Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O mercado encerrou a semana passada em território positivo, com o Ibovespa subindo 1,11% e o ISE 0,61%. O pregão de sexta-feira fechou em território negativo, com o IBOV e o ISE recuando 0,56% e 0,91%, respectivamente.
• No Brasil, depois de anos de negociações, o leilão do gás natural da União proveniente dos contratos de partilha no pré-sal está, enfim, em vias de se concretizar, com expectativa de sair do papel em outubro – nesse primeiro leilão, a expectativa é de oferta de 1 milhão de m³/dia.
• No internacional, (i) os efeitos do choque no mercado de petróleo levaram governos e empresas a revisitar o hidrogênio verde como alternativa aos combustíveis fósseis, apesar de seu custo ainda mais elevado – segundo François Jackow, presidente-executivo da Air Liquide, países importadores de energia gastaram mais de US$ 100 bilhões além do previsto com combustíveis em meio ao choque de preços; e (ii) a Tesla planeja levar o caminhão elétrico Semi para a Europa, ampliando as vendas do modelo para além da América do Norte, enquanto busca se estabelecer no mercado de veículos pesados, onde concorrentes já vendem modelos elétricos – a montadora liderada por Elon Musk divulgará as especificações europeias e os detalhes do lançamento na feira IAA Transportation, em Hanover, na Alemanha, na próxima semana.
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Brasil
Empresas
Sobra energia para os data centers. O gargalo pode ser a transmissão
“Diversas empresas de data centers se animaram para avançar com projetos após a aprovação do Redata no Congresso, mas o movimento já levanta uma dúvida entre os investidores e técnicos da indústria de energia. Vai ter espaço pra todo mundo na rede elétrica? Os data centers, principalmente os hyperscale voltados à AI, consomem enormes volumes de eletricidade, por vezes comparáveis a grandes cidades. A atração dessa infraestrutura digital para o País inclusive começou a ser articulada por empresas de geração renovável como uma saída para a atual sobreoferta de energia eólica e solar decorrente de anos de investimentos incentivados por subsídios. “Existe um excesso de energia, mas acho que vai ser rapidamente consumido. Vai precisar até de mais capacidade de geração. Para mim o gargalo do setor é a principalmente a transmissão,” Serafim Abreu Junior, o CEO da NextStream Data Centers, disse ao Brazil Journal. Enquanto as sobras de energia renovável estão concentradas no Nordeste, o plano da NextStream, controlada pela gestora britânica Actis – e de diversas outras empresas de tecnologia – está voltado para o Sudeste. “Existe uma natural preferência por ficar perto das principais metrópoles. Esse corredor entre São Paulo e Campinas é onde a maioria dos provedores de nuvem, e agora os hyperscale, estão planejando seus projetos. Precisa trazer essa energia para cá,” disse Abreu, que também já foi diretor da Scala Data Centers, além de CFO e vice-presidente da IBM Brasil.”
Fonte: Brazil Journal; 11/09/2026
O leilão de baterias e a nova fronteira regulatória do setor elétrico
“O primeiro leilão brasileiro dedicado exclusivamente à contratação de sistemas de armazenamento de energia em baterias deve ser compreendido para além de uma resposta circunstancial aos problemas enfrentados pelo setor elétrico. O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026 sinaliza uma mudança estrutural: o armazenamento começa a deixar uma zona de incerteza jurídica e contratual para se consolidar como uma classe própria de ativos na matriz elétrica brasileira. Essa transformação começa pelo marco jurídico. A lei nº 15.269/2025 reconheceu o armazenamento como atividade própria do setor elétrico, enquanto a Portaria MME nº 136/2026 estabeleceu uma sistemática específica de contratação por reserva de capacidade, com requisitos de habilitação técnica, critérios de nacionalização para financiamento via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), regras para apresentação de lances e previsão de suprimento a partir de 2028. Até então, projetos de armazenamento conviviam com autorizações específicas e arranjos contratuais privados pouco padronizados. A contratação centralizada modifica essa lógica ao oferecer regras uniformes, maior previsibilidade de remuneração e uma alocação mais clara de riscos entre poder concedente e agentes privados. Para um segmento intensivo em capital, essa previsibilidade é particularmente relevante, porque pode contribuir para reduzir o custo de capital e viabilizar estruturas de financiamento de longo prazo.”
Fonte: Eixos; 12/09/2026
Política
Data centers em terreno delicado, fracking na mira do STJ e o etanolduto da Inpasa
“O impacto ambiental do data center de mais de mais de R$ 200 bilhões que a Omnia, do grupo Patria Investimentos, projeta no no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, está na mira do Ministério Público Federal, que esta semana entrou com uma ação para impedir a energização e início da operação do projeto. A ação civil pública protocolada junto com a Defensoria Pública da União demanda a realização de consulta ao povo indígena Anacé, localizado no entorno do empreendimento, e da elaboração de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). O Data Center Pecém, também conhecido como data center do TikTok, tem área prevista de cerca de 70 hectares, duas edificações principais e estruturas de apoio, incluindo 120 geradores a diesel, estação de tratamento de esgoto, subestação elétrica e captação de água subterrânea para resfriamento. A potência instalada prevista é de 300 MW.”
Fonte: Eixos; 11/09/2026
Uma oportunidade para o Brasil testar um novo instrumento de financiamento climático
“O governo brasileiro tem a oportunidade de usar um tipo específico de crédito de carbono, as Mitigation Contribution Units (MCUs) do Artigo 6.4 do Acordo de Paris, para viabilizar o financiamento de projetos de mitigação, reduzindo a necessidade de capital próprio dos projetos e ampliando sua capacidade de endividamento. Essa oportunidade poderia se concretizar até mesmo na próxima semana, se incluída na agenda sobre o uso internacional de créditos de carbono que uma delegação do governo brasileiro buscará discutir, em missão à China. As MCUs, unidades de contribuição para mitigação do Artigo 6.4, são uma inovação surpreendentemente pouco explorada do Mecanismo de Creditação do Acordo de Paris que certifica reduções de emissões em projetos de mitigação e emite créditos correspondentes.”
Fonte: Capital Reset; 11/09/2026
O Brasil na corrida global pela aviação de baixo carbono
“A transição energética é, frequentemente, debatida sob a ótica ambiental. Mas a história mostra que as grandes transformações econômicas, raramente, são definidas apenas por questões climáticas. Elas são determinadas pela capacidade de países e empresas capturarem valor ao longo de novas cadeias produtivas. O Combustível Sustentável de Aviação (SAF) se enquadra exatamente nessa categoria. Embora ainda represente menos de 1% do combustível consumido na aviação mundial, o SAF está no centro da principal rota disponível para reduzir as emissões dos voos de médio e longo alcance nas próximas décadas. Mais do que um novo combustível, portanto, estamos diante da formação de um mercado global capaz de redesenhar fluxos de investimento, comércio, tecnologia e competitividade industrial. A aviação comercial responde por uma parcela relativamente pequena das emissões globais, mas ocupa uma posição singular na economia. Diferentemente de outros modais, dispõe de poucas alternativas tecnológicas viáveis para reduzir emissões em larga escala nos curto e médio prazos.”
Fonte: Exame; 11/09/2026
MPF e DPU vão à Justiça contra operação de data center do TikTok no Ceará
“O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) acionaram a Justiça para impedir que o Data Center Pecém, em construção no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em Caucaia (CE), inicie suas operações antes da realização de consulta ao povo indígena Anacé, localizado no entorno do empreendimento, e da elaboração de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). A ação civil pública cobra medidas para avaliar e monitorar os efeitos do empreendimento sobre os recursos hídricos, o sistema elétrico, o ruído e as comunidades da região. A demanda foi apresentada contra a Omnia, do Patria Investimentos, responsável pela construção, e a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). Após despacho inicial da Justiça, o estado do Ceará e o município de Caucaia passaram a fazer parte do processo de forma passiva.”
Fonte: Eixos; 11/09/2026
Depois de anos de expectativa, primeiro leilão do gás da União ganha contornos para sair do papel
“Depois de anos de negociações, o leilão do gás natural da União proveniente dos contratos de partilha no pré-sal está, enfim, em vias de se concretizar, com expectativa de sair do papel em outubro. Dois movimentos importantes na quinta-feira (10/9) avançaram na preparação para a oferta. O Ministério de Minas e Energia (MME) colocou em consulta pública as regras para o certame. Em paralelo, a PPSA também chegou a um acordo para que a Petrobras atue como agente comercializador do gás, um dos principais impasses para a oferta até então. Nesse primeiro leilão, a expectativa é de oferta de 1 milhão de m³/dia. A minuta de portaria em consulta pública até segunda (14/9) fixa regras para pulverizar o acesso e impedir aquisição de todo o volume por um único grande consumidor. Buscando ampliar o consumo industrial de gás natural no país, estagnado há anos, o foco será a indústria de base.”
Fonte: Eixos; 11/09/2026
Internacional
Empresas
Tesla mira mercado europeu de carga com caminhão Semi
“A Tesla planeja levar o caminhão elétrico Semi para a Europa, ampliando as vendas do modelo para além da América do Norte, enquanto busca se estabelecer no mercado de veículos pesados, onde concorrentes já vendem modelos elétricos. A montadora liderada por Elon Musk divulgará as especificações europeias e os detalhes do lançamento na feira IAA Transportation, em Hanover, na Alemanha, na próxima semana. A expansão para a Europa ocorre quase uma década depois que a Tesla revelou o Semi em 2017. A Tesla iniciou entregas limitadas do caminhão a clientes, incluindo a PepsiCo, nos Estados Unidos no final de 2022. O site da Tesla em alemão lista uma versão do caminhão com autonomia de até 550 quilômetros com peso bruto combinado de 40 toneladas e consumo de energia de cerca de 1 quilowatt-hora por quilômetro. A empresa informou que o caminhão pesa cerca de 9.100 quilos sem reboque ou carga e oferece uma tomada de força elétrica de até 25 kW. Ele pode recuperar cerca de 60% da autonomia em 30 minutos usando a rede Megacharger da Tesla, que, segundo a empresa, pode fornecer até 800 quilowatts.”
Fonte: Valor Econômico; 11/09/2026
Política
Disparada no preço do petróleo reaviva interesse por hidrogênio limpo
“Os efeitos do choque deste ano no mercado de petróleo levaram governos de todo o mundo a voltar sua atenção para o hidrogênio limpo, apesar de ele ser mais caro que os combustíveis convencionais, segundo um dos maiores fornecedores do setor. François Jackow, presidente-executivo da Air Liquide, afirmou que a empresa, sediada em Paris, conversou com autoridades em Bruxelas, capital da UE, na França, nos Países Baixos, no Japão e na Coreia do Sul sobre o uso de hidrogênio limpo como alternativa aos combustíveis fósseis, desde que o ataque dos EUA e de Israel ao Irã fez os preços do petróleo e do gás dispararem. Em conjunto, os países importadores de energia “gastaram mais de US$ 100 bilhões além do previsto” com os preços inflacionados dos combustíveis nos dois primeiros meses do conflito, iniciado em fevereiro, afirmou ele, acrescentando um novo senso de urgência aos esforços para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. “O hidrogênio não é apenas uma forma de descarbonizar, mas também um elemento fundamental para garantir a segurança energética”, disse Jackow ao FT. “Os poucos bilhões necessários para realmente acelerar o ecossistema do hidrogênio parecem pouco diante do custo total sempre que há uma crise.””
Fonte: Folha de São Paulo; 13/09/2026
Guerra e energia: lições de seis meses
“A guerra entre EUA/Israel e o Irã acaba de completar 6 meses, enquanto seu término continua incerto. Embora um acordo de cessar fogo tenha sido assinado em junho, suas diretrizes não foram respeitadas. Passado um certo período de calmaria onde os preços ficaram abaixo dos US$ 100 o barril, a cotação do Brent acaba de voltar a esse patamar diante da retomada dos ataques. Quais as lições aprendidas ao longo desse período? Este conflito muda estruturalmente o contexto energético global? Diferentes fatores explicam a resiliência dos mercados frente à interrupção dos fluxos de produtos que passavam pelo Estreito de Ormuz. Por um lado, o choque de oferta foi em alguma medida compensado pelo maior volume de óleo cru vindo de outros fornecedores. Países como EUA, Brasil, Argentina, Guiana e Venezuela aumentaram seu nível de produção e exportação, adicionando ao mercado 2,5 milhões de barris/dia. Por outro lado, reservas estratégicas, tanto aquelas detidas por governos quanto estoques comerciais, abasteceram os mercados globais ao ritmo de 2,7 milhões de barris/dia, na média, desde o início do conflito. Ademais, alguns países do Golfo conseguiram escoar parte de sua produção por rotas alternativas que evitam a saída pelo Estreito.”
Fonte: Valor Econômico; 14/09/2026
Política climática para o mundo real
“A comunidade climática global reluta em tirar uma conclusão que já se impõe há algum tempo. O Brasil e o mundo precisam deslocar o centro de gravidade de suas políticas climáticas da mitigação para a adaptação. A mitigação continua necessária, mas a cooperação internacional sem a qual ela funciona de modo limitado entrou em profundo declínio, e o clima não vai esperar que ela se reconstitua. O aquecimento global piora de forma consistente enquanto a cooperação internacional encolhe. Essa contradição reflete a nova arquitetura da ordem mundial, marcada pelo avanço dos nacionalismos, pelo protecionismo e por uma disputa bipolar e multidimensional entre Estados Unidos e China que reorganiza tudo ao redor, do comércio à tecnologia, da segurança ao clima. Nesse tabuleiro o clima deixou de ser uma arena autônoma de cooperação e passou a ser variável subordinada à competição geopolítica e à corrida industrial. Desde 2025 Trump desmonta a política climática americana e erode a arquitetura de cooperação climática global. A China, que foi o maior poluidor da atmosfera nas décadas de 2000 e 2010 e continua sendo o maior emissor do mundo, tornou-se nesta década uma superpotência em energia renovável, nuclear, baterias e ecossistema elétrico, sem que nenhum outro país chegue perto de sua escala. Sua descarbonização, porém, é subproduto de uma estratégia de segurança energética e domínio industrial, não de compromisso multilateral: Pequim avança porque isso a fortalece, não porque um regime internacional a obrigue.”
Fonte: Valor Econômico; 14/09/2026
Parlamentar da UE propõe mais investimentos no mercado de carbono para a indústria
“Os países da União Europeia teriam de investir uma parcela maior de suas receitas do mercado de carbono na descarbonização da indústria local, segundo propostas do relator do Parlamento Europeu. A UE negocia uma revisão da principal ferramenta do bloco para combater as mudanças climáticas, a qual obriga indústrias e usinas de energia na Europa a adquirir licenças para cobrir suas emissões de CO2 e permite a negociação de licenças excedentes em um mercado de carbono. De acordo com uma minuta de proposta do parlamentar Peter Liese, a UE exigiria que os governos destinassem 75% da receita arrecadada com a venda de licenças do ETS (Sistema de Comércio de Emissões) à descarbonização das indústrias locais abrangidas pelo sistema. Isso iria além dos 50% inicialmente propostos pela Comissão Europeia. Liese afirmou que sua proposta visa oferecer um alívio imediato às indústrias — algumas das quais reclamam que os altos custos relacionados ao CO2 prejudicam sua competitividade — e apoiar melhor os investimentos na indústria nacional e na produção de energia. “É possível adaptar o sistema atual e dar à indústria mais fôlego sem comprometer as metas climáticas”, disse Liese em um comunicado.”
Fonte: Reuters; 11/09/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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