Banco Central reduz a taxa Selic para 4,50% a.a., mas sinaliza cautela em seus próximos passos

Continuamos acreditando que o Banco Central ainda tenha espaço para reduzir a taxa Selic para 4,25% em sua próxima reunião, mas reconhecemos que o cenário de juros a 4,50% também é um cenário provável.

access_time 11/12/2019 - 19:49
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O Banco Central do Brasil decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,50%, em linha com a nossa expectativa, com o consenso de mercado (Bloomberg) e com a orientação explícita da última reunião, que enfatizou que o BC forneceria “um ajuste adicional da mesma magnitude”. Assim, a taxa Selic está agora em 4,50%, renovando sua nova mínima histórica.

Apesar da recuperação do crescimento do PIB, do câmbio próximo de sua máxima histórica e da expectativa de alta de inflação, todos os cenários de referência para o horizonte relevante da política monetária (2019, 2020 e 2021) divulgados pelo BC ainda revelam uma inflação abaixo da meta, sugerindo que a taxa Selic pode ficar abaixo de 4,50%. O cenário híbrido mostra que, mesmo com o câmbio de 4,20, a inflação deverá se comportar de maneira benigna.

Em geral, o comitê reforçou o tom de cautela no comunicado. O Banco Central reconheceu que a atividade econômica doméstica ganhou força no 3º trimestre de 2019 (embora enfatize que esta recuperação tenha sido gradual), que a frente externa é menos incerta agora e retirou do documento a parte dovish, em que se referia ao efeito da inércia da inflação.

Com base no tom mais enfático e cauteloso, acreditamos que o Banco Central sinalizou ao mercado que seu espaço para reduzir as taxas de juros adiante diminuiu. No entanto, todos os cenários de inflação apresentados no documento mostram que o Banco Central ainda tem espaço para reduzir a taxa Selic para um patamar abaixo de 4,50%. Em nossa opinião, o Banco Central entregará um corte final de 0,25% em sua próxima reunião (fevereiro), reduzindo a taxa Selic para 4,25%, e permanecendo inalterado nesse nível ao longo de 2020. Reconhecemos, no entanto, que o BC é fortemente dependente de dados econômicos e que o cenário de juros a 4,50% ainda é uma cenário provável.

Esperamos que o Banco Central esclareça essa dualidade na próxima semana, quando divulgará a ata da reunião.

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