Cúpula de Líderes sobre o Clima: Tecnologia, economia e agenda verde centralizam as discussões no segundo dia do evento

No segundo e último dia da Cúpula do Clima, convocada por Joe Biden, o papel da inovação tecnológica na agenda climática e o vínculo da criação de empregos com a transição verde são os destaques.


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O segundo dia da Cúpula do Clima, evento que mobilizou mais de 40 líderes mundiais, reunindo países economicamente, culturalmente e socialmente diferentes, teve foco em tecnologia e economia. Dentre os nomes presentes ao longo do dia, estavam: Bill Gates, fundador da Microsoft, Michael Bloomberg, enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Soluções Climáticas, primeiros-ministros de Israel, Dinamarca, Quênia, Noruega, Singapura e Emirados Árabes, dentre outros líderes.

E o evento começou com tom otimista. John Kerry, que foi candidato à presidência pelo Partido Democrata em 2004 e enviado especial do governo americano para questões ambientais, elogiou a participação de chefes de Estado no evento e disse ter ouvido “discursos inspiradores”, e ainda complementou: “acho justo dizer que há um novo começo”. Para Kerry, o mundo está se movendo e o dia de ontem evidenciou o cenário em que governos e mercados estão sintonizados com a urgência em adotarmos as ações necessárias para limitar o aumento da temperatura global em 1,5°C e cumprir os objetivos do Acordo de Paris.

De forma geral, o segundo dia da Cúpula do Clima deixou três principais mensagens:
(i) a mudança climática é tecnologicamente complexa e nenhuma tecnologia, sozinha, é a resposta;
(ii) avançar na agenda climática traz grandes oportunidades econômicas, com destaque para o potencial de geração de empregos; e
(iii) existe um benefício global advindo da cooperação internacional – reforçando, assim como no primeiro dia, o consenso a cerca da importância da cooperação global para o combate aos efeitos da mudança climática.

Ao longo deste relatório, destacamos os principais tópicos abordados durante o segundo e último dia da Cúpula de Líderes sobre o Clima.


O papel e a importância da inovação tecnológica

A primeira sessão do segundo e último dia da Cúpula do Clima destacou o papel que a inovação tecnológica tem para alcançar uma economia resiliente e bem sucedida na agenda climática. A importância de acelerar o investimento público e privado em inovação climática é evidente, assim como a existência de enormes oportunidades econômicas na construção das indústrias do futuro.

John Kerry já havia dito no primeiro dia de evento que mais da metade da redução de emissões dos EUA precisaria vir de tecnologias ainda não disponíveis comercialmente.

Nessa mesma linha, Bill Gates, fundador da Microsoft, afirmou que a mudança climática é uma questão incrivelmente complexa, explicando que o motivo de não ser possível utilizar apenas as tecnologias disponíveis atualmente para cumprir as metas ambientais advém do fato de que as tecnologias de carbono zero, hoje, são mais caras do que suas contrapartes de combustível fóssil.

São necessários novos produtos de carbono zero que sejam acessíveis. Para isso, Gates destacou três pontos que precisam ser atingidos: “primeiro, desenvolver e implantar tecnologias inovadoras que permitam eliminar as emissões em toda a economia física; segundo, aproveitar os mercados de energia para financiar e implantar essas inovações, encontrando maneiras criativas de “bancar” essas tecnologias e nivelar o campo de jogo para que possam competir com os combustíveis fósseis; e, por fim, governos e empresas precisam adotar políticas que tornem mais rápida e barata a transição, e os líderes precisam recompensar aqueles que tomam medidas mais desafiadoras. Para realizar essas três coisas, a cooperação internacional será essencial.”

Na última sessão da cúpula, Joe Biden também reforçou esse ponto, afirmando que o investimento em tecnologia é necessário. Nas palavras do presidente norte americano, “todos os países precisarão investir em novas tecnologias de energia limpa à medida que avançamos”, mas “nenhuma tecnologia sozinha é a resposta. Todo setor exige inovação para atender a esse momento”.

Também na liderança de negócios, Michael Bloomberg, trouxe para a pauta um tema que muito se discute: a evolução necessária nos dados relacionados ao clima. Primeiro, Michael contou o que a Bloomberg, empresa no qual é fundador, vem fazendo em termos de filantropia em auxílio às questões climáticas. A companhia tem trabalhado para ajudar o mercado a movimentar mais capital para projetos verdes, sendo transparente com relação aos riscos e oportunidades no que diz respeito ao meio ambiente.

Segundo ele, a força-tarefa sobre divulgações financeiras relacionadas ao clima estabelece padrões que ajudam as empresas a gerenciar riscos e que capacitam os investidores a direcionar mais capital para as empresas que estão liderando o caminho – e não poderíamos concordar mais. Conforme já mencionamos, vemos a padronização das divulgações e métricas ESG como uma evolução necessária. E Michael complementa, reforçando que a tecnologia traz suporte às ações climáticas, ao providenciar informações de dados históricos relacionados ao tema para que investidores, empresas e governos possam tomar decisões inteligentes.

Os benefícios econômicos advindos do combate às mudanças climáticas

O combate aos desafios climáticos requer investimento em inovação, mas, também, requer investimento em resiliência climática e infraestrutura, que, por sua vez, geram oportunidades de emprego. E essa foi outra das discussões-chave na Cúpula do Clima, onde os líderes globais exploraram os amplos benefícios econômicos da ação climática, com um forte foco na criação de empregos.

Para John Kerry, “o mercado principal da história está se abrindo diante de nossos olhos e vai gerar milhões de empregos bem pagos, principalmente nos países que estiverem abertos a essa agenda”. Para ele, a nova agenda climática traz oportunidades econômicas, com principal destaque para o potencial de criação de empregos em um futuro próximo. Para Biden, é assim que nação norte americana pretende construir uma economia que dê a todos uma chance justa.

Reforçando o vínculo da criação de empregos com a transição verde para um mundo livre de emissões de gases do efeito estufa, Jennifer M. Granholm, secretária de Estado de Energia, colocou: “O debate não é economia ou clima, vamos criar trabalho para milhões de pessoas”.

A quarta revolução industrial

No final da primeira sessão, John Kerry expressou o quão fascinante foi unir os líderes do Israel, Dinamarca, Quênia, Noruega, Singapura e Emirados Árabes – sendo cada um desses países menor do que as 20 nações que correspondem à 81% de todas as emissões de gases do efeito estufa. Ou seja, países cujas emissões são pequenas no relativo do mundo, mas que, assim como os grandes emissores, também enfrentam desafios climáticos e, mais do que isso, estão comprometidos na missão maior de buscarmos uma economia de baixo carbono.

Por fim, Joe Biden, em um discurso que não fazia parte do roteiro, disse que nós estamos vivendo a quarta revolução industrial e destacou: “cada líder empresarial, líder trabalhista, líderes de todas as partes do mundo que estiveram presentes falaram sobre a necessidade de cooperação mundial e como ela gera um benefício global”.

Com uma fala inspiracional, John Kerry encerra sua participação no evento: “Portanto, se alguma vez houve um destaque, uma importância, em relação aos diferentes desafios que enfrentamos, aqui, algo emocionante está acontecendo. Coisas inacreditáveis acontecem.”

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