Vendas no varejo perdem fôlego, enquanto serviços assumem o protagonismo

Após dois meses de resultados sólidos, as vendas varejistas recuaram em junho. Enquanto isso, o setor de serviços permaneceu em trajetória de forte recuperação, com destaque aos segmentos atrelados ao consumo das famílias.


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As vendas do comércio varejista recuaram 2,3% entre maio e junho, resultado abaixo das expectativas. Vale ressaltar, entretanto, que este desempenho sucedeu dois meses de recuperação bastante robusta (aumento de 4% em abril e 3,2% em maio). Na comparação com junho de 2020, o varejo registrou expansão de 11,5%, dado o efeito da base de comparação muito deprimida no 1º semestre do ano passado.

Apesar da perda de fôlego em junho, as vendas no varejo ampliado expandiram 3% no 2º trimestre de 2021 em comparação ao trimestre imediatamente anterior (aumento de 24,8% ante o 2º trimestre de 2020), quase compensando a contração de 3,5% registrada entre janeiro e março.

A tabela abaixo apresenta o desempenho recente dos principais segmentos varejistas. Destacamos, pelo lado positivo, os resultados sólidos das vendas de materiais de construção, artigos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e outros artigos de uso pessoal e doméstico, que estão muito acima dos patamares registrados antes da pandemia. As vendas de tecidos, vestuário e calçados, por sua vez, seguem muito abaixo dos patamares pré-crise, mas devem consolidar uma tendência de recuperação nos próximos meses.

Acreditamos que as vendas varejistas irão apresentar tendência de crescimento moderado ao longo do 2º semestre, como reflexo da reabertura da economia, manutenção dos pagamentos de auxílio emergencial, melhoria (embora bastante gradual) das condições do mercado de trabalho e elevação da confiança do consumidor. Contudo, ressaltamos que os gastos das famílias tendem a ser proporcionalmente mais fortes em serviços nos próximos meses (“efeito de deslocamento das despesas do mercado de bens para o setor de serviços”), o que explica, junto com os movimentos de antecipação do consumo de produtos nos últimos trimestres (sobretudo de bens duráveis), o ritmo mais fraco de crescimento do comércio varejista. Como fator de risco relevante para o cenário das vendas no varejo, destacamos a persistência da pressão inflacionária.

Esperamos ritmos de crescimento bastante díspares entre os segmentos acompanhados pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE) nas próximas divulgações mensais, com um quadro mais desafiador para as vendas de bens de consumo duráveis (ex: veículos; móveis; eletrodomésticos). Dito isso, prevemos crescimento de 7,8% para as vendas do comércio varejista brasileiro em 2021, após recuo de 1,4% em 2020.

Enquanto isso, as receitas reais do setor de serviços expandiram 1,7% entre maio e junho, resultado muito superior à mediana das projeções do mercado (de elevação mensal ao redor de 0,5%). Em comparação a junho de 2020, a atividade de serviços registrou crescimento de 21,1%. Com isso, o faturamento real do setor terciário subiu 2% no 2º trimestre de 2021 em relação ao trimestre anterior (e 21,5% ante o 2º trimestre de 2020).

Os dados de junho mostraram crescimento disseminado entre os segmentos de serviços – as cinco atividades agregadas de serviços acompanhadas pelo IBGE avançaram no mês. A retomada dos serviços prestados às famílias vem desempenhando papel protagonista desde abril, na esteira da flexibilização das restrições de mobilidade e da nova rodada de pagamentos de auxílio emergencial. Neste sentido, os serviços de alojamento e alimentação saltaram 8,5% entre maio e junho (82,2% em relação a junho de 2020), levando ao crescimento de 3,9% no 2º trimestre deste ano ante o período de janeiro a março (82,5% ante o 2º trimestre de 2020).

Além disso, destacamos a expansão dos serviços de transporte aéreo (21,2% em jun/mai e 6,9% no 2T/1T), assim como os números favoráveis registrados pelos serviços de informação e comunicação (2,5% em jun/mai e 4,6% no 2T/1T), puxados principalmente pelos serviços audiovisuais (12,0% em jun/mai e 12,1% no 2T/1T) e serviços de tecnologia da informação (1,5% em jun/mai e 8,2% no 2T/1T).

Com os resultados de junho, o índice geral do setor de serviços ficou 2,4% acima do patamar pré-pandemia (fev/20). Considerando os dados desagregados, ainda notamos números bastante heterogêneos na mesma base de comparação. Por exemplo, a categoria de serviços prestados às famílias mostra receitas reais cerca de 23% abaixo dos patamares anteriores à deflagração da Covid-19, enquanto o agrupamento de serviços de informação e comunicação exibe faturamento real cerca de 10% acima. No entanto, os serviços prestados às famílias devem seguir liderando a recuperação do setor terciário (e do PIB total) nos próximos meses, em linha com os avanços adicionais na reabertura econômica.

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