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Choque de oferta, e por que você tem que se preocupar com isso?

Os riscos de um choque de oferta no petróleo, grãos e outras commodities relevantes aumentam em decorrência da guerra na Ucrânia. Quais os riscos e como proteger seus investimentos nesse cenário?

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No dia 06 de outubro de 1973, o Egito e a Síria iniciaram um ataque à Israel, durante as celebrações do feriado judaico de Yom Kippur. Esses países visavam voltar a ganhar territórios que haviam sido perdidos durante a guerra dos seis dias de 1967. Como retaliação ao apoio americano e da Europa ocidental à Israel durante a guerra, que ficou conhecida como “a guerra do Yom Kippur”, os países do Oriente Médio interromperam o fornecimento de petróleo para os EUA e para vários países europeus.

Como consequência, o preço do petróleo subiu de US$3,56/barril em julho de 1973 para US$11,16/barril em 1975, mais do que triplicando de preço em um curto período de tempo. Ajustando pela inflação, seria equivalente ao preço do petróleo ter subido de US$25 para US$60, nos preços atuais.

Para a economia, mais importante do que o nível do preço do petróleo em dólares por barril é a variação percentual de preços em um período curto de tempo. Nem toda recessão se deu por fortes aumentos no preço do petróleo, mas praticamente todas as vezes que o petróleo subiu mais de 50% em um período de 12 meses, esse fato acabou antecipando um cenário recessivo, como visto no gráfico abaixo.

Preço do petróleo (ajustado pela inflação) e recessões

Fonte: Macrotrends.net – as áreas cinzas denotam períodos de recessão. Escala logarítmica

Durante essa crise do petróleo, o índice S&P500 caiu -44% em 12 meses de outubro de 1973 até 1974. A inflação americana, medida pelo índice CPI, acelerou de 3,3% em 1972, para 11,1% em 1974 e a economia americana acabou entrando em recessão no período.

Índice S&P500 durante a crise do petróleo dos anos 70

Fonte: Bloomberg, XP Investimentos

O cenário atual

Alguma semelhança desse evento com o cenário atual? Como podemos ver, são várias as semelhanças. Os riscos de um choque de oferta atualmente não estão restritos apenas ao setor de petróleo e gás, mas também existem nos grãos e alimentos, na medida em que os conflitos entre Rússia e Ucrânia continuam.

Os preços das principais commodities no mundo já sobem fortemente esse ano, com maiores destaques para o trigo, o petróleo e o gás natural, as commodities mais expostas à Rússia e Ucrânia.

Preço das commodities em 2022 – %

Fonte: Bloomberg, XP Investimentos

Estagflação à vista?

Na medida em que os confrontos na Ucrânia se intensificam e as sanções sobre a Rússia aumentam, maiores são os riscos de disrupção na oferta dessas principais commodities. Além disso, as cadeias de suprimento deverão seguir pressionadas, pela falta de commodities essenciais na produção de uma série de produtos.

Por exemplo, além do petróleo, gás, grãos e fertilizantes, a Rússia e a Ucrânia são produtores relevantes de algumas commodities que são essenciais na produção de semicondutores, como o gás neon e o paládio. 90% da oferta de gás neon nos EUA vêm da Ucrânia, enquanto a Rússia é o maior produtor mundial de paládio.

Ou seja, quanto mais tempo durar a guerra, maior poderão ser os impactos nas cadeias globais de uma série de produtos.

Como escrevemos no relatório Rússia x Ucrânia: desdobramentos e perspectivas após uma semana de conflitos, esse risco de estagflação é crescente. Nossa equipe também descreve em detalhes quais os impactos esperados para os grãos, fertilizantes, proteínas, metais, óleo e gás e outras commodities relevantes.

O indicador que previu todas as recessões passadas

Além da forte alta nos preços do petróleo e das commodities, um outro indicador importante para ficar de olho é a curva de juros americana. O gráfico abaixo mostra a diferença entre os rendimentos das Treasuries americanas de 2 anos em relação ao título de 10 anos. Todas as vezes que essa diferença se inverte, ou seja, que os juros de curto prazo ficam mais altos que os juros de longo prazo, esse indicador previu uma recessão na economia americana. Foi assim em 1999, 2007 e 2019.

Atualmente, a postura do FED mais dura em relação à inflação fez o mercado precificar alta de juros nos próximos 2 anos por lá. Por outro lado, o aumento da aversão à risco recente fez os investidores voltarem a buscar a proteção da renda fixa americana, trazendo os juros dos títulos de 10 anos para baixo.

Isso indica que o mercado está menos otimista com a recuperação econômica atual, e esperando que a alta de juros que deverá se iniciar em Março nos EUA não dure por muito tempo.

Hoje ainda é difícil acreditar em uma recessão nos EUA, dada a força da economia americana atualmente. Porém, a Europa corre riscos mais claros, por estar no centro dos conflitos e depender muito mais das exportações vindas da Rússia, principalmente de gás natural.

Curva de juros americana (spread entre juros dos títulos de 2 e 10 anos)

Fonte: Bloomberg – áreas destacadas mostram períodos de “inversão da curva”, que precederam recessões em 2000, 2008 e 2020

Como se proteger desse cenário?

Assim como escrevemos no relatório Rússia x Ucrânia, a melhor estratégia a seguir nesses momentos é ter caixa, se manter investido e com uma boa diversificação na carteira, e manter a calma.

Ativos Reais

Os ativos reais seguem sendo a melhor forma de proteção de capital atualmente. Esses são aqueles ativos que os Bancos Centrais não conseguem imprimir: 1) commodities, 2) imóveis e terras (FIIs e FIAGRO), 3) na renda fixa, os títulos atrelados à inflação (IPCA+) são uma boa opção de proteção. Porém, é sempre importante lembrar que esses títulos podem sofrer quedas de preço caso a inflação suba rapidamente, levando a uma marcação à mercado negativa no preço desses ativos.

Bolsas globais devem permanecer voláteis no curto prazo

As bolsas nos EUA e Europa têm mostrado uma grande volatilidade recente, alternando dias de quedas fortes com fortes recuperações também. O mercado, apesar de estar nervoso com os riscos da guerra, também parece estar precificando uma resolução rápida do conflito.

Afirmo isso pois o S&P500 caiu apenas -9% desde a sua máxima recente, sobe +93% desde Março/2020 (mínima da pandemia), e ainda negocia a 19,5x Preço/Lucro de 2022, mais de 25% de prêmio em relação à média histórica. Ou seja, o índice ainda não parece precificar um risco de deterioração significativa no cenário, como seria o risco de uma estagflação.

Bolsa brasileira: seguimos construtivos

Seguimos construtivos com os investimentos em renda variável globais no médio e longo prazo. Porém, no curto prazo, a volatilidade das bolsas globais pode se manter elevada, frente aos crescentes riscos geopolíticos no mundo.

Já a Bolsa brasileira se encontra em uma outra dinâmica, e está se beneficiando de uma combinação de: 1) rotação global de crescimento para valor; 2) forte exposição à commodities; e 3) múltiplos de entrada muito baixos, e mais recentemente, de fluxos saindo da Rússia e migrando para outros Emergentes, como o Brasil. Dessa forma, esperamos uma revisão para cima nas estimativas de Lucro do consenso, pelo maior preço das commodities, e fluxos de investidores estrangeiros seguindo elevados. Mantemos o nosso valor justo de 123.000 pontos para o Ibovespa, que depende principalmente dos Lucros das empresas e das taxas de juros reais de longo prazo. Veja o último Raio XP da Bolsa.

A Bolsa brasileira já está entre as performances mais fortes no mundo em 2022, subindo +20% em dólares até agora, enquanto o índice MSCI Global cai -10% e o S&P500 cai -9%. Enquanto essa performance muito melhor pode assustar, é importante lembrar que nos últimos 5 anos, a Bolsa brasileira em dólares se encontra no mesmo lugar, enquanto a bolsa americana sobe +90% no período.

Seguimos vigilantes, mas investidos.

Veja algumas opções de investimento em “ativos reais” nos links abaixo:

  1. Fundo eTrend ativos reais
  2. Fundo Trend Commodities FIM
  3. Carteira recomendada de Fundos Imobiliários – Março 2022
  4. FIAgro
  5. Renda Fixa – títulos atrelados à inflação

Abra sua conta na XP Investimentos e conte com o nosso time especializado de assessores.

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