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Ministério da Agricultura e Pecuária cria GT para avaliar impactos do El Niño | Café com ESG, 02/07

El Niño e minerais críticos em destaque na política brasileira

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Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O pregão de quarta-feira fechou em território levemente negativo, com o IBOV e ISE recuando 0,2% e 0,4%, respectivamente.

• Na política brasileira, (i) o Ministério da Agricultura e Pecuária criou um grupo de trabalho para avaliar, no prazo de 60 dias, os impactos do El Niño na produção agropecuária nacional, mapear vulnerabilidades regionais e setoriais e propor estratégias de mitigação e instrumentos de proteção do produtor rural – segundo portaria publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União (DOU), o relatório final, contendo diagnóstico, recomendações e propostas de ação, deverá ser encaminhado ao ministro da Agricultura, André de Paula; e (ii) o governo decidiu levar para dentro do Palácio do Planalto a coordenação da política nacional para minerais críticos e estratégicos, movimento que pretende ampliar o peso político do tema, retirando-o da esfera setorial da mineração – a decisão cria o Comitê Técnico Especial de Soberania em Minerais Críticos e Estratégicos, que será coordenado pela Casa Civil da Presidência da República, e não pelo Ministério de Minas e Energia. 

• No internacional, as fabricantes chinesas de veículos elétricos registraram, em sua maioria, vendas mais altas no mês passado, com a demanda no exterior ajudando a compensar um mercado interno mais fraco – olhando o desempenho por empresa, a BYD manteve-se na liderança de vendas, com as entregas subindo 5,5% em junho, marcando seu segundo mês consecutivo de crescimento.

Gostaria de receber os relatórios ESG por e-mailClique aqui.
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Brasil

Recife será piloto de projeto global de reciclagem que pode destravar R$ 300 milhões

“Enquanto 1% dos domicílios de Recife têm acesso à coleta seletiva formal, o desempenho recente da cidade registrou crescimento de 16,6% na reciclagem de plástico e mais que o dobro da média nacional. É esse descompasso entre avanço e infraestrutura que levou a Fundação Ellen MacArthur, a organização Clean Rivers e a Prefeitura do Recife a anunciar, nesta quarta-feira, 1, uma parceria com potencial de destravar R$ 300 milhões em investimentos nos próximos anos para transformar os sistemas de coleta e reciclagem da capital de Pernambuco. O acordo foi formalizado com a presença do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e autoridades políticas. Nos próximos seis meses, a Fundação e a prefeitura vão trabalhar com atores locais para desenhar um plano detalhado de investimento, com a expectativa de iniciar as atividades em 2027. A iniciativa tem apoio de gigantes multinacionais como Mars, Nestlé, PepsiCo e Unilever, e a escolha da cidade é estratégica. Com 1,6 milhão de habitantes e cortada por uma extensa rede de rios, Recife concentra os desafios típicos de centros urbanos brasileiros e ao mesmo tempo mostra que é possível avançar rápido quando há recurso direcionado, segundo a Fundação. “A cada ano, milhões de toneladas de resíduos chegam aos cursos d’água e aos oceanos do planeta. Recife é o lugar certo para começarmos, por sua vasta rede de cursos d’água que deságuam no Atlântico Sul”, afirma Deborah Backus, CEO da Clean Rivers. O Brasil concentra 12% da água doce do planeta e está entre os cinco maiores geradores de resíduos sólidos urbanos do mundo. A coleta cobre 92,4% da população, mas mais de um quarto dos resíduos ainda tem descarte inadequado e o resultado é cerca de 3,5 milhões de toneladas de plástico por ano jogados em bueiros, rios e ecossistemas marinhos. Segundo relatório apresentado no lançamento do projeto que engloba mais de 80 organizações, um sistema de resíduos mais eficiente poderia recuperar R$ 14 bilhões em material reciclável hoje perdido em aterros. A projeção é gerar 9.300 empregos diretos nas cadeias de coleta, triagem e processamento, além de 64 mil postos adicionais na cadeia de reciclagem de plástico até 2030.”

Fonte: Exame; 01/07/2026

A estratégia da Mapfre para levar o ESG a quem fica entre seguradora e cliente

“Em um setor em que a agenda de sustentabilidade costuma se concentrar nas seguradoras, a Mapfre testou, nos últimos seis meses, um modelo que coloca as corretoras e empresas parceiras no centro dessa discussão. O Corretor + Sustentável, programa piloto lançado em setembro de 2025 e que chegou ao fim na última semana, levou capacitação em práticas ESG a corretoras de diferentes regiões do país — parceiros que, segundo a Mapfre, são o elo mais próximo do cliente final e, por isso, têm papel direto na forma como o setor de seguros responde a riscos climáticos crescentes. Ao longo de seis meses, os participantes tiveram acesso a uma plataforma digital com conteúdos de capacitação e recomendações de iniciativas voltadas aos pilares Ambiental, Social, Governança e Negócios, acumulando pontis conforme implementavam ações em suas operações. Os resultados consolidados do ciclo mostram uma economia estimada de 855 metros cúbicos de água por ano, redução de 404,1 quilos de emissões de gases de efeito estufa e economia de 10.496 quilowatts-hora de energia. As iniciativas sociais promovidas pelas corretoras ainda impactaram diretamente mais de 1.900 pessoas e mobilizaram quase 300 horas de trabalho voluntário. Para Fátima Lima, diretora de Sustentabilidade da Mapfre, o programa nasceu da percepção de que a mudança na cadeia de valor exige engajamento de todos os elos do negócio. “A sustentabilidade só gera transformação quando consegue envolver toda a cadeia de valor. Com o Corretor + Sustentável, buscamos aproximar essa agenda da rede de corretoras, mostrando que práticas sustentáveis podem estar conectadas à gestão, à eficiência operacional, ao relacionamento com clientes e ao fortalecimento dos negócios”, afirma. Segundo a executiva, o maior desafio inicial foi de percepção. “Nas primeiras conversas com as corretoras, percebemos que muitas ainda associavam sustentabilidade a uma pauta distante da rotina do negócio ou restrita às grandes empresas. Esse foi o principal desafio do programa: mostrar que o tema também faz parte da gestão da corretora e pode trazer resultados concretos para a operação e geração de negócios”, diz. Por isso, conta, o programa foi desenhado de forma prática: “Em vez de discutir apenas conceitos, levamos recomendações e exemplos que pudessem ser incorporados ao dia a dia.”

Fonte: Exame; 01/07/2026

Demanda externa impulsiona vendas de montadoras chinesas de veículos elétricos

“As fabricantes chinesas de veículos elétricos registraram, em sua maioria, vendas mais altas no mês passado, com a demanda no exterior ajudando a compensar um mercado interno mais fraco. A BYD manteve-se na liderança de vendas, com as entregas subindo 5,5% em junho, para 403.472 unidades, marcando seu segundo mês consecutivo de crescimento. A empresa exportou 175.349 veículos de nova energia — categoria que inclui elétricos a bateria e híbridos plug-in —, um salto expressivo de 95% em relação ao ano anterior. A NIO esteve entre as marcas de melhor desempenho, registrando um salto de 63% nas entregas, com 40.597 veículos. As vendas totais de veículos da Geely Automobile subiram ligeiramente 2%, para 240.799 unidades. A Zeekr, marca de elétricos premium da Geely, mais do que dobrou suas vendas, atingindo 35.169 carros, enquanto as vendas da Lynk & Co caíram 28%. A XPeng entregou 40.126 veículos em junho, um aumento de 16% na comparação anual, ao passo que as vendas da Li Auto caíram 15%, para 30.895 unidades. A Xiaomi informou que suas entregas ultrapassaram 30 mil unidades em junho. Os números mensais de vendas ocorrem em um momento em que a demanda permanece contida no maior mercado de veículos elétricos do mundo. Com a demanda local ainda desaquecida, as exportações estão sustentando toda a indústria automotiva da China, afirmaram analistas de pesquisa da Nomura em nota. Os analistas observaram que os participantes do mercado estão migrando da competição de preços para a concorrência tecnológica aliada ao reconhecimento de marca, o que significa que as empresas podem ter mais dificuldade para conquistar os clientes. Os consumidores, por sua vez, estão mudando de compras por impulso para aquisições baseadas na razão, escreveram eles. A Nomura afirmou projetar que o mercado local continue enfrentando uma queda de dois dígitos na demanda pelo restante do ano, com a demanda externa servindo de suporte. As ações das fabricantes chinesas de veículos elétricos operavam amplamente em alta na quinta-feira. A BYD avançou 8,8% em Hong Kong, enquanto a XPeng subiu 2,4% e a NIO caiu 2,8%. A Li Auto registrou alta de 3,4% e a Geely Automobile avançou 3,6%. A Xiaomi valorizou-se 4,8%.

Fonte: Valor Econômico; 02/07/2026

Agenda climática já influencia investimentos e acesso a mercados, diz ministro do Meio Ambiente

“O Brasil chega a 2026 numa convergência que poucos lugares no mundo conseguem reunir ao mesmo tempo: matriz energética majoritariamente renovável, agricultura de larga escala, base industrial diversificada e a maior biodiversidade do planeta. Essa combinação coloca o país entre os mais bem posicionados do mundo para liderar o mercado global de créditos de carbono, que tem potencial de superar US$ 1,1 trilhão por ano até 2050, segundo a BloombergNEF. O desafio agora é transformar essa vantagem natural em ativo econômico. Essa janela de oportunidade foi o tema de um evento na Arena B3, em São Paulo, nesta quarta-feira, 1, promovido pela bolsa brasileira em parceria com a International Emissions Trading Association (IETA), a Climate Action Solutions & Engagement (C.A.S.E.) e a mineradora Vale. A proposta foi discutir a arquitetura do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e os próximos passos, com a presença de governos, empresas, bancos e especialistas. A base legal desse mercado já existe e foi aprovada em dezembro de 2024, quando criou o SBCE para permitir que empresas e países que ultrapassem um teto estabelecido de emissões de gases de efeito estufa compensem o excedente comprando créditos vinculados a projetos de preservação ambiental. Passado um ano e meio da aprovação, o mercado segue em fase de regulamentação: o Brasil está construindo a governança, os mecanismos de monitoramento e verificação e a plataforma de operação, com a expectativa de que comece a operar de forma plena só a partir de 2030. Os especialistas foram unânimes: o país já não precisa provar que a agenda climática atrai capital, mas sim que consegue regulamentar essa oportunidade antes que o investidor decida financiar a descarbonização em outro país. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, foi direto ao ponto: clima deixou de ser pauta apenas ambiental e passou a influenciar investimentos, comércio, inovação tecnológica, competitividade industrial e acesso a mercados. No mundo, dezenas de sistemas de precificação de carbono já operam — União Europeia, Reino Unido, China, Coreia do Sul, Canadá e diversos estados americanos —, movimentando juntos mais de US$ 100 bilhões por ano. Para Capobianco, o SBCE brasileiro não nasce como resposta oportunista ao crescimento do mercado global de carbono.”

Fonte: Exame; 01/07/2026

Planalto assume política de minerais críticos e cria estrutura para coordenar setor

“O governo decidiu levar para dentro do Palácio do Planalto a coordenação da política nacional para minerais críticos e estratégicos, movimento que pretende ampliar o peso político do tema, retirando-o da esfera setorial da mineração. A Folha teve acesso à minuta da resolução que trata do assunto. A decisão cria o Comitê Técnico Especial de Soberania em Minerais Críticos e Estratégicos, que será coordenado pela Casa Civil da Presidência da República, e não pelo MME (Ministério de Minas e Energia), como ocorre com demais grupos técnicos ligados à mineração. A justificativa, segundo uma pessoa ligada à Casa Civil, é sinalizar que o governo pretende tratar dos minerais como tema de política industrial, com foco na produção local e no desenvolvimento tecnológico. O novo colegiado será permanente e terá caráter consultivo e técnico. Ele vai reunir representantes da Casa Civil e do MME, além das pastas de Ciência, Tecnologia e Inovação, Desenvolvimento, Fazenda, Relações Exteriores e Meio Ambiente. A ANM (Agência Nacional de Mineração) e o SGB (Serviço Geológico do Brasil) também devem participar do grupo. Caberá a esse comitê propor políticas públicas e coordenar a estratégia nacional dos minerais cobiçados pela transição energética. Na prática, o que se espera é que sejam estimuladas ações para o beneficiamento e processamento dos insumos no Brasil em vez da exportação de commodities. A estrutura terá, ainda, quatro subcomitês permanentes que vão tratar de industrialização; geologia e mineração; desenvolvimento sustentável e pesquisa; e desenvolvimento tecnológico e inovação. Os minerais críticos incluem substâncias como lítio, terras raras, cobre, níquel, grafita e cobalto, muito usados na fabricação de baterias, veículos elétricos, equipamentos para geração de energia e eletrônicos. A resolução está prevista para ser apresentada na reunião do CNPM (Conselho Nacional de Política Mineral), que ocorre nesta quinta-feira (2), em Brasília. Além do comitê técnico, o conselho vai aprovar a resolução que estabelece critérios para enquadrar projetos de mineração no Licenciamento Ambiental Especial (LAE), que dá um prazo máximo de 12 meses para que órgãos ambientais concluam suas análises, além de consolidar as três etapas do licenciamento atual em apenas uma fase. Pela resolução, a LAE poderá ser usada por qualquer produção de minerais críticos e estratégicos voltados à exploração de insumos que o Brasil ainda precisa importar ou que enfrentam risco de escassez no mercado internacional.”

Fonte: Folha de São Paulo; 02/07/2026

Ministério da Agricultura cria grupo de trabalho para avaliar impactos do El Niño

“O Ministério da Agricultura e Pecuária criou o grupo de trabalho para avaliar, no prazo de 60 dias, os impactos do fenômeno climático El Niño na produção agropecuária nacional, mapear vulnerabilidades regionais e setoriais e propor estratégias de mitigação e instrumentos de proteção do produtor rural. Segundo portaria publicada nesta quarta-feira (1º) no Diário Oficial da União (DOU), o prazo para conclusão dos trabalhos poderá ser prorrogado por mais 30 dias. O relatório final, contendo diagnóstico, recomendações e propostas de ação, deverá ser encaminhado ao ministro da Agricultura, André de Paula. O GT El Niño deverá mapear e avaliar os impactos do fenômeno climático por região geográfica e para as principais culturas agropecuária, com base nas informações técnicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet); identificar as principais culturas, regiões e territórios com maior vulnerabilidade, incluindo efeitos sobre soja, trigo, milho, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca. Além disso, o grupo deverá propor medidas de mitigação e adaptação dos efeitos climáticos para as principais regiões e culturas mapeadas; formular propostas e elaborar relatório com estratégias de adaptação e mitigação frente ao fenômeno climático El Nino. O grupo será composto por representantes do ministério, do Inmet e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).”

Fonte: Valor Econômico; 01/07/2026

Decreto do hidrogênio de baixa emissão deve prever incentivos fiscais e regras de conteúdo local

O decreto que regulamentará o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono deve prever incentivos fiscais para estimular o desenvolvimento da tecnologia no país, estabelecer diretrizes para a certificação das emissões de carbono e criar mecanismos para incentivar o conteúdo local na implantação dos projetos no país, segundo apurou o Valor. O texto, elaborado em conjunto pelos ministérios de Minas e Energia, da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), está na Casa Civil para ajustes finais. Nesta quarta-feira (1º), durante participação em evento promovido pelo Fórum de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Setor Elétrico (Fmase), em Brasília, a secretária de Transição Energética e Planejamento do Ministério de Minas e Energia (MME), Mariana Espécie, sinalizou que a norma pode ser publicada ainda nesta semana, mas evitou dar detalhes da proposta. De acordo com fontes do governo, as regras para incentivo de adoção de conteúdo local, com estímulos à contratação de bens e serviços produzidos no Brasil para a execução dos projetos, geraram grande debate. A norma não deve estabelecer exigências rigorosas, sobretudo diante do estágio de maturidade da cadeia global do hidrogênio e do cenário de desaceleração de anúncios e revisão de investimentos em diversos países. Nessa linha, o Executivo deve optar por atribuir ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento da Presidência da República responsável pela formulação de políticas energéticas, que analise caso a caso, na medida que a tecnologia avance. A avaliação da equipe técnica é que o Brasil tem potencial para se consolidar como fornecedor não apenas de hidrogênio, mas também de outros componentes da cadeia produtiva, em linha com a política da Nova Indústria Brasil, coordenada pelo Mdic. O texto também deve disciplinar o programa de incentivos fiscais voltado ao desenvolvimento da cadeia produtiva e à implantação de projetos de hidrogênio de baixa emissão no país. A regulamentação também deve estabelecer diretrizes para a certificação de carbono, orientando a metodologia de quantificação das emissões, para garantir a origem do insumo. A ideia é que as regras fiquem mais claras para que os empreendedores possam entender o ambiente regulatório do país e o governo consiga avançar na atração de projetos com maior celeridade possível. A visão é de que há espaço para o desenvolvimento não apenas do hidrogênio verde, mas também com iniciativas que usem o insumo produzido a partir do gás natural, o hidrogênio azul, por exemplo.”

Fonte: Valor Econômico; 01/07/2026

Internacional

Usinas a gás para data centers dos EUA serão uma grande fonte de emissões ligadas às mudanças climáticas, aponta relatório

“Dezenas de usinas a gás planejadas para abastecer diretamente centros de dados nos Estados Unidos poderiam emitir, anualmente, tantos gases de efeito estufa quanto a Austrália ou a França, segundo um relatório de um grupo ambientalista publicado na quarta-feira. O Environmental Integrity Project (EIP) analisou 74 projetos de usinas a gás nos EUA, propostos ou planejados para fornecer eletricidade diretamente a centros de dados, contornando assim o processo de conexão à rede elétrica nacional. A estimativa é que essas usinas gerariam 143 gigawatts de eletricidade e resultariam em 662 milhões de toneladas de emissões de gases de efeito estufa por ano. Projetos de energia fora da rede (ou “atrás do medidor”) estão obtendo aprovação rápida em todos os EUA — muitas vezes sob sigilo — para atender à crescente demanda do setor de tecnologia por energia para centros de dados, segundo uma análise da Reuters de documentos regulatórios e entrevistas com autoridades públicas, moradores, pesquisadores e executivos de empresas. Ao evitar as regulamentações federais aplicadas a grandes projetos que buscam interconexão com a rede elétrica, esses empreendimentos avançam em velocidade acelerada — às vezes em questão de semanas ou meses — sem os anos de licenciamento, estudos ambientais e audiências públicas tipicamente exigidos para tais usinas. Os desenvolvedores argumentam que essas usinas fora da rede, destinadas a clientes privados, estão isentas de muitas dessas regras. O relatório do EIP afirmou que o volume acumulado de emissões de gases de efeito estufa dessas usinas rivaliza com as emissões de grandes economias, como a França ou a Austrália, e representa riscos à saúde pública para os moradores próximos aos projetos, devido à liberação de poluentes nocivos como óxidos de nitrogênio (NOx) e benzeno. “Uma indústria do futuro não deveria estar atrelada a combustíveis sujos do passado e à poluição do ar causada por combustíveis fósseis, que trazem danos reais às comunidades”, disse Jen Duggan, diretora executiva do Environmental Integrity Project. Quase metade das 74 usinas identificadas pelo EIP ficará localizada no Texas, seguido pelos estados produtores de gás Ohio, Pensilvânia e Virgínia Ocidental, que têm, respectivamente, 10, seis e quatro usinas fora da rede planejadas. Autoridades do governo Trump continuaram a defender a rápida construção de centros de dados e adotaram medidas para reduzir as barreiras à sua construção e ao seu abastecimento de energia, tratando isso como um imperativo de segurança nacional e econômico. “Acredito que muitos americanos concordariam que devemos vencer essa corrida contra a China para nos tornarmos a capital mundial da IA”, disse na terça-feira aos repórteres Lee Zeldin, administrador da Agência de Proteção Ambiental. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada no mês passado mostrou que apenas um em cada três americanos aprova o ritmo acelerado de construção de centros de dados — uma questão que preocupa eleitores e campanhas políticas antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro.”

Fonte: Reuters; 01/07/2026

JERA cria unidade em Cingapura para estratégia, aquisição e investimentos em GNL.

“A JERA, principal geradora de energia do Japão, anunciou na quarta-feira a criação de uma nova unidade em Cingapura para integrar o planejamento estratégico, a aquisição e os investimentos em suas cadeias de valor de gás natural liquefeito (GNL) e combustíveis de baixo carbono, em meio à volatilidade dos mercados globais. A empresa sediada em Cingapura, JERA Global Energy Solutions (GES), servirá como a plataforma exclusiva da JERA para a originação de GNL a longo prazo, à medida que a companhia busca construir um negócio de GNL mais integrado e flexível, informou a JERA em comunicado. Confira mais detalhes fornecidos pela JERA: a JERA GES desenvolverá um portfólio de GNL estável e diversificado a longo prazo, ao mesmo tempo em que promoverá combustíveis de menor emissão de carbono, como amônia e hidrogênio. Ela atuará em conjunto com o braço de comercialização da JERA, a JERA Global Markets (JERAGM), que continuará responsável pelas operações de trading e pelos contratos de aquisição de GNL de curto prazo (com duração inferior a cinco anos). Irtiza Sayyed foi nomeado CEO da JERA GES. Sayyed ingressou na JERA em abril, após ocupar diversos cargos de gestão global na Exxon Mobil (XOM.N) por cerca de 20 anos. Ryosuke Tsugaru, diretor de combustíveis de baixo carbono da JERA, fornecerá orientação estratégica a partir da sede da empresa e garantirá um alinhamento estreito com a estratégia mais ampla da companhia para GNL e combustíveis de baixo carbono. Um total de 13 funcionários, incluindo Sayyed, iniciou as operações na quarta-feira, com a previsão de que mais alguns colaboradores sejam transferidos da sede em um futuro próximo, segundo um porta-voz da empresa. A JERA, uma joint venture entre a Tokyo Electric Power (9501.T) e a Chubu Electric Power (9502.T), é a maior compradora de GNL do Japão, movimentando entre 35 milhões e 40 milhões de toneladas métricas desse combustível super-resfriado por ano.”

Fonte: Reuters; 01/07/2026

Empresas industriais alertam que a reformulação das regras de carbono da UE pode beneficiar poluidores

“A siderúrgica SSAB está investindo 6 bilhões de euros para modernizar suas operações, substituindo o carvão por hidrogênio de baixo carbono. A aposta é que as políticas da União Europeia recompensem a produção com menores emissões e ajudem a empresa a superar concorrentes mais poluentes. No entanto, a empresa sueca faz parte de um grupo de companhias industriais preocupadas com uma proposta da UE para reformular o sistema de comércio de emissões (ETS) — a principal política europeia para reduzir as emissões de CO2 que aquecem o planeta. O receio é que a proposta enfraqueça o sistema, reduzindo a vantagem competitiva das empresas pioneiras na adoção de tecnologias de baixo carbono. “Empresas que não investiram podem acabar obtendo uma vantagem”, afirmou Helena Norrman, vice-presidente executiva de comunicações da SSAB. O debate revela um dilema central na estratégia climática da Europa: se os formuladores de políticas manterão a firmeza em relação à precificação do carbono ou se cederão à pressão política para ajudar grandes poluidores que enfrentam contas de energia elevadas e concorrência global. O ETS é a principal política da UE para o combate às mudanças climáticas. Desde 2005, o sistema exige que indústrias pesadas e usinas de energia comprem licenças de emissão de CO2, criando um incentivo financeiro para investir em tecnologias menos poluentes. As mudanças no ETS, planejadas há muito tempo para alinhar o sistema à meta climática da UE para 2040 (acordada no ano passado), ocorrem em meio a uma reação política contrária à agenda verde europeia. Alguns líderes, como a italiana Giorgia Meloni e o polonês Donald Tusk, argumentam que essa agenda está prejudicando a competitividade industrial. “Como tornar esse sistema compatível com as atuais pressões de competitividade e de segurança?”, questionou Simone Tagliapietra, pesquisador sênior do think tank Bruegel, ao comentar o desafio enfrentado pelos formuladores de políticas da UE. Autoridades da Comissão Europeia sinalizaram disposição para flexibilizar o sistema, por exemplo, concedendo às empresas licenças adicionais e gratuitas de emissão de CO2 para reduzir seus custos com carbono. Os preços do carbono no âmbito do ETS subiram drasticamente na última década; atualmente, as licenças são negociadas a cerca de 80 euros por tonelada métrica — um aumento significativo em relação aos menos de 10 euros registrados na década de 2010. Essa mudança ajudou a justificar investimentos em larga escala em tecnologias mais limpas. Segundo estimativas do Goldman Sachs, ao atingir cerca de 100 dólares (90 euros) por tonelada, tecnologias industriais de baixo carbono — como a geração de calor por eletricidade — começam a competir com os métodos convencionais.”

Fonte: Reuters; 01/07/2026

Startup de energia nuclear Valar faz parceria com a Nvidia em data center focado na conservação de água

“A Valar Atomics, uma startup de energia nuclear, anunciou na quarta-feira uma parceria com a Nvidia para desenvolver um pequeno centro de dados em Utah. As empresas afirmam que o projeto demonstrará como as instalações de computação necessárias para a IA podem economizar água. A Valar, sediada na Califórnia, divulgou a parceria em Utah, no local onde está instalada sua pequena usina nuclear — um equipamento conhecido como microrreator. A empresa também realizou uma demonstração alimentando o Blackwell da Nvidia, a mais recente arquitetura de chips de IA da fabricante para centros de dados. Segundo as empresas, foi a primeira vez que um pequeno reator forneceu energia a um centro de dados. A Valar é uma das cerca de 10 startups de energia nuclear participantes de um programa piloto do Departamento de Energia dos EUA, que estabeleceu a meta de demonstrar, até 4 de julho, três pequenos reatores atingindo a criticidade — o estado em que uma reação nuclear consegue se autossustentar. Na semana passada, a Nvidia anunciou que utilizará resfriamento líquido em circuito fechado no DSX, seu projeto mais recente de centro de dados; a empresa afirma que esse método pode reduzir o consumo de água para resfriamento das instalações de cerca de 2,6 milhões de galões por megawatt ao ano para um nível próximo de zero. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada no mês passado revelou que apenas um em cada três americanos aprova o ritmo acelerado de construção de centros de dados — uma questão que preocupa os eleitores antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro. A necessidade de energia do setor tem levado empresas a buscar fontes próprias de eletricidade, por meio de usinas privadas ou sistemas “atrás do medidor” (behind-the-meter), permitindo-lhes evitar processos de licenciamento, consultas públicas e a necessidade de conexão à rede elétrica convencional. Embora esses projetos tenham se baseado principalmente no gás natural, algumas empresas estão voltando sua atenção para os pequenos reatores nucleares — uma tecnologia emergente — para abastecer a infraestrutura de IA.”

Fonte: Reuters; 01/07/2026

IA aumenta as emissões do Google e pressiona metas climáticas

“A expansão da inteligência artificial elevou em 18% as emissões de gases de efeito estufa do Google em 2025. Segundo o relatório de sustentabilidade da empresa, divulgado nesta terça-feira (30), o aumento se deve principalmente pela construção e operação de data centers, que exigem mais energia, servidores, chips, aço e concreto. A demanda de eletricidade cresceu 37% no último ano, o maior salto da história da empresa. Desde 2019, ano-base das metas climáticas, as emissões aumentaram cerca de 80% e a demanda por energia cresceu 250%. A meta da empresa é atingir emissões líquidas zero em todas as operações e cadeia de valor e reduzir pela metade as emissões absolutas até 2030. A empresa afirma que suas emissões seriam cinco vezes maiores se não tivesse 35 GW contratados em energia limpa (solar, eólica, geotérmica e nuclear) e melhorias de eficiência em hardware e software. Segundo o relatório, os data centers do Google consomem cerca de 83% menos energia do que a média do setor para realizar a mesma carga computacional. O Google não divulga dados de eficiência hídrica, mas disse que fez a reposição hídrica de 29 bilhões de litros de água doce em 2025, o equivalente a 78% de seu consumo. O relatório cita ações que a empresa faz para recompôr ou devolver à natureza e às comunidades o volume de água equivalente ao que a empresa consumiu: captação de água de chuva, recarga de aquíferos, detecção de vazamentos e previsões meteorológicas para agricultores. A meta é repor 120% da água consumida em média em seus escritórios e data centers até 2030.”

Fonte: Capital Reset; 01/07/2026

Temperaturas recordes dos oceanos em junho levam o mundo a ‘cenário desconhecido’

“A temperatura média global da superfície dos oceanos atingiu um recorde em junho, levando o mundo a um “cenário desconhecido”, segundo cientistas, à medida que o aquecimento global e o ciclo do El Niño se combinam para aumentar as chances de eventos climáticos mais extremos nos próximos meses. A temperatura diária da superfície do mar superou os recordes registrados para o mesmo mês em 2023 e 2024, confirmaram duas agências europeias de observação da Terra. Ela atingiu 20,96°C em 21 de junho, segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia. Já o Copernicus Marine estimou a temperatura em 21°C. O novo recorde foi registrado poucas semanas depois de a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês) informar que o fenômeno climático natural El Niño havia se desenvolvido, com as águas do Pacífico tropical central e oriental, próximas ao Equador, tornando-se significativamente mais quentes. “O nível sem precedentes de aquecimento dos oceanos globais fora das regiões polares em junho reflete tanto as mudanças climáticas quanto o início de um evento de El Niño cuja intensidade (…) provavelmente alcançará níveis não vistos há décadas”, afirmaram as agências europeias. Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, disse que as condições “podem indicar o início de uma nova fase, levando, mais uma vez, a um território desconhecido”. “Com as temperaturas dos oceanos nesses níveis e o El Niño no horizonte, é provável que vejamos novos recordes de temperatura serem quebrados nos próximos meses”, acrescentou. Durante o último evento de El Niño, entre 2023 e 2024, a temperatura global dos oceanos bateu sucessivos recordes mensais. O ciclo está associado a eventos climáticos mais extremos, incluindo enchentes e secas em diferentes partes do mundo. Temperaturas mais elevadas dos oceanos podem fazer com que a atmosfera permaneça mais quente por mais tempo, além de fornecer energia e umidade adicionais para tempestades. Os oceanos absorveram cerca de 90% do excesso de calor do planeta e aproximadamente 25% do dióxido de carbono (CO2) emitido pela atividade humana desde a era industrial. Os cientistas monitoram se essa capacidade pode estar se aproximando do limite. A Europa enfrentou uma intensa onda de calor nas últimas semanas, com novos recordes de temperatura do ar em junho registrados em países como Reino Unido, França e Alemanha. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o calor extremo provocou 1.300 mortes em excesso, além do fechamento de escolas e de interrupções no transporte ferroviário. Michael Meredith, oceanógrafo do British Antarctic Survey, em Cambridge, afirmou que o mais recente recorde da temperatura dos oceanos em junho é “muito preocupante”. Segundo ele, embora o ciclo do El Niño ainda esteja em seus estágios iniciais e ainda não seja o principal fator por trás das temperaturas globais, as condições podem piorar significativamente. O grupo científico World Weather Attribution estima que a temperatura média global aumentou cerca de 1,4°C desde a era industrial.”

Fonte: Valor Econômico; 01/07/2026

China restringe algumas cargas de minério de ferro da Fortescue, dizem fontes

“A estatal chinesa responsável pela compra de minério de ferro pediu a algumas siderúrgicas nacionais que não recebam determinados produtos de minério de ferro da Fortescue, segundo fontes do setor, a mais recente mineradora australiana a ser afetada pela iniciativa de Pequim de aumentar o controle sobre o mercado. O China Mineral Resources Group (CMRG) notificou verbalmente algumas siderúrgicas de que, a partir de 15 de julho, elas não devem receber cargas portuárias dos produtos “Super Special Fines” e “Fortune Fines” da Fortescue, ambos de minério de ferro de menor teor, segundo cinco fontes a par do assunto. A medida intensifica a campanha do CMRG para afirmar o controle sobre a forma como o minério de ferro entra no mercado chinês, após um impasse de meses com a BHP que terminou em abril. A Fortescue envia a maior parte de seu minério de ferro para a China e ainda está negociando os termos de fornecimento com o CMRG. Todas as fontes pediram anonimato devido à delicadeza do assunto. O CMRG e a Fortescue não responderam imediatamente a pedidos de comentários fora do horário comercial. Os estoques de “Super Special Fines” da Fortescue em alguns dos principais portos chineses totalizavam 7,22 milhões de toneladas em 30 de junho, informou outro operador que preferiu não se identificar. Isso representa quase 5% do total dos estoques de minério de ferro nos portos, de acordo com um cálculo da Reuters baseado em dados da consultoria Steelhome. Em junho, o CMRG orientou algumas siderúrgicas nacionais a não se envolverem em discussões com a Fortescue sobre um novo produto de minério de ferro, o “Fortune Fines”, com embarques programados a partir de julho.”

Fonte: Valor Econômico; 01/07/2026

UE avalia regras climáticas mais brandas para data centers, em vitória para as gigantes de tecnologia

“A UE deve ceder à pressão de grupos de tecnologia ao propor que eles utilizem créditos de compensação mais baratos para neutralizar o impacto climático de data centers movidos a gás, segundo uma minuta de regulamentação à qual o Financial Times (FT) teve acesso. A UE tem tentado equilibrar suas metas climáticas com esforços para se tornar mais competitiva e desenvolver infraestrutura de IA para competir com os EUA. O bloco abriga o segundo maior polo de data centers do mundo, atrás apenas da América do Norte, segundo dados do setor. O bloco prepara-se para flexibilizar significativamente os planos de um sistema de classificação por “semáforo” que avalia os data centers com base no consumo de energia e água, conforme uma proposta preliminar que será discutida por especialistas dos Estados-membros nesta quinta-feira. Uma minuta anterior, de março, estipulava que os data centers só poderiam compensar emissões de combustíveis fósseis investindo em certificados de energia limpa provenientes de projetos iniciados na última década, que gerassem energia aproximadamente no mesmo horário e local do data center. No entanto, empresas e grupos de lobby — incluindo Amazon Web Services, Microsoft e a European Data Centre Association — enviaram cartas à UE solicitando a eliminação de várias exigências, citando o risco de aumento de custos. A versão mais recente da proposta, datada de 30 de junho e vista pelo FT, incorpora essas solicitações e também prevê a possibilidade de considerar certificados de energia nuclear, o que beneficia países que dependem dessa fonte, como a França. Isso significa que um data center operando durante a noite na rede elétrica da Alemanha — que ainda utiliza carvão — poderá neutralizar suas emissões recorrendo a certificados vinculados à energia solar produzida durante o dia na Espanha. Alguns especialistas em contabilidade e mudanças climáticas afirmam que tais certificados pouco contribuem para reduzir as emissões. “Se os data centers não forem abastecidos por fontes renováveis ​​novas e locais, com geração sincronizada em tempo real ao seu consumo de energia, eles aumentarão a demanda por gás importado, sujeito à volatilidade de preços”, afirmou Killian Daly, diretor executivo da EnergyTag, um think-tank do setor. Ele acrescentou que isso poderia elevar os preços da energia e “prejudicar a segurança energética”. Autoridades da Comissão Europeia e especialistas em energia dos Estados-membros deveriam se reunir nesta quinta-feira para discutir a proposta mais recente, segundo pessoas a par do assunto. Uma autoridade ressaltou que a proposta não é definitiva e ainda está sujeita a comentários decorrentes da reunião de quinta-feira. Há anos, empresas de tecnologia de todo o mundo insistem que podem neutralizar suas emissões por meio desses investimentos em energia limpa. Amazon, Meta e Microsoft afirmam que “compensam” 100% de seu consumo de energia proveniente de combustíveis fósseis com certificados de energia limpa, mesmo enquanto a crescente demanda energética da IA ​​as leva a intensificar o uso de energia a gás.”

Fonte: Financial Times; 02/07/2026

Campeã da neutralidade de carbono, Europa é atingida pelas mudanças climáticas à sua própria porta

“A onda de calor de junho, que quebrou uma série de recordes de temperatura na Europa, chamou a atenção para a urgência de se adaptar ao aquecimento global em um continente que, até então, mostrava-se acomodado diante de seu clima relativamente ameno e de suas metas ambiciosas de redução de emissões. A União Europeia tem buscado liderar o enfrentamento das mudanças climáticas e foi uma das primeiras grandes economias a estabelecer uma meta juridicamente vinculativa de alcançar emissões líquidas zero até 2050. No entanto, a onda de calor de junho — que atingiu picos superiores a 40 graus Celsius (104 graus Fahrenheit) em algumas partes da Europa — revelou que as empresas, os serviços e a infraestrutura crítica da região não estão preparados para as consequências imediatas das mudanças climáticas. “Não temos sido eficientes o suficiente na adaptação”, declarou à Reuters o vice-ministro do Clima da Polônia, Krzysztof Bolesta, após interrupções no fornecimento de energia em toda a região, a proibição de trabalhos ao ar livre em alguns locais, o cancelamento de trens na Alemanha e o descarrilamento de um trem de carga na Suécia, causado pela deformação dos trilhos metálicos devido às temperaturas extremas. Entre os países mais afetados, a Espanha registrou 1.000 mortes em excesso associadas ao calor recorde. A adaptação de edifícios e espaços públicos para lidar com o calor extremo é, geralmente, responsabilidade das autoridades nacionais ou regionais, e não da UE, que argumenta que cada país está em melhor posição para compreender suas necessidades específicas. “Não faz sentido tentar ditar, a partir de Bruxelas, como os gregos ou os espanhóis devem combater incêndios florestais”, disse a jornalistas o comissário de Clima da UE, Wopke Hoekstra, que apresentará, ainda este ano, um plano de resiliência climática para todo o bloco. “Eles sabem disso muito melhor do que nós, assim como os holandeses sabem muito melhor como construir diques”, afirmou ele, acrescentando que o plano da UE se concentraria em cenários comuns e nas melhores práticas. Ainda assim, os gastos da própria UE com adaptação permanecem baixos, mesmo com o aquecimento global elevando as temperaturas na Europa a um ritmo mais acelerado do que em qualquer outro continente. Dados oficiais mostram que, entre 2021 e 2025, 72% dos gastos relacionados ao clima provenientes do orçamento conjunto da UE foram destinados à mitigação — ou seja, à limitação dos gases de efeito estufa que causam o aquecimento —, enquanto apenas 18% foram para a adaptação e 9% abrangeram ambas as questões. “

Fonte: Reuters; 02/07/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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