Resumo
No cenário internacional, os preços do petróleo recuaram com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã, embora continuem em níveis elevados (próximos a 90 dólares por barril). O choque de energia vem pressionando a inflação na maioria das economias, levando a maior cautela por parte dos bancos centrais.
No Brasil, os dados do PIB confirmaram a aceleração da atividade no início de 2026. O indicador cresceu 1,1% no 1º trimestre, com recuperação de componentes mais sensíveis ao ciclo, como o consumo das famílias.
Do lado da inflação, o IPCA-15 de maio veio acima do esperado, com núcleos pressionados. No campo político, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC do fim da escala 6×1. O texto agora segue para avaliação do Senado.
Gráfico da Semana

Cenário Internacional
Avanço nas negociações entre EUA e Irã reduz o prêmio de risco do petróleo, mas normalização deve ser lenta
As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram para um possível acordo interino, com extensão do cessar-fogo e reabertura gradual do Estreito de Ormuz. A percepção de menor risco de escalada levou o Brent para a faixa de 90–95 dólares por barril, devolvendo parte do prêmio geopolítico acumulado nas semanas anteriores.
Ainda assim, o alívio é apenas parcial. A Casa Branca desmentiu elementos das atas divulgadas pela imprensa iraniana, dizendo que o estreito segue operando muito abaixo do fluxo histórico e a normalização logística plena — envolvendo desminagem, seguros e recomposição do tráfego marítimo — deve levar meses. Em outras palavras, o mercado passou a precificar menor risco de agravamento do choque, mas ainda não uma reversão rápida do problema.
Juros devem seguir elevados nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o deflator das despesas de consumo pessoal (PCE) — medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) — avançou 0,4% em abril ante março e 3,8% no acumulado em 12 meses, o maior patamar desde maio de 2023. O núcleo, que exclui energia e alimentos, subiu 0,2% no mês e 3,3% na comparação anual (maior nível desde outubro de 2023). A aceleração reflete, em grande parte, o repasse do choque de energia associado ao fechamento do Estreito de Ormuz. Paralelamente, a segunda leitura do PIB do 1º trimestre foi revisada para baixo, de 2,0% para 1,6% (anualizado), embora ainda represente aceleração ante os 0,5% do 4º trimestre de 2025.
Com inflação ainda pressionada e atividade econômica resiliente, a mensagem segue sendo de juros elevados por mais tempo na principal economia do mundo.
Na Europa, mercado passa a prever duas altas de juros em 2026
Na zona do euro, o Banco Central Europeu reforçou o tom mais duro. A ata da última reunião mostrou que parte do conselho já via espaço para alta de juros no encontro anterior, enquanto Isabel Schnabel, membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu, defendeu aperto adicional mesmo em caso de alívio no petróleo, citando persistência do choque energético e risco de disseminação inflacionária. O mercado já precifica pelo menos duas elevações de 0,25 p.p. este ano. Assim, embora a commodity tenha recuado na margem, o legado recente sobre preços e expectativas ainda mantém os bancos centrais em posição de cautela.
Enquanto isso, no Brasil…
PIB confirma atividade resiliente, com composição desafiadora para a política monetária
O PIB brasileiro cresceu 1,1% no 1T26 frente ao trimestre anterior, em linha com nossa projeção e ligeiramente acima do consenso. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a alta foi de 1,8%. O resultado confirmou que a atividade ganhou força no início do ano e deixou um carrego estatístico de 1,4 p.p. para 2026.
A composição do dado foi, em nossa avaliação, mais desafiadora para o banco central. Diferentemente do que ocorreu em outros inícios de ano, a aceleração não veio principalmente da agropecuária, mas da recuperação de setores mais sensíveis ao ciclo econômico e do fortalecimento da absorção doméstica (consumo, investimentos e despesas do governo). Para detalhes, leia nosso relatório sobre o tema (“PIB do 1º trimestre de 2026: Economia acelera no início do ano”).
PEC da jornada reduzida avança e amplia a incerteza sobre custos trabalhistas
A Câmara dos Deputados aprovou a PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e, na prática, extingue a escala 6×1, com transição de 14 meses e algumas salvaguardas para micro e pequenas empresas. O texto segue agora para o Senado. Ainda é cedo para estimar com precisão seus efeitos macroeconômicos, mas o tema passa a entrar com mais força no radar do mercado por seus potenciais impactos sobre custos de trabalho, especialmente em setores intensivos em mão de obra.
IPCA-15 mostra inflação mais disseminada e núcleos ainda desconfortáveis
O IPCA-15 de maio subiu 0,62%, acima das expectativas de mercado, elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,64%. Mais importante do que o número cheio foi a composição: os núcleos – medidas que excluem itens voláteis – seguem pressionados e a inflação de serviços continua rodando em patamares elevados. Além disso, houve pressão relevante nos bens industrializados.
Esse quadro ajuda a explicar a piora das expectativas. No Boletim Focus, a mediana do IPCA de 2026 subiu para 5,04%, na 11ª alta consecutiva, enquanto a projeção para 2027 avançou para 4,01%. Mantemos nossas estimativas em 5,3% para 2026 e 4,0% para 2027, ambas com viés de alta.
Mercado de trabalho mostra sinais mistos, mas segue apertado
Os indicadores de trabalho vieram mistos em abril. O Caged mostrou criação líquida de 85,9 mil vagas formais, abaixo do esperado e com desaceleração disseminada entre os setores. Já a PNAD Contínua apontou taxa de desemprego de 5,8% no trimestre móvel até abril, ligeiramente melhor que o consenso. Em nossas estimativas dessazonalizadas, a taxa mensal recuou para 5,5%, o que mostra que o mercado de trabalho segue apertado, embora em processo gradual de arrefecimento.
Em síntese, a leitura segue sendo de uma economia ainda resiliente, com mercado de trabalho forte o suficiente para sustentar a renda das famílias e, portanto, a demanda doméstica.
Fiscal melhora na margem, mas a dívida pública segue em trajetória de alta
O governo central registrou superávit primário de R$ 25,5 bilhões em abril, acima do observado no mesmo mês do ano passado (R$ 18,2 bilhões) e ligeiramente acima das expectativas de mercado. O resultado refletiu principalmente o avanço da receita líquida (+5,8% ante abril de 2025), puxada pela arrecadação mais forte de IOF, imposto de renda e contribuições previdenciárias. Pelo lado da despesa, houve crescimento de 3,3% com relação a abril do ano passado. Destacamos os gastos com benefícios previdenciários, pessoal e BPC/LOAS. Apesar do desempenho mais favorável da arrecadação no início do ano, a leitura prospectiva continua apontando para um quadro fiscal apertado, já que parte relevante do ganho de receita com petróleo tende a ser absorvida por despesas obrigatórias mais altas e por medidas de mitigação do choque recente nos preços de combustíveis.
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Destaques da próxima semana
No cenário internacional, o protagonismo ficará para a bateria de indicadores de mercado do trabalho nos Estados Unidos, com destaque ao relatório Payroll na 6ª-feira. Na Zona do Euro, será conhecido o índice de preços ao consumidor (CPI) de maio, após dado de inflação mais brando divulgado na Alemanha. Além disso, serão publicados os PMIs das principais economias globais – PMIs são sondagens empresariais que buscam medir o pulso da atividade econômica.
No Brasil, em semana de feriado, poucos indicadores no radar. O IBGE divulgará a produção industrial de abril, para a qual esperamos crescimento moderado. Por fim, o MDIC divulgará a balança comercial de maio, que deve mostrar superávit robusto, principalmente por conta das exportações de petróleo e soja. Veja nossas projeções abaixo.

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