Economia em Destaque: seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

Semana marcada por indicadores de inflação, com EUA surpreendendo para cima e reacendendo cautela sobre inflação global. No Brasil, publicamos nosso relatório mensal de maio, com atualizações para os principais indicadores macroeconômicos.


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Atualizações Covid-19

No cenário internacional, ganhou repercussão a permissão do governos nos Estados Unidos para que os indivíduos totalmente vacinados não utilizem máscaras, independentemente de estarem em locais abertos ou fechados. Há diferenciações entre regiões diante de legislações municipais e estaduais, mas a notícia ilustra o avanço da vacinação e normalização das atividades no país.

No Brasil, o número de novos casos se mantém estável, pouco acima de 61,4 mil, assim como o ritmo de vacinação – com média de 710 mil doses aplicadas ao dia. Pelos dados das secretarias de saúde, vacinamos 37,8 milhões de brasileiros com ao menos a primeira dose e 18,8 milhões com as duas.

O Instituto Butantan entregou mais de um milhão de doses ao SUS e aguarda a liberação de 10 mil litros de IFA para a produção de 18 milhões de vacinas – sem data confirmada para entrega. Enquanto isso, a Anvisa liberou estudos clínicos da vacina indiana Covaxin no Brasil.

Cenário Internacional

A semana começou marcada pela alta do preço de commodities, especialmente minerais. A falta de oferta e as expectativas de recuperação da economia global estão entre os motivos que levaram a alta substancias do minério de ferro ao longo das últimas semanas.

Porém, o principal destaque da semana ficou para os dados de inflação divulgados nos Estados Unidos, que vieram bem acima do esperado pelo mercado, reforçando receios sobre a alta de preços acelerada no país e a postura acomodatícia do FED. A reação nos juros futuros, entretanto, foi contida. As Treasuries de 10 anos encerraram a semana na patamar de 1,6% (preços de 11:30 da sexta-feira).

O indicador de inflação ao consumidor (CPI) registrou alta de 0,8% em abril, levando o acumulado em doze meses a 4,2% – a maior alta desde 2008. O resultado acima do esperado foi puxado principalmente por alta recorde no preço de carros usados (que registraram alta de 10% no período), além de commodities e setores mais sensíveis a normalização da atividade, como hospedagem e passagens de avião. Com o resultado, esperamos que o indicador alcance 4,6% y/y em maio, antes de arrefecer para 3,4% ao final do ano.

Já o indicador de preços ao produtor (PPI) subiu 0,6%, ante consenso de mercado em 0,3%. Dentro dos dados do PPI, o mais relevante para o PCE (indicador de inflação ao consumidor “preferido” pelo FED) são os serviços médicos, que tornaram a avançar. Após pulso observado em janeiro, esse agrupamento vinha mantendo variações “bem comportadas”, mas nessa observação de abril tornou a avançar, piorando as perspectivas para o PCE.

Não obstante, dirigentes do Federal Reserve (banco central americano) mantém posicionamento de que serão necessários vários meses de surpresas nos dados para alteração da condução de política monetária.

Ainda nos EUA, destaque para o resulado de abril do varejo e da produção industrial. Enquanto as vendas varejistas registraram estabilidade em relação a março, abaixo da alta de 1% esperada para o mês, com o núcleo permanecendo aproximandamente 18% acima do nível pré pandemia, a indústria cresceu 0,7% na comparação com março (frente expectativa de 0,8%) – mas segue 2,7% abaixo do patamar pré-covid. Os resultados foram influenciados pela retomada residual da atividade fabril após o impacto de questões climáticas, de um lado, e do arrefecimento do consumo após o salto impulsionado pelos primeiros impactos dos cheques à famílias.

Europa

Na Zona do Euro, apesar do resultado abaixo do esperado para a produção industrial de março, (alta sutil de 0,1% em relação a fevereiro), provavelmente impactada pela escassa oferta de insumos, dados recentes seguem reforçando expectativas de recuperação robusta para o segundo trimestre, deixando para trás a queda observada no início do ano.

Vale o destaque na semana para o resultado da pesquisa ZEW de expectativas , que saltou de 66.3 pontos em abril para 84 pontos em maio, no maior patamar registrado em mais de 20 anos. Na Alemanha, o ZEW referente a expectativas também alcançou a máxima desde o início do ano 2000. Nesse contexto de melhor de indicadores recentes, a Comissão Europeia elevou suas expectativas de crescimento do PIB para 4,3% em 2021 e 4,4% em 2022, frente às estimativas anteriores de 3,8% em ambos os anos.

Já no Reino Unido, o PIB contraiu 1,5% na comparação entre o 1T21 e o 4T20 (-5,2% ante o 1T20), resultado ligeiramente acima das estimativas (-1,6%). Os dados mais recentes sobre a atividade econômica britânica vêm mostrando recuperação acelerada, na esteira do célere avanço da imunização da população contra a Covid-19.

China

Na China, o principal destaque foi também a divulgação de dados de inflação referentes a abril. O CPI variou 0.9% y/y (est. 1%) e o PPI acelerou para 6.8% y/y (est. 6.5%), alcançando o ritmo de alta visto em 2017. Como sentido no restante do mundo, a pressão vem principalmente de preço de commodities, impulsionados pela forte demanda global impactada por estímulos, desequilíbrios em cadeias de produção globais, e maiores gastos em infraestrutura no país.

Enquanto isso, no Brasil

A semana no Brasil foi marcada por indicadores de atividade referentes a março, que apontaram para uma resiliência maior do que a esperada incialmente para a economia do país no primeiro trimestre – a despeito da retirada de estímulos e do recrudescimento da pandemia.

Também foi destaque a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre questão tributária envolvendo a União, que apesar de relativamente positiva, deve gerar impactos fiscais consideráveis.

Finalmente, vale destacar a publicação de nosso Brasil Macro Mensal de maio.

Indicadores

Em ata publicada na terça-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central voltou a indicar novo aumento de 0,75p.p. na taxa Selic para a próxima reunião do Comitê, em junho. O documento não trouxe grandes novidades se comparado ao comunicado divulgado após a reunião na semana passada, e enxergamos seu teor como neutro.

Segundo o Banco Central, ajustes ininterruptos na taxa Selic até o patamar neutro (equilíbrio de longo prazo) levariam a projeções de inflação “consideravelmente abaixo da meta” no ano que vem. Entendemos que a ata é consistente com nosso cenário de taxa Selic em 5,50% a.a. no final de 2021. Sobre a conjuntura econômica, a autoridade afirmou que a atividade mostra evolução mais positiva do que o esperado, e que deve aos poucos retornar à normalidade; sobre inflação, o Banco Central ressaltou o efeito da alta das commodities sobre alimentos e bens industriais, embora tenha mantido o diagnóstico de que os choques são temporários.

Enquanto isso, a inflação medida pelo IPCA registrou alta de 0,31% em abril, elevando o acumulado em doze meses para 6,76%. Tivemos uma leitura neutra sobre os resultados. Por um lado, os preços de serviços vieram aquém do esperado, desacelerando nas principais métricas; por outro lado, os preços de bens industriais seguiram pressionados. As próximas divulgações mensais devem mostrar aceleração do IPCA, sobretudo devido ao aumento da tarifa de energia elétrica e dos preços de alimentos. Projetamos alta de 5,4% para o IPCA de 2021.

Na seara de atividade econômica, o setor de serviços, medido pela PMS, registrou alta de 4,5% na comparação entre março de 2021 e março de 2020, acima das expectativas. Em relação a fevereiro, entretanto, as receitas contraíram 4%. Este recuo decorreu, em grande medida, do aperto das medidas de distanciamento social para contenção da ‘segunda onda’ da pandemia.

Consolidando os dados divulgados ao longo das últimas duas semanas, o indicador de atividade medido pelo Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 6,3% na comparação anual. De maneira geral, o indicador ilustrou que a economia brasileira mostrou resiliência no período recente, mesmo diante do recrudescimento da pandemia e do fim dos programas de estímulo, especialmente o auxílio emergencial (considerando que sua reedição ainda não estava vigente). O desempenho do IBC-Br no 1º trimestre reforça nossa expectativa de crescimento do PIB no período, embora a um ritmo bem mais suave.

Cenário político – econômico

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou julgamento sobre tema iniciado em 2017, sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Na chamada “tese do século” devido ao seu significativo impacto fiscal, o STF decidiu pela retirada do ICMS da base de cálculo, e definiu a validade da decisão a partir de 15/03/17. O ressarcimento poderá ser feito a todas as empresas, considerando o imposto cobrado desde março de 2017. Para empresas que entraram com processos antes dessa data, será devolvido o valor cobrado desde 5 anos antes da entrada do pedido.

A decisão da não retroatividade para decisões a partir de 2017 foi positiva para a União, reduzindo o impacto fiscal. Por outro lado, os ministros decidiram também pelo o que consta na nota fiscal (a Fazenda pedia pelo imposto efetivamente recolhido aos Estados) – o que implica que o impacto fiscal inicialmente projetado poderá ser maior. Considerando as compensações tributárias já utilizadas, e cálculos iniciais da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), as perdas para os cofres públicos devem atingir entre R$ 150 bilhões e R$ 250 bilhões nos próximos 5 anos. A indefinição de questões como o calendário para ressarcimentos e a quantidade de empresas que poderão pedir recursos, entretanto, tornam o tema ainda incerto.

Ainda na seara político-econômica, o Senado aprovou o projeto de lei que susta os reajustes de medicamentos em 2021 e suspende os já realizados. Ainda sem data para votação, a indústria, que esperava a derrota no Senado, tenta impedir a aprovação na Câmara, segundo o time XP Política. Calculamos que o impacto no IPCA pode chegar a -15 pontos base.

Finalmente, foi destaque no palco político a continuação da CPI da Pandemia, no Congresso – que continua, por ora, a ter impactos reduzidos no cenário econômico e de mercados. Detalhes no material do XP Política.

Relatório Mensal de Maio

Publicamos nosso Brasil Macro Mensal de maio. Em nossa visão, o ambiente global continua positivo para os Mercados Emergentes, embora a inflação continue sendo um risco. No Brasil, projetamos agora um crescimento mais forte (revisamos nossa projeção de crescimento do PIB nesse ano para 4,1%, e para 2,0% no ano que vem) e uma inflação mais alta (projeção de IPCA elevada para 5,4% esse ano), levando a um aperto mais rápido da política monetária – para o qual esperamos elevação da Selic para 5,5% em setembro.

O que esperar?

No cenário internacional, destaque para indicadores de atividade e mercado de trabalho na China, além de inflação na Zona do Euro, e dados referentes ao setor imobiliário nos EUA, além de PMIs de maio nas economias desenvolvidas.

No Brasil, as atenções devem voltar-se ao palco político-econômico, com destaque para discussões sobre a reforma tributária e a reforma administrativa, além da medida provisória da Eletrobrás (pautada para votação), e da continuação da CPI da pandemia. A semana será mais esvaziada em termos de indicadores macroeconômicos, com potencial divulgação da arrecadação de abril.  

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