Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O pregão de quinta-feira fechou em leve queda, com o IBOV e o ISE recuando 0,46% e 1,04%, respectivamente.
• No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) passou a aceitar certificados, como o I-REC (Certificados Internacionais de Energia Renovável), para comprovação da origem renovável da energia elétrica utilizada para nota de eficiência dos produtores de biocombustíveis no RenovaBio – essa medida amplia as alternativas disponíveis aos agentes regulados para demonstrar o consumo de eletricidade proveniente de fontes renováveis no processo de certificação do programa.
• No internacional, (i) a Agência Internacional de Energia (AIE) publicou, na quinta-feira, seu relatório anual sobre o consumo global de eletricidade, confirmando o crescimento das fontes renováveis e a menor participação do carvão – apesar do contexto desafiador, reflexo do conflito no Oriente Médio, a demanda global por eletricidade deve acelerar e passar de um crescimento de 3% em 2025 para 3,6% em 2026 e 3,8% em 2027; e (ii) segundo dados do Trade & Climate Tracker e International Institute for Sustainable Development, dos mais de 70 acordos comerciais e de cooperação econômica assinados desde 1º de janeiro de 2025, pelo menos 63% trataram de matérias-primas críticas, essenciais para tecnologias da transição energética, inteligência artificial e defesa – o monitor mostra que energia e clima são temas predominantes nas parcerias mais recentes, com 58% dos acordos mencionando explicitamente cooperação climática e 67% incluindo algum tipo de cooperação na área de energia, em temas como eficiência, infraestrutura elétrica e redes de transmissão.
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Brasil
Empresas
BNDES aprova R$ 150 milhões para usinas de etanol de milho do Grupo Cerradinho
“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou, nesta quinta-feira (23/7), que aprovou duas operações de crédito no total de R$ 150 milhões para o Grupo Cerradinho investir em inovação tecnológica, modernização industrial e expansão da produção de biocombustíveis em suas unidades, localizadas em Chapadão do Céu (GO) e Maracaju (MS). Uma das operações, de R$ 100 milhões, envolve a Cerradinho Bioenergia e a Neomille, subsidiária do grupo focada na produção de etanol de milho e coprodutos, e será voltada para investimento em bens de capital inovadores, como equipamentos industriais e agrícolas, com tecnologia nacional. Já a outra, de R$ 50 milhões, é destinada somente à Neomille, será usada para a aquisição de máquinas, equipamentos e serviços tecnológicos com características inovadoras, todos credenciados no BNDES. “São investimentos em tecnologia nacional que buscam eficiência energética e redução das emissões de carbono”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota. O Grupo Cerradinho atua na produção de etanol de cana e milho, açúcar, bioeletricidade e coprodutos. A companhia tem, atualmente, capacidade de processar 1,8 milhão de toneladas de milho e 6,1 milhões de toneladas de cana.”
Fonte: Eixos; 23/07/2026
Baixa diversidade em conselhos aumenta formação de mulheres
“A baixa presença de mulheres na alta governança das empresas brasileiras tem levado organizações a investir na formação de novas lideranças femininas. O Brasil tem apenas 17% das cadeiras em conselhos de administração ocupadas por mulheres, segundo o Panorama Mulheres, do Núcleo de Estudos de Gênero do Insper. Diante dessa realidade, o Pacto de Promoção da Equidade Racial, uma organização da sociedade civil, começou a segunda edição do Pacto Transforma, programa que selecionou 30 executivas para uma preparação para cargos de C-Level e conselhos de administração. As executivas foram selecionadas a partir das inscrições na 5ª edição do Festival Pacto das Pretas, que chega a São Paulo nesta sexta-feira (24), após passar por Salvador e Rio. O evento reúne executivos, especialistas e lideranças para discutir equidade racial e governança corporativa. O programa de treinamento se estende por 14 meses e inclui MBA executivo em gestão empresarial, formação em inglês, mentorias e módulos sobre finanças corporativas, governança de inteligência artificial, transformação digital, riscos geopolíticos, análise de demonstrações financeiras e marketing estratégico. As participantes têm todos os custos pagos pela organização, incluindo despesas de deslocamento e hospedagem. É uma forma de reduzir barreiras de acesso. O investimento é de cerca de R$ 7 mil por participante, segundo os organizadores. Wania Sant’Anna, presidente do Pacto de Promoção da Equidade Racial, diz que a preparação técnica precisa caminhar junto com a ampliação das oportunidades de acesso aos cargos de decisão. “O objetivo não é apenas formar lideranças. Precisamos conectar essas mulheres aos espaços onde as decisões são tomadas e ampliar suas oportunidades de acesso aos conselhos e à alta gestão.” Segundo ela, a discussão sobre diversidade deixou de ser uma pauta restrita às áreas de recursos humanos e passou a integrar as estratégias de negócios. “Quando falamos de conselhos e C-Level, estamos falando de estratégia, sucessão e sustentabilidade dos negócios. Essa deixou de ser uma pauta exclusivamente de diversidade para se tornar uma discussão sobre a qualidade da governança”, afirma.”
Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026
Política
ANP incorpora I-REC para comprovação de energia renovável no RenovaBio
“A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) passou a aceitar certificados, como o I-REC (Certificados Internacionais de Energia Renovável), para comprovação da origem renovável da energia elétrica utilizada para nota de eficiência dos produtores de biocombustíveis no RenovaBio. A medida amplia as alternativas disponíveis aos agentes regulados para demonstrar o consumo de eletricidade proveniente de fontes renováveis no processo de certificação do programa. Na prática, pode melhorar a nota de eficiência energético-ambiental dos produtores que emitem os créditos de descarbonização chamados CBIOs. Cada CBIO equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser emitida ao longo do ciclo de vida do etanol, biodiesel e biometano. O novo entendimento foi formalizado pela ANP após análise técnica conduzida em resposta a uma consulta apresentada pelo Instituto Totum, firma Inspetora credenciada pela agência para atuação no programa. O processo incluiu uma reunião técnica entre representantes da instituição e da ANP, além do envio de documentação de referência sobre critérios de emissão, rastreabilidade e reconhecimento internacional dos certificados. De acordo com a manifestação da ANP, “para fins de comprovação do consumo de energia proveniente de fontes renováveis declarado na RenovaCalc, serão aceitos certificados de atributos de energia renovável que atendam aos critérios estabelecidos pelo Programa Brasileiro GHG Protocol e que permitam comprovar, de forma rastreável, verificável e auditável, a origem renovável da energia consumida”. Na avaliação do Instituto Totum, a decisão representa um avanço para o RenovaBio ao ampliar a flexibilidade para os produtores de biocombustíveis. “A aceitação do I-REC pela ANP amplia as opções disponíveis para comprovação do consumo de energia renovável, sem abrir mão da segurança técnica e da rastreabilidade exigidas pelo RenovaBio. É um avanço importante para o mercado, que passa a contar com maior flexibilidade e previsibilidade nos processos de certificação”, afirma Fernando Lopes, diretor-geral da firma inspetora. A decisão da ANP ocorre em um momento de forte expansão do mercado brasileiro de I-RECs. Dados do Instituto Totum indicam que, apenas no primeiro semestre de 2026, foram emitidos mais de 65 milhões de certificados, volume superior ao registrado em todo o ano de 2025, quando foram emitidos 64,7 milhões de I-RECs. O crescimento também se destaca na série histórica. Em cinco anos, as emissões passaram de cerca de 4 milhões de certificados, em 2020, para mais de 65 milhões em 2026, uma expansão superior a 1.500%.”
Fonte: Eixos; 23/07/2026
Governo antecipa térmicas e avança no ressarcimento para renováveis que sofreram cortes
“De um lado, a corrida para as termelétricas para evitar problemas no suprimento de energia em momento de alta demanda. De outro, a discussão sobre compensações financeiras pelo desperdício de geração renovável. A quarta-feira (22/7) foi marcada pelo avanço de discussões que evidenciam as contradições do sistema elétrico brasileiro. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) confirmou a decisão de antecipar para setembro o início dos contratos de usinas termelétricas contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRACP) de março. A justificativa é evitar problemas com a chegada do El Niño ao país, que deve elevar as temperaturas e, como consequência, também aumentar o consumo de energia. A medida assegura 1,8 GW adicionais ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro. Confira as usinas que serão antecipadas: A decisão foi anunciada no mesmo dia em que o setor elétrico repercutia a regulamentação publicada na noite de terça (21/7) para operacionalizar o ressarcimento aos geradores eólicos e solares pelos cortes compulsórios de geração, o curtailment. Apesar de representar um avanço para reduzir a insegurança regulatória e aliviar a situação financeira de diversos empreendimentos, o texto deixou de fora um dos principais pleitos das associações do setor, que é a revisão do tratamento dos cortes por sobreoferta de energia. Além disso, não resolve todo o problema: o ressarcimento cobre apenas os cortes classificados como indisponibilidade externa e confiabilidade elétrica entre setembro de 2023 e novembro de 2025. A portaria também mantém incertezas a respeito da adesão das empresas, dado que as companhias terão que abrir mão de questionamentos na Justiça para ter direito a receber as compensações. Estimado em R$ 3,3 bilhões, o ressarcimento será coberto por passivos do setor junto à CCEE, portanto, não terá impactos nas tarifas de energia. Na prática, as medidas evidenciam os desafios do setor elétrico brasileiro em lidar com a abundância de recursos e a segurança do suprimento em meio ao descasamento dos momentos de maior geração e maior demanda.”
Fonte: Eixos; 23/07/2026
Internacional
Empresas
Geely produzirá SUVs elétricos em fábrica da Ford na Espanha
“A Geely Auto produzirá dois SUVs elétricos na fábrica da Ford na Espanha e as duas empresas desenvolverão conjuntamente um novo modelo, informaram nesta quinta-feira (23). Montadoras chinesas vêm acelerando o uso de fábricas subutilizadas na Europa, buscando se antecipar às regras de conteúdo local. Por meio de uma joint venture que será controlada em 66% pela Ford e em 33% pela empresa chinesa, os primeiros SUVs elétricos da marca Geely sairão da linha de produção da fábrica de Valência em 2028. A atual força de trabalho da Ford passará a ser empregada da nova joint venture, e a fábrica provavelmente precisará contratar mais funcionários à medida que a produção aumentar, afirmou o presidente da Ford para a Europa durante uma apresentação. A Geely não pretende trazer trabalhadores da China, acrescentou Victor Yang, vice-presidente sênior da empresa. “Temos capacidade para utilizar plenamente a fábrica”, disse Jim Baumbick, presidente da Ford para a Europa, à Reuters. “Esse é o objetivo”. As duas montadoras vinham negociando uma parceria havia muitos meses, conforme revelou a Reuters em fevereiro. Executivos disseram que a longa relação entre as empresas, iniciada quando a Geely comprou a Volvo Cars da Ford em 2010, ajudou nas negociações. Uma cooperação desse tipo com uma montadora como a Geely provavelmente não seria possível no mercado doméstico da Ford, onde um comitê do Senado dos Estados Unidos aprovou, na quarta-feira, um projeto de lei para endurecer a proibição da entrada de montadoras chinesas no país. “O setor automotivo está passando por uma transformação absoluta e profunda”, disse o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em discurso na fábrica. “Alianças estratégicas são uma condição necessária para competir e liderar… A Espanha quer fazer parte desse grande salto”. Yang disse à Reuters que o primeiro SUV elétrico a ser produzido em Valencia será o EX5, que já é vendido na Europa, e que o outro veículo que a montadora chinesa fabricará na unidade ainda está em desenvolvimento. “Precisamos contar com parceiros fortes, com o conhecimento técnico e a experiência adequados para apoiar nossos esforços de localização”, afirmou Yang. Esta será a primeira unidade de produção da Geely Auto na Europa. O acordo ajuda ambas as empresas a enfrentar desafios significativos. As montadoras chinesas estão correndo para encontrar espaço disponível em fábricas no continente para produzir seus veículos antes da entrada em vigor de uma futura legislação da União Europeia que incluirá uma cláusula de “Feito na Europa”, exigindo um conteúdo mínimo de componentes produzidos localmente nos veículos elétricos. A Espanha é uma escolha popular entre as montadoras chinesas porque é o segundo maior país produtor de automóveis da Europa, atrás apenas da Alemanha, e possui custos de mão de obra e energia mais baixos. A BYD, maior fabricante mundial de veículos elétricos, já afirmou que o país está entre suas principais opções.”
Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026
Lindt é processada nos EUA por suspeita de trabalho infantil na África
“A fabricante suíça de chocolate Lindt foi processada em um tribunal dos Estados Unidos por suposto uso de trabalho infantil em Gana e na Costa do Marfim, apesar de a empresa destacar seu compromisso com o fornecimento responsável de ingredientes. De acordo com ação movida na terça-feira (21), no tribunal federal de Washington, D.C., a Lindt assegura falsamente aos consumidores que está tentando eliminar o trabalho infantil de sua cadeia de suprimentos e que está comprometida com os direitos das crianças e os direitos humanos em geral. A ação também afirma que a Lindt sabe há mais de 20 anos que seu cacau é produzido com trabalho infantil e lucra com essa prática. “Um consumidor razoável não esperaria que uma empresa ‘comprometida com o respeito aos direitos humanos’ e ‘que conduz seus negócios de maneira ética, legal e ambiental e socialmente responsável’ utilizasse trabalho infantil generalizado em sua cadeia de suprimentos de cacau”, afirma a ação. De acordo com a denúncia, a Lindt adquire 100% de seus grãos de cacau para consumo direto de Gana e a manteiga de cacau da Costa do Marfim. A International Rights Advocates, um escritório de advocacia de interesse público, entrou com a ação judicial. O escritório também já moveu processos acusando as fabricantes de chocolate Mars, Mondelez e Nestlé de recorrerem ao trabalho infantil. “A Lindt & Sprüngli leva a questão do trabalho infantil muito a sério, condena veementemente todas as formas de trabalho infantil e nega as alegações contidas na denúncia”, afirmou um porta-voz da Lindt em e-mail, nesta quinta-feira (23). “Temos protocolos de fornecedores em vigor e investigamos sistematicamente casos suspeitos de trabalho infantil em nossa cadeia de suprimentos.” O site da empresa, sediada em Kilchberg, na Suíça, contém um Plano de Sustentabilidade 2030, que aborda os esforços da Lindt para apoiar os produtores de cacau na África Ocidental e reduzir os riscos decorrentes do trabalho infantil. A Lindt também publica uma “Declaração sobre Escravidão Moderna” que aborda sua “estratégia personalizada” para reduzir os riscos, inclusive por meio do cumprimento da certificação da Rainforest Alliance para práticas agrícolas. A ação judicial visa pôr fim à suposta “conduta ilegal da Lindt dirigida aos consumidores de Washington, D.C.”, e não busca indenização.”
Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026
Demanda de investidores se mantém firme por fundos ambientais com outra denominação
“A demanda dos investidores por fundos de capital privado que buscam explicitamente resultados ambientais ou sociais positivos manteve-se estável nos últimos anos, apesar da reação política contrária às agendas climática e de diversidade. Fundos de private equity, infraestrutura, setor imobiliário e dívida privada que visam gerar benefícios ambientais ou sociais mensuráveis, além de retornos financeiros, captaram US$ 31 bilhões no ano passado — um volume alinhado ao do ano anterior —, segundo dados da Preqin compartilhados com o Financial Times. Fundos de infraestrutura focados em impacto — muitos dos quais concentrados em energia renovável — tiveram um desempenho particularmente forte, respondendo por US$ 24 bilhões do capital captado. Os dados sugerem que os investidores não abandonaram o chamado investimento de impacto, como muitos previam que fariam após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, e mostram que certos setores sob esse rótulo continuam a atrair grande interesse dos investidores. No ano passado, a Brookfield Asset Management captou US$ 20 bilhões para um fundo que descreveu como o maior veículo já criado para energia limpa. A Copenhagen Infrastructure Partners captou € 12 bilhões para um veículo focado em grandes projetos de energia renovável do tipo greenfield (novos empreendimentos). Essas captações expressivas ocorreram apesar da campanha de Trump contra a energia renovável. Sua administração paralisou muitos projetos de desenvolvimento em terra firme (onshore) nos EUA e tentou repetidamente interromper diversos projetos de energia eólica offshore (em alto-mar). “Alguns investidores, particularmente nos EUA, afastaram-se de investimentos rotulados como ‘impacto’ ou ‘ESG'”, disse Ian Simm, fundador da Impax Asset Management; no entanto, outros investidores nesses veículos já eram motivados por fatores que iam além das questões éticas. Ele acrescentou que o argumento a favor da resiliência energética proporcionada pelas renováveis foi reforçado este ano pela guerra no Oriente Médio. Especialistas do setor afirmaram, contudo, que a ideia — antes defendida por alguns — de que investidores poderiam sacrificar retornos em prol de resultados positivos caiu totalmente em desuso. O ano passado foi “um tanto quanto de transição” para o sentimento dos investidores “devido ao que vem acontecendo nos EUA”, disse Hilary Wiek, pesquisadora de veículos de capital privado voltados para impacto na provedora de dados PitchBook. “Não basta dizer que se deseja um benefício social; é preciso obter um bom retorno.” Outros observaram que fundos que agrupavam diversos setores de forma genérica sob o conceito de impacto também perderam popularidade. “Observamos uma desaceleração na demanda dos investidores por fundos que abrangem impactos tanto sociais quanto ambientais, ou por fundos que agrupam, digamos, uma escola e um negócio de transição energética”, disse Ali Floyd, sócio da Campbell Lutyens, empresa de consultoria em captação de recursos. Paralelamente, temas específicos, como energia renovável, ganharam popularidade, acrescentou ele. Até o momento neste ano, fundos focados em impacto captaram US$ 13 bilhões, segundo a Preqin; esse número sugere uma leve queda para o ano todo, caso a projeção seja feita com base nessa média. A Preqin ressaltou, no entanto, que os volumes de captação costumam aumentar no final do ano devido a atrasos no reporte de dados. Andreas Aschenbrenner, responsável pelo fundo de private equity de € 3 bilhões da EQT focado em impacto, afirmou que alguns acreditavam ser fácil “surfar a onda” do interesse inicial por sustentabilidade, mas que muitos veículos menores “careciam de musculatura institucional” para impulsionar o desempenho. Aschenbrenner disse que os fundamentos continuam sólidos como sempre. “Se você não pensasse na digitalização de um negócio em 2016, em 2026 seria… considerado um tolo”, disse ele. “A sustentabilidade é o novo digital.””
Fonte: Financial Times 24/07/2026
Energia solar avança em ritmo recorde e renováveis devem superar carvão pela primeira vez
“A Agência Internacional de Energia (AIE) publica anualmente um retrato do consumo global de eletricidade e confirma uma tendência: as fontes renováveis crescem, o carvão perde espaço e a transição energética segue seu curso. Nesta quinta-feira, 23, o cenário se confirmou mais uma vez, mas o pano de fundo é a guerra no Oriente Médio e as disrupções no fluxo de gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz. Em meio ao choque de mercado, os preços do gás na Ásia e na Europa chegaram aos patamares mais altos desde a crise energética de 2022 a 2023. Apesar do contexto desafiador, a demanda global por eletricidade deve acelerar e passar de um crescimento de 3% em 2025 para 3,6% em 2026 e 3,8% em 2027. Segundo a AIE, a alta é sustentada principalmente pela indústria e aumento no uso de aparelhos de ar-condicionado e eletrodomésticos, pela expansão dos veículos elétricos e “boom” dos data centers com o advento da inteligência artificial. Mas as energias renováveis não patinaram: pelo contrário, estão prestes a ultrapassar o carvão como maior fonte de geração de eletricidade do mundo em 2026, depois de praticamente empatarem em participação em 2025. O avanço das renováveis, porém, não apagou o retorno do carvão em algumas regiões. Os picos nos preços do gás natural, decorrentes da guerra, levaram países da Ásia e da Europa a migrar parte de sua geração de volta para o combustível fóssil poluente e em “uma resposta de curto prazo ao choque de preços”, conforme a AIE. Por outro lado, a organização destaca que o avanço das fontes renováveis ajudou a diversificar a oferta de eletricidade em diversos países, reforçando a segurança energética e amortecendo parte dos impactos da crise no mercado de gás. Como reflexo, as emissões provenientes da geração de eletricidade devem crescer cerca de 1% neste ano, antes de estabilizar em 2027. Já a geração global a gás deve ficar praticamente estáve e interrompendo o crescimento observado durante a maior parte da última década, com uma projeção de retomada de cerca de 1,5% em 2027. Um dos alertas do relatório é que as incertezas geopolíticas “podem continuar pesando sobre as perspectivas”. Outro dado chama a atenção para os fatores climáticos: um evento de El Niño mais intenso do que o esperado poderá elevar ainda mais a demanda elétrica, ao aumentar a necessidade de refrigeração e, ao mesmo tempo, reduzir a geração hidrelétrica e eólica em algumas regiões. O choque também não foi sentido de forma igual ao redor do mundo. Os preços médios de eletricidade na União Europeia e no Japão subiram mais de 30% na comparação anual no segundo trimestre, enquanto os preços nos Estados Unidos permaneceram estáveis e os da Índia avançaram menos de 10%. Já em mercados asiáticos mais sensíveis a preços, como Paquistão e Bangladesh, o custo mais alto do GNL importado chegou a reprimir o próprio consumo de eletricidade.
Fonte: Exame; 23/07/2026
A ofensiva da China no mercado automotivo europeu mal começou
“Pouco mais de dois anos após lançar sua divisão automotiva, a Xiaomi — maior fabricante de smartphones da China — busca se tornar uma das cinco principais marcas premium da Europa. A empresa escolheu a Alemanha, um dos mercados mais competitivos da região, para seu lançamento europeu no próximo ano. Visando conquistar o mercado premium da região até 2030, a companhia recrutou engenheiros e designers da BMW, Porsche e Tesla. “Acredito que a indústria automotiva da China precisa almejar mais alto para criar veículos de classe mundial”, disse o fundador da Xiaomi, Lei Jun, no Salão do Automóvel de Pequim, em abril. “Esse é o valor que a Xiaomi pode agregar.” O grupo está na vanguarda de uma nova onda de fabricantes chineses de veículos elétricos focados em tecnologia — incluindo Xpeng, Li Auto e a Aito (apoiada pela Huawei) — que buscam expansão internacional. Algumas concessionárias europeias começaram a notar essas novas fabricantes chinesas, que chegam aos mercados internacionais na esteira das marcas maiores, trazendo softwares avançados e tecnologias de condução autônoma. Embora menores e menos conhecidas no exterior, essas empresas vêm ganhando participação no mercado chinês — extremamente competitivo —, especialmente entre os consumidores mais jovens. Algumas, como a Xiaomi, conquistaram uma legião de fãs fervorosos. “Acredito que o melhor ainda está por vir para os veículos chineses”, afirmou Nathan Coe, CEO da Auto Trader — o maior marketplace automotivo online do Reino Unido —, destacando o ritmo acelerado de inovação tecnológica dos fabricantes chineses. Essa nova onda de empresas chinesas de veículos elétricos impulsionadas pela tecnologia surge no momento em que as principais montadoras do país, lideradas pela BYD, tornam-se rapidamente nomes conhecidos em todo o mundo, em um intervalo de apenas dois anos. Com um portfólio variado que inclui veículos elétricos, híbridos plug-in e até modelos a gasolina, as marcas chinesas conquistaram, juntas, 9% das vendas de carros novos na Europa e 15% no Reino Unido durante o primeiro semestre do ano. Apenas em maio, pela primeira vez, um em cada dez veículos novos vendidos na Europa era de origem chinesa.”
Fonte: Financial Times; 23/07/2026
Política
Crianças da Amazônia Legal estão mais expostas a riscos ambientais, aponta Unicef
“Crianças que vivem em municípios da Amazônia Legal, especialmente na Região Norte, estão mais expostas a riscos ambientais e climáticos, como secas, poluição do ar, chuvas intensas e falta de saneamento básico. Um painel divulgado nesta quinta-feira (23) mostra onde está a maior concentração de municípios com alta vulnerabilidade no Brasil e indica onde políticas públicas precisam ser priorizadas. Os dados foram divulgados pelo Fundo das Nações para a Infância (Unicef) e a organização global de saúde pública Vital Strategies. O painel consolida 14 indicadores distribuídos em quatro áreas temáticas: ambiente escolar, eventos climáticos extremos, qualidade do ar e infraestrutura ambiental e urbana. Cada município foi classificado em níveis de prioridade (alta, média e baixa), indicando onde há necessidade de ações mais urgentes. Pedro de Paula, vice-presidente de Inovação Global da Vital Strategies, destaca que o objetivo do painel é permitir que cada município compreenda sua própria realidade, compare seus indicadores e identifique quais problemas exigem maior prioridade na formulação de soluções. O levantamento mostra que 333 municípios (6% do total) têm alta prioridade em 10 ou mais indicadores. A maior concentração está no Norte, onde 42,4% das cidades se enquadram nessa condição. Na região, os Estados do Pará, Acre e Amazonas se destacam com o maior número de indicadores classificados como de alta prioridade. Na outra ponta, 108 municípios (1,9%) não registram alta prioridade em nenhum dos indicadores analisados. No Nordeste e no Centro-Oeste, o cenário é intermediário, com média de cinco indicadores classificados como de alta prioridade por município. Nessas regiões, os maiores níveis de vulnerabilidade se concentram em Estados da Amazônia Legal, como Maranhão e Mato Grosso. Já o Sul e o Sudeste apresentam menor exposição aos riscos, com cerca de três indicadores de alta prioridade, em média, por município. No indicador de qualidade do ar, a poluição por partículas finas acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) tem maior incidência na Região Norte, onde 94% dos municípios apresentam alta prioridade nesse indicador. Em seguida aparece o Sudeste (39%), região que concentra a maior parcela da população infantil. Apesar de o problema ser comum nas duas regiões, as causas são diferentes. No Norte, a alta concentração de material particulado está associada principalmente às queimadas. Já no Sudeste, sobretudo nas grandes regiões metropolitanas, a poluição é provocada principalmente pelo transporte rodoviário e pela atividade industrial. O transporte rodoviário, por sua vez, é um fator de poluição do ar classificado como de alta prioridade em 66% dos municípios do Centro-Oeste e em 57% dos municípios do Sul. Já os focos de calor, que medem a ocorrência de incêndios, são um fator de atenção para o Norte (59%) e Nordeste (41%).”
Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026
Minerais críticos já movem mais acordos comerciais do que a transição energética
“Dos mais de 70 acordos comerciais e de cooperação econômica assinados desde 1º de janeiro de 2025, pelo menos 45 (63%) trataram de matérias-primas críticas, essenciais para tecnologias da transição energética, inteligência artificial e defesa. Os dados integram o Trade & Climate Tracker, monitor global recém lançado pelo International Institute for Sustainable Development (IISD). O monitor também mostra que energia e clima são temas predominantes nas parcerias mais recentes, com 58% dos acordos mencionando explicitamente cooperação climática e 67% incluindo algum tipo de cooperação na área de energia, passando por temas como eficiência, infraestrutura elétrica e redes de transmissão. Mas apenas 36% abordam especificamente a cooperação em renováveis. Quando o escopo é ampliado para energia limpa (o que pode incluir nuclear, biomassa e geotérmica), o percentual sobe para 44%. Na área de matérias-primas críticas, chama a atenção como a busca por parcerias está crescendo e se tornando mais detalhada, ao mesmo tempo em que aumentam as medidas de restrição às exportações. Isso ocorre em meio a um cenário geopolítico marcado por tensões, fragmentações e economias industriais tentando diversificar suas cadeias de suprimentos e reduzir a dependência excessiva da China. De acordo com o monitor, os 45 acordos analisados buscam, principalmente, garantir acesso aos minerais críticos e estratégicos e/ou fortalecer cadeias de suprimento. A lista inclui a parceria estratégica entre a União Europeia e o México, assinada em maio de 2026, atualizando o Acordo Global de 2000, em meio à pressão tarifária dos EUA. Ainda precisa ser ratificada, mas tem um capítulo com regras de acesso ao mercado que proíbem monopólios de importação/exportação de matérias-primas, incluindo minerais, metais, produtos químicos e fertilizantes. A UE, aliás, está em vários tratados relacionados às cadeias de suprimentos. O bloco tem cooperações com os EUA, África do Sul, Austrália e Índia, além do acordo firmado no início deste ano com o Mercosul, após quase três décadas de negociações. O Brasil sozinho não aparece na lista. O país integra os acordos do Mercosul com a UE e com o EFTA, bloco formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Por fora do Mercosul, o Brasil também mantém diálogos sobre terras raras com a União Europeia, e sobre minerais críticos com Alemanha, África do Sul, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Índia, por exemplo.”
Fonte: Eixos; 23/07/2026
Japão encontra terras raras a 6 mil metros de profundidade no Pacífico
“O Japão recuperou elementos de terras raras essenciais para a fabricação de semicondutores, veículos elétricos e equipamentos de defesa em um teste de perfuração em águas profundas, em um possível avanço na tentativa de reduzir a dependência de cadeias de suprimentos dominadas pela China. Uma expedição de um mês realizada no início deste ano próximo a Minamitorishima, uma remota ilha japonesa no Oceano Pacífico, extraiu cerca de 50 toneladas de lama a uma profundidade de 6.000 metros. A análise do material confirmou a presença de elementos como ítrio, gadolínio, disprósio e neodímio, informaram nesta sexta-feira o governo japonês e as organizações envolvidas no projeto. O ítrio é utilizado na produção de semicondutores e em sistemas de defesa; o gadolínio, em materiais de controle de reatores nucleares; o disprósio, em componentes de veículos elétricos; e o neodímio, na fabricação de ímãs de alto desempenho. As organizações responsáveis pelo projeto afirmaram que não foram identificados níveis relevantes de substâncias perigosas ou materiais radioativos, mas não informaram a quantidade de terras raras efetivamente recuperada. Com base nos resultados do teste, o Gabinete do Governo e a Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre planejam realizar uma operação de maior escala em fevereiro na mesma região. O objetivo será testar toda a cadeia de produção — da extração e separação ao refino — em escala industrial e avaliar a viabilidade de uma produção doméstica de terras raras. Uma decisão sobre a viabilidade econômica da exploração comercial está prevista para março de 2028. O projeto faz parte de uma estratégia mais ampla do Japão, iniciada há cerca de uma década, para fortalecer a resiliência de sua cadeia de suprimentos e reduzir a exposição à China. O país asiático responde por cerca de 70% da produção mundial de mineração de terras raras e quase 90% da capacidade global de refino, posição dominante que Pequim já utilizou em momentos de tensão comercial e geopolítica.”
Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026
Nova regra da UE para aviação cobra emissões, mas evita confronto com EUA e China
“A União Europeia voltou a tentar resolver um dos impasses mais antigos da política climática internacional: como fazer a indústria da aviação pagar pelas emissões de carbono sem provocar uma disputa comercial entre países. A resposta encontrada por Bruxelas ficou no meio do caminho. Na semana passada, a Comissão Europeia propôs ampliar seu sistema de comércio de emissões (ETS, na sigla em inglês) para incluir voos internacionais que partam de aeroportos europeus. A mudança, prevista para entrar em vigor em 2029, expande a cobrança sobre emissões de dióxido de carbono, mas estabelece um limite geográfico de 5 mil quilômetros a partir do centro da Europa. Na prática, isso significa que rotas como Paris-Dubai passariam a pagar pelo carbono emitido durante todo o trajeto, enquanto voos para destinos mais distantes, como Nova York, ficariam fora das novas regras. A escolha não é técnica. É política. A proposta representa uma mudança em relação à ambição demonstrada pela União Europeia ao longo da última década. Em 2012, o bloco tentou incluir todas as rotas internacionais no mercado europeu de carbono. A iniciativa encontrou forte oposição dos Estados Unidos e da China e acabou sendo reduzida. Agora, o contexto geopolítico voltou a influenciar a política climática. Segundo autoridades ouvidas pelo Financial Times, a proposta inicial da Comissão Europeia era retomar a cobrança para todos os voos que deixassem aeroportos do bloco. A ideia enfrentou resistência dentro da própria Comissão, especialmente entre áreas responsáveis por transporte, indústria e comércio, preocupadas com impactos sobre a competitividade das companhias aéreas e possíveis retaliações comerciais. O raio de 5 mil quilômetros acabou funcionando como um compromisso político. Ele amplia a cobertura das emissões sem alcançar rotas para Estados Unidos e China, reduzindo o risco de uma nova disputa diplomática em um momento de maior tensão comercial.Ao mesmo tempo, a proposta tenta resolver outro problema conhecido do setor: evitar que companhias aéreas passem a concentrar conexões em hubs fora da União Europeia, como Turquia ou Oriente Médio, apenas para escapar da cobrança pelo carbono.”
Fonte: Exame; 23/07/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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