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Como as montadoras chinesas estão redefinindo a indústria automotiva brasileira

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Principais destaques da reunião com o Grupo Itavema

A competitividade de preço continua acelerando a adoção dos elétricos. Com o mercado brasileiro de veículos leves crescendo cerca de 20% ao ano, os elétricos estão se tornando cada vez mais relevantes no setor, figurando entre os modelos mais vendidos em várias das principais capitais. Ao abordar os principais fatores que impulsionam a adoção dos mesmos, Fabio destacou: (i) vantagem econômica, com os veículos elétricos oferecendo custos operacionais inferiores aos dos veículos a combustão para usuários de alta quilometragem, o que os torna atraentes para serviços de transporte por aplicativo e frotas comerciais; e (ii) os avanços contínuos na infraestrutura de recarga, uma vez que o carregamento ultrarrápido reduz ainda mais as barreiras à adoção.

As marcas chinesas continuam ganhando participação de mercado, com as vendas diretas sendo a próxima via de crescimento. Fabio destacou que as montadoras chinesas seguem ganhando espaço no Brasil, alcançando 20% de participação no mercado de veículos leves, impulsionadas por um portfólio de produtos em rápida expansão, condições comerciais agressivas e financiamentos cada vez mais atraentes. No entanto, embora já detenham cerca de 34% de participação no canal de varejo, a penetração nas vendas diretas permanece limitada. Considerando que as vendas diretas representam aproximadamente metade do mercado brasileiro de veículos leves – que gira em torno de 2,5 milhões de unidades -, Fabio vislumbra um potencial de crescimento significativo dessa frente à medida que as montadoras chinesas desenvolvem as capacidades comerciais e a infraestrutura operacional necessárias para competir de forma mais eficaz nesse segmento.

A durabilidade das baterias e o valor para revenda estão se mostrando melhores do que o antecipado. Com base em quatro anos de dados operacionais, Fabio observou que a capacidade da bateria vem diminuindo apenas cerca de 1% ao ano, independentemente da quilometragem, o que ajuda a mitigar uma das principais preocupações dos consumidores. A percepção em relação à desvalorização dos veículos elétricos também melhorou nos últimos anos. Segundo Fabio, os veículos elétricos de faixas de preço mais baixas apresentam agora taxas de desvalorização amplamente comparáveis às dos veículos convencionais a combustão (impulsionadas principalmente pela boa rotatividade de estoque e pelos incentivos das fabricantes para trocas), enquanto veículos de faixas de preço mais elevadas – particularmente no segmento de combustão – continuam sofrendo uma desvalorização um pouco mais acentuada. No mercado de seminovos e usados, veículos de maior valor (>R$ 140 mil) começam a enfrentar pressão nos preços, à medida que veículos novos de marcas chinesas competem de forma mais agressiva em termos de custo-benefício, reduzindo a velocidade de giro do estoque e exigindo descontos maiores. Enquanto isso, os veículos usados de faixas de preço mais baixas mantêm-se resilientes, embora se espere que a pressão competitiva se amplie gradualmente à medida que as fabricantes chinesas expandem sua atuação para tais segmentos.

As montadoras tradicionais estão reagindo, mas em velocidade ainda aquém. Até o momento, as montadoras tradicionais conseguiram preservar seus volumes, beneficiando-se em grande parte de um mercado em expansão, apesar de perderem participação de forma constante para concorrentes chinesas. No entanto, à medida que o crescimento do mercado se estabiliza adiante, Fabio prevê que essas perdas de participação se tornarão mais evidentes. Em resposta, essas empresas estão adotando duas estratégias paralelas: (i) iniciativas comerciais mais agressivas; e (ii) parcerias de longo prazo com fabricantes chinesas (OEMs) para acelerar o acesso a tecnologias de veículos elétricos.

Os segmentos de veículos com menor preço e a consolidação do mercado representam a próxima fase da concorrência. Em uma perspectiva futura, espera-se que as montadoras chinesas continuem avançando para faixas de mercado de menor preço, com hatches compactos na faixa de R$ 90 mil a R$ 110 mil surgindo como o próximo grande campo de batalha a partir do final de 2027. Apesar dos amplos anúncios de investimentos em produção local, persiste o ceticismo quanto ao número de fabricantes que conseguirão, de fato, alcançar escala suficiente para competir. Como resultado, a expectativa é que apenas três ou quatro marcas chinesas se consolidem como vencedoras em termos de volume expressivo.

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