PIB deve crescer mais de 5% em 2021

Os resultados do PIB no 1º trimestre confirmaram as expectativas de maior resiliência da economia brasileira no período recente. As estimativas para os próximos trimestres também são favoráveis, embora riscos relevantes permaneçam no radar. Acreditamos que o PIB crescerá 5,2% em 2021.


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Resiliência confirmada 

O PIB Brasileiro cresceu 1,2% entre o 1º trimestre de 2021 e o 4º trimestre de 2020, resultado em linha com nossa expectativa (1,1%) e acima da mediana das projeções do mercado (0,9%). Em relação ao 1º trimestre de 2020, o PIB registrou alta de 1,0% (XP: 0,8%; consenso de mercado: 0,5%). Os números do PIB confirmaram a maior resiliência da economia doméstica no período recente, conforme havia sido sugerido por um conjunto amplo de indicadores de atividade divulgados nos últimos meses. De fato, o PIB continuou em trajetória de recuperação a despeito do agravamento da pandemia a partir de meados de fevereiro e da interrupção de medidas de estímulo fiscal no final de 2020 (principalmente as transferências de auxílio emergencial às famílias mais vulneráveis). Conforme apresentado na figura logo abaixo, o PIB retornou ao nível pré-pandemia (4º trimestre de 2019).

Em nossa avaliação, os principais fatores explicativos do desempenho sólido do PIB no último trimestre foram: (i) forte expansão dos Investimentos, tanto pela maior produção (e importação) de máquinas e equipamentos quanto pelo maior dinamismo da construção civil; (ii) recomposição de estoques na indústria e aumento expressivo da safra agrícola (sobretudo da soja), que levaram a uma variação bastante positiva da conta de Estoques no PIB pelo lado da demanda (calculamos contribuição de 1,9 ponto percentual sobre a variação do PIB total); (iii) retomada da economia global e preços de commodities em alta, que impulsionam as exportações (Brasil é grande produtos e vendedor de bens primários); e (iv) melhor adaptação de empresas e famílias ao cenário pandêmico, que parece ter suavizado os efeitos adversos da “segunda onda da Covid-19” sobre o setor de serviços (lado da oferta) e o consumo das famílias (lado da demanda). No que diz respeito ao último fator, notamos que o agravamento da pandemia no começo deste ano vem causando impacto menos acentuado na atividade econômica em comparação ao choque visto no ano passado (embora a “segunda onda” tenha gerado, infelizmente, maiores perdas em termos de saúde pública). Os agentes econômicos parecem ter aprendido a manter atividades em funcionamento mesmo com a menor mobilidade, possivelmente devido a novos protocolos sanitários e comportamentais, diferentes rotinas de trabalho (esquemas remotos), ampliação das vendas online (e-commerce), avanços de ferramentas tecnológicas, entre outros.      

PIB do 1º trimestre de 2021: Resultados desagregados

Pela Ótica da Oferta, todos os setores agregados cresceram no 1º trimestre de 2021, em comparação ao trimestre imediatamente anterior e após ajuste sazonal. O PIB da Agropecuária registrou expansão de 5,7% nesta métrica (e alta de 5,2% ante o 1º trimestre de 2020), impulsionado sobretudo pelo crescimento expressivo da safra de soja em grão (quase 65% do volume produzido desta cultura agrícolas são contabilizados nos três primeiros meses do ano). O PIB da Indústria Total cresceu 0,7% no período, com bons resultados em todos os principais componentes. O PIB da Indústria de Transformação apresentou recuo de 0,5% entre o 1º trimestre de 2021 e o 4º trimestre de 2020, mas é importante ressaltar o efeito da base de comparação elevada, já que o setor exibiu  forte expansão no final do ano passado (em relação ao 1º trimestre de 2020, por sua vez, a Indústria de Transformação cresceu 5,6%). Destacamos também a retomada do PIB da Construção Civil no último trimestre (elevação de 2,1% ante o 4º trimestre de 2020), conforme previamente indicado pelo salto na produção de insumos típicos do setor (ex: cimento).

O PIB de Serviços cresceu 0,4% no 1º trimestre de 2021, com resultados positivos em praticamente todos os subsetores. Os Serviços de Transporte e Armazenagem expandiram 3,6% em comparação ao último trimestre de 2020, puxados pelo desempenho favorável da indústria local. Além deste, os Serviços de Informação e Comunicação (1,4%), Serviços de Intermediação Financeira (1,7%) e as Atividades Imobiliárias e Aluguéis (1,0%) continuaram em rota de firme recuperação. O PIB do Comércio trouxe uma grata surpresa, ao expandir 1,2% no período apesar do frágil desempenho dos segmentos varejistas mais atrelados a gastos discricionários, como as vendas de veículos, móveis, eletrodomésticos e vestuário. Por outro lado, os Serviços de Administração, Saúde e Educação Públicas ficaram muito aquém das expectativas (queda de 0,6% entre o 1º trimestre de 2021 e o 4º trimestre de 2020), refletindo os efeitos da pandemia sobre as operações do setor público. Ademais, o componente de Outros Serviços apresentou números fracos, devido sobretudo à contração dos serviços prestados às famílias, que foramseveramente impactados pelo aperto das restrições de mobilidade (implementadas em fevereiro e março) para contenção do contágio do coronavírus.

Pela Ótica da Demanda, o Consumo das Famílias ficou praticamente estável no 1º trimestre (-0,1% ante o último trimestre de 2020), em linha com a menor circulação das pessoas e maior precaução nas decisões de aquisição de bens e serviços. Por sua vez, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) apresentou desempenho bastante sólido no começo do ano (aumento de 4,6%).  Os resultados animadores dos investimentos foram impulsionados pelo maior consumo aparente de bens de capital (máquinas e equipamentos) e pelos avanços da construção civil. Por sua vez, o Consumo do Governo recuou 0,8%, confirmando os níveis de atividade ainda muito deprimidos na administração pública. Por último, mas não menos importante, tanto as Exportações (3,7%) quanto as Importações (11,6%) tiveram aumentos significativos no 1º trimestre. A recuperação robusta da economia global (combinada ao aumento dos termos de troca do Brasil) deve continuar impulsionando as exportações, enquanto a reabertura da economia doméstica tende a reforçar a retomada das importações.  

O que esperar dos próximos trimestres?

Os dados de atividade do 2º trimestre também vêm mostrando sinais relativamente favoráveis, em linha com o aumento significativo dos índices de mobilidade a partir de meados de abril (que retornaram aos patamares observados no início do ano, antes da piora aguda da pandemia) e da firme retomada da confiança de consumidores e empresários após o tombo registrado em março. Além disso, a nova rodada de auxílio emergencial às famílias de baixa renda (pagamento entre abril e julho) e a antecipação de benefícios previdenciários (13º salário do INSS) devem dar sustentação aos serviços prestados às famílias e vendas varejistas, que aparentemente estão recuperando antes e mais fortemente em relação às expectativas formadas após a implementação de medidas de distanciamento social mais rígidas em fevereiro e março. Ou seja, o desempenho da atividade econômica brasileira no 1º semestre de 2021 será muito mais sólido do que o projetado há alguns meses.

Entretanto, riscos relevantes permanecem no radar. A crise da Covid-19 segue como o principal deles, já que algumas estatísticas relacionadas à pandemia publicadas recentemente aumentaram as preocupações acerca de outro recrudescimento agudo da crise sanitária no país (principalmente no que diz respeito à disseminação de uma nova variante do coronavírus e ao ritmo errático de imunização da população contra a doença). Dito isso, mantemos a avaliação de que a campanha nacional de vacinação ganhará tração nas próximas semanas, evitando retrocessos (ao menos generalizados) no processo de reabertura econômica em curso. Ainda assim, continuamos a monitorar com cautela a evolução dos números da pandemia. Além disso, temores relacionados à possível escassez de energia elétrica (continuamos a avaliar como improvável o cenário de racionamento), inflação em alta e problemas no fornecimento de insumos industriais (especialmente no setor automotivo) são riscos adicionais que chamam a atenção.

Considerando todos os fatores apresentados acima, elevamos nossa projeção de crescimento do PIB em 2021, de 4,1% para 5,2%. Para detalhes sobre a revisão, acesse este relatório

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