Radar ESG | Quão sustentáveis são as empresas de e-commerce? Uma análise ESG dessas gigantes

Ao longo deste relatório, fazemos uma análise ESG do setor de e-commerce e destacamos como as empresas brasileiras desse setor dentro do nosso universo de cobertura (Via Varejo, Magazine Luiza, Lojas Americanas e B2W) estão posicionadas quando o tema é ESG.


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As vendas do e-commerce no Brasil cresceram consideravelmente nos últimos anos, ao mesmo tempo em que a COVID-19 impulsionou o aumento das compras online, e esperamos que pelo menos uma parte desses novos comportamentos de consumo permaneça após a pandemia. No entanto, olhando através das lentes ESG, também esperamos que esse movimento leve ao surgimento de potenciais desafios e acreditamos que vale a pena ter isso em mente. Para as empresas de e-commerce, vemos o pilar Social como o mais importante, seguido pelo de Governança e Meio Ambiente, respectivamente.

Vemos a B2W e a Via Varejo se destacando em relação aos pares, principalmente na frente Social, enquanto também destacamos (i) a melhoria na governança da VVAR após a reestruturação da gestão ocorrida em meados de 2019 e (ii) as operações neutras em carbono da BTOW. Para a Magazine Luiza vemos a governança corporativa da empresa como um diferencial e destacamos os grandes esforços da Magalu para abraçar a igualdade de gênero por meio de mulheres na liderança. Por fim, reconhecemos positivamente os compromissos da Americanas na agenda ESG, no entanto, vemos espaço para melhorias adicionais, principalmente na frente de Governança.

Neste relatório, destacamos os principais tópicos ESG que vemos como os mais importantes para o setor e analisamos como as empresas sob o universo de cobertura da XP (VVAR3, MGLU3, LAME4 e BTOW3) se posicionam quando o tema é ESG.


Crescimento no e-commerce aumenta a necessidade de considerar os impactos ESG

As vendas no segmento de e-commerce no Brasil cresceram a uma taxa anual composta (CAGR) estimada de 22,6% nos últimos 10 anos, ao mesmo tempo em que a COVID-19 e as restrições aos espaços físicos aumentaram as compras online e esperamos que pelo menos uma parte desses novos comportamentos de consumo permaneçam após a pandemia. No entanto, olhando através das lentes ESG (do termo em inglês Environmental, Social and Governance), também esperamos que esse movimento leve ao surgimento de potenciais desafios para as empresas do segmento e acreditamos que vale a pena ter isso em mente. Para essas companhias, vemos a frente Social como a mais importante das três, seguida pelos pilares de Governança e Meio Ambiente, respectivamente. Abaixo, destacamos os tópicos ESG comuns entre as empresas de e-commerce, em uma perspectiva setorial.

Ambiental

Poucas são as pessoas que conseguem resistir à compra de itens através de um clique de um botão, mas fato é que o crescimento do e-commerce levou ao aumento, não desprezível, do uso de embalagens de plástico e papel. Além disso, mover essas entregas direto para a porta dos clientes requer vários veículos com destinos específicos, o que acarreta em um impacto ambiental considerável associado ao transporte rápido e em grande escala desses pacotes, aumentando, assim, as emissões de carbono em todo o mundo. Dado que a complexidade da logística aumentou para a maioria das varejistas, as regulamentações em relação às emissões de gases do efeito estufa (GEEs) são um risco ambiental de longo prazo, que inclui desde uma regulamentação mais rígida no que se refere à quantidade de emissões, até o custo para cumprir essas regras e o impacto nas opções ideais de entrega ao cliente.

Tudo isso levanta uma questão importante: quem é o responsável pela poluição relacionada ao consumo? O consumidor deve comprar menos e buscar (e apenas se envolver com) opções ecologicamente corretas ou as empresas devem assumir o papel de entidades sustentáveis ​​em primeiro lugar? Na nossa visão, considerando que as empresas de e-commerce estão envolvidas em atividades que contribuem diretamente para as mudanças climáticas e a degradação ambiental, elas devem, sim, ser mais responsáveis.

Dito isso, notamos que as diferentes companhias do setor então trabalhando e focando esforços na busca de soluções para esses desafios, com as empresas brasileiras evoluindo para aprimorar essas questões. No entanto, ainda há um longo caminho pela frente – em nossa opinião, as empresas precisam concentrar seus esforços naquilo que é mais material para as mesmas – em outras palavras, aquilo que é mais relevante – e definir metas em relação ao impacto ao meio ambiente que sejam equivalentes ou superiores à taxa de crescimento da empresa. Se essas metas de desempenho ambiental ficarem aquém disso, a companhia não está fazendo o suficiente para impedir o impacto ambiental gerado por sua própria existência, muito menos contribuindo para o bem-estar do mundo como um todo.

Social

O setor de varejo de consumo discricionário é muito intenso em mão de obra, ou seja, possui um grande quadro de funcionários – de acordo com a MSCI, a média global da indústria é de +65 mil funcionários. Assim, a gestão da mão de obra é um tema chave quando se trata do pilar Social, sendo essa questão ainda mais importante e desafiadora considerando que o avanço do mundo digital e da tecnologia estão mudando o cenário do varejo. Dito isso, alguns dos principais riscos que as varejistas precisam gerenciar incluem a qualidade da força de trabalho que atende ao cliente, a capacidade da organização de executar mudanças e a saúde, segurança e benefícios da força de trabalho direta e indireta da varejista, por meio da transparência da cadeia de suprimentos.

Ainda no pilar Social, outro tópico importante se refere à segurança e privacidade de dados. O aumento da posse de dados adquiridos online, somado ao reforço das regulamentações de privacidade, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), deixam claro a necessidade das empresas varejistas guardarem de forma eficaz e segura os dados dos consumidores – caso contrário, elas estão expostas a um risco que aumenta cada vez mais. De acordo com a MSCI, apenas 10% das empresas que compõem o índice MSCI ACWE tinham planos proativos de resposta a incidentes ou violação de dados em 2018, enquanto que em 2019 esse percentual passou para 27%. E a pergunta que precisamos fazer é: as varejistas de comércio eletrônico brasileiras estão prontas?

Governança

Conforme já mencionamos em nossos relatórios, o pilar de Governança corporativa é um tema chave padrão para todas as empresas, independente do setor de atuação. Em se tratando das empresas de e-commerce, reconhecemos positivamente que tanto a Magazine Luiza, Via Varejo e B2W possuem suas ações listadas no Novo Mercado, o mais alto padrão de governança corporativa do mercado brasileiro, enquanto as ações das Lojas Americanas estão listadas no Nível 1 de governança corporativa da B3. No que se refere ao Conselho de Administração dessas companhias, destacamos que a MGLU e VVAR possuem maioria independente (4 e 3 membros independentes, dos 7 e 5 membros, respectivamente), enquanto os Conselhos de LAME e BTOW carecem de maioria independente. Por fim, no que diz respeito à diversidade, vemos a Magazine Luiza se destacando em relação aos pares, com mulheres representando 43% do Conselho de Administração da empresa, além de uma presidente mulher – Sra. Luiza Helena Trajano. Por outro lado, notamos que o Conselho da Via Varejo não possui mulheres, enquanto o da LAME e da BTOW possuem apenas 1 mulher dentre os 7 membros, o que nos leva a ver espaço para melhorias.


Via Varejo (VVAR3): Reestruturação também surte impactos positivos em ESG; Governança é destaque

Vemos como positivos os esforços da Via Varejo na agenda ESG e reconhecemos com bons olhos o nível de divulgação da empresa, com a companhia possuindo um relatório de sustentabilidade desde 2016. No pilar Ambiental, destacamos o compromisso da Via Varejo em incorporar estrategicamente os conceitos da economia circular em suas operações, ao mesmo tempo em que vemos a empresa bem posicionada na frente Social, com fortes programas de gestão de colaboradores e diversas ações de fortalecimento das comunidades locais, programa voluntário organizado e formação e desenvolvimento de empreendedores. Por fim, no que diz respeito à Governança, saudamos a reestruturação da gestão da Via Varejo ocorrida em meados de 2019 e reconhecemos que avanços foram feitos desde então.

Ambiental

Reconhecemos positivamente o compromisso da Via Varejo em incorporar estrategicamente os conceitos da economia circular em suas operações, com quatro iniciativas que vemos como importantes:

(i) reciclagem, com destaque para o REVIVA, o maior programa de reciclagem do varejo brasileiro – em 2019, foram mais de 10.000 toneladas de materiais recicláveis coletados;

(ii) logística reversa, como por exemplo via a instalação nas lojas da Via Varejo de cem novos pontos de coleta de eletrônicos usados;

(iii) operações de baixo carbono, com destaque para: a obrigatoriedade do uso do etanol para abastecer toda a sua frota de 150 veículos corporativos; a utilização da navegação de cabotagem como forma de substituição ao rodoviário; e a incorporação de critérios de ecoeficiência na construção de novas lojas (espaços dedicados a REVIVA, sistemas de ar condicionado com gases ecológicos, iluminação LED e acessibilidade); e

(iv) consumo de energia, comprando energia de média tensão no Mercado Livre e aumentando o uso de energia de fontes renováveis – a Via Varejo possui a meta de adquirir 80% do consumo de energia de média tensão de fontes renováveis ​​até 2022 (a iniciativa faz parte do plano de Gestão de Energia da Via Varejo, que busca implantar modelos e processos baseados na ISO 50:001 e nos Sistemas de Informação de Gestão de Energia).


(iv) consumo de energia, comprando energia de média tensão no Mercado Livre e aumentando o uso de energia de fontes renováveis – a Via Varejo possui a meta de adquirir 80% do consumo de energia de média tensão de fontes renováveis ​​até 2022 (a iniciativa faz parte do plano de Gestão de Energia da Via Varejo, que busca implantar modelos e processos baseados na ISO 50:001 e nos Sistemas de Informação de Gestão de Energia).

Social

i. Gestão de mão de obra: A Via Varejo tem mais de 50 mil funcionários, e destacamos os sólidos programas da empresa no que se refere à gestão de sua força de trabalho, incluindo iniciativas de engajamento, como por exemplo pesquisas anuais junto aos funcionários e pacotes de benefícios competitivos que podem ajudar na retenção. Em se tratando de diversidade de gênero, as mulheres representam 47% da força de trabalho da Via Varejo – 34% quando considerados apenas os cargos de liderança.

ii. Padrões Trabalhistas na Cadeia de Suprimentos: Em 2019, a Via Varejo contava com 37.619 fornecedores cadastrados localizados em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal. Os principais fornecedores diretos da companhia – com contrato permanente ou terceiros – são divididos em três grupos: lojas físicas, lojas online e outros fornecedores. Todos os fornecedores da Via Varejo conhecem o Código de Conduta Ética e se comprometem a cumpri-lo ao assinarem o contrato com a empresa, incluindo as prestadoras de serviços. Além disso, dependendo do tipo de produto ou serviço, os fornecedores devem apresentar certificações socioambientais para garantir o cumprimento de todas as leis e regulamentações de seu setor, além de elevados padrões de qualidade.

iii. Privacidade e segurança de dados: Além da potencial violação de dados nos portais de varejo, o aumento das vendas online e fortalecimento dos regulamentos de privacidade, acaba expondo as varejistas à maiores riscos de conformidade e reputação. Neste tópico, de acordo com o MSCI, o escopo de treinamento em privacidade e segurança de dados de funcionários da Via Varejo parece mais limitado do que o de seus pares com melhor desempenho.

Governança

Em meados de 2019, a Via Varejo reestruturou sua gestão, e diversas mudanças aconteceram. O primeiro passo foi indicar um novo CEO, Roberto Fulcherberguer, que era membro do Conselho de Administração da empresa. Após a criação de um novo Conselho, que foi eleito de julho a setembro de 2019, toda a alta administração da empresa e a equipe executiva dos departamentos internos foram substituídas, com a renovação de 77 cargos de liderança. Em nossa visão, saudamos a reestruturação da gestão da Via Varejo e reconhecemos que avanços foram feitos desde então.

As ações da Via Varejo (VVAR3) são listadas no Novo Mercado e o Conselho de Administração da companhia atualmente conta com uma maioria independente, o que vemos como positivo, pois permite que a empresa cumpra com mais eficácia sua função crítica de supervisionar a gestão em nome dos acionistas. Por outro lado, vale a pena mencionar que o Conselho da VVAR não inclui atualmente uma auditoria e um comitê de remuneração totalmente independente, o que acaba sendo uma preocupação para os investidores. Em relação à diversidade, vemos grande espaço para melhorias, devido à ausência de mulheres.

MSCI ESG Ratings

A Via Varejo possui classificação BBB pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação BBB coloca VVAR dentre os 23% de empresas com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI em Varejo – Consumo Discricionário (86 empresas).


Magazine Luiza (MGLU3): Modelo de igualdade de gênero

Vemos a Magazine Luiza se destacando em relação aos seus pares principalmente no pilar de Governança, com destaque para os fortes esforços da empresa para abraçar a igualdade de gênero por meio das mulheres na liderança – o Conselho da MGLU tem mais de 40% de mulheres (3 dos 7 membros). Além disso, uma mulher é presidente do Conselho, o que coloca a MGLU entre as 14 de 221 empresas brasileiras que têm mulheres ocupando esse cargo, e entre as apenas 10 companhias que possuem 3 ou mais mulheres no Conselho. Na frente Social, saudamos os esforços da MGLU para alcançar a igualdade de gênero e raça em sua força de trabalho, enquanto vemos espaço para melhorias no que diz respeito à Privacidade e Segurança de Dados. Por fim, no pilar Ambiental, reconhecemos positivamente as iniciativas da empresa para reduzir sua pegada de carbono, apesar de acreditarmos que mais precisa ser feito para reduzir as emissões de CO2 da empresa.

Ambiental

Apesar dos esforços da MGLU para rastrear suas emissões de gases de efeito estufa (GEEs) – a companhia possui um inventário de emissões de GEE desde 2018 – vemos espaço para melhorias quando se trata de iniciativas para reduzir essas emissões. Comum no setor varejista, o principal impacto da Magalu relacionado aos gases de efeito estufa refere-se ao transporte dos produtos comercializados, que responde por cerca de 60% do total das emissões na cadeia de valor da empresa. Vale a pena mencionar que, segundo a companhia, esforços estão sendo feitos neste tema, como a melhoria na logística e o uso de combustíveis menos poluentes.



No entanto, a emissão total da empresa quase dobrou de 2018 a 2019, levando-nos a concluir que mais precisa ser feito para endereçar esse desafio. Como mencionamos anteriormente, os maiores riscos para as varejistas advêm de um cenário de impactos mais intensos das mudanças climáticas, como novas restrições ao trânsito de caminhões nas grandes cidades, prazos de entrega comprometidos, custos logísticos e outras questões regulatórias.

Operando em todo o Brasil com mais de 1.000 pontos físicos, 18 centros de distribuição (CDs) e escritórios em diferentes estados, o uso de embalagens da MGLU não pode ser negligenciado. Com o auxílio da consultoria especializada Triclos, foi realizado em meados de 2019 um inventário dos resíduos gerados por suas operações e algumas iniciativas já estão em andamento, como o tratamento da gestão de resíduos nos CDs da empresa, com a separação dos materiais, como papelão e plástico, e consequente geração de receita com a venda desses resíduos para recicladores. No entanto, apesar das iniciativas atuais da Magalu, a gestão de resíduos exigirá maiores esforços da empresa no futuro.

Social

i. Gestão da mão de obra: a Magazine Luiza tem mais de 40 mil funcionários e foi eleita duas vezes a melhor empresa de varejo para se trabalhar pelo instituto Great Place to Work (2018 e 2019). Em relação à diversidade de gênero, destacamos que 50,4% dos colaboradores são mulheres e vemos com bons olhos os esforços da empresa para alcançar a equidade de gênero em cargos de liderança e áreas majoritariamente masculinas. Além disso, quando se trata de diversidade racial, vemos como positivo o anúncio da Magalu em relação ao programa de trainees exclusivo para candidatos negros.

ii. Normas Trabalhistas na Cadeia de Suprimentos: Todas as empresas que trabalham com a Magazine Luiza passam por um processo de cadastramento, incluindo a apresentação de documentos como contrato social, autenticação do CNPJ e, em alguns casos, verificação de integridade pelo Compliance, Integridade e PLD (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo).

iii. Privacidade e Segurança de Dados: Com a aquisição da Netshoes, varejista online de artigos esportivos e roupas (em junho de 2019) e com o aumento das vendas online da Magazine Luiza frente à pandemia da COVID-19, a exposição da empresa aos riscos relacionados à segurança de dados também aumentou. No entanto, notamos que a empresa divulga práticas limitadas de segurança de dados ou treinamento de funcionários nesse tema.

Governança

A Magazine Luiza é controlado pela Família Trajano e Garcia (58%), com ações da empresa (MGLU3) listadas no Novo Mercado, o mais alto padrão de governança corporativa do mercado brasileiro. O Conselho de Administração da Magalu tem uma maioria independente (4 de 7 membros), o que vemos como positivo.

Quando se trata da diversidade do Conselho, a Magalu é uma clara vencedora, com destaque para os fortes esforços da empresa para abraçar a igualdade de gênero por meio das mulheres na liderança – o Conselho da MGLU tem mais de 40% de mulheres (3 dos 7 membros). Além disso, a cadeira de presidente do Conselho é ocupada por uma mulher, o que coloca a Magalu entre as 14 empresas brasileiras, de 221, que têm mulheres ocupando esse cargo e entre as apenas 10 companhias que possuem 3 ou mais mulheres no Conselho, de acordo com a Teva Índices*.

* Teva Índices – Critérios de elegibilidade do estudo: (i) FreeFloat: Não são consideradas empresas que tenham menos de 1,0% de suas ações em circulação; (ii) Market Cap: Não são consideradas empresas que tenham capitalização de mercado menor do que R$300 milhões.

MSCI ESG Ratings

A Magazine Luiza possui classificação B pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação B coloca a MGLU entre os 14% de empresas com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI em Varejo – Consumidor Discricionário (86 empresas).


Lojas Americanas (LAME4): Espaço para melhorias quando se trata de Governança

Reconhecemos positivamente os compromissos da Americanas dentro da agenda ESG, com destaque para o Comitê de Sustentabilidade da empresa, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 proposta pela ONU. No entanto, vemos espaço para melhorias, tanto no pilar Social, visto que a falta de iniciativas de engajamento pode limitar sua capacidade de abordar questões relacionadas à segurança no trabalho, quanto no de Governança – as ações da empresa estão listadas no Nível 1 de Governança Corporativa da B3 e o Conselho de Administração da empresa carece de maioria independente. Isso, juntamente com a estrutura de propriedade controlada por uma família (61% dos direitos de voto) e várias classes de ações com diferentes direitos de voto, pode levantar preocupações para os acionistas minoritários.

Ambiental

Vemos a Universo Americanas bem posicionada na frente Ambiental, com destaque para o fato da empresa, pelo décimo ano consecutivo, ter realizado um inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEEs), seguindo as diretrizes do Programa Brasileiro GHG Protocol. Além disso, a empresa compensou suas emissões de GEEs, em relação aos Escopos 1 e 2 do ano de 2018, tornando suas operações neutras em carbono – tal processo foi realizado em parceria com a Biofílica, empresa especializada na conservação de florestas, por meio da aquisição de créditos de carbono de projetos REDD + (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) Jari-Pará localizados na Floresta Amazônica.



É importante ressaltar que apesar de reconhecermos positivamente as iniciativas atuais da empresa no sentido de minimizar a intensidade das emissões de GEE no negócio (como o aumento do uso de energias renováveis ​​e de baixo impacto), observamos um aumento nas emissões, o que nos leva a concluir que ainda há espaço para mais esforços neste tema.

Social

i. Gestão de mão de obra: Em 2019, pelo segundo ano consecutivo, a Americanas conquistou a Certificação Great Place to Work (GPTW). Saudamos as iniciativas da empresa em relação à implementação de medidas de saúde e segurança nas lojas para seus funcionários em meio à pandemia da COVID-19, no entanto, a falta de iniciativas de engajamento pode limitar sua capacidade de resolver questões relacionadas à segurança no trabalho.

ii. Padrões de Trabalho na Cadeia de Suprimentos: Para atender às necessidades de seus clientes com um sortimento diversificado, a Universo Americanas conta com mais de 2 mil fornecedores nacionais e internacionais. Segundo a empresa, todos os fornecedores devem adotar rígidos padrões de qualidade e rotulagem de acordo com seu Código de Ética e Conduta, atendendo aos requisitos estabelecidos em sua Política de Fornecedores, a fim de construir um relacionamento saudável e duradouro, baseado na ética e transparência. Para fornecedores Têxteis, a empresa exige a Certificação ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), enquanto para fornecedores Alimentares e Não Alimentares, a Universo Americanas possui as certificações ISO 2200 e ISO 9001: 2015, respectivamente.

iii. Privacidade e segurança de dados: Com a crescente preferência dos consumidores por compras online, somado à maior rigidez em termos de regulamentações em relação à segurança de dados, com a Lei Geral de Proteção de Dados, a Universo Americanas enfrenta riscos de possíveis violações de dados. Ainda assim, a empresa parece carecer de fortes medidas de proteção de dados, como auditorias de sistemas de TI e treinamento de pessoal de segurança cibernética.

Governança

As ações da empresa estão listadas no Nível 1 de Governança Corporativa da B3 e o conselho da Americanas carece de uma maioria independente. Isto, juntamente com a estrutura de propriedade controlada por uma família (61% dos direitos de voto) e várias classes de ações com diferentes direitos de voto, pode levantar preocupações para os acionistas minoritários. Em relação à diversidade, apesar de reconhecermos positivamente que a Universo Americanas é signatária dos Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU (WEPs, na sigla em inglês), notamos que o Conselho da empresa possui apenas 1 mulher – Sra. Vanessa Claro Lopes, membro independente.

Por fim, destacamos positivamente a existência de um Comitê de Sustentabilidade, que foi criado em 2007 e tem o compromisso de definir a estratégia e as diretrizes para a sustentabilidade empresarial, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 propostos pela ONU.

MSCI ESG Ratings

A Lojas Americanas possui classificação B pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação B coloca a LAME entre os 14% das empresas com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI no Varejo – Consumidor Discricionário (86 empresas).


B2W (BTOW3): Operações neutras em carbono com uma mulher liderando o Conselho

Vemos a B2W bem posicionada nas frentes Social e Ambiental, com destaque para (i) as iniciativas da empresa para compensar suas emissões de gases do efeito estufa, o que torna as operações da B2W neutras em carbono, e (ii) práticas robustas de gestão da sua força de trabalho. No pilar de Governança, a Americanas detém 65,5% do capital da empresa, sendo acionista controlador, o que pode levantar preocupações em relação à transações com partes relacionadas, ao mesmo tempo em que o Conselho de Administração da B2W carece de maioria independente. Em relação à diversidade, embora haja apenas 1 mulher no Conselho da empresa, reconhecemos positivamente que a cadeira de presidente do Conselho da B2W é ocupada por uma mulher – Sra. Anna Christina Ramos Saicali – o que posiciona a B2W, junto com a Magazine Luiza, entre as 14 empresas brasileiras, de 221, que possuem mulheres ocupando esta posição.

Fundada em 2006 e com atuação no setor privado, a B2W é uma Empresa Digital, líder na América Latina e é a plataforma digital da Universo Americanas, sendo a empresa sua controladora. Assim, muitas das iniciativas já mencionadas da LAME para aprimorar a agenda ESG (veja mais acima) são aplicadas à B2W.

Ambiental

Conforme mencionamos, a Universo Americanas e, consequentemente, a B2W, pelo décimo ano consecutivo, realizaram um inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE), seguindo as diretrizes do Programa Brasileiro GHG Protocol. Assim como a LAME, o BTOW compensa suas emissões de GEE, o que torna as operações da B2W neutras em carbono. No geral, a compensação da B2W e de sua controladora Americanas contribuiu para evitar 1,4 milhão de tCO2 de emissões por ano, além de apoiar a conservação de 1,1 milhão de hectares da Floresta Amazônica.

Saudamos as iniciativas da B2W para mitigar os impactos de sua operação e reconhecemos as conquistas da empresa: (i) em suas emissões diretas (Escopo 1), cuja principal fonte é o consumo de gasolina e diesel referente à frota direta, responsável pelas entregas, a B2W teve aumento de 40%, devido ao aumento de 141% na base de vendedores atendidos na B2W Delivery; (ii) a empresa inaugurou três novos Centros de Distribuição em 2019 e aumentou o consumo de energia em apenas 1%, mantendo as emissões indiretas de Escopo 2 estáveis; e (iii) em relação ao Escopo 3, em que mede as emissões das viagens realizadas por seus associados, a B2W teve redução de 2%.

Social

i. Gestão de mão de obra: a B2W enfrenta complexidades de gestão de mão de obra relativamente baixas, dada sua pequena força de trabalho de ~9 mil funcionários (vs. a média global da indústria de +65 mil funcionários de acordo com a MSCI). Mesmo assim, a empresa mantém programas robustos de gestão de mão de obra, que recebemos positivamente. Além disso, destacamos os esforços da B2W para aprimorar a igualdade de gênero, sendo signatária dos Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs, na sigla em inglês) da ONU.

ii. Normas Trabalhistas na Cadeia de Suprimentos: Vemos a Americanas e, consequentemente, a B2W, bem posicionadas nesse assunto, dada a política formal da Cadeia de Suprimentos da empresa, somado à auditoria de seus fornecedores para avaliação de compliance (veja acima mais detalhes sobre a Política de Fornecedor da Americanas).

iii. Privacidade e segurança de dados: A B2W opera seu negócio de varejo online por meio de múltiplos canais, como o aplicativo Ame, uma loja online e uma plataforma de pagamento integrada; isso a expõe ao risco de violação de dados. Além disso, a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil aumenta os riscos regulatórios relacionados à segurança de dados. Para mitigar isso, a B2W adota medidas proativas, como iniciativas anti-phishing e antifraude, além de medidas regulares de monitoramento do sistema de dados, o que vemos como positivo. De acordo com a MSCI, essas iniciativas para abordar a privacidade e segurança de dados parecem mais fortes do que seus pares globais.

Governança

As ações da B2W (BTOW3) estão listadas no Novo Mercado e o Universo Americanas detém 65,5% do capital da empresa, o que pode levantar preocupações em relação à transações com partes relacionadas com seu acionista controlador. Somado a isso, o Conselho de Administração da B2W ainda carece de maioria independente (3 dos 7 membros, sendo os outros 4 representantes de seu acionista controlador).





No que diz respeito à diversidade, embora haja apenas 1 mulher no Conselho da empresa, reconhecemos positivamente que a mesma ocupa o cargo de presidente do Conselho da B2W – Sra. Anna Christina Ramos Saicali – o que posiciona a B2W, junto com a Magazine Luiza, entre as 14 empresas brasileiras, de 221 companhias, que possuem mulheres ocupando este cargo de acordo com a Teva Índices*.

* Teva Índices – Critérios de elegibilidade do estudo: (i) FreeFloat: Não são consideradas empresas que tenham menos de 1,0% de suas ações em circulação; (ii) Market Cap: Não são consideradas empresas que tenham capitalização de mercado menor do que R$300 milhões.

Por fim, vale destacar que o Comitê de Sustentabilidade da Universo Americanas, criado em 2007, também atua na B2W, tendo como objetivo definir a estratégia e as diretrizes para a sustentabilidade da empresa, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 proposta pelas Nações Unidas.

MSCI ESG Ratings

A B2W possui uma classificação BBB pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação BBB coloca a BTOW entre os 23% das empresas com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI em Varejo – Consumidor Discricionário (86 empresas).


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