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Crédito sem fronteiras: onde estão os desafios e oportunidades?

Na Expert 2026, uma conversa sobre desafios atuais no mercado de crédito

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No segundo dia da Expert XP 2026, o painel “Crédito sem Fronteiras: onde estão os desafios e oportunidades?” reuniu os gestores Frank Rybski, chefe de Estratégia Macro da Aegon Asset Management, e Wayne Dahl, co-gestor do portfólio de crédito global da Oaktree. Ao longo da conversa, os participantes discutiram o momento atual do mercado de crédito, os principais vetores de crescimento da classe de ativos, os riscos associados ao cenário macroeconômico e geopolítico e o papel do crédito global na construção de carteiras mais diversificadas e resilientes.

Panorama atual: por que o crédito continua atrativo

Na avaliação dos gestores, o ambiente permanece favorável para investimentos em crédito. Os yields seguem em níveis atrativos, a qualidade dos emissores continua elevada e os indicadores de risco estão mais baixos do que em outros períodos recentes. O cenário atual difere significativamente daquele observado após a crise financeira global, quando as taxas de juros permaneceram muito baixas por um longo período, limitando o potencial de retorno da renda fixa. Hoje, apesar dos spreads mais comprimidos, o patamar elevado dos juros permite capturar retornos interessantes. Nesse contexto, a seletividade passa a ser o principal diferencial para os investidores.

Os fundamentos que sustentam o mercado

Os gestores destacaram que o cenário positivo para o crédito é sustentado por diferentes fatores. O crescimento econômico continua apoiando a expansão das empresas, enquanto a inflação permanece em níveis relativamente confortáveis, sem exigir um aperto monetário muito mais intenso. Também foram mencionados o efeito de crowding out no mercado atual e a recuperação do setor imobiliário como elementos favoráveis à atividade econômica. Outro destaque foi o crescimento dos investimentos em infraestrutura para inteligência artificial. A necessidade de elevados investimentos em capital para construção de data centers e outras instalações vem impulsionando a emissão de crédito por parte das empresas envolvidas nesse movimento.

O estágio atual do ciclo de crédito

Na visão dos participantes, o ciclo ainda permanece construtivo para o mercado de crédito, impulsionado pelo crescimento econômico e pelo aumento das emissões relacionadas aos investimentos em inteligência artificial. Embora haja expectativa de episódios de volatilidade, essa oscilação tende a ser menor do que a observada em outras classes de ativos, especialmente na renda variável. Diante desse cenário, a escolha dos emissores torna-se cada vez mais relevante, exigindo uma análise criteriosa para identificar empresas capazes de atravessar diferentes fases do ciclo econômico.

A relevância dos yields no ambiente atual

Um dos principais pontos debatidos foi a importância relativa entre spreads e yields. Em um ambiente de juros muito baixos, como o observado na década passada, os investidores concentravam maior atenção nos spreads, já que eles representavam boa parte do retorno esperado. Atualmente, os gestores defendem que o foco deve estar no yield, pois é ele que efetivamente remunera o investidor. Muitos participantes do mercado aguardam uma eventual abertura dos spreads para aumentar suas posições, mas esse movimento pode simplesmente não ocorrer. Permanecer investido permite capturar os yields atuais, além de proporcionar maior previsibilidade para o retorno esperado da carteira.

Seleção de ativos: onde estão as oportunidades e os riscos

Ao abordar os setores mais promissores e aqueles que exigem maior cautela, Frank Rybski ressaltou que não existe um segmento que deva ser evitado de forma generalizada. Segundo ele, cada mercado possui características próprias relacionadas à localização, ao tipo de ativo e às condições econômicas. A recomendação é observar as taxas reais e evitar empresas excessivamente dependentes de refinanciamentos constantes, uma vez que esse perfil tende a concentrar riscos maiores.

Wayne Dahl destacou que continua enxergando oportunidades tanto no setor imobiliário quanto no mercado de high yield. Entretanto, reforçou que o verdadeiro diferencial estará na qualidade da seleção dos créditos. Segundo o gestor, um único evento de inadimplência pode comprometer o retorno acumulado de diversos investimentos bem-sucedidos, tornando essencial contar com um processo rigoroso de análise e seleção.

Como fatores macro e geopolíticos afetam o crédito

Ao discutir eleições, conflitos geopolíticos e outras fontes de incerteza, os gestores defenderam que o mercado costuma precificar rapidamente os riscos mais evidentes. O maior desafio está nos efeitos de segunda e terceira ordem, cujos impactos são mais difíceis de antecipar. Como exemplo, citaram a alta dos preços do petróleo durante conflitos internacionais. Embora a reação inicial tenha sido rapidamente incorporada pelos mercados, seus efeitos indiretos sobre a economia, a inflação e determinados setores permanecem cercados por maior incerteza.

Crédito privado e crédito global na construção de portfólios

Os participantes observaram que o mercado de crédito privado cresceu de forma significativa nos últimos anos e que esse universo vai muito além dos empréstimos diretos, abrangendo diversas estratégias capazes de oferecer bons spreads e retornos atrativos. Apesar das discussões recentes sobre alguns segmentos específicos, a avaliação foi de que ainda existem oportunidades relevantes. O principal ponto de atenção continua sendo o risco de liquidez, razão pela qual a diversificação foi apontada como uma prática essencial.

Ao discutir o crédito global, Frank Rybski resumiu sua principal vantagem em uma única palavra: diversificação. Segundo ele, a combinação entre crédito doméstico e internacional melhora a relação entre risco e retorno da carteira, contribuindo para uma alocação mais eficiente. O objetivo não é substituir o crédito brasileiro, mas complementá-lo. Wayne Dahl acrescentou que o crédito global também pode desempenhar um papel importante como instrumento de proteção contra a inflação, fortalecendo ainda mais sua contribuição para a diversificação dos portfólios.

Conclusões e recomendações dos gestores

Como mensagem final, Frank Rybski reforçou que a inflação continua sendo um dos principais fatores a serem monitorados pelos investidores. Seu principal conselho foi permanecer investido para capturar os yields atualmente disponíveis, em vez de tentar acertar o momento ideal de entrada no mercado. Na avaliação dos gestores, em um ambiente de juros elevados, o carrego proporcionado pelos yields tende a continuar sendo uma das principais fontes de retorno para os investimentos em renda fixa, desde que acompanhado por uma criteriosa seleção dos emissores e adequada diversificação da carteira.

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