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No radar dos investidores: Principais temas ESG discutidos em nossas reuniões

Feedback da nossa rodada de reuniões com investidores institucionais em São Paulo

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Governança, regulação, demanda por energia e outras prioridades que vêm moldando o diálogo com investidores

As exigências de divulgação estão mais flexíveis, enquanto os requisitos ESG para fundos de pensão mais rígidos. Os investidores destacaram uma assimetria nas exigências regulatórias relacionadas à agenda ESG no Brasil. De um lado, a decisão da CVM de tornar voluntária a adoção das normas IFRS S1 e S2, juntamente com a revisão da metodologia do ISE da B3, foi interpretada como parte de um movimento mais amplo de flexibilização das exigências de reporte de sustentabilidade. De outro, a PREVIC avançou com uma proposta regulatória ESG mais robusta para os fundos de pensão¹, inserida em um esforço mais abrangente de revisão de uma das principais regulamentações que regem o setor. De modo geral, o mercado considerou desafiador tanto o cronograma de implementação para 2027, quanto a profundidade e complexidade dos dados a serem exigidos. Olhando adiante, as expectativas para a versão final da regulamentação permanecem divididas. Enquanto parte do mercado espera ajustes e calibragens de certas exigências pela PREVIC antes da entrada em vigor, outros acreditam que mudanças relevantes são pouco prováveis e que os fundos de pensão deverão ampliar sua dependência de gestores externos para apoiar a integração de fatores ESG, transferindo parte dos desafios de implementação para as gestoras de recursos.


Escrutínio sobre governança continua aumentando. A governança corporativa foi um dos temas mais recorrentes nas conversas com investidores, refletindo uma busca crescente por maior transparência das práticas de governança. As discussões se concentraram em três frentes principais: (i) a composição dos conselhos, com foco na experiência dos membros e na sua capacidade de exercer julgamento independente e desafiar construtivamente a administração, tema explorado em nosso recente relatório temático (link); (ii) o alinhamento entre a remuneração dos executivos e a geração de valor no longo prazo, especialmente no que se refere aos períodos de vesting dos incentivos e ao equilíbrio entre metas financeiras e não financeiras; e (iii) as transações com partes relacionadas, especialmente em estruturas em que acionistas controladores mantêm influência significativa sobre as nomeações para o conselho e os processos de aprovação.


A relevância do leilão de baterias é amplamente reconhecida, mas os riscos de execução seguem no radar. O mercado continua vendo o primeiro leilão de sistemas armazenamento por baterias (BESS) do Brasil como um passo importante para aumentar a flexibilidade do sistema elétrico, viabilizar uma maior integração de fontes renováveis e impulsionar o desenvolvimento de um mercado doméstico de baterias. No entanto, os investidores acompanham o desdobramento de duas questões importantes ainda pendentes: (i) o mecanismo final de alocação de custos (pelas regras propostas, os custos do leilão são atribuídos às geradoras, mas os critérios de rateio ainda dependem de definição pela ANEEL); e (ii) a viabilidade do cronograma proposto. Com aspectos relevantes do desenho regulatório ainda em discussão, investidores avaliam que a janela para concluir o arcabouço e avançar com a implementação está cada vez mais estreita, aumentando as preocupações quanto a possíveis atrasos no processo.


Demanda por data centers em foco. A rápida expansão dos data centers tornou-se um importante vetor de crescimento da demanda global por eletricidade. De modo geral, parte dos projetos atualmente em desenvolvimento estão sendo construídos antes da contratação efetiva da demanda, refletindo a expectativa de que o crescimento contínuo da computação em nuvem e das aplicações de inteligência artificial exigirá investimentos significativos em infraestrutura adicional. Embora isso continue impulsionando os investimentos no setor, inclusive no Brasil, os investidores têm levantado questionamentos sobre a velocidade com que a demanda contratada será capaz de absorver essa oferta, buscando avaliar as possíveis implicações para a rede e infraestrutura elétrica do país. Por fim, a recente aprovação do programa Redata foi recebida de forma positiva, por fortalecer a atratividade econômica dos projetos no país e apoiar investimentos ao longo de toda a cadeia de valor. 


Mercado de carbono e El Niño permanecem no radar. Além dos temas destacados acima, os investidores mencionaram dois assuntos que seguem sendo monitorados: (i) a implementação do mercado regulado de carbono no Brasil, cujo avanço tem ocorrido de forma gradual, dificultando uma avaliação mais precisa dos prazos de implementação e de seus potenciais impactos para diferentes setores e estratégias de investimento; e (ii) o fenômeno El Niño, que vem ganhando importância nas análises de risco, embora ainda haja incerteza quanto à magnitude, duração e distribuição de seus impactos. 

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