Economia em Destaque: seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

Semana brasileira marcada por alta de juros, desenrolar da saga fiscal e tensões políticas


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Resumo

No cenário internacional, o destaque foi a divulgação de índices de gerentes de compra (PMI) nos países desenvolvidos, que continuam a indicar retomada econômica. Nos EUA, os dados de trabalho mais positivos devem impulsionar crescimento, assim como o pacote fiscal proposto pelo governo Biden, que teve avanços consideráveis no congresso.

Já no Brasil, o grande destaque foi a decisão de política monetária do Copom, que aumentou a Selic para 5,25% (aumento de 1 p.p.). As discussões acerca do orçamento de 2022 seguem intensas, nessa semana amplificadas pela questão dos precatórios e da possível expansão do Bolsa Família. Além disso, o mercado também se atenta para as tensões políticas entre o presidente Bolsonaro e o TSE como fonte de risco político, aprovação de texto-base para privatização dos Correios na câmara e iminente votação da reforma tributária.

Para a próxima, se destacam na agenda internacional os dados de inflação nos EUA, na China e na Zona do Euro. No cenário doméstico, bateria de índices de inflação (IPCA, FGV e Fipe) e dados de atividade (IBC-Br, PMS e PMC) vão apontar o ritmo da retomada econômica. No campo político, o fiscal e a reforma tributária seguem como foco do mercado.

Atualizações Covid-19

A disseminação da variante Delta segue avançando pelo globo. No Brasil, a variante já foi detectada em diversos Estados, sendo observada transmissão comunitária da cepa.

Apesar das preocupações, no cenário doméstico, a média móvel de óbitos segue recuando, com 887 óbitos/dia. Entre os novos casos, a mesma tendência se observa, com nova queda na média móvel, que agora se encontra em 32,4 mil infecções detectadas, menor patamar desde 27 de novembro de 2020. A taxa de ocupação de leitos apresentou queda em 22 das 27 unidades federativas na comparação semanal.

A média móvel de doses de vacina aplicadas se aproxima do recorde registrado no dia 25/7, com 1,47 milhão de aplicações diárias. O Ministério da Saúde divulgou que já distribuiu 184,8 milhões de doses de vacinas e os estados, por sua vez, que aplicaram 147,7 milhões. Até esta manhã, 105,3 milhões de brasileiros receberam ao menos uma dose de vacina, enquanto 44,4 milhões estão com o esquema vacinal completo (21% da população).

Cenário internacional

A disseminação da variante Delta da Covid-19 segue como fonte de preocupação entre os analistas de mercado. Alguns países desenvolvidos estão considerando novas rodadas de medidas restritivas e impondo o uso de máscaras. A preocupação também começa a impactar decisões de política monetária, na direção da manutenção do grau elevado de estímulos monetários.

Estados Unidos                    

Nos EUA, os indicadores de destaque na semana foram os Índices de Gerente de Compras de julho, além de dados referentes ao mercado de trabalho.  

Também foi destaque a negociação do pacote de infraestrutura nos EUA, que após muitas discussões, chegou a uma versão completa no domingo. A tramitação prossegue e a votação deve acontecer em breve. O próximo projeto a ser discutido é o Plano das Famílias Americanas, cuja principal controvérsia no momento é a fonte de financiamento.

Atividade econômica

Nessa semana, os Índices de Gerente de Compras sinalizaram a continuidade da recuperação da economia americana, a despeito da relativa desaceleração da indústria.

O destaque ficou com o setor de serviços, com o ISM registrando alta acima do esperado em julho, em 64,4 pontos. A robustez do setor de serviços deve seguir nos próximos meses, especialmente diante do consumo de serviços em alta com a consolidação da vacinação e da chegada do verão no hemisfério norte.

Enquanto isso, o ISM industrial ficou um pouco abaixo das expectativas em julho, mas ainda em território de expansão (acima de 50) e indicando performance robusta de novos pedidos – o que aponta para crescimento sólido à frente. A escassez de insumos e problemas da cadeia de abastecimento, e os altos preços seguem como o principal obstáculo; nesse sentido, a ligeira queda do componente de preços no mês foi positiva.

Mercado de Trabalho

No mercado de trabalho, os dados de desemprego surpreenderam positivamente, ao registrar queda para 5,4% em julho após a criação de 943 mil postos de trabalho, recuando de uma taxa de 5,9% no mês anterior. Os dados do payroll também mostraram uma alta levemente acima do esperado no salário médio (em 0,36% na variação mensal), atingindo quase 4% no comparado com o mesmo mês no ano passado.

Já a força de trabalho ficou praticamente estável no período, reforçando o cenário de baixa oferta de mão de obra indicado pelo resultado divulgado também essa semana de criação de vagas no setor privado – que veio consideravelmente abaixo do consenso (com a criação de 330 mil vagas contra expectativa de 690 mil).

Os resultados reforçam preocupações sobre a falta de insumos (no caso, também de trabalhadores) para a retomada econômica, e fortalece o movimento em direção à redução de estímulos por parte do FED.

Europa

Na Zona do Euro, a semana também contou com dados de atividade econômica, que sinalizam para um crescimento robusto no segundo semestre.

O PMI composto subiu para 60,2 no mês passado, de 59,5 em junho, seu nível mais alto desde junho de 2006, bem acima da marca de 50 que separa o crescimento da contração, embora ligeiramente abaixo da estimativa do mercado. Já as vendas no varejo de junho cresceram além do esperado, em 1,7% m/m (contra projeções de 1,5%).

Por outro lado, ambos os PMIs de serviços e manufatura caíram em julho no Reino Unido. O crescimento do setor privado desacelerou drasticamente devido a gargalos na cadeia de suprimentos e altas ausências de trabalhadores motivadas por medidas de isolamento.

Ainda no Reino Unido, o Banco da Inglaterra (BoE) manteve suas taxas de juros inalteradas, mas sinalizou que pode começar a reduzir seu pacote de compra de ativos antes do esperado.

China

Na China, o destaque também ficou para os PMIs divulgados pela Caixin referentes a julho, que mostraram desaceleração do setor manufatureiro e atividade mais forte no setor de serviços.

Na produção industrial, restrições de oferta de insumos seguem são o desafio central para a expansão dos negócios, mas a demanda parece estar esfriando também. Já o setor de serviços registrou forte alta no período, atingindo o nível mais alto desde junho de 2006, embora a disseminação da variante COVID-19 Delta pelo país ameace minar a recuperação na segunda maior economia do mundo. As melhores leituras na pesquisa privada, que se concentra mais nas empresas menores nas regiões costeiras, contrastaram com as conclusões de uma pesquisa oficial no sábado, que mostrou que o crescimento no setor de serviços recuou ligeiramente em julho.

Enquanto isso, no Brasil

Com a volta do recesso do Congresso e decisão de política monetária, a semana no Brasil foi bastante agitada no campo político e econômico.

Indicadores

Copom

O comitê de política monetária do Banco Central (Copom) entregou a esperada de alta de 1 p.p., trazendo a Selic para 5,25%. O aumento do ritmo foi justificado com ‘a percepção de que a recente deterioração dos componentes inerciais da inflação, (…), que poderia resultar em uma deterioração adicional das expectativas de inflação’. O BC sinalizou para a próxima reunião “outro ajuste de mesma magnitude”. E para o fim do ciclo, a taxa básica de juros em patamar acima do neutro’ (o nível “neutro” é amplamente considerado como 6,5%).

Na esteira da sinalização do Copom, ajustamos nossa projeção da taxa Selic ao fim do ciclo de alta em 7,25% (antes 6,75%). No entanto, é importante lembrar que os riscos fiscais aumentaram nas últimas semanas. Se a perspectiva fiscal piorar, a taxa Selic tende a ir além da nossa projeção.

Produção industrial

A produção industrial brasileira ficou estável entre maio e junho (0% ao mês), com resultado em linha com nossa expectativa e com o consenso de mercado (0,1% e 0,2%, respectivamente). O resultado deve impactar no IBC-Br (proxy do PIB) de junho, para o qual projetamos crescimento de 0,5% no comparativo mensal (8,6% no ano contra ano). Nossa expectativa para a trajetória do crescimento do PIB total do 2T21 é de 0,2% t/t (12,8% a/a). Olhando para frente, a demanda por manufaturados deve seguir sólida no segundo semestre, ainda que com taxas de crescimento moderadas.

Cenário político econômico

Risco fiscal se eleva

No cenário político econômico, o principal destaque ficou para discussões envolvendo o pagamento de precatórios, o aumento do programa Bolsa Família, o novo Refis e a consequente piora na percepção de risco fiscal no país.

Diante do aumento da projeção de pagamento oriundo de decisões judiciais, o governo analisa o envio de proposta de Emenda à Constituição que permita o parcelamento de parte das despesas de modo a não inviabilizar o orçamento para o ano que vem. A questão se torna essencial especialmente tendo em vista o cumprimento do teto de gastos e a sinalização do governo de aumento do programa Bolsa Família.

Informações iniciais indicam que a alteração visa atender situações em que esses pagamentos aumentem muito mais do que o previsto, como é o caso de 2022 (o Judiciário já sinalizou R$ 89 bilhões para o ano que vem, o que representa aumento de 57% em relação a 2021).

Ainda na seara fiscal, o Senado aprovou dois projetos de refinanciamento de dívidas para pessoas físicas e jurídicas: o Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) e o REFIS do Simples, destinado a micro e pequenas empresas. O amplo programa de parcelamento e benesses para o pagamento de dívidas eleva as preocupações de ameaça para a área fiscal com a aproximação das eleições.

Reforma Tributária

Com a volta do recesso do Congresso, a reforma tributária volta a entrar em pauta, com urgência da matéria aprovada pela câmara, o que faz com que o projeto deva ser posto em votação na próxima semana. O relator Celso Sabino incorporou mudanças no texto e com isso tenta romper resistência de estados e municípios à proposta.

Privatização dos Correios

Uma votação na câmara abriu as portas para uma possível privatização dos Correios. O texto-base aprovado inclui a quebra do monopólio da estatal e prevê necessidade do comprador de assumir concessão para manutenção dos serviços postais em todo o país, para garantir o cumprimento de obrigação constitucional. O projeto segue agora para discussão no Senado.

Inquérito sobre Bolsonaro

Ainda nessa semana, tensões entre o TSE e o presidente Bolsonaro por declarações (ainda sem comprovação) do presidente acerca do processo eleitoral, resultaram na abertura de inquérito administrativo no âmbito do TSE e inclusão do chefe do executivo em investigação sobre fake news que tramita no STF. Ambos processos podem causar grande turbulência política nos meses a seguir e potencialmente podem tornar Bolsonaro inelegível no pleito de 2022.

O que esperar?

Para a próxima semana, o destaque entre dados internacionais será a inflação americana de julho, com a divulgação do CPI (inflação ao consumidor) e do PPI (inflação ao produtor). Também nos Estados Unidos, teremos resultado fiscal mensal e discursos de dirigentes do Fed. Na Europa, também serão divulgados dados de inflação referentes ao mês de julho, além de indicadores de produção industrial de junho. Na China, inflação e dados de setor externo ficam no radar do mercado.

No Brasil, será destaque a bateria de dados de inflação, com divulgação do IPCA, índices da FGV e da Fipe de julho. Do lado de atividade, teremos a pesquisa mensal do comércio (PMC), pesquisa mensal de serviços (PMS), e o IBC-BR, proxy mensal do PIB, divulgado pelo Banco Central, referentes a junho. Em política, seguiremos os desdobramentos da questão dos precatórios e a saga fiscal, além de tensões entre o TSE e o executivo e o andamento da reforma tributária no congresso.

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