IBOVESPA -0,99% | 183.965 Pontos
CÂMBIO +0,74% | 5,17/USD
O que pode impactar o mercado hoje
Ibovespa
O Ibovespa encerrou o pregão de quinta-feira em queda de 1,0%, aos 183.966 pontos, pressionado pela alta dos juros longos globais e pela abertura da curva local.
Yduqs (YDUQ3, +3,0%) liderou os ganhos do índice após anunciar a fusão com a Afya. Por outro lado, Raia Drogasil (RADL3, -5,4%) foi o destaque negativo, pressionada pela entrada do Mercado Livre na venda de medicamentos com retenção de receita.
Renda fixa
Os juros futuros encerraram ontem em alta. Nos EUA, os rendimentos das Treasuries seguiram pressionados, com a T-note de 2 anos a 4,92% (+3 bps), a de 10 anos a 5,20% (+9 bps) e o T-bond de 30 anos a 5,48% (+8 bps), diante da combinação de dados econômicos mais resilientes, discurso mais duro de dirigentes do Fed e avanço dos preços do petróleo. No Brasil, a curva de juros acompanhou o movimento externo e também refletiu ruídos políticos, com o DI jan/27 a 13,57% (+1 bps), o DI jan/29 a 13,88% (+8 bps) e o DI jan/31 a 14,05% (+6 bps). A NTN-B encerrou com a B29 a 7,55% (vs. 7,53%), a B35 a 7,63% (vs. 7,65%) e a B50 a 7,31% (vs. 7,34%).
Mercados globais
Nesta sexta-feira, os futuros nos EUA operam em leve alta (S&P 500: 0,2%; Nasdaq 100: 0,5%). Na Europa, o Stoxx 600 opera em alta de 0,7%, impulsionado principalmente pelos setores de viagens, lazer e industrial, favorecidos pelo recuo do petróleo. Na Ásia, os mercados fecharam mistos: o Nikkei 225 (Japão) subiu cerca de 1,0%, no quinto pregão consecutivo de alta, sustentado pelo iene mais fraco, o Hang Seng recuou cerca de 1%, com Alibaba e Tencent em queda.
Os investidores também repercutem a disparada dos juros americanos. O petróleo tem leve alívio, com o Brent perto de US$ 106, diante de sinais de um acordo faseado entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O mercado também acompanha a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping em Washington, que resultou na extensão da trégua comercial por mais dois meses, além da temporada de resultados, com divulgações esperadas de Micron e Nike ao longo da semana.
IFIX
O Índice de Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX) encerrou o pregão de quinta-feira em queda de 0,24%, aos 3.723 pontos.
O desempenho foi majoritariamente negativo entre os segmentos acompanhados. Os fundos híbridos lideraram as perdas do dia, com recuo de 0,75%, seguidos pelas lajes corporativas (-0,48%) e pelo segmento de multiestratégia/FOFs (-0,27%). Os fundos de recebíveis também encerraram a sessão em baixa (-0,13%). Já os fundos de tijolo registraram queda de 0,17%, pressionados pelos fundos de shoppings (-0,42%), enquanto os ativos logísticos foram o único subsegmento a apresentar desempenho positivo (+0,14%).
Entre os destaques positivos do pregão, sobressaíram XPCI11 (+2,3%), KFOF11 (+2,1%) e KORE11 (+1,5%). No campo negativo, as maiores quedas foram registradas por BPML11 (-4,9%), ICRI11 (-2,6%) e BRCR11 (-2,2%).
Economia
As negociações entre Estados Unidos e Irã seguem sem uma solução concreta, apesar de discussões sobre um acordo em etapas que envolveria a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio econômico americano. A incerteza manteve elevado o prêmio de risco, levando o Brent a subir 3,41%, para US$ 106,60 por barril. Em paralelo, a reunião entre Trump e Xi evidenciou abordagens distintas sobre inteligência artificial, mas os dois líderes sinalizaram disposição para administrar as divergências entre as duas maiores economias do mundo.
No Brasil, o Relatório de Política Monetária reforçou a perspectiva de continuidade gradual do ciclo de cortes, com inflação projetada em 3,1% a partir do 2T28 e primeira projeção de crescimento do PIB de 1,4% para 2027. No fiscal, o relatório bimestral trouxe contenção de R$ 16,1 bilhões, e esperamos cumprimento da meta de resultado primário.
Na agenda, o destaque internacional será a divulgação das expectativas de inflação da Universidade de Michigan nos Estados Unidos. No Brasil, teremos o IPCA-15 de setembro, para o qual projetamos alta de 0,58% m/m e 4,35% a/a, com composição ainda relativamente favorável.
Veja todos os detalhes
Economia
RPM reforça cenário de continuidade dos cortes; IPCA-15 no radar
- O preço do petróleo voltou a subir diante da ausência de uma solução concreta para o conflito entre Estados Unidos e Irã, com o petróleo do tipo Brent fechando em alta de 3,41%, a US$ 106,60 por barril, e o WTI avançando 2,65%, para US$ 94,61 por barril. Negociadores americanos e iranianos discutem em Nova York uma saída gradual para o conflito, que poderia envolver a reabertura do Estreito de Ormuz por Teerã em troca do fim do bloqueio econômico imposto por Washington e, potencialmente, acesso a ativos iranianos congelados. O principal obstáculo é a sequência das concessões, já que nenhum dos lados pretende abrir mão primeiro de sua principal vantagem. Os preços chegaram a perder parte dos ganhos diante das notícias sobre as negociações, mas a ausência de um acordo e os riscos físicos à oferta mantêm elevado o prêmio geopolítico. A Arábia Saudita afirmou ainda ter interceptado seis mísseis balísticos lançados pelos houthis contra Yanbu e Taif;
- A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca evidenciou abordagens distintas sobre inteligência artificial, tema central das discussões entre os dois países. Xi defendeu que o desenvolvimento da tecnologia permaneça sob controle humano e seja acompanhado por mecanismos de governança, enquanto Trump vem enfatizando a necessidade de acelerar o avanço americano para preservar a liderança tecnológica dos Estados Unidos. Apesar da competição, os dois líderes buscaram transmitir uma mensagem de estabilidade na relação bilateral: Xi destacou a interdependência econômica entre os países e defendeu maior cooperação, enquanto Trump ressaltou o respeito mútuo na relação com o presidente chinês;
- Nos Estados Unidos, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego recuaram em 1 mil, para 197 mil, abaixo das 203 mil solicitações esperadas. A leitura da semana anterior foi revisada de 196 mil para 198 mil. Os pedidos continuados avançaram ligeiramente, para 1,719 milhão, mas também ficaram abaixo do consenso de 1,775 milhão. Os dados seguem compatíveis com baixo nível de demissões e relativa resiliência do mercado de trabalho americano;
- No Brasil, o Relatório de Política Monetária manteve a comunicação cautelosa do Copom, mas trouxe projeções compatíveis com a continuidade gradual do ciclo de cortes. A projeção de IPCA da autoridade monetária para o atual horizonte relevante, 1T28, permaneceu em 3,2%, enquanto para o 2T28 — que em breve se tornará o horizonte relevante — recuou de 3,2% para 3,1%, permanecendo nesse nível até o 1T29. O banco central reduziu sua projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2,0% para 1,8%, próxima da nossa estimativa de 1,7%, e divulgou sua primeira projeção para 2027, de 1,4%, abaixo da estimativa de crescimento potencial ao redor de 2,0%, mas acima da nossa projeção de 1,0%. O hiato do produto foi estimado em 0,4% no 3T26 e deve atingir -0,4% no 1T28. A autoridade também avaliou os efeitos do choque do petróleo: apesar dos impactos diretos e indiretos relevantes sobre custos, ainda não há evidências significativas de efeitos de segunda ordem sobre preços e salários. Em nossa visão, a desaceleração da atividade deve permitir a continuidade dos cortes de 0,25 p.p., levando a Selic a 13,25% no fim de 2026, seguida de eventual aceleração para cortes de 0,50 p.p. a partir da segunda reunião de 2027, com a taxa atingindo 11,50% em meados do ano;
- Na seara fiscal, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do terceiro bimestre reduziu a contenção total de gastos em R$ 1,9 bilhão, para R$ 16,1 bilhões, sendo R$ 13,6 bilhões de contingenciamento e R$ 2,4 bilhões de bloqueio. As receitas foram revisadas para baixo, principalmente devido ao desempenho mais fraco da arrecadação, enquanto a revisão altista das despesas ficou concentrada nos créditos extraordinários destinados aos subsídios adicionais aos combustíveis, parcialmente compensados por projeções menores para benefícios previdenciários e BPC/LOAS. As medidas já anunciadas para amortecer a alta dos combustíveis devem custar cerca de R$ 40 bilhões em 2026, enquanto o governo estima aproximadamente R$ 50 bilhões em receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo. Esperamos que o governo cumpra a meta de resultado primário, com possibilidade de reversão parcial do contingenciamento nos próximos relatórios bimestrais, acompanhada por aumento do bloqueio;
- Brasil e Estados Unidos iniciam nesta sexta-feira as consultas formais na OMC sobre as tarifas adicionais de até 37,5% impostas às exportações brasileiras. A reunião abre um prazo de 60 dias para que os países busquem uma solução negociada. O governo brasileiro argumenta que as medidas americanas violam compromissos tarifários assumidos na OMC e o princípio da não discriminação. Caso não haja acordo durante o período de consultas, o Brasil poderá solicitar a instalação de um painel de especialistas;
- Na agenda internacional, serão divulgadas as expectativas de inflação da Universidade de Michigan nos Estados Unidos. No Brasil, o destaque será o IPCA-15 de setembro, para o qual projetamos alta de 0,58% m/m e 4,35% a/a. A aceleração do índice cheio deve refletir principalmente a reversão do Bônus de Itaipu nas tarifas de energia elétrica e uma queda menor da gasolina. Esperamos aceleração na média dos núcleos de 0,29% m/m, com a taxa anualizada e dessazonalizada de três meses – 3MSAAR – avançando de 3,9% para 4,1%, enquanto os serviços subjacentes devem subir 0,25% m/m, com a métrica de três meses desacelerando de 5,6% para 5,1%. Apesar da aceleração esperada dos núcleos, a composição deve permanecer relativamente favorável.
Empresas
Yduqs (YDUQ3) | Mais detalhes sobre a nova potência do setor educacional: notas da teleconferência de Afya e Yduqs
- Hoje, a Yduqs realizou uma teleconferência para discutir a proposta de combinação de negócios com a Afya (ver nosso relatório: Yduqs (YDUQ3) | Fusão entre Afya e Yduqs);
- Durante a sessão de perguntas e respostas, a administração forneceu detalhes adicionais sobre: (i) a justificativa estratégica e as oportunidades de sinergias além das economias de custos anunciadas;
- (ii) O dividendo de R$ 750 milhões;
- (iii) O impacto tributário esperado do Pilar Dois.
- De forma geral, a discussão reforçou nossa visão de que a transação é estrategicamente relevante para a Yduqs e representa um passo importante para a consolidação do setor educacional brasileiro, criando uma plataforma maior e mais diversificada, com potencial relevante de geração de valor.
- Clique aqui para acessar nosso relatório.
Renda fixa
De Olho na Renda Fixa: principais notícias de crédito privado, mercados e renda fixa
- Mercado Livre terá entrega em até 60 minutos e venda de medicamentos com receita (Bloomberg Línea);
- BRF conclui estruturação de fundo de crédito de R$ 1,2 bilhão (CNN Brasil Agro);
- Farm Rio mira crescer na América Latina, diz CEO, enquanto Azzas negocia venda da marca (Bloomberg Línea);
- CEO da Petrobras descarta elevar fatia na Braskem em meio a negociações sobre dívida (Bloomberg Línea).
- Clique aqui para acessar o clipping.
Alocação & Fundos
Principais notícias
- Fundos Imobiliários (FIIs): confira as principais notícias
- IFIX cai 0,24% e fecha aos 3.723 pontos nesta quinta-feira (FIIs);
- Fundos imobiliários têm desconto médio de 16%; ainda vale investir em FIIs? (Estadão);
- Ex-CBRE: localização não basta para um bom investimento (ClubeFII News);
- Clique aqui para acessar o relatório.
ESG
Previc publica diretrizes para fundos de pensão incorporarem riscos ESG às decisões de investimento | Café com ESG, 25/09
- O pregão de quinta-feira fechou em queda, com o IBOV e o ISE recuando 0,99% e 1,08%, respectivamente.
- Do lado das empresas, (i) segundo o diretor da Petrobras, William França, a próxima edição do plano de negócios da estatal para o período de 2027 até 2031 terá grande foco em transição energética – no plano atual, de 2026 até 2030, a empresa projeta um investimento de US$ 13 bilhões em iniciativas de descarbonização, incluindo eletrificação de processos e uso de energia solar nas refinarias da empresa; e (ii) a Suzano publicou seu primeiro relatório elaborado de acordo com as recomendações da TNFD, e identificou ~388 mil hectares de áreas florestais com algum nível de sensibilidade à natureza em seu- o levantamento integra uma análise sobre dependências, impactos, riscos e oportunidades relacionados à natureza nas operações da companhia.
- Na política, a Previc publicou uma portaria com diretrizes para que os fundos de pensão brasileiros incorporem riscos ambientais, sociais e de governança às decisões de investimento de seu patrimônio de R$ 1,4 trilhão, avaliando as carteiras sob a ótica da dupla materialidade: financeira e de impacto – a norma regulamenta a Resolução Previc 26 e determina a criação de um plano ESG obrigatório, com prazo até 31 de dezembro de 2027 para entidades S1 e S2 e até o fim de 2028 para S3 e S4.
- Clique aqui para acessar o relatório completo.

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