Maior mobilidade impulsiona recuperação do setor de serviços em abril

As receitas do setor de serviços voltaram a crescer em abril, como reflexo da reabertura gradual da economia, retorno do auxílio emergencial e aumento da confiança do consumidor. A recuperação deve ter continuidade nos próximos meses, especialmente devido à expectativa de avanços importantes na campanha de vacinação contra a Covid-19.


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Conforme publicado pelo IBGE na última sexta-feira (11/06), as receitas do setor de serviços cresceram 19,8% entre abril de 2021 e abril de 2020, já descontado o efeito do aumento da inflação no período. Em comparação a março, o faturamento do setor terciário exibiu alta de 0,7%. Esses resultados foram importantes para confirmar a recuperação relativamente rápida da atividade doméstica após a contração observada em março, que decorreu principalmente da piora da pandemia a partir de meados de fevereiro e subsequente intensificação das medidas de distanciamento social.

Em linha com o esperado, os serviços prestados às famílias mostraram recuperação parcial em abril (expansão mensal de 9,3%), compensando cerca de um terço da contração aguda registrada em março (-28,0%). A flexibilização das restrições de mobilidade ao longo do mês respondeu por grande parte desta melhoria, em nossa avaliação. Destacamos o aumento nas receitas reais do subgrupo de “Serviços de Alojamento e Alimentação” (9,8% em abril, após tombo de 28,9% observado em março). Além disso, notamos a contribuição da nova rodada de pagamento do auxílio emergencial para as famílias mais vulneráveis ​​à pandemia (as transferências, que retornaram em abril, devem seguir até outubro) e da recuperação relativamente rápida da confiança do consumidor.

Por sua vez, os serviços mais relacionados à indústria mostraram arrefecimento das receitas em abril. Por exemplo, os “Serviços de Transporte e Armazenagem” ficaram estáveis no mês, após contração de 3,1% registrada em março, em linha com o desempenho mais fraco da produção manufatureira no período. Vale lembrar que o setor industrial (não apenas no Brasil) vem enfrentando algumas restrições relevantes na oferta de insumos, com destaque às cadeias automobilística e de eletrônicos.

O índice geral de volume de serviços situa-se 1,5% abaixo do nível pré-pandemia (fev/20). Com base nos dados desagregados, entretanto, notamos desempenhos bastante heterogêneos entre os segmentos neste tipo de comparação. Por um lado, muitos serviços atrelados às empresas apresentam receitas reais acima dos patamares pré-crise. Por exemplo, os grupos de “Serviços de Tecnologia da Informação” e “Serviços Técnico-Profissionais” exibem faturamento real (dados até abril/21) em torno de 28% e 10% acima dos níveis vistos no início de 2020, respectivamente.

Por outro lado, os “Serviços Prestados às Famílias” apresentam receitas reais ainda 40% abaixo dos patamares vistos imediatamente antes da crise sanitária. Acreditamos que esta lacuna continuará a diminuir nos próximos meses. Tal expectativa é sustentada pelo (I) afrouxamento adicional das medidas de distanciamento social – em média, os índices de mobilidade atingiram em maio o patamar mais elevado desde janeiro – e (II) expansão da massa de renda disponível às famílias no curto prazo, devido sobretudo ao retorno dos pagamentos de auxílio emergencial às pessoas mais vulneráveis ​​e à antecipação de benefícios previdenciários (13º salário do INSS) para aposentados e pensionistas.

Nossas estimativas preliminares sugerem que a receita real do setor de serviços cresceu cerca de 2% entre abril e maio (e quase 25% na comparação entre mai/21 e mai/20). Olhando mais adiante, esperamos continuidade da recuperação, respaldada sobretudo pela aceleração da campanha de vacinação da população contra a Covid-19. Com isso, não acreditamos em reversão do atual processo de reabertura gradual da economia (pelo menos não de forma generalizada).  

Nossa projeção atualizada para o PIB do 2º trimestre de 2021 indica virtual estabilidade frente ao último trimestre (elevação de aproximadamente 12% ante o 1º trimestre de 2020). Ou seja, o desempenho da atividade econômica brasileira no 1º semestre deste ano deverá ser muito mais sólido do que o projetado há alguns meses, a despeito do recrudescimento da pandemia (“segunda onda da Covid-19”). Vale lembrar que o PIB cresceu 1,2% entre janeiro e março, surpreendendo positivamente as expectativas. Por fim, projetamos expansão de 5,2% para o PIB de 2021, após queda de 4,1% em 2020.

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