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Sistemas de armazenamento de energia em bateria: A oportunidade começa a se materializar no Brasil 

Acesse aqui para os destaques da reunião com Roberto Valer

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Principais destaques da reunião com a liderança da Huawei no Brasil

O mercado de BESS no Brasil ainda se encontra em estágio inicial, mas apresenta um potencial de crescimento expressivo. Segundo o Sr. Valer, a adoção global de BESS já atingiu uma escala relevante, com cerca de 100 GWh de capacidade instalada em 2025, concentrada principalmente nos EUA e na região da Ásia-Pacífico (particularmente na China). Desse total, cerca de 65% a 70% correspondem a sistemas front-of-the-meter (FTM). O Brasil permanece em um estágio inicial, com cerca de 1,4 GWh contratados até o momento, concentrados sobretudo em aplicações off-grid voltadas ao atendimento de comunidades remotas. Nesse contexto, o Sr. Valer acredita no potencial de crescimento substancial na adoção de armazenamento, especialmente no segmento comercial e industrial (C&I). Segundo ele, a necessidade de reduzir custos de eletricidade tende a impulsionar a demanda por BESS, especialmente por meio da arbitragem de energia, permitindo que consumidores desloquem seu consumo para horários de menor tarifa. Além das aplicações em C&I, o Sr. Valer destacou outras duas frentes relevantes de crescimento: (i) o adiamento ou a otimização de investimentos em reforços de rede, uma vez que sistemas de armazenamento podem representar uma alternativa mais econômica à expansão da infraestrutura de transmissão e conexão necessária para novos projetos industriais; e (ii) a substituição do uso de diesel, especialmente em setores como agronegócio, mineração e outras atividades intensivas no uso desse combustível, reduzindo custos operacionais e a dependência de fontes fósseis.

A capacidade atualmente cadastrada para o leilão, de cerca de 300 GW, deve passar por uma redução significativa até a etapa de contratação. Recentemente, a EPE concluiu o processo de cadastramento para o LRCAP-BESS de dezembro, atraindo cerca de 5 mil projetos que somam aproximadamente 300 GW de capacidade instalada potencial. Na avaliação do Sr. Valer, entretanto, apenas uma parcela desse volume tende a avançar para a etapa de ofertas efetivamente habilitadas. Segundo ele, três filtros principais devem restringir o universo de projetos elegíveis para o leilão: (i) a habilitação técnica conduzida pela EPE; (ii) as limitações da rede elétrica, com o ONS avaliando aspectos como margem de escoamento, limites de carga e descarga e impactos sobre a estabilidade do sistema; e (iii) as exigências de garantias financeiras. Mesmo considerando esses mecanismos de filtragem, o Sr. Valer considera conservadora a meta inicial do governo de contratar 2 GW. Em sua visão, o volume de projetos que deverá superar esses filtros será suficientemente robusto para sustentar uma contratação entre 3 GW e 4 GW.

A definição da distribuição da capacidade contratada entre os dois leilões e o Encargo de Reserva de Energia (EER) segue como os principais pontos de incerteza antes do certame. Segundo o Sr. Valer, duas questões concentram as atenções do mercado: (i) a divisão da contratação entre o Produto A, sujeito a requisitos de conteúdo local, e o Produto B, aberto a equipamentos importados – na visão do mercado, a maior parte da capacidade deverá ser contratada sob o Produto A; e (ii) a definição do responsável pelo pagamento do Encargo de Energia de Reserva (EER) – segundo o cronograma atual, a alocação desses custos precisa ser estabelecida antes da formalização dos contratos, o que pode comprometer o calendário do leilão; como alternativa, participantes do setor defendem que a defendem que a discussão sobre o EER seja desvinculada da formalização contratual, embora a avaliação dessa proposta pode acabar resultando em um adiamento do certame.

A expansão dos data centers surge como uma nova fonte de demanda para soluções de armazenamento. Atualmente, as baterias são utilizadas nesse segmento principalmente como sistemas de UPS (fontes de alimentação ininterrupta), garantindo comutação instantânea e fornecimento de energia de reserva por períodos de aproximadamente 15 a 30 minutos. No entanto, o Sr. Valer cacredita que o papel do armazenamento tende a se expandir significativamente nos próximos anos. À medida que a crescente demanda por processamento de IA eleva o consumo de eletricidade e intensifica as preocupações com a capacidade e a confiabilidade das redes, os sistemas BESS podem passar a desempenhar uma função mais estratégica, tornando-se um componente cada vez mais relevante para a conexão de novos data centers. Além de fornecer respaldo energético, essas soluções podem ajudar a gerenciar flutuações de tensão, reduzir impactos sobre a rede local e aumentar a confiabilidade do suprimento de energia, uma tendência já observada em mercados mais maduros.

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