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Mundo Cripto: Reinado do Bitcoin está ameaçado? Entenda o que está por trás da queda das criptomoedas

Tombo das criptomoedas no dia 19 de maio, em que o Bitcoin (BTC) chegou a cair mais de 30% na mínima do dia, assustou os investidores e trouxe dúvidas sobre a continuidade do movimento de alta desses ativos. Diante desse cenário fica a dúvida, será o fim do reinado do Bitcoin? Leia o que está por trás do tombo das moedas digitais e o que pensam grandes investidores sobre esses ativos

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O crash no mercado de criptomoedas no dia 19 de maio, que levou a mais famosa moeda digital, o Bitcoin (BTC), a cair mais de 30% na mínima do dia, assustou os investidores e trouxe dúvidas sobre a continuidade do movimento de alta desses ativos que vinha se verificando neste ano até então.  Diante desse cenário fica a dúvida, será o fim do reinado do Bitcoin? Leia o que está por trás do tombo da cotação das moedas digitais e o que pensam grandes investidores sobre essa classe de ativos.

Estouro da bolha ou correção de mercado?

O anúncio de que autoridades chinesas teriam proibido as instituições financeiras e outros meios de pagamento de receberem criptomoedas como pagamento ou realizarem outras transações com os criptoativos acendeu um alerta sobre o risco de maior regulação desse mercado, provocando um movimento de vendas das moedas digitais.

O valor de mercado das criptomoedas caiu 705 bilhões de dólares em uma semana e totalizavam 1,646 trilhão de dólares no dia 21 de maio, segundo dados da CoinMarketCap.

O Bitcoin, a moeda mais conhecida e com maior valor de mercado que somava 713 bilhões de dólares em 21 de maio, chegou a cair 30% na mínima do dia 19 de maio e terminou em queda de mais de 14%, recuperando parte dessa perda em 20 de maio. Mesmo assim, a moeda acumulava perda de 41,12% em relação ao recorde de 14 abril e negociava a 37,898 dólares. No ano, o Bitcoin sobe 31,8%. O movimento é acompanhado por outros ativos digitais, como o Ethereum, que avança 233,59%, Binance Coin que sobe 582,7% no ano.

*Gráfico com valores em porcentagem

O Bitcoin é considerada a primeira moeda digital, criada em 2008 por um autor de um artigo que se denominava Satoshi Nakamoto, mas que até hoje sua origem é desconhecida. Essa moeda usa uma tecnologia chamada blockchain, que permite a negociação direta entre as partes, sem precisar, por exemplo, de uma instituição financeira para fazer a compensação da transação. Essas transações são validadas por todos os usuários e registradas. Para garantir a segurança, essas transações são criptografadas. É como se cada participante ficasse com um recibo dessa transação armazenado no sistema eletrônico.

Por exemplo, é possível comprar uma criptomoeda por meio de uma corretora e vender para um investidor em qualquer parte do mundo por meio de um sistema eletrônico.

O valor desses ativos é determinado pelas negociações no mercado e o seu preço flutua muito, assim como ocorre com o investimento em ações na bolsa.

As criptomoedas ainda não são reguladas pelos bancos centrais, mas as autoridades mundiais e específicas de alguns países já estão discutindo a possibilidade de passar a supervisionar esse mercado. E é exatamente isso que tem preocupado os investidores, pois o aumento da regulação e supervisão das criptomoedas poderia limitar seus ganhos.

O incentivo de grandes investidores como lendário investidor Bill Miller, que foi investidor-chefe de uma das maiores gestoras americanas, a Legg Mason, o fundador da Tesla, Elon Musk e do CEO e fundador do Twitter, Jack Dorsey, a esse mercado ajudou a sustentar a valorização das criptomoedas, especialmente do bitcoin nos últimos anos. O Bitcoin, por exemplo, subiu 300% só em 2020. Algumas moedas como a Luna Coin e a Dogecoin, que tem grande defensor o fundador da Tesla Elon Musk, acumulam valorização estratosféricas de quase 133% e 7.559% no ano, reforçando argumentos de que pode haver uma bolha nesse mercado de criptomoedas.

Comentários de Musk em maio, de que não aceitaria mais o bitcoin como pagamento para a venda de carros da Tesla, acentuou o movimento de venda da moeda, com os investidores temendo que a companhia se desfizesse do investimento de 1,5 bilhão de dólares nesses criptoativos. O receio diminuiu quando Musk esclareceu que a Tescla não estava vendendo bitcoins.

A forte queda das criptomoedas em maio, especialmente do bitcoin, provocou um movimento de “stop loss” (limite de perdas) por parte de investidores que tinham grandes posições nesses ativos e tiveram que encerrar suas posições, o que acabou acentuando esse movimento. O bitcoin acumula desvalorização de 30% só neste mês.

Parte desses investidores acabaram migrando para o ouro, tido como um ativo mais seguro em momentos de fuga de risco. Relatório do JP Morgan divulgado em 19 de maio aponta que investidores institucionais poderiam estar trocando o bitcoin pelo ouro como reserva de valor, citando a redução da posição desses investidores em contratos futuros de bitcoin na CME desde seu recorde em abril, quando atingiu 64 mil dólares.

Outro fato de pressão para as criptomoedas foi o anúncio na quinta-feira, 20 de maio, do Tesouro americano de que todas as transações com criptomoedas que superem 10 mil dólares deverão ser informadas à Receita Federal do país (IRS). O bitcoin amargava uma queda de 9,22% no dia 21 de maio após o anúncio. Já a criptomoeda focada em privacidade Monero (XMR) subia 11,69% pelo fato de ser uma moeda que não é possível rastrear a identidade daqueles que a transacionam na rede na blockchain.

Criptomoedas são uma bolha ou oportunidade de mercado?

Para os defensores das criptomoedas, como o investidor Bill Miller, o Bitcoin tem potencial para ser no novo “ouro digital”. Em entrevista a CNBC no dia 19 de maio, o gestor disse que considera o Bitcoin um investimento seguro e o preço mais baixo o torna ainda mais atraente.

O CEO da MicroStrategy, Michael Saylor, disse após o tombo das criptomoedas, que as empresas que ele controla adquiriram 111.000 Bitcoins e não venderam um único satoshi, em referência a unidade mínima do Bitcoin.

Jogador de futebol americano Tom Brady disse que aproveitou a queda das criptomoedas para comprar na baixa
Tom Brady disse que aproveitou a queda das criptomoedas para comprar na baixa

O jogador da NFL, Tom Brady, foi outro que aproveitou a queda para comprar criptomoedas. Em sua conta no Twitter, ele escreveu: “Aqui acabamos de comprar na baixa!”

Um dos fatores que sustentam essa visão é o fato de haver um limite para emissões do Bitcoin de 21 milhões de unidades É justamente pela existência finita do Bitcoin que o megainvestidor Ray Dalio, fundador da lendária gestora Bridgewater, recentemente comparou o Bitcoin com o ouro como uma reserva de valor.

Em segundo lugar, o Bitcoin de tempos em tempos passa por uma redução no número de moedas em circulação, fenômeno conhecido como halving. Quando isso acontece, o estoque desses ativos é cortado pela metade, o que faz ainda mais os investidores valorizarem a posse dessa moeda, em nova alusão ao ouro.

O surgimento de novas moedas que não têm limite de emissão como o Bitcoin têm animado os investidores.

Elon Musk, continua sendo um defensor das criptomoedas mesmo após a forte queda de 19 de maio, mas agora tem uma nova favorita, a Dogecoin.

No Twitter, Elon Musk publicou na quinta-feira, 20 de maio, a palavra “cyberviking”, em referência ao veículo Cybertruck da Tesla e disse em comentários que não vendeu e não venderá nenhuma “doge”. O comentário ajudou a impulsionar o preço dessa moeda, que subiu 17,56% em 20 de maio.

Criada em 2013 a partir de um meme famoso na internet, conhecido pelos usuários como “Doge”, a Dogecoin foi mencionada em fevereiro nas contas oficiais do Twitter do fundador da Tesla e do cantor Snoop Dogg. Desde então, os investidores passaram a realizar um movimento de combinação e discussões de investimento nos meandros de fóruns e redes sociais como Reddit, muito famosa nos Estados Unidos.

O CEO e fundador do Twitter, Jack Dorsey, é outro defensor dos criptoativos a ponto da descrição do seu perfil no Twitter incluir a hashtag #bitcoin.

O investimento de empresas como a Tesla, MicroStrategy e a oferta de grandes bancos como Goldman Sachs e Morgan Stanley de exposição a esses ativos para seus clientes ajudaram a chancelar os investimentos nesse mercado. Empresas como Paypal, Visa e Mastercard também passaram a aceitar o pagamento com criptoativos, o que contribuiu para reduzir a desconfiança com o uso dessas criptomoedas.

Fundos são opção para diversificar e reduzir o risco

Os investidores que têm interesse em aproveitar em investir em criptomoedas o podem fazer de duas formas. A primeira seria pela compra direta da moeda por meio de uma corretora. Apesar do alto preço do Bitcoin, valendo, hoje, aproximadamente 42 mil dólares a unidade (equivalente a mais de 221,6 mil reais), é possível comprar frações por preços menores. No Brasil, por exemplo, é possível comprar frações de Bitcoin a partir de 10 reais.

A segunda é pelo investimento em fundos que compram esses ativos. Com uma carteira diversificada, a volatilidade dessa carteira tende a ser menor que a exposição a uma só moeda.

Por exemplo, o fundo de índice (ETF) de criptomoedas Hashdex Nasdaq Crypto Index (HASH11), listado na B3, caiu 9,71% em 19 de maio, contra uma queda de 14,4% do Bitcoin.

Os ETFs (Exchange Traded Fund) são fundos de investimento negociados na bolsa de valores, como se fossem uma ação. O HASH11 tem exposição de 100% a um índice que segue uma carteira com seis criptomoedas: Bitcoin, Litecoin, Chainlink, Bitcoin Cash e Stellar. A carteira desse ETF segue o mesmo índice dos fundos distribuídos pela XP, o Nasdaq Crypto Index (NCI), que acumula valorização de 131,27% no ano, até 16 de abril.
Na plataforma da XP, é possível encontrar pelo menos três opções de fundos com exposição às moedas digitais, todos da gestora especializada Hashdex: o Hashdex Bitcoin Full 100o Hashdex 40 Nasdaq Crypto Index e o Hashdex 20 Nasdaq Crypto Index FIC FIM.

A diferença entre os fundos é o tamanho da alocação em criptomoedas, que pode variar de 20% a 100% da carteira. Por conta de normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão estatal que regula o mercado de capitais no Brasil, os fundos disponíveis para os investidores de varejo só podem investir até 20% da carteira nesses ativos. Já os fundos que podem alocar até 100% do portfólio nessas moedas estão disponíveis só para investidores qualificados, ou seja, quem tem mais de 1 milhão de reais em patrimônio ou que tenha comprovação de investidor qualificado a partir de algumas certificações específicas para profissionais do mercado financeiro.

As criptomoedas, assim como uma ação, têm maior volatilidade em comparação a outros investimentos negociados fora da bolsa, pois o preço é determinado pela negociações no mercado, entre oferta e demanda. Por isso, é importante saber o seu perfil de investidor e de tolerância a risco.

Além disso, para quem quer investir neste mercado, é recomendado alocar apenas um pedaço pequeno do portfólio de investimentos nesses ativos. Assim, você conseguirá adicionar um retorno substancial com a alta dessas moedas à sua carteira, mas também não corre o risco de perder todo o dinheiro em momentos de grande oscilação e poderá diversificar seus investimentos, uma vez que esses ativos apresentam baixa correlação com investimentos mais tradicionais como mostra o estrategista-chefe e Head do Research da XP, Fernando Ferreira, em sua coluna dominical.

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