Resumo
No cenário internacional, o conflito entre Estados Unidos e Irã seguiu no centro das atenções, mantendo o preço do petróleo volátil, diante de sinais incertos de cessar-fogo.
Nos Estados Unidos, indicadores econômicos reforçaram cenário de resiliência da atividade e pressão inflacionária. O quadro corrobora nossa expectativa de que o Fed deixará os juros estáveis no intervalo entre 3,50% e 3,75% por um período prolongado.
No Brasil, a taxa de câmbio manteve trajetória de apreciação e encerrou próxima de 4,90 reais por dólar. O movimento, sustentado pela posição do país como exportador líquido de petróleo e pela rotação de fluxos para emergentes, contrasta com outros ativos de risco no Brasil: o Ibovespa já recua cerca de 7% desde o pico em meados de abril.
Publicamos o Brasil Macro Mensal. Revisamos nossa projeção de câmbio para 5,00 reais por dólar, mas elevamos a estimativa para o IPCA deste ano para 5,3%. Diante disso, esperamos que a taxa Selic atinja 13,75% ao final deste ano, com um ritmo mais gradual de cortes de juros.
No cenário político, Lula e Trump se reuniram em Washington, destravando a agenda bilateral de acordos sobre tarifas, minerais estratégicos e cooperação em segurança. Por fim, o governo anunciou o Desenrola 2.0 – programa com foco na renegociação de dívidas e redução da inadimplência das famílias.
Gráfico da Semana

Cenário Internacional
Preço do petróleo segue volátil em meio ao conflito geopolítico
O conflito entre Estados Unidos e Irã segue como tema central para os mercados globais. Após atingir 120 dólares por barril na semana passada, o preço do petróleo recuou para cerca de 100 dólares. A Casa Branca enviou para Teerã um documento de 14 pontos exigindo, entre outras condições, a interrupção do enriquecimento de urânio por pelo menos 12 anos e a entrega do estoque enriquecido a 60% — em troca da retirada gradual de sanções e fim do bloqueio naval. A notícia trouxe expectativas de possível resolução do conflito, o que, momentaneamente, reduziu a cotação do petróleo para perto de 90 dólares por barril. No entanto, a reação do Irã foi de ceticismo: parlamentares chamaram o texto de “lista de desejos americanos” e o presidente do parlamento ironizou, nas redes sociais, que a operação diplomática havia fracassado.
Apesar disso, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o cessar-fogo “certamente se mantém”, e o chefe do Estado-Maior disse que os incidentes registrados ficaram abaixo do limiar de retomada de combates. O preço do barril de petróleo continua bastante volátil e encerrará a semana próximo de 100 dólares.
Indicadores econômicos nos Estados Unidos reforçam postura cautelosa do Fed
A economia dos Estados Unidos registrou criação líquida de 115 mil empregos em abril, acima das expectativas de mercado (65 mil). A taxa de desemprego ficou estável em 4,3%, enquanto os salários subiram 0,2% no mês e 3,6% no acumulado em 12 meses. Com relação à atividade econômica, o índice ISM de serviços (sondagem com empresas que busca medir o pulso da atividade no setor) recuou levemente para 53,6 pontos em abril. Trata-se do 22º mês consecutivo de nível expansionista. Leituras acima de 50 indicam expansão do setor, enquanto valores abaixo desse nível sinalizam contração. O componente de preços pagos continuou em 70,7 pontos, o maior patamar desde o início de 2023 – ainda indicando pressão pelos altos custos de combustíveis decorrentes do conflito no Oriente Médio.
O conjunto de dados dessa semana corroborou o cenário de inflação pressionada, mercado de trabalho em desaceleração (mas ainda sólido) e atividade econômica robusta. Assim, reiteramos a expectativa de que o Fed deixará os juros estáveis no intervalo entre 3,50% e 3,75% por um período prolongado.
Enquanto isso, no Brasil…
Taxa de câmbio próxima a 4,90 reais por dólar
A taxa de câmbio brasileira encerrou a semana ao redor de 4,90 reais por dólar, o menor patamar desde o início de 2024. O movimento de apreciação ganhou força com a possibilidade de acordo entre Irã e Estados Unidos, conforme discutido acima. Porém, a dinâmica favorável da moeda antecede esse evento e vem se consolidando desde o ano passado. O Brasil se configura como um “vencedor relativo” do atual choque do petróleo. O aumento das receitas de exportação, sobretudo de commodities energéticas, melhora os termos de troca e fortalece as contas externas. Esse efeito ocorre em paralelo a um processo de rotação dos fluxos globais em direção aos mercados emergentes. Nesse contexto, o real tem se beneficiado de forma consistente, apresentando desempenho superior ao de seus pares.
Esperamos taxa de câmbio em 5,00 reais por dólar ao final deste ano (veja abaixo). Dito isso, o real deve continuar em níveis próximos a 4,90 no curto prazo. A dinâmica vai na direção oposta a outro ativos de risco no Brasil. O índice Ibovespa, por exemplo, já caiu 7% desde o seu pico em meados de abril.
Reduzimos nossa projeção de taxa de câmbio, mas elevamos a de taxa Selic
Divulgamos o relatório Brasil Macro Mensal, com nossas projeções atualizadas para o cenário doméstico. A posição favorável do Brasil como exportador líquido de petróleo tem fortalecido o real frente ao dólar, sustentando uma sequência de apreciações cambiais. Diante do prolongamento do conflito e do ganho cambial já observado, revisamos nossa previsão para o câmbio de 5,30 para 5,00 reais por dólar ao final de 2026.
Tendo em vista os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os custos de energia e demais insumos, elevamos nossa projeção para o IPCA deste ano, de 5,1% para 5,3%. No entanto, mantivemos a expectativa de 4,0% para 2027, já que a apreciação cambial e uma política monetária um pouco mais restritiva no curto prazo tendem a compensar a maior inércia inflacionária de 2026. De fato, prevemos a continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic, ainda que em intensidade menor. Esperamos três reduções adicionais de 0,25 p.p., levando a taxa básica para 13,75%, seguidas por uma pausa para avaliação das perspectivas de reformas (especialmente fiscais) a partir de 2027.
Para detalhes, leia nosso relatório aqui.
Lula e Trump se reúnem em Washington e destravam agenda bilateral
Os presidentes Lula e Trump se reuniram para discutir pontos centrais da agenda bilateral, com destaque para a revisão de tarifas ainda vigentes, a comercialização de minérios e terras brasileiras e o combate ao crime organizado. O encontro transcorreu em tom cordial, com ambas as partes sinalizando satisfação com os avanços iniciais.
No campo comercial, discutiu-se a criação de grupos de especialistas para formular propostas de revisão das sanções e tarifas remanescentes. Lula afirmou que uma nova reunião sobre o tema pode ocorrer em cerca de 30 dias, com expectativa de remoção parcial das tarifas e fortalecimento da parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos. O presidente também mencionou a aprovação, na Câmara, da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), defendendo maior abertura à exploração de terras raras, o que pode beneficiar ambos os países.
Governo anuncia novo programa para renegociação de dívidas
O governo lançou o programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas e à redução da inadimplência no Brasil. A nova etapa prevê negociações diretamente com os bancos credores e restringe o acesso de beneficiários que participem de plataformas de apostas virtuais. O programa contará com aporte entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões no Fundo Garantidor de Operações (FGO) para cobrir eventuais inadimplências.
Considerado uma das principais frentes econômicas do governo no segundo semestre, o Desenrola busca aliviar o comprometimento das famílias com dívidas, hoje em patamar recorde de 29,7%, com custo fiscal relativamente limitado graças ao uso do FGO e às contrapartidas do sistema bancário.
Forte importação de veículos, mas soja e petróleo sustentam superávit comercial robusto
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 10,5 bilhões em abril, em linha com as expectativas e o maior saldo já observado para o mês. Em 12 meses, o superávit acumulado alcançou US$ 75,5 bilhões. As exportações somaram US$ 34,1 bilhões, alta de 14% em relação a abril de 2025, impulsionadas principalmente por petróleo bruto — com preços 24% superiores, refletindo o choque no Oriente Médio —, minério de ferro (20%) e soja em grão (19%). As importações atingiram US$ 23,6 bilhões, avanço de 6%, com destaque para e veículos de passageiros (110%) e combustíveis (10%), influenciados pela alta do petróleo. O resultado de abril reforça a expectativa de fortalecimento da balança comercial nos próximos meses, sobretudo em função dos preços de exportação mais elevados.
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Destaques da próxima semana
No cenário internacional, o destaque fica por conta da divulgação dos índices de preços ao consumidor e ao produtor nos Estados Unidos, além dos dados de vendas no varejo e de produção industrial, todos referentes a abril. Na China, também serão publicados os indicadores de inflação ao produtor e ao consumidor.
No Brasil, o IPCA de abril será divulgado e deve registrar mais uma alta relevante, em linha com a forte pressão de preços em alimentos e energia. Do lado da atividade econômica, o protagonismo fica com a Pesquisa Mensal de Serviços e a Pesquisa Mensal do Comércio, ambas referentes a março. Veja as nossas projeções abaixo.

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