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Copom: Projeções do Banco Central para a inflação se deterioraram, mas não o suficiente para impedir novos cortes de juros

Banco Central reduz a taxa Selic para 14,50%

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Comunicado do Copom


O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p. na reunião desta noite, conforme amplamente esperado, para 14,50%. O comunicado pós-reunião trouxe elementos tanto hawkish (mais conservadores) quanto dovish (mais suaves).

Por um lado, o comunicado indicou que as perspectivas para a inflação se deterioraram, à medida que os dados correntes e as projeções (incluindo as do próprio Copom) estão “distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação”. Ademais, o Comitê incluiu no balanço de riscos a possibilidade de que as expectativas de inflação de médio prazo incorporem impactos “potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados”.

Por outro lado, o comunicado reiterou que as atuais condições monetárias restritivas têm sido efetivas para conter o crescimento da atividade, “criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis”. Em outras palavras, a deterioração do cenário inflacionário não foi suficiente para alterar o plano do Copom de continuar calibrando (isto é, reduzindo) a taxa de juros.

A extensão e o ritmo da calibragem – de 0,25 ou 0,50 p.p. por reunião – dependerão do fluxo de novas informações, incluindo dados “sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio”.

Selic em 14,75%: quanto rendem R$ 10 mil na renda fixa?

A projeção de inflação para o IPCA em 2027 – atualmente o horizonte relevante de política monetária – aumentou para 3,5%, ante 3,3% divulgados no último Relatório de Política Monetária (mar/26). A elevação foi mais intensa do que a esperada pela maioria dos participantes do mercado (entre 3,3% e 3,4%). Diante desse desvio em relação à meta, pode-se argumentar que o Comitê não deveria sinalizar novos cortes de juros. No entanto, o Copom relativizou a importância desse movimento ao afirmar que os riscos de alta e de baixa “permanecem mais elevados do que o usual”.

Por fim, o balanço de riscos para a inflação segue simétrico. Do lado altista, o Copom destaca: “(i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.”.

Já do lado dos riscos baixistas, continuou a destacar: “(i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários”.

Nossa visão

Nosso cenário-base projeta a taxa Selic em 13,50% ao final de 2026. Esse cenário contempla dois cortes de 0,50 p.p. nas reuniões de junho e agosto – à medida que as tensões no Oriente Médio arrefeçam e os preços do petróleo recuem para a faixa de US$ 80 a US$ 90 por barril – seguidos por uma pausa para avaliação durante o período eleitoral.

Entretanto, uma calibração menor ou mais lenta vem se tornando mais provável, uma vez que avaliamos que o cenário inflacionário pode se deteriorar adicionalmente à frente. De fato, nossas projeções para o IPCA estão acima das do Copom tanto para 2026 quanto para 2027.

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