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IPCA de Abril: Altas disseminadas nos principais grupos

Índice avança 0,67% ante março, em linha com as projeções. Com isso, inflação acumulada em doze meses atinge 4,4%, patamar próximo ao limite superior da meta.

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Conforme divulgado pelo IBGE, o IPCA de abril avançou 0,67% na comparação mensal, em linha com a nossa projeção (0,67%) e praticamente em linha com o consenso Bloomberg (0,68%). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 4,14% em março para 4,39% em abril. Em relação ao nosso cenário, as principais surpresas altistas vieram de carnes, frutas, serviços pessoais e tubérculos, raízes e legumes. Por outro lado, gasolina, medicamentos e transporte público nos surpreenderam levemente para baixo.

O regime de metas de inflação é parte do que chamamos de política monetária – a política responsável pelo controle da quantidade de moeda em determinada economia, que fica sob a responsabilidade do Banco Central. 

Esse regime determina uma meta de inflação explícita e numérica (% ao ano), a ser perseguida pelo Banco Central. No caso brasileiro, a meta de inflação atual é de 3,0%. Isso significa que o Banco Central tem a responsabilidade de controlar a alta de preços de maneira contínua, de modo que se mantenha no ritmo de 3,00%. 

O modelo brasileiro também inclui uma banda de tolerância de 1,50 pontos percentuais para cima e para baixo. Essa “banda” serve para acomodar eventuais choques, como por exemplo uma seca que afete a produção de alimentos e eleve a inflação além do controle do Banco Central, ou uma pandemia que derrube os preços. 

Caso o IPCA se mantenha acima do limite de 4,5% por seis meses consecutivos, o presidente do Banco Central deve enviar uma carta ao Presidente da República indicando: i) os motivos do não atingimento da meta; ii) medidas planejadas para que a inflação retome à meta; e iii) o tempo projetado para que isso se concretize.

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Serviços seguem pressionados e sem sinais claros de alívio

A inflação de serviços subjacentes avançou 0,52% na comparação mensal, acima da nossa projeção (0,44%). Com isso, a MM3M dessazonalizada anualizada (3MSAAR, um indicador de tendência) subiu de 5,4% em março para 6,0% em abril, reforçando a leitura de piora na margem.

Na mesma direção, os serviços intensivos em mão de obra, métrica acompanhada de perto pelo Banco Central, avançaram 0,71%, praticamente em linha com a nossa projeção (0,68%). Ainda assim, sua medida de tendência de curto prazo também acelerou, com a 3MSAAR passando de 6,8% para 7,3%.

Em linhas gerais, os preços de serviços continuam sem mostrar alívio relevante. Apesar da leitura abaixo do esperado em alimentação fora do domicílio, as surpresas altistas foram relativamente disseminadas entre outros subitens, o que mantém a abertura do grupo desconfortável. Além disso, os estímulos fiscais anunciados recentemente por governo federal e estados adicionam um viés altista à nossa projeção de 6,0% para a inflação de serviços em 2026.

Bens industrializados: leitura em linha, mas pano de fundo piora

Os bens industrializados subiram 0,62% em abril, praticamente em linha com a nossa expectativa (0,64%). Na margem, a tendência parece menos pressionada: a 3M SAAR do grupo recuou de 4,0% em março para 3,6% em abril. Ainda assim, a composição segue pouco benigna.

Os bens duráveis continuam acelerando e dificilmente devem contribuir para o processo de desinflação em 2026. O pano de fundo, que já era desafiador antes do início da guerra no Oriente Médio, se deteriorou ainda mais com a alta dos custos de energia. A recente apreciação da taxa de câmbio ajuda, mas não compensa integralmente esse choque. Mantemos, assim, a projeção de 4,0% para a inflação de bens industrializados em 2026, com viés de alta.

Núcleos pioram na margem

A média dos núcleos de inflação avançou 0,50% na comparação mensal, praticamente em linha com a nossa projeção (0,49%). De acordo com nossos cálculos, a 3M SAAR dessa média subiu de 4,8% para 5,2%, sugerindo piora da inflação subjacente no curto prazo. Em 12 meses, os núcleos recuaram apenas marginalmente, de 4,40% para 4,39%, permanecendo em patamar elevado.

Como essas medidas procuram filtrar itens mais voláteis e capturar melhor a tendência da inflação, a abertura de abril reforça uma leitura de cautela para a política monetária.

Alimentos seguem pressionados; administrados aliviam parcialmente

Os preços de alimentos no domicílio cresceram 1,64% em abril, acima da nossa expectativa (1,35%). O cenário de curto prazo para alimentos permanece pressionado, e as coletas de preços já sugerem nova alta expressiva em maio. Nossa projeção incorpora um El Niño moderado no segundo semestre, mas os riscos para a inflação de alimentação no domicílio em 2026 e 2027 seguem inclinados para cima — em especial no caso de um evento climático mais forte do que o esperado ou de uma alta mais acentuada nos preços de fertilizantes.

Já os preços administrados avançaram 1,00% no mês, abaixo da nossa projeção (1,16%). A gasolina subiu menos do que o esperado (1,86% contra 2,35% projetados), movimento parcialmente compensado por tarifas de energia elétrica mais fortes. Também merece destaque a surpresa baixista em medicamentos: abril é tradicionalmente o mês de reajuste anual dos remédios, mas a leitura veio abaixo do que antecipávamos.

Nossa visão

Em síntese, o IPCA de abril trouxe uma composição ligeiramente pior do que o esperado. Os dois principais vetores de desinflação de 2025 — alimentos e bens industrializados — deixaram de contribuir para a redução da inflação no curto prazo, enquanto os serviços seguem pressionados e os núcleos pioraram na margem.

Mantemos nossa projeção de IPCA em 5,3% para 2026 e 4,0% para 2027. Em termos de política monetária, o cenário para o Banco Central continua desafiador: a inflação acumulada entre março e abril superou em cerca de 0,80 p.p. as projeções divulgadas pelo BCB em seu Relatório de Inflação de março. Nesse contexto, seguimos esperando que o Banco Central promova cortes de 0,25 p.p. nas próximas reuniões, levando a Selic para 13,75%, nível que ainda consideramos contracionista.

Como se proteger da alta de preços? 

Como vimos, a inflação segue como um dos principais motivos de cautela e atenção para a economia brasileira.  Assim, proteger seu patrimônio contra a alta de preços se torna ainda mais essencial.   

Títulos indexados à inflação (como o título público NTN-B 2030), emissões bancárias de instituições sólidas e com boa classificação de risco, debêntures incentivadas (sem cobrança de Imposto de Renda ao investidor) e fundos de investimento com gestão ativa em renda fixa são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.

Outra classe de ativos que pode ajudar o investidor a se proteger da inflação são os fundos imobiliários.  Apesar de estarem sofrendo diante de expectativas de juros mais altos adiante, os  FIIs  podem ser aliados do investidor em um cenário cauteloso de alta de preços, por serem muitas vezes atrelados a índices de inflação. Aqui te indicamos nossa carteira recomendada de Fundos Imobiliários. 

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, confira o detalhe das nossas recomendações de investimento atualizadas de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir”

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