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A corrida global por data centers e a oportunidade para o Brasil

Acesse aqui para os destaques da reunião com a Scala Data Centers

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Principais destaques da reunião com a Scala Data Centers

A capacidade global de data centers deve triplicar até 2030. Luciano ressaltou que o mercado global de data centers passa por um crescimento exponencial, com a capacidade instalada projetada para crescer de cerca de 82 GW em 2025 para 219 GW até 2030¹, segundo a McKinsey. Em sua visão, contudo, essas estimativas podem se mostrar conservadoras: dados da iMasons indicam que cerca de 380 GW de capacidade já estão em construção ou em estágios avançados de pré-locação, sugerindo um crescimento mais forte do que o esperado. Quando questionado sobre a possibilidade de ganhos de eficiência computacional reduzirem a demanda futura por energia, Luciano argumentou que o efeito tende a ser o oposto. Embora o hardware se torne cada vez mais eficiente por unidade de processamento, o avanço acelerado das aplicações de IA e o crescente volume de cargas computacionais compensam esses ganhos, sustentando uma trajetória robusta de expansão da demanda por energia.


A conexão à rede elétrica como o principal gargalo do setor. As cadeias de suprimentos para equipamentos elétricos críticos permanecem pressionadas. Com base na experiência de compra da própria Scala, os prazos de entrega de transformadores se estenderam para entre 18 a 30 meses, frente a cerca de 9 meses anteriormente. No entanto, embora a escassez de equipamentos apresente desafios, isso pode ser amplamente mitigado por meio de planejamento e pedidos antecipados. Com isso, a principal restrição para o crescimento dos data centers está na disponibilidade de energia e na capacidade de obter conexão à rede elétrica dentro dos prazos exigidos pelos projetos. Enquanto data centers voltados para IA costumam ser projetados e construídos em um intervalo de 1,5 a 3 anos, a conexão de uma instalação de 50 MW à rede pode levar de 2,5 a 10 anos, dependendo da região². Diante desse descompasso, algumas operadoras nos EUA têm recorrido à geração a gás natural behind-the-meter como solução transitória até a obtenção de acesso permanente à rede. No longo prazo, contudo, a conexão à rede elétrica continua sendo a alternativa preferencial, dada sua maior confiabilidade, escalabilidade e resiliência.


A oportunidade estrutural para o Brasil, apesar dos desafios de competitividade. Luciano reconheceu que o Brasil reúne atributos que o posicionam favoravelmente para capturar parte da expansão global da indústria de data centers, especialmente em um contexto em que mercados desenvolvidos enfrentam restrições de energia e conectividade. Entre as principais vantagens estruturais do país, ele ressaltou o sistema elétrico nacional interligado, a matriz energética diversificada, a elevada participação de fontes renováveis, os custos competitivos de energia e uma posição geopolítica considerada favorável. Pelo lado da demanda, estimativas do Ministério da Fazenda indicam que entre 60% a 65% dos dados gerados no Brasil são processados ​​no exterior, ao passo que a capacidade disponível em mercados maduros, como os EUA, encontra-se próxima da saturação³. Nesse contexto, Luciano acredita que uma parcela crescente dessas cargas computacionais poderá ser repatriada ao longo dos próximos anos. Apesar desse cenário promissor, ele avaliou que a competitividade ainda representa o principal desafio para o país. A complexidade tributária e os elevados custos de construção reduzem a atratividade do Brasil frente a outros polos globais de investimento. Em sua visão, destravar o potencial do Brasil para ir além do crescimento orgânico e consolidar-se como um importante polo de data centers exigirá políticas públicas coordenadas, com foco na expansão da infraestrutura digital e no fortalecimento da competitividade para atração de investimentos.


O acesso a renováveis é uma vantagem estratégica, enquanto a adoção de baterias se aproxima de um ponto de inflexão. Diferentemente dos EUA, onde a rápida expansão da demanda por eletricidade tem levado as hyperscalers a adotar uma estratégia de aquisição de energia mais agnóstica – recorrendo a todas as fontes disponíveis -, o Brasil conta com uma matriz elétrica predominantemente renovável. Isso permite que operadores de data centers atendam à crescente demanda por energia com níveis elevados de confiabilidade, ao mesmo tempo em que preservam metas de descarbonização. Em relação aos sistemas de armazenamento de energia (BESS, na sigla em inglês), Luciano observou que os mesmos já vêm sendo considerados no planejamento de novos data centers voltados para IA. No entanto, a adoção no Brasil permanece limitada pela economia ainda desfavorável dos projetos, embora o leilão de reserva de capacidade, previsto para dezembro, possa ajudar a mitigar essa barreira.

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