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Estagflação: Quais os impactos na economia?

O fantasma da inflação voltou a atrapalhar o sono não somente dos brasileiros no último ano, mas também se tornou uma preocupação em outros países. Nesse contexto, a seguinte pergunta tem se destacado: será que vivemos um período de “estagflação”? 

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Puxada por desequilíbrios causados especialmente por respostas para combater a pandemia do novo coronavírus, a inflação no país passou a barreira dos 10% ao ano. Nos Estados Unidos, os norte-americanos lidam com os maiores níveis em 40 anos (perto de 8%), e até a Europa já vê a alta de preços atingir a máxima histórica, em quase 6% ao ano.

Recentemente, a guerra entre Rússia e Ucrânia ampliou ainda mais essa onda inflacionária. Isso porque o conflito envolve dois grandes produtores de diversas matérias-primas e insumos básicos, como petróleo, alimentos e fertilizantes.

Assim, o cenário traz a combinação de inflação alta, que corrói o poder de compra de consumidores, aumento de incertezas e elevação das taxas de juros para conter os efeitos secundários do choque de preços.

O resultado disso é a expectativa de um menor crescimento econômico.

Como surgiu o termo Estagflação?

Períodos de inflação mais alta normalmente são acompanhados de crescimento econômico (excessivo). Quando a demanda por bens e serviços aumenta além da capacidade da economia de produzir, em algum momento (quando não há mais produção “sobrando”, ou seja, capacidade ociosa), os preços começam a subir.

Assim, em uma economia aquecida, em que mais pessoas estão com dinheiro e querendo comprar, mas não deu tempo ainda de produzirem tudo isso, o preço sobe.

No entanto, sob certas condições, ocorre uma combinação pior: preços em alta e desaceleração econômica, sendo o primeiro a causa do segundo. O termo “estagflação” foi amplamente utilizado pela primeira vez justamente quando houve essa combinação, na década de 1970, nos países desenvolvidos.

O choque de petróleo

No final de 1973, os principais produtores de petróleo do mundo criaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). O objetivo era regular a venda e produção da commodity, efetivamente criando um cartel para controlar os preços.

No intervalo de três meses, a criação da OPEP e o controle da produção fizeram com o que o preço do petróleo multiplicasse por quatro. Entre 1979 e 1980, uma nova crise geopolítica aumentou ainda mais os preços da commodity – que subiu de U$S 13 para US$ 38 o barril.

O que é um bem inelástico?

O petróleo é o que chamamos de bem inelástico. Ou seja, a alteração no preço tem pouco impacto na demanda pelo produto. Assim, conforme a produção caía – e o combustível se tornava mais escasso nos mercados – os preços seguiam subindo.

Para muitas commodities, isso segue sendo realidade até hoje.

Com a alta do preço do petróleo, os preços de produtos à base da commodity também subiram, como a gasolina. Houve então um efeito cascata de maiores custos na economia, especialmente nos de transporte, resultando em um aumento generalizado do preço de outros produtos.

Com isso, a inflação aumentou rapidamente, enquanto a produção recuava, diante do aumento dos custos ao longo da cadeia produtiva. De maneira simplificada:

Assim, a economia norte-americana entrou em um período de forte queda da produção. O gráfico abaixo mostra que o PIB do país chegou a contrair mais de uma vez entre o início da década de 70 e 80 – ou seja, entrando em recessão.

Estagflação x Inflação

Como vimos, enquanto um processo de inflação tradicional é gerado por um superaquecimento da demanda, a “estagflação” é resultado de um choque de custos, ou seja, pelo lado da oferta.

Considerando esse contexto histórico, conseguimos notar a principal semelhança da crise de 1970 com o momento atual: um choque de custos global impulsionado por uma crise geopolítica, impactando a inflação que (dessa vez) já vinha alta.

Alimentos e energia pesando no bolso

Para ilustrar a magnitude do choque de custos atual, desde o início de 2020, os preços das commodities agrícolas já acumulam alta de 47%. As pressões devem crescer ainda mais, devido ao impacto das sanções econômicas contra a Rússia e à própria paralisação de produção ucraniana.

Os alimentos não foram os únicos a ficarem mais caros. O setor energético também viu uma escalada de preços. Grande parte da energia que abastece a indústria europeia sai da Rússia, principalmente o gás natural russo, que por meio de gasodutos, cruzam a Ucrânia e a Polônia e chegam à Alemanha, França e Itália.

Resultado disso é a inflação espalhada no mundo todo, concentrada na alta de energia e alimentos, e com perspectivas de mais altas. O gráfico abaixo mostra a dinâmica de alta de preços desde o início da pandemia de Covid-19.

Recessão mundial?

Ainda é cedo para saber se haverá uma recessão mundial. Não há dados suficientes para confirmar uma efetiva desaceleração econômica nos países, e o desfecho do conflito entre Rússia e Ucrânia segue incerto. Quanto mais o conflito perdurar, maiores os impactos negativos para a economia global.

Porém, podemos ter algumas pistas. Indicadores antecedentes (que antecedem dados mais concretos de produção econômica), por exemplo, como índices de confiança, já apontam para o impacto negativo dos preços em alta no mundo – como podemos ver abaixo.

Além disso, já começamos a ver revisão nas projeções de crescimento esperadas por analistas.

A Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE) estima que o crescimento do PIB global deve ser 1 p.p. menor por conta da guerra, que deve elevar a inflação no mundo em 2,5 p.p. no ano.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) entende que deve reduzir suas projeções de crescimento entre 5% e 15% nos próximos meses, a depender do país e de quanto durar o conflito.

Teremos recessão no Brasil?

A estagflação deverá ser uma realidade no ano de 2022.

Assim como no restante do mundo, o Brasil sente os efeitos da guerra no preço de bens mais sensíveis, como combustíveis e alimentos. O time de Economia da XP espera que a inflação termine esse ano bastante acima da meta do Banco Central – em 6,2% ao ano, com viés de alta (como apontado no nosso relatório mensal). E essa inflação alta será acompanhada por uma economia estagnada.  

A economia deve até crescer no início desse ano, mas perder força ao longo da segunda metade de 2022. A queda da renda dos trabalhadores, inflação persistentemente alta e efeitos dos juros altos (justamente para controlar os preços) explicam a perda de fôlego.

Apesar de estimarmos alguma melhora em setores que ainda se recuperam da pandemia (em serviços), além de parte do agronegócio se beneficiando do cenário de alta de preços de commodities, o choque de custos deve nos atingir de maneira relevante por aqui também. Projetamos que o PIB em 2022 fica ande de lado, com variação nula.

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