Forte recuperação das vendas do comércio

A flexibilização de medidas restritivas de mobilidade, a volta do auxílio emergencial e a retomada da confiança dos consumidores impulsionaram as vendas varejistas em abril, compensando grande parte das perdas registradas em março.


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As vendas do comércio varejista cresceram 3,8% na comparação entre abril e março, uma recuperação importante após o tombo de 5% registrado na divulgação mensal anterior. Praticamente todos os segmentos do varejo tiveram resultados positivos no período, como pode ser observado na tabela logo abaixo. Apenas a categoria de “supermercados, alimentos, bebidas e fumo” exibiu recuo em abril, mas isso ocorreu após sólido crescimento em março. Os números do varejo brasileiro publicados nesta terça-feira (08/06) pelo IBGE surpreenderam bastante as expectativas do mercado (bem como nossas projeções), que indicavam uma retomada mais moderada do setor.

Em nossa avaliação, o desempenho favorável do comércio em abril decorreu principalmente dos seguintes fatores: (i) flexibilização das restrições aos serviços não essenciais na segunda quinzena do mês, que gerou aumento significativo dos índices de mobilidade (maior circulação das pessoas); (ii) retorno dos pagamentos do auxílio emergencial direcionados às famílias mais vulneráveis à pandemia, embora com abrangência e valores inferiores aos observados em 2020; e (iii) recuperação relativamente rápida da confiança dos consumidores, conforme publicado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Com base nos dados desagregados do comércio varejista, chamamos a atenção para o crescimento acentuado das vendas de materiais de construção desde o início da pandemia (expansão de 20% na comparação entre abr/21 e fev/20, já descontados os efeitos da sazonalidade), sobretudo devido ao maior dinamismo do mercado imobiliário residencial e do maior número de reformas e reparos vistos nos últimos meses. Além deste, destacamos os resultados dos segmentos de “artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos” e “outros artigos de uso pessoal e doméstico” (altas de 13,4% e 5,8% entre abr/21 e fev/20, respectivamente). Por outro lado, as vendas de “livros, jornais, revistas e papelaria” (-40,6%), “tecidos, vestuário e calçados” (-19,4%) e “combustíveis e lubrificantes” (-9,3%) foram severamente impactadas pelas restrições de mobilidade implementadas para contenção do contágio da Covid-19.

Acreditamos que as vendas do varejo permaneceram em trajetória de recuperação em maio. Por ora, estimamos aumento de aproximadamente 2% em relação a abril. Além do afrouxamento adicional das restrições de distanciamento social e dos níveis mais elevados de sentimento econômico dos consumidores , vale mencionar os efeitos da antecipação do pagamento de benefícios do INSS (13º salário para aposentados e pensionistas) na última semana do mês. Ademais, as concessões de crédito para pessoas físicas continuam a apresentar ritmo saudável de expansão, algo fundamental para uma retomada consistente das vendas de veículos, móveis, eletrodomésticos e equipamentos de informática e comunicação. Em abril, por exemplo, os segmentos varejistas mais sensíveis ao crédito cresceram 17,7% em comparação a março, compensando a contração de 17,3% registrada na publicação mensal anterior.

Para o 2º trimestre, projetamos expansão das vendas reais do comércio varejista em cerca de 3% ante os três primeiros meses deste ano. Para 2021 como um todo, nosso cenário indica crescimento de 6,5%.

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