino Unido (AISI, na sigla em inglês). O instituto disse que agentes alimentados pelo Mythos 5, da Anthropic, e pelo GPT-5.6-Sol, da OpenAI, se envolveram em ações não autorizadas durante avaliações de segurança que a organização governamental conduziu para avaliar as capacidades dos modelos. “Alguns dos agentes sendo testados se envolveram em atividades sustentadas e potencialmente prejudiciais direcionadas a pessoas e organizações reais”, afirmou o AISI em uma postagem de blog. O relatório ressalta o estado frouxo das salvaguardas em torno do processo de teste de agentes, que as empresas de IA estão comercializando simultaneamente como o futuro dos negócios. O AISI, que recebe acesso a modelos avançados de IA sob acordos voluntários de grandes laboratórios, submeteu os agentes a um cenário de cibersegurança fictício para testar suas capacidades. O desafio foi executado 122 vezes, identificando 19 ações não sancionadas em um total de dez execuções de teste. O agente da Anthropic esteve por trás de 17 das ações, e o agente da OpenAI, das duas restantes. A ação mais flagrante envolveu um agente escrevendo código malicioso e criando identidades on-line falsas na tentativa de fazer com que um humano aprovasse o código, disse o AISI, acrescentando que nenhum dano no mundo real foi encontrado como resultado de nenhuma das violações. Embora o AISI não tenha especificado qual agente estava por trás das identidades falsas, a Anthropic confirmou que seu agente foi o responsável. “Agradecemos ao Aisi do Reino Unido por sua liderança neste incidente, o que ressalta a necessidade de uma conversa mais ampla sobre como avaliar com segurança agentes de IA cada vez mais capazes”, disse a Anthropic em um comunicado. A empresa também afirmou estar trabalhando com o órgão para obter mais detalhes sobre o incidente e conduzir sua própria investigação. Andrew Yoon, pesquisador da CivAI, uma organização sem fins lucrativos da Califórnia que examina capacidades e perigos da IA, afirmou que “o fato de o Mythos ter se envolvido em tais ações enganosas, com aparente consciência de que estava visando a uma pessoa real, sugere que a Anthropic não tem um controle tão bom sobre seus modelos quanto pensa”. A OpenAI compartilhou detalhes em uma postagem no blog da empresa, observando que ambas as ações não aprovadas de seu agente envolveram o acesso à internet de maneiras que eram proibidas pelo comando, ou “prompt”.”

Fonte: Valor Econômico; 05/08/2026

Títulos verdes europeus se recuperam e ganham participação de mercado dos EUA, onde prevalece o silêncio sobre iniciativas verdes

“O volume de títulos verdes emitidos na Europa deve retomar níveis recordes este ano, levando a emissão global a um patamar histórico, à medida que o interesse renovado pela segurança energética — em meio ao conflito entre EUA e Irã — ajuda a compensar a queda nas emissões nos EUA. Um recorde de US$ 242 bilhões em títulos europeus alinhados a critérios verdes foi emitido no primeiro semestre de 2026, segundo a Climate Bonds Initiative, uma ONG sediada no Reino Unido. O total de emissões globais caminha para superar os US$ 673 bilhões vendidos em 2024 — o ano recorde anterior —, quando as emissões na Europa totalizaram US$ 385 bilhões. A retomada dos títulos verdes europeus este ano contrasta fortemente com o cenário nos EUA, onde se espera uma queda nas emissões pelo segundo ano consecutivo, à medida que as empresas evitam promover suas credenciais verdes por receio de represálias de Washington. “Na Europa, não vimos realmente esse tipo de ‘morte do ESG’ que esteve muito presente nos EUA”, disse Larissa de Barros Fritz, estrategista sênior de renda fixa do ABN Amro. “Este ano, toda a pauta ESG está de volta.” Ela acrescentou: “Não é que [as empresas dos EUA] não se importem com o ESG ou com a transição energética. Trata-se muito mais de um silêncio estratégico sobre o tema (greenhush). Elas estão realizando as ações, mas não estão aplicando o rótulo… há muita influência política e reação negativa.” O presidente dos EUA, Donald Trump, tem adotado uma agenda conhecida como “Drill Baby Drill” (focada na expansão agressiva da perfuração de petróleo e gás) para promover o uso de combustíveis fósseis e celebrou o cancelamento de “centenas de projetos da era Biden do ‘Green New Scam'” (uma crítica pejorativa ao Green New Deal). Títulos verdes são um tipo de dívida emitida por empresas e governos para captar recursos destinados a projetos ambientais. Sua relevância cresceu na última década, especialmente na Europa, onde o mercado é mais maduro e onde emissores e gestores de ativos têm demonstrado grande interesse em exibir suas credenciais ambientais, sociais e de governança (ESG). Cerca de US$ 374 bilhões em títulos verdes foram vendidos na Europa no ano passado, segundo a Climate Bonds Initiative, o que representa aproximadamente 55% das emissões globais. Este ano, o continente caminha para responder por quase dois terços das novas emissões de dívida verde em todo o mundo. “O ano passado foi fortemente marcado por uma espécie de recuo nas agendas ESG… embora em menor grau na Europa. Ainda assim, pode ter havido algum efeito de transbordamento [vindo dos EUA]”, disse de Barros Fritz. Juan Valencia, estrategista de crédito europeu do Société Générale, afirmou que o volume de títulos verdes emitidos na Europa estava crescendo “muito rapidamente”. “Suspeitamos que os volumes ficarão bem acima dos números do ano passado e dos níveis de 2024, estabelecendo um novo recorde”, disse ele.”

Fonte: Financial Times; 05/08/2026

A questão climática que une os Verdes e o Reform em Kent

“Desde que foram recuperadas do mar na Idade Média, as terras de Romney Marsh, delimitadas por diques, figuram entre as paisagens mais singulares da Inglaterra Agora, no cenário pouco habitual da política britânica marcada pela disputa entre cinco partidos, esta região do sul de Kent oferece novamente algo inédito: um ponto de convergência entre o Partido Verde e o Reform UK Esses partidos insurgentes de esquerda e direita estão unidos na oposição a planos de instalar painéis solares em uma área de mais de 5.000 acres — o equivalente a 10% da região pantanosa. “Há unanimidade” quanto à questão da energia solar, afirmou Jim Martin, líder do Partido Verde no Conselho Distrital de Folkestone e Hythe. Pode-se dizer que tal consenso está alinhado ao apelo do primeiro-ministro Andy Burnham para que os políticos coloquem “o local acima do partido”. É também, possivelmente, a prova de que o fenômeno NIMBY (“não no meu quintal”) consegue superar até mesmo as mais profundas divisões ideológicas. Com seus campos perfeitamente planos situados em uma das regiões mais ensolaradas da Grã-Bretanha, Romney Marsh sempre foi um local promissor para a energia solar. Graças à capacidade ociosa na rede elétrica decorrente da desativação das usinas nucleares vizinhas de Dungeness, a área tornou-se um polo de atração para grandes parques solares. Três grandes projetos foram propostos: o South Brooks Solar Farm, apoiado pela EDF Renewables; o South Kent Energy Park, apoiado pela empresa britânica Low Carbon; e o Shepway Energy Park, da SSE Renewables, de porte ligeiramente menor. Juntos, eles têm a previsão de abastecer mais de 200.000 residências. No entanto, Martin, o líder verde no conselho, defendeu a política de “telhados antes das áreas rurais — vamos preservar nossa paisagem”. David Wimble, responsável pela área de desenvolvimento econômico pelo partido Reform no Conselho do Condado de Kent, apresentou um argumento notavelmente semelhante. “Queremos [energia solar] em todos os telhados”, disse ele. “Fábricas, escolas, qualquer edifício que comporte painéis no telhado deveria tê-los… Áreas agrícolas não são o lugar adequado.”

Fonte: Financial Times; 06/08/2026

Demanda chinesa por sucata pressiona transição energética

“Produto intensivo no uso de energia, o alumínio tem na reciclagem um dos principais caminhos para a descarbonização dessa indústria. A economia energética na fabricação chega a 95% com o reaproveitamento do material. A produção de um alumínio mais limpo, no entanto, tem esbarrado em dificuldade de acesso ao seu principal insumo, a sucata, devido, sobretudo, ao interesse chinês pela matéria-prima. Hoje, cerca de 80% das exportações brasileiras de sucata de alumínio têm como destino a Ásia, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Sozinha, a China, responde por quase um quarto do total. Os embarques cresceram tanto nos últimos anos – o salto foi de 590% desde 2022 – que os produtores nacionais já temem perda de competitividade e da sustentabilidade da produção. A Novelis, líder em reciclagem de alumínio no Brasil, fechou as portas de um centro de coletas de sucata em Juiz de Fora (MG), em 2025, por falta de oferta do insumo e acredita que a causa foi a competição com exportadores. Já a Alumini1, do mesmo setor, conta ter ficado uma semana sem acesso ao produto, em março deste ano, quando a cobrança temporária de PIS e Cofins sobre a sucata vendida internamente levou fornecedores a preferirem o mercado externo. A menor disponibilidade do produto atrapalha os planos de transição energética das empresas. Se tivesse acesso a mais sucata, o índice de reciclagem da Novelis no país poderia se aproximar de 100%, com a ajuda de parceiros. Hoje, as suas chapas de alumínio têm 80% de conteúdo reciclado. A empresa possui capacidade de laminação de 750 mil toneladas por ano e de reciclagem de 500 mil toneladas anuais, e ainda mantém 13 centros de coleta de logística reversa em diferentes regiões. “Falta sucata no mercado. O que a gente tem observado é um volume cada vez maior de exportação de sucata, entre elas, a de lata de bebidas. Isso está impactando negativamente os produtores locais, transferindo sustentabilidade e competitividade para outros países. A gente não é contra a exportação. Mas o desenvolvimento do país passa por exportar produtos de maior valor agregado”, adverte Eunice Lima, diretora de comunicação e relações governamentais da Novelis América do Sul. Marina Leite, diretora administrativa da Alumini1, negocia semanalmente a sucata para a sua unidade em Itaquaquecetuba (SP), de 4 mil toneladas de capacidade, e diz que para garantir que a fábrica não pare em períodos críticos, como foi o mês de março, mantém um estoque de insumo de cerca de 30 dias. Por ora, a indústria brasileira de alumínio mantém vantagem em relação ao mundo, afirma Marco Antonio Rocha, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O alumínio primário (fabricado a partir da bauxita) é produzido no país majoritariamente com hidroeletricidade, energia limpa, enquanto a versão reciclada reduz ao mínimo as emissões. Ele ressalta que esse é um ativo importante em um cenário em que a Europa passou a cobrar pelo carbono do produto importado.”

Fonte: Valor Econômico; 06/08/2026

A transição verde global não será impulsionada apenas pelo interesse próprio

“O volume de títulos verdes emitidos na Europa deve retomar níveis recordes este ano, levando a emissão global a um patamar histórico, à medida que o interesse renovado pela segurança energética — em meio ao conflito entre EUA e Irã — ajuda a compensar a queda nas emissões nos EUA. Um recorde de US$ 242 bilhões em títulos europeus alinhados a critérios verdes foi emitido no primeiro semestre de 2026, segundo a Climate Bonds Initiative, uma ONG sediada no Reino Unido. O total de emissões globais caminha para superar os US$ 673 bilhões vendidos em 2024 — o ano recorde anterior —, quando as emissões na Europa totalizaram US$ 385 bilhões. A retomada dos títulos verdes europeus este ano contrasta fortemente com o cenário nos EUA, onde se espera uma queda nas emissões pelo segundo ano consecutivo, à medida que as empresas evitam promover suas credenciais verdes por receio de represálias de Washington. “Na Europa, não vimos realmente esse tipo de ‘morte do ESG’ que esteve muito presente nos EUA”, disse Larissa de Barros Fritz, estrategista sênior de renda fixa do ABN Amro. “Este ano, toda a pauta ESG está de volta.” Ela acrescentou: “Não é que [as empresas dos EUA] não se importem com o ESG ou com a transição energética. Trata-se muito mais de um silêncio estratégico sobre o tema (greenhush). Elas estão realizando as ações, mas não estão aplicando o rótulo… há muita influência política e reação negativa.” O presidente dos EUA, Donald Trump, tem adotado uma agenda conhecida como “Drill Baby Drill” (focada na expansão agressiva da perfuração de petróleo e gás) para promover o uso de combustíveis fósseis e celebrou o cancelamento de “centenas de projetos da era Biden do ‘Green New Scam'” (uma crítica pejorativa ao Green New Deal). Títulos verdes são um tipo de dívida emitida por empresas e governos para captar recursos destinados a projetos ambientais. Sua relevância cresceu na última década, especialmente na Europa, onde o mercado é mais maduro e onde emissores e gestores de ativos têm demonstrado grande interesse em exibir suas credenciais ambientais, sociais e de governança (ESG). Cerca de US$ 374 bilhões em títulos verdes foram vendidos na Europa no ano passado, segundo a Climate Bonds Initiative, o que representa aproximadamente 55% das emissões globais. Este ano, o continente caminha para responder por quase dois terços das novas emissões de dívida verde em todo o mundo. “O ano passado foi fortemente marcado por uma espécie de recuo nas agendas ESG… embora em menor grau na Europa. Ainda assim, pode ter havido algum efeito de transbordamento [vindo dos EUA]”, disse de Barros Fritz. Juan Valencia, estrategista de crédito europeu do Société Générale, afirmou que o volume de títulos verdes emitidos na Europa estava crescendo “muito rapidamente”. “Suspeitamos que os volumes ficarão bem acima dos números do ano passado e dos níveis de 2024, estabelecendo um novo recorde”, disse ele. As vendas globais de dívida verde estagnaram, uma vez que as emissões na Europa e na América do Norte recuaram em meio à agenda anti-ESG da administração Trump e à espera dos emissores por clareza regulatória. Apesar disso, o aumento das emissões na China ajudou a manter os níveis próximos ao total do ano anterior. As vendas na Europa, no ano passado, foram prejudicadas pelo fato de os emissores aguardarem a implementação dos padrões voluntários — porém mais rigorosos — da UE para títulos verdes e das novas diretrizes da Associação Internacional de Mercados de Capitais (ICMA) sobre o tema. As vendas de dívida verde nos EUA atingiram o pico em 2021, com US$ 94 bilhões comercializados. Desde então, as emissões caíram, com US$ 77 bilhões captados no ano passado e a expectativa de nova queda em 2026, após a venda de títulos no valor de apenas US$ 34 bilhões no primeiro semestre.”

Fonte: Financial Times; 05/08/2026

Austrália reduz custo da energia solar em telhados para empresas

“A Austrália acelerará sua transição para energias renováveis ao reduzir em cerca de um quinto o custo de instalação de painéis solares em telhados de fábricas, armazéns, fazendas e outros estabelecimentos comerciais, informou o governo nesta quarta-feira. A política expande os subsídios existentes para energia solar em telhados e baterias em residências — que já impulsionaram um aumento expressivo nas instalações —, fortalecendo o fornecimento de energia renovável e reduzindo a dependência australiana de usinas a carvão. Cerca de um terço das residências australianas hoje possuem painéis solares — a maior proporção do mundo — e, juntos, eles geram aproximadamente 10% da eletricidade do país, segundo o governo. O ministro das Mudanças Climáticas e Energia, Chris Bowen, afirmou que o governo agora subsidiará sistemas até 10 vezes maiores do que o limite máximo anterior. “Estamos expandindo o desconto para energia solar de modo a incluir instalações de até 1 MW de capacidade”, disse Bowen em discurso ao National Press Club, em Canberra. “Isso reduzirá os custos de instalação para edifícios comerciais, industriais e agrícolas em cerca de 20%. É uma economia significativa em um investimento que começará imediatamente a reduzir o custo da energia.” Bowen também disse que solicitará à Comissão Australiana de Mercado de Energia que acelere as aprovações.”

Fonte: Reuters; 05/08/2026

O que está em jogo se a SEC eliminar as regras de divulgação climática

“Ambientalistas estão indignados com a proposta de revogação das regras de divulgação climática pelo principal regulador de Wall Street. Há uma visão otimista de que a ação pode ter pouco impacto imediato, mas o debate sobre as regras também levantou questões sobre a autoridade dos reguladores financeiros. Primeiro, os detalhes: a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), agora composta por apenas três republicanos, parece determinada a eliminar as regras aprovadas quando os democratas comandavam a agência. Ativistas climáticos querem que a agência reverta o curso. Com as emissões de gases de efeito estufa continuando a aumentar, “a necessidade desse tipo de divulgação só cresceu, à medida que os impactos financeiros relacionados ao clima se aceleram e remodelam a economia”, diz um comunicado divulgado pela Public Citizen e outras 36 organizações. A carta estava entre as apresentadas antes do prazo de segunda-feira para comentários. Analisando-as, fui impactado por uma da Society for Corporate Governance, que representa diretores corporativos e informou ter encontrado referências relacionadas ao clima nos relatórios anuais recentes de 470 empresas do S&P 500. A Sociedade destacou novas leis estaduais sobre divulgação climática. Pode ser difícil para as empresas voltarem a um mundo sem divulgações obrigatórias, disseram analistas e consultores de negócios com quem conversei. Por um lado, muitas gastaram dinheiro real para monitorar emissões e configurar sistemas de relatórios, disse Taylor Pullins, colíder da Prática Global de Sustentabilidade e Negócios Responsáveis da White & Case, cujos clientes incluem grandes empresas de energia. “É muito difícil para uma empresa divulgar tudo isso ao mercado e depois retirar por causa de uma regulamentação federal revogada”, disse ele. Ninguém ficou satisfeito quando a SEC adotou pela primeira vez as regras em março de 2024, determinando que as empresas se comunicassem com investidores sobre emissões de gases de efeito estufa, riscos relacionados ao clima e como estão se preparando para a transição para uma economia de baixo carbono. O principal grupo empresarial dos EUA processou para bloquear a medida, enquanto ativistas desejavam que as regras fossem mais longe, incluindo as chamadas emissões “Escopo 3”, de clientes e fornecedores. Gary Gensler, então presidente da SEC, disse que as regras serviam apenas para auxiliar decisões de investimento. “Você pode usar essa divulgação para apostar na baixa ou na alta do verde… é apenas divulgação, somos completamente neutros”, disse ele a jornalistas após a votação. Em maio, a SEC, agora liderada por um indicado por Trump, propôs revogar as regras por completo, classificando os requisitos, entre outras coisas, como desnecessários e custosos. Ainda assim, Mary Foley, diretora de estratégia de serviços especializados da Enhesa, uma provedora de inteligência em conformidade e risco, disse que a maioria de seus clientes manteve as divulgações, em parte porque os investidores agora esperam tais detalhes. “Passamos de reguladores detendo todas as cartas para investidores conduzindo a agenda. A sustentabilidade se tornou uma questão de risco financeiro que impacta cadeias de suprimentos, operações, força de trabalho e resiliência operacional… os investidores querem garantir que tudo isso esteja coberto”, disse Foley por e-mail. Para citar um grande investidor, as diretrizes de votação por procuração da T. Rowe Price para as Américas a partir de março, por exemplo, detalham como pode votar contra diretores. Entre outras expectativas, a empresa sediada em Baltimore escreveu que: “Para empresas maduras na região das Américas que operam em indústrias com a maior intensidade de carbono, nossa expectativa é que essas empresas divulguem, no mínimo, suas emissões anuais totais absolutas de Escopo 1 e Escopo 2 de gases de efeito estufa (GEE). A falha de empresas nessas indústrias em divulgar esses dados impede que seus investidores analisem adequadamente sua exposição ao risco de mudanças climáticas.”

Fonte: Reuters; 05/08/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
.


Ainda não tem conta na XP? Clique aqui e abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies e a nossa Política de Privacidade.