Resumo
As tensões aumentaram no Irã após uma nova onda de ataques de ambos os lados. O presidente Donald Trump afirmou que não pretende fazer acordos, a menos que seja uma rendição incondicional. Somado ao fechamento do Estreito de Ormuz, a declaração fez com que o preço do petróleo alcançasse 90 dólares por barril.
Os dados de mercado de trabalho nos Estados Unidos vieram mais fracos que o esperado em fevereiro. O resultado representa um desafio ao banco central, que lida com inflação persistentemente acima da meta ao mesmo tempo em que a economia dá sinais de perda de tração no emprego.
No Brasil, o PIB cresceu 2,3% em 2025, o desempenho mais fraco em cinco anos. A política monetária contracionista e o menor impulso fiscal (especialmente no primeiro semestre) explicaram, em grande medida, a desaceleração da atividade doméstica.
Gráfico da Semana
Veja na seção “Preço do petróleo atinge maior patamar em 2 anos com conflito no Irã“

Cenário Internacional
Preço do petróleo atinge maior patamar em 2 anos com conflito no Irã
Os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra instalações estratégicas no Irã marcaram uma escalada abrupta do conflito regional, culminando na morte do líder supremo Ali Khamenei. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra países vizinhos e fechou o Estreito de Ormuz, rota por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. O presidente Donald Trump afirmou que as operações poderiam durar “quatro a cinco semanas”, e falou que não pretende fazer acordo com o Irã, a menos que seja uma rendição incondicional.
Nesta semana, o preço do petróleo Brent subiu quase 20%, sendo negociado próximo a 90 dólares por barril. As tensões seguem elevadas na região, sem sinal de alívio. Um choque prolongado de petróleo tende a elevar a inflação global, deteriorando as condições financeiras internacionais e dificultando o trabalho dos bancos centrais. No Brasil, as exportações de petróleo representam cerca de 13% das vendas externas totais. Segundo nossas estimativas, uma alta de US$ 10 por barril eleva o saldo comercial em aproximadamente US$ 8,5 bilhões, reduz o déficit primário do governo central em cerca de US$ 10,7 bilhões e adiciona perto de 0,40 p.p. à inflação. Para mais informações, leia aqui nosso relatório.
Mercado de trabalho nos Estados Unidos enfraquece em fevereiro
O mercado de trabalho dos Estados Unidos enfraqueceu em fevereiro e registrou queda de 92 mil empregos, bem abaixo das expectativas de criação de 55 mil, segundo dados do relatório de emprego. Também houve revisões negativas de 69 mil postos em dezembro e janeiro. Setores importantes mostraram contração: saúde (-28 mil) devido a greves, informação (-11 mil) mantendo tendência negativa, e governo federal (-10 mil), que já acumula perdas significativas desde 2024. Por fim, a taxa de desempregou subiu para 4,4%, acima das expectativas.
O resultado representa um desafio ao Fed (banco central), que vê a inflação consistentemente acima da meta de um lado e um mercado de trabalho mais fraco de outro. A combinação da perda de tração no mercado de trabalho com a intensificação da tensão geopolítica alterou as expectativas de mercado sobre o ciclo de corte de juros. Agora, o mercado espera redução de 0,45 p.p. nos juros básicos dos Estados Unidos ao longo do ano (antes estava em 0,60 p.p.).
Tribunal determina a devolução do valor arrecadado pelas tarifas de Trump
A Corte de Comércio Internacional dos Estados Unidos determinou que o governo deve devolver às empresas os valores pagos em tarifas consideradas ilegais. A decisão ocorre após a Suprema Corte ter derrubado grande parte das tarifas impostas sob a Lei de Poderes Econômicos Internacionais de Emergência.
O juiz Richard Eaton afirmou que todos os importadores têm direito a reembolsos. Ele ordenou que a Alfândega americana inicie o processamento dos pagamentos, que devem incluir juros. A operação é de grande escala. O governo arrecadou mais de US$ 130 bilhões em 2025 e pode ser obrigado a devolver até US$ 175 bilhões, a depender dos cálculos finais.
China define menor meta de crescimento do PIB em 3 décadas
O primeiro-ministro Li Qiang sinalizou uma mudança relevante na orientação da política econômica chinesa para 2026, ao apresentar uma meta de crescimento do PIB na faixa de 4,5% a 5,0%, a menor desde 1991, além de combiná-la com uma postura fiscal mais conservadora e maior foco em ajustes estruturais. Vale destacar que essa foi a primeira vez em que a meta foi reduzida desde o corte para “cerca de 5%” em 2023. A despeito da redução, o governo sinalizou que deve “esforçar-se pelo melhor desempenho na prática” sugerindo que ainda mira do limite superior da banda.
O apoio direto ao consumo permanece limitado. Em vez disso, Pequim privilegia estímulos seletivos, com mais crédito direcionado a setores estratégicos e reforço do investimento público. A estratégia combina prioridade a tecnologia e infraestrutura com elevada dependência de fatores externos, como comércio global e mercado de energia, o que mantém a incerteza sobre a trajetória de crescimento do país. Para mais informações, acesse nosso relatório aqui.
Enquanto isso, no Brasil…
PIB cresce 2,3% em 2025
O PIB avançou 0,1% entre o 3º e o 4º trimestre do ano passado, em linha com o esperado. Com isso, a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, o desempenho mais fraco em cinco anos. A política monetária contracionista e o menor impulso fiscal (especialmente no primeiro semestre) explicaram, em grande medida, a desaceleração da atividade doméstica. Excluindo a contribuição da agropecuária e da indústria extrativa, o PIB teria avançado 1,3%. Para mais informações, leia nosso relatório PIB cresce 2,3% em 2025.
Para este ano, a atividade doméstica deve ganhar tração, apoiada por impulsos de renda e crédito. A renda real disponível às famílias deve crescer 4,5% neste ano, sustentada pela robustez do mercado de trabalho (dados do mercado de trabalho de janeiro corroboraram essa avaliação), maiores transferências fiscais e os efeitos da reforma do Imposto de Renda Pessoa Física. Além disso, um conjunto amplo de medidas de estímulo deve sustentar a demanda no curto prazo. Continuamos a projetar crescimento de 2,0% para o PIB de 2026.
Banco Central não deve mudar planos
Em discurso nessa semana, o diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que, apesar de a mudança de cenário provocada pelo conflito no Oriente Médio ser “bastante significativa”, isso “não altera esse primeiro passo” previsto para a decisão do Copom em março, reforçando que o evento não antecipa automaticamente uma mudança na rota da política monetária. O diretor reforçou que a autoridade não reage a ruídos de curto prazo e que a indicação de início do ciclo de redução da Selic permanece válida. Dito isso, Nilton destacou que o choque geopolítico traz incertezas relevantes para o horizonte de 18 meses, mas que o Banco Central precisa atuar com serenidade.
A fala corrobora nosso cenário de política monetária. Seguimos projetando que o Banco Central realize cinco cortes consecutivos de 0,50 p.p. nos juros a partir deste mês, até que a taxa Selic atinja 12,50% em setembro. Veja aqui detalhes em nosso relatório Brasil Macro Mensal de março.
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Destaques da próxima semana
No cenário internacional, o mercado estará atento ao desenrolar do conflito militar no Oriente Médio. Na agenda econômica, os principais destaques da próxima semana serão os indicadores de inflação nos Estados Unidos, notadamente o CPI de fevereiro e o deflator do consumo pessoal (Core PCE) de janeiro, o indicador mais relevante para o Fed (banco central). Além disso, será divulgada a segunda leitura do PIB do quarto trimestre. Na China, no final de semana, serão publicados os índices de inflação ao consumidor e produtor de fevereiro.
No Brasil, o IPCA de fevereiro será divulgado pelo IBGE. Esperamos que a leitura confirme a composição desafiadora do IPCA-15, que trouxe números acima do esperado para os preços de serviços. Além disso, conheceremos as vendas no varejo (restrito e ampliado) e as receitas de serviços de janeiro. Veja nossas projeções abaixo.

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