Economia em destaque: Seu resumo semanal do cenário econômico internacional e doméstico

Taxas longas em alta, mudanças na Petrobras e PEC Emergencial são destaque nessa semana, além de números de inflação, mercado de trabalho e contas públicas.


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Covid-19

A semana foi marcada pela continuidade do avanço das vacinações ao redor do mundo, com destaque para a aprovação da vacina da Johnson & Johnson para uso emergencial nos Estados Unidos. A vacina garante 66,9% de proteção para casos moderados e graves com apenas uma dose, além de ter resultados eficazes contra outras variantes do vírus, inclusive com a brasileira.

Enquanto isso, o Brasil se encontra no pior momento da pandemia. Após piora considerável do quadro em São Paulo, o governador João Doria anunciou lockdown em todo estado, tendo em vista desestimular festas e outros eventos sociais. A medida valerá a partir de hoje (26) e se estenderá até o dia 14 de março.

Na seara da vacinação, segundo dados do Our World in Data, um total de 8,1 milhões de doses de vacina já foram aplicadas no país – 1,76 milhão já recebeu ambas as doses. O Ministério da Saúde anunciou a compra de 20 milhões de vacinas da Covaxin, fabricada pela indiana Bharat Biotech. Em março, serão recebidas 8 milhões de doses, bem como em abril, restando 4 milhões a serem distribuídas em maio. A vacina ainda aguarda autorização da Anvisa para estudos clínicos da fase 3 no Brasil. O governo também aguarda definição sobre o uso e fabricação da russa Sputnik V, enquanto a Pfizer afirmou que tentará fechar venda de sua vacina ao Governo Federal até 19 de março.

Finalmente, o Senado aprovou um projeto de lei que permite a compra de vacinas pela iniciativa privada, desde que estas sejam aprovadas pela Anvisa e entregues ao Sistema Único de Saúde até a vacinação completa dos profissionais de saúde. Posteriormente, a empresa terá que doar metade das suas doses ao setor público, sendo permitido o uso do restante em seus funcionários desde que gratuitamente.

Internacional

No cenário internacional, a atividade econômica continua mostrando sinais de melhor no mundo. Com sinalizações de continuidade de política monetária em território estimulativo, o principal destaque segue sendo o comportamento dos títulos de longo prazo, com as Treasuries de 10 anos nos EUA atingindo 1,54% em meio a receios de episódio similar ao “taper tantrum” observado em 2013.

Na seara de indicadores, a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA indicou crescimento de 4,1% no quarto trimestre de 2020 na comparação com o terceiro trimestre, em termos anualizados – em linha com as estimativas de mercado. Já os dados deste início de ano continuam mostrando recuperação da atividade. Indicadores de atividade do Fed de Chicago (de janeiro) e de Dallas (de fevereiro) ficaram acima do esperado, enquanto os pedidos por seguro-desemprego no país totalizaram 730 mil na semana passada, menos do que os 845 mil esperado pelo mercado.

A tendência de aceleração da atividade deve continuar, com a vacina e o pacote nos EUA avançando na Comissão de Orçamento da Câmara. De fato, esperamos que o projeto seja aprovado no Senado até meados de março. Em seu atual formato, o pacote teria impacto de USD 1,92 trilhões. No entanto, o aumento do salário mínimo não deve ser aprovado. Ressaltamos que a ‘parlamentar’, assessora do Congresso que interpreta regras parlamentares, disse que o aumento do salário mínimo previsto na proposta democrata não pode ser aprovado via reconcilliation, manobra por meio de qual democratas procuram aprovar o texto no Senado.

Do lado de política monetária, o posicionamento do FED segue reforçando expectativas de continuidade de expansão monetária. Em testemunho ao Congresso norte-americano, o presidente do FED Jerome Powell afirmou que o alto nível no preço dos ativos é um sinal saudável para a economia, e que tanto a inflação quanto o nível de desemprego seguem distantes dos objetivos da autoridade monetária. Nesse contexto, reafirmou que manterá o nível do programa de compra de ativos em 2021.

Enquanto isso, na Europa, o PIB da Alemanha cresceu 0,3% T/T no quarto trimestre de 2020, acima das expectativas de mercado. Na França, pesquisas finais apontam que o PIB do quarto trimestre de 2020 encolheu 1,4% na comparação trimestral, em meio ao aumento das medidas de restrição para conter o avanço da disseminação da Covid-19 no final do ano passado.

Já sobre resultados deste início de 2021, o indicador de confiança de negócios IFO alemão acelerou em fevereiro, enquanto as encomendas industriais na Itália avançaram 7,0% em dezembro. Também na Alemanha, o governo de Angela Merkel estuda injeção na economia de EUR 50 bilhões e começa a reabrir escolas após dois meses. Já o Reino Unido anunciou relaxamento de restrições e também estuda estímulos à economia.

Ainda na região, em meio às incertezas sobre as relações entre o Reino Unido e a União Europeia no período pós-Brexit, o governo de Boris Johnson aceitou pedido de extensão de um mês do bloco para ratificação do acordo sobre o Brexit.

Enquanto isso, no Brasil

No cenário doméstico, a semana começou marcada pela indicação pelo Presidente da República de afastamento do presidente da Petrobras. O impacto na economia dependerá das próximas sinalizações do governo, especialmente a ala política do Planalto. Em um cenário mais adverso de mudança de direcionamento de política econômica, Os prêmios de risco tendem a ficar mais elevados adiante, com impactos sobre as principais variáveis macroeconômicas. A taxa de câmbio pode depreciar entre 15% e 20% frente ao cenário base e o Copom deve elevar os juros mais rapidamente. Não obstante, tal cenário ainda não constitui nosso cenário base.

Na esteira da tentativa de sinalizar alinhamento entre as prioridades do governo e do Ministério da Economia, o governo entregou ao Congresso uma Medida Provisória considerada o primeiro passo para um processo de privatização da Eletrobrás.  A MP 1031, de 23 de Fevereiro de 2021, possibilita o início dos estudos da modelagem da privatização pelo BNDES, e também conta com modificações do texto do Projeto de Lei anterior de desestatização da Eletrobras, PL 5877/2019, que ainda não foi aprovado. As mudanças incluem a criação de uma Golden Share pela União, que lhe confere poder de veto em determinados temas.

Em cálculos divulgados pelo Ministério de Minas e Energia e também compartilhados pela Eletrobras em fato relevante, estima-se uma arrecadação total de cerca de R$51 bilhões com a operação de capitalização, sendo os recursos divididos em 50% como outorga para a União, e 50% para injeção na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), para contribuir para a redução de pressões tarifárias.

Também foi destaque o relatório do senador Marcio Bittar que abre caminho para a implementação de mais uma rodada de Auxílio Emergencial (AE) – o projeto de mudança constitucional conhecido como PEC Emergencial.

A expectativa de que a proposta de nova rodada do AE viesse acompanhada de uma melhora no arcabouço fiscal brasileiro se confirmou, ainda que as medidas de contrapartida sejam menos ousadas do que no cenário ideal. Do lado negativo, o artigo não contém restrições e dá margem a um programa mais longo ou mais abrangente do que o sinalizado até agora. O risco na tramitação é elevado, e o engajamento da ala política do governo será chave para confirmar o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo.

Por tratar de temas sensíveis, em especial o fim dos pisos constitucionais para gastos com saúde e educação, a votação no Senado, que estava prevista para acontecer nessa semana, foi adiada para a semana que vem.

Indicadores

Na seara de indicadores, a semana contou com a divulgação de dados de inflação, mercado de trabalho, mercado de crédito e resultados fiscais — a grande maioria referentes ao início deste ano.

A inflação brasileira medida pelo IPCA-15 apresentou expansão de 0,48% em fevereiro, um pouco acima da nossa expectativa (+0,46%) e um pouco abaixo do consenso de mercado (+0,50%). A inflação acumulada em 12 meses passou de 4,30% em janeiro para 4,57% em fevereiro. As maiores surpresas de alta vieram de alimentos no domicílio e produtos industriais, refletindo os efeitos da desvalorização do real e dos problemas do lado da oferta. As principais surpresas para baixo foram eletricidade e serviços (especialmente educação). As medidas de núcleo da inflação também vieram abaixo do esperado. Mantemos a nossa expectativa de que o IPCA encerre os anos de 2021 e 2022 em 3,9% e 3,4%, respectivamente.

Já a PNAD Contínua divulgada pelo IBGE indicou que a taxa de desemprego no Brasil atingiu 13,9% no trimestre encerrado em dezembro, um pouco abaixo da nossa expectativa (14,1%) e do consenso de mercado (14,0%). Em termos dessazonalizados, a taxa de desemprego passou de 14,5% em novembro para 14,7% em dezembro, refletindo o aumento do número de pessoas procurando novamente por ocupações no mercado. O resultado sinaliza uma tendência positiva para o mercado de trabalho, ainda que a recuperação esteja acontecendo em ritmo lento e em níveis baixos.

As maiores incertezas permanecem nas leituras dos primeiros meses de 2021, quando o fim do programa de apoio ao emprego formal (BEm) deve adicionar ao crescente número de trabalhadores que retornam à força de trabalho. Mas, acompanhando a expectativa de recuperação do setor de serviços, a taxa de desemprego deve voltar à 14,6% (dessaz.) no final deste ano e à 11,8% (dessaz.) ao final de 2022.

Também foram divulgados os resultados fiscais referentes a janeiro: arrecadação e déficit primário do governo central e do setor público consolidado. Os resultados vieram levemente acima do esperado pelo consenso de mercado, impulsionados pela arrecadação ainda forte na esteira da produção industrial de dezembro, e da performance melhor do que o esperado de governos regionais.

O déficit primário do setor público reduziu para 9,43% do PIB em janeiro, enquanto a dívida bruta subiu para 89,7% do PIB, e a dívida líquida, beneficiada pela depreciação do real, reduziu-se para 61,7% do PIB no período. Não obstante, os próximos meses deverão ser marcados por provável perda de fôlego na arrecadação, e gradual aumento de gastos, com a aprovação do orçamento para 2021 e a provável volta do auxílio emergencial. 

Nesse contexto, esperamos que o endividamento continue em tendência de alta, embora muito mais lentamente do que o observado ao longo de 2020, agora com quase todos os estímulos fiscais encerrados. Além do déficit primário esperado para o ano, o iminente ciclo de alta da Selic deve impactar a dívida bruta, dado o encargo adicional de R$ 31,8 bilhões ocasionado a cada 1p.p. de aumento na taxa básica de juros.

Finalmente, tivemos também dados de crédito referentes a janeiro. De acordo com o Banco Central, as concessões aceleraram 1,9% m/m, com um aumento de 3,5% nas concessões às empresas, mas uma queda de 1,2% às famílias. Os resultados registraram perda de fôlego no mês, refletindo o fim de alguns programas creditícios implementados durante a pandeia para apoiar pequenas e médias empresas. Mas, em meio à Selic em níveis ainda estimulativos, esperamos que as condições creditícias sigam positivas em 2021.

O que esperar?

O PIB brasileiro referente ao 4º trimestre de 2020 e a produção industrial de janeiro serão os principais destaques da agenda econômica doméstica da próxima semana. No cenário internacional, serão divulgados os PMI’s das principais economias e o PIB da Itália também referente ao quarto trimestre do ano passado.

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