Primeiras impressões dos eventos na Petrobrás sobre o cenário econômico

Parece cedo para cravar se os eventos recentes na Petrobras ficarão restritos ao setor, ou uma indicação de mudança na gestão de política econômica. A PEC que implementará novo Auxílio Emergencial será chave para demonstrar compromisso com agenda de reformas e disciplina fiscal.


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  • Parece cedo para cravar se os eventos ligados à Petrobras são pontuais, com efeitos restritos ao setor, ou uma indicação de tendência de mudança na gestão de política econômica. O governo afirmou que não vai haver mudanças na política de preços da empresa, e que a disciplina fiscal segue prioridade. O tema de reajustes de combustíveis é sensível, e provocou ruído semelhante nos mais diferentes governos do passado.
  • Ainda assim, a decisão pode representar um divisor de águas. Os prêmios de risco tendem a ficar mais elevados adiante, com impactos sobre as principais variáveis macroeconômicas.
  • Pela semelhança, os eventos de 2013 podem ser um guia. Se o cenário mais negativo de intervenção em outras áreas da política econômica se confirmar, a taxa de câmbio pode depreciar entre 15% e 20% frente ao cenário base e o Copom deve elevar os juros mais rapidamente.
  • A PEC que implementará a nova rodada do Auxílio emergencial será chave para demostrar o compromisso do governo com a agenda de reformas e disciplina fiscal, bandeiras do Ministério da Economia.

Na última sexta feira o presidente Bolsonaro decidiu indicar um novo presidente para a Petrobrás. O estopim foi o reajuste entre 10% e 15% para gasolina e diesel.

Analistas do mercado e da imprensa interpretaram como intervenção política na política de preços da empresa. Muitos associaram ao anúncio de redução de 18% da energia elétrica, em março de 2013. A partir dali, o país entrou numa espiral de intervenção política nas principais decisões econômicas, especialmente de política fiscal – patrocinando uma expansão não registrada nos dados oficiais. O resultado foi a crise de 2014, e uma queda de 7% (acumulada) do PIB nos dois anos seguintes. Estamos na mesma rota?

É cedo para cravar. O governo afirmou que não vai haver mudanças na política de preços da Petrobrás, e que a disciplina fiscal segue prioridade. O tema de reajustes de combustíveis é sensível, e provocou ruído semelhante nos mais diferentes governos do passado. Além disso, diferente de 2013, a equipe do Ministério da Economia é hoje muito mais alinhada com a pauta de disciplina fiscal.

Ainda assim, a decisão pode representar um divisor de águas na relação do núcleo político do governo com a gestão da economia. A percepção de risco nos ativos brasileiros tende ser mais elevada adiante, com impactos nas principais variáveis macroeconômicas.

Um guia pode ser os impactos observados em 2013. Nos trimestres que seguiram a medida, o câmbio depreciou 20% (2,0 para 2,40 reais por dólar) e o risco Brasil (medido pelo CDS de 5 anos) dobrou, de 100 para 200 pontos base. O mundo não ajudava. As commodities estavam em (leve) baixa, e os EUA viviam o “taper tantrum”, expectativa de alta de juros pelo FED, que impulsionou os juros dos títulos de 10 anos de 1,5% para 3,0%.

As projeções de inflação ficaram pressionadas, o BCB teve que reverter a queda de juros que conduziu até o final de 2012. Entre abril de 2013 e fevereiro de 2014, o Copom elevou a Selic de 7,25% para 11%. As projeções de PIB para 2013, captadas pela pesquisa Focus, recuaram de 3,3% no início do ano para 2,2% em fevereiro de 2014. Para 2014, recuaram de 3,8% para 1,7% no mesmo período.

Na situação atual, o câmbio para o final deste ano mudaria para o intervalo de 5,8-6,0 reais por dólar, frente à nossa projeção atual de 4,9. O efeito sobre os preços levaria o IPCA deste ano para 5,0% (frente à 3,9% da projeção atual), gerando uma inércia em torno de 0,5% para 2022. No cenário base de Banco Central independente – reforçado pelo projeto de iniciativa do Executivo recentemente aprovado no Congresso – o Copom precisaria elevar a Selic em algo como 100 pontos base além do cenário atual para combater esse efeito. Iriamos de uma projeção de 4,5% para 5,5% no primeiro semestre de 2022. O PIB de 2022 cresceria abaixo dos 2% projetados hoje.

Como falamos, ainda que este cenário tenha ganho probabilidade, ainda não parece o mais provável. Ao nosso ver, a tramitação da PEC do auxílio emergencial é chave para identificar se os impactos dos acontecimentos deste fim de semana vão se restringir ao setor de energia – com consequências limitadas sobre o risco brasil – ou representam uma mudança mais permanente na condução da política econômica e na percepção do risco Brasil.

Como falamos em nosso relatório mensal de fevereiro (aqui), se a PEC do Auxílio vier acompanhada de medidas para fortalecer o arcabouço fiscal, será positivo: em troca de uma despesa adicional limitada, um avanço estrutural na área mais frágil da economia. Mas se for mal implementada, com espaço para novos gastos além do teto, a prorrogação do auxílio pode ser o ovo da serpente para uma deterioração fiscal mais estrutural.   

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