Por que o preço da gasolina está tão alto?

Na semana passada, o presidente da câmara, o deputado Arthur Lira, publicou no seu twitter “Tudo caro: gasolina, diesel, gás de cozinha. O que a Petrobras tem a ver com isso?”. A publicação fazia parte do anúncio que uma comissão geral na Câmara dos Deputados iria receber o presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva […]


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Na semana passada, o presidente da câmara, o deputado Arthur Lira, publicou no seu twitter “Tudo caro: gasolina, diesel, gás de cozinha. O que a Petrobras tem a ver com isso?”.

A publicação fazia parte do anúncio que uma comissão geral na Câmara dos Deputados iria receber o presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna, para discutir preços de combustíveis. Lira faz essas declarações, após a gasolina apresentar alta de 2,8% em no IPCA de agosto, enquanto o diesel subiu 1,79%.

De fato, esses combustíveis já acumulam altas de 31,1% e 28% no ano, respectivamente.

Na devida audiência pública na Câmara, o presidente da estatal defendeu a política de preços. Silva e Luna apresentou os cálculos sobre a composição do preço dos combustíveis e em seguida afirmou que “A Petrobras é uma sociedade de economia mista sujeita a uma rigorosa governança. Não tem espaço para qualquer tipo de aventura dentro da empresa, não tem”.

Mas o que significa isso? O que, de fato, determina o preço da gasolina comprada por consumidores em postos ao redor do país?

Composição do preço dos combustíveis ao consumidor

No Brasil, o valor final dos combustíveis pago pelo consumidor final (na bomba do posto de gasolina ou no botijão de gás) é composto por 4 fatores:

1) Preços do produtor ou importador de combustível 2) Carga tributária 3) Custo do etanol (no caso da gasolina) ou biodiesel (no caso do diesel0 4) Margens da distribuição e revenda.

Cabe à Petrobras a definição da a primeira, referente ao preço do combustível nas refinarias. Hoje, a estatal vende a gasolina tipo “A” a R$ 2,80 por litro e R$ 2,82 o litro de diesel.

Como é ajustado o preço da gasolina?

Quanto ao ajuste do preço do petróleo negociado nos mercados internacionais, esse cálculo é feito com base tanto no preço do petróleo, quanto da variação do real (uma vez que importamos boa parte do petróleo refinado).

Desde que assumiu a presidência da estatal em 19 de abril, o general Silva e Luna vem tentando reduzir o impacto da volatilidade de preços do mercado global sobre o mercado doméstico. Porém, quando a defasagem dos preços de importação da gasolina e diesel ultrapassaram a barreira de 10% (ou seja, estávamos importando gasolina com 10% de diferença do preço vendido em mercados internacionais – para cima ou para baixo), os reajustes ganharam força.

Assim, desde a nova presidência da estatal, foram realizados quatro reajustes, sendo dois negativos – sim, reduzindo o preço da gasolina. Antes disso, os preços haviam sido reajustados por dez vezes desde janeiro. Ou seja, um total de 14 reajustes desde o início do ano.

O que esperar daqui para frente?

Como mencionado acima, o preço de petróleo impacta bastante o preço dos seus derivados no mercado internacional, que por sua vez é usado para reajustar preços na Petrobras.

Depois de ter caído 24% em 2020, o preço do petróleo bruto no mercado internacional cresceu 40% em 2021 (até agosto). A alta reflete a retomada econômica pós-vacinação, além de questões pontuais de oferta da commodity, como condições climáticas nos EUA. Segundo nossa expectativa, os valores devem continuar em um patamar alto pelos próximos meses.

Conforme também destacado acima, outro fator importante para determinação do preço é a taxa de câmbio. Assim, perspectivas em relação a depreciação ou apreciação do real são essenciais para definirmos o que esperar para o preço dos combustíveis no país.

Como tratamos no nosso relatório macro mensal de setembro, a evidência histórica mostra que a o câmbio pode ficar longe do seu valor “justo” por muitos anos. No curto prazo, o prêmio de risco costuma ser predominante, especialmente para uma economia emergente com fundamentos fiscais frágeis como o Brasil. Por isso, projetamos que o câmbio encerre o ano em R$ 5,20 e 2022 em R$ 5,10.

Finalmente, vale destacar também nossas expectativas para o preço do etanol – por ser um componente importante na formação de preço final dos combustíveis. Dado os impactos de questões climáticas na produção de cana de açúcar (principal insumo do etanol), que deve se traduzir em uma oferta reduzida nos próximos meses, os preços devem permanecer altos nos próximos meses.

A alta do preço do etanol impacta não somente o preço dos combustíveis fosseis, mas também do próprio etanol na bomba (um substituto da gasolina nos carros flex), que fica bem mais caro.

Conclusão

Pelos fatores detalhados acima, não esperamos recuo nos preços dos combustíveis esse ano.

Projetamos leve alta de 1,7% da gasolina entre setembro e dezembro, chegando a subir 33% no ano, segundo metodologia do IPCA. Para o diesel, variação deve ser de 1,4% até o fim do ano, encerrando este com alta de 29% de alta. Em 2022, o preço da gasolina deve subir 6%, e o do diesel 5,9%.

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