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XP na Conferência de Crédito da Fitch

No evento "Fitch on Brazil - Credit Risk Forum 2022", realizado no dia 28 de setembro, especialistas da Fitch Ratings e palestrantes convidados apresentaram sua visão para o cenário de crédito corporativo de diversos setores no Brasil.

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No dia 28 de setembro, participamos do evento promovido pelo time de especialistas da Fitch Ratings, que contou com palestrantes da agência e convidados, com o objetivo de apresentar e discutir as perspectivas do mercado de crédito no Brasil. Confira a seguir os destaques da conferência.

Crédito Corporativo das Empresas Brasileiras

Visão Geral

As empresas analisadas pela Fitch Ratings apresentam, em sua maioria, perspectiva estável em seus ratings – cerca de 90% delas – indicando que não são esperadas elevações ou rebaixamentos nas notas no curto prazo.

A agência pondera que as eleições não devem ser um fator que traga impacto material às companhias, e também que já está refletidos nos ratings atuais o baixo nível de atividade esperado para 2023, com PIB de 0,8%.

Do ponto de vista de crédito, o portfólio das empresas cobertas, composto por 229 companhias listadas e 30 companhias de capital fechado, apresentam balanço saudável atualmente, com alavancagem em níveis considerados de baixo a moderado.

Além disso, é esperada uma melhora dos indicadores econômicos no curto prazo, com repasses de preços de uma inflação acumulada por quase dois anos, permitidos pelo maior índice de confiança do consumidor e menor nível de desemprego.

Outro ponto favorável é o acesso ao crédito. Diferentemente dos anos 2015-2016, quando a taxa de juros apresentava nível similar ao atual, a oferta permaneceu abundante mesmo em período eleitoral, levando a um baixo risco de refinanciamento dos passivos das empresas.

Os pontos de acompanhamento, que poderiam alterar a visão atual da agência, mas que não compõem o seu cenário base, são: a inflação e a taxa de juros elevadas por um longo período, por direcionarem a demanda e a rentabilidade das empresas; uma frustração na geração de caixa prevista; uma percepção de descontrole fiscal; e uma recessão global mais acentuada.

Setor Financeiro

Bancos

O desempenho dos bancos contrariou as expectativas mais conservadoras da Fitch ao apresentar resiliência dos resultados no pós-pandemia. Mesmo em um cenário de incertezas com PIB, inflação e emprego, que dificultam a capacidade dos bancos de gerar negócios e de manter a qualidade dos ativos, dentre os ratings de crédito atribuídos pela agência em uma cobertura de mais de 100 empresas, cerca de 95% apresentam perspectiva estável.

Os bancos grandes têm reportado ROE (sigla em inglês para retorno sobre o patrimônio) em torno de 20%, o que é um bom percentual. Os bancos menores apresentaram maior aperto nas margens, porém ainda com indicadores equilibrados.

No geral, a inadimplência tem se mostrado controlada em 2022, o que pode ser justificada pelo esforço dos bancos na renegociação de dívidas e do elevado nível de provisionamento feito em 2020, que não foi utilizado. Desta forma, espera-se que o ano de 2023 inicie com um bom ponto de partida, inferior ao patamar pré-pandemia, dando folga para absorver potenciais impactos de piora do indicador.

Fintechs

As fintechs vem aumentando a concorrência no setor financeiro, com um foco em jornada melhor para o cliente. A estratégia do setor prevê constante aporte de capital e aumento da base de clientes.

O Pix foi um divisor de águas para o setor, permitindo rápido aumento de volumes transacionados. Da mesma forma, o Open Finance também deve trazer menor volatilidade nos campos de custo financeiro e precificação.

Os desafios são o histórico da carteira de crédito ainda estar em construção, o que não permite uma análise estatística histórica da inadimplência. Além disso, é esperada uma consolidação do setor, com as empresas que estão mais longe do equilíbrio financeiro tendo que atentar-se à rentabilização em detrimento do crescimento, ou mesmo uma redução do valuation para atrair capital.

Seguros

O ano de 2020 foi um período de stress para o setor de seguros, tendo sido comprovada sua robustez pelo bom nível de capital e dos repasses realizados acima da inflação, em torno de 16%.

Atualmente, a maior cobertura vacinal contra o covid-19, os níveis de sinistralidade já voltaram a patamares históricos, e tem havido maior conscientização das pessoas e empresas na busca por seguros.

Como oportunidades, destacam-se o campo cibernético e seguro rural. Ainda que o Brasil não seja uma região comumente atingida por catástrofes, as adversidades climáticas podem ser um fator impulsionador.

FIDC’s – Fundos de Investimento em Direitos Creditórios

As operações estruturadas, como os FIDC’s, tem aumentado nos últimos anos, como uma fonte de captação de recursos. Apesar de seu custo inicial de estruturação, pode ser uma alternativa mais atrativa do ponto de vista do custo efetivo. Como exemplo, destacou-se que no mercado internacional, há FIDC’s com custo inferior ao de empréstimos bancários.

Com o mecanismo de securitização, que consiste no agrupamento de determinados ativos padronizados, é possível segregar níveis de risco e respectivas rentabilidades de acordo com o perfil do investidor, otimizando a captação.

Além disso, o novo marco regulatório da securitização de 2022 deve fomentar os aplicações nesta classe de ativo, com a retirada da limitação dos fundos de investirem no máximo 20% de seu Patrimônio Líquido em securitização.

Exportadoras

As empresas exportadoras de commodities são as mais expostas a um cenário de recessão global, com queda de demanda e consequente queda dos preços de seus produtos. No entanto, o setor se beneficiou no ano passado com os preços recordes das commodities, além de terem realizado emissões no mercado de capitais externo, gerando uma liquidez robusta para suportar uma eventual pressão de preços.

Saúde

O setor de saúde é altamente fragmentado e com moderada barreira de entrada. Apresenta demanda resiliente e crescente, com margens operacionais relativamente estáveis. Tem ocorrido um movimento de consolidação do setor, com cerca de R$ 18 bilhões movimentados em fusões e aquisições desde 2018, ocasionando um aumento da alavancagem, porém com a manutenção de uma liquidez robusta.

No geral, os ratings do setor tendem a ser elevados, com 16% apresentando perspectiva positiva, 61% estável e 23% negativa, de um total de 13 empresas dos segmentos hospitalar, operador de saúde e medicina diagnóstica.

No segmento hospitalar, o destaque é o retorno da taxa de ocupação dos leitos aos níveis pré-pandemia, com o avanço vacinal. Para as operadoras de saúde, tem ocorrido um retorno mais lento dos índices de sinistralidade, porém com recuperação esperada para o segundo trimestre deste ano com o reajuste de 15,5% já aprovado pela ANS – Agência Nacional de Saúde. Já em relação à medicina diagnóstica, há maior concorrência e menor ticket médio, sendo o principal desafio a otimização da estrutura de custos.

Varejo

O setor de varejo apresentou uma evolução considerável desde a pandemia, tendo hoje 75% dos 16 ratings cobertos pela Fitch perspectiva estável, quando em abril de 2020 cerca de 1/3 apresentava perspectiva negativa.

Durante a pandemia, poucas empresas estavam preparadas para o avanço do e-commerce. Além de ser mais competitivo, com descontos pressionando margens, há maior necessidade de capital de giro e investimentos materiais nos canais digitais, que ocasionam aumento nas despesas administrativas.

A partir do segundo trimestre de 2022, o varejo voltou a operar sem restrições, o que levou a uma recuperação gradual da receita. No entanto, a rentabilidade segue como desafio do setor, com necessidade de repasse de preços sendo um ponto de acompanhamento o último trimestre do ano, dada sua representatividade sazonal.

Saneamento

O setor de saneamento possui um forte perfil de crédito, com 12 das 15 empresas cobertas atingindo o intervalo mais elevado de rating na escala da Fitch (AA ou AAA). O caráter defensivo do setor foi evidenciado durante a pandemia, quando houve aumento do volume faturado, com crescimento médio esperado pela Fitch de 1,8% ao ano.

Algumas companhias apresentam perspectiva negativa em seus ratings devido ao atual momento de alavancagem, consequência das outorgas pagas e projetos novos em execução, no contexto do novo Marco Legal do setor. A Fitch estima que cerca de 25% da receita do saneamento advêm de contratos a vencer em menos de 10 anos, que deverão ir a leilão para a renovação da concessão, abrindo portas para privatizações.

Neste contexto, as empresas tem mostrado apetite para buscar novas oportunidades de crescimento, o que leva ao acompanhamento do capex intensivo, que é o grande consumidor da geração de caixa destas empresas. Também, o reajuste de tarifas pode apresentar morosidade em ano eleitoral, afetando diretamente a receita.

Um atenuante é o prazo longo de vencimento das dívidas, que comporta alavancagem maior pela menor pressão de liquidez, sem atingir o trigger de rebaixamento de ratings.

Energia Elétrica

O setor de energia elétrica é o maior setor de cobertura da Fitch dentre empresas corporativas, com 27 grupos cobertos. Deste total, 89% apresentam perspectiva estável, 7% positiva e apenas 4% negativa. No geral, trata-se de um setor defensivo, com bons ratings.

A crise hídrica afetou as companhias no ano passado, porém com recuperação neste ano, o que beneficia as empresas com matriz energética voltada a hidrelétricas, em detrimento das mais expostas à eólica.

Pontos de acompanhamento são o preço da energia no mercado livre, que em momento de sobre-oferta pode afetar a geração de caixa, além do nível de endividamento da empresa controladora.

Transportation: Aeroportos e Rodovias

No setor de transportes, notadamente aeroportos e rodovias, a visão dos convidados e especialistas da Fitch é de uma recuperação no final de 2022, com oportunidades para novos projetos, apesar do cenário macroeconômico adverso.

Em relação aos aeroportos, a partir de de junho/22 o número de voos ganhou força, atingindo cerca de 70% do usual em 2019. Os custos mais elevados para o setor, principalmente o combustível, tem se mostrado um dificultador, dado que o repasse de preços afeta a demanda em função de sua elasticidade.

Como oportunidades, destaca-se a baixa participação do setor de aeroportos no mercado de capitais, havendo espaço para tornar-se mais recorrente. Outro fator que poderia alavancar investimentos no setor, incluindo capital estrangeiro, é o Brasil tornando-se membro da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o que eliminaria restrições por parte de alguns fundos.

Já sobre as rodovias, há a previsão de novas concessões nas regiões norte e centro-oeste do Brasil, bem como oportunidades em rotas de escoamento de exportações agropecuárias e corredores de abastecimento locais, como de combustível e de mercados locais. A dinâmica destas regiões é diferente do sudeste, devido à correlação com o setor do agronegócio que, consequentemente, traz uma sazonalidade ao tráfego. Isto deve ser levado em consideração no momento da análise da viabilidade do projeto e também na definição do prazo de amortização da dívida.

Como ponto de atenção, destaca-se a maior pressão de custos que impactam os investimentos (capex) das concessionárias, com a inflação tendo sido aumentada em decorrência do conflito Rússia x Ucrânia.

Foi também discutido o ângulo ASG – Ambiental, Social e Governança para o setor de transportes:

  • “A” – Ambiental: apesar de o setor ser responsável por cerca de 25% das emissões de gás carbônico, aumentando para 70% se considerarmos apenas rodovias, pode haver oportunidades em combustíveis sustentáveis, como etanol e biodiesel, bem como veículos elétricos, placas solares e compensação de carbono.
  • “S” – Social: é o fator mais relevante, com foco no desenvolvimento econômico das regiões.
  • “G” – Governança: destacam-se os o reforço das políticas de compliance, dada a comum interação com o setor público.

Há também oportunidades de evolução em alguns tópicos, tais como estudos da cadeia de suprimentos, impacto das condições climáticas, disclosure de gerenciamento de riscos e diversidade no quadro de colaboradores.

Ainda neste contexto, as dívidas “verdes”, como Green Bonds e Suitainable Bonds, tem crescido e já representaram 6% das emissões globais em 2022, podendo ganhar tração no setor de transportes em geral.

Locadoras de Veículos

Todas as 9 empresas locadoras de veículos que compõem o portfólio da Fitch apresentam perspectiva estável, com 4 emissores atingindo a mais elevada nota AAA (em escala nacional).

A volta do aluguel de veículos corporativos e do turismo após a pandemia foram fatores que beneficiaram a expansão das margens operacionais e o aumento do retorno do capital investido, tendo atingido 80% de taxa de ocupação, acima da média histórica.

Por ser um setor intensivo em capital, devido à constante aquisição de frota, a elevação da taxa de juros pode ser um fator de acompanhamento, mas que tem sido compensada com o reajuste de preços dos contratos de aluguel. Como exemplo, o aumento médio das tarifas de aluguel foi de 20% para veículos e acima de 10% para máquinas e equipamentos. Ao mesmo tempo, o aumento das taxas de juros pode ser uma oportunidade, incentivando a demanda pelo aluguel ao invés da aquisição de veículos.

Neste sentido, a Fitch espera que a estrutura de capital das empresas do setor permaneça equilibrada e alavancagem controlada, o que justifica a atual perspectiva dos ratings atribuídos.

Acompanhe aqui nossos relatórios de análises de bancos e empresas

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