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Economia em Destaque: Alívio no Oriente Médio impulsiona ativos no Brasil e no mundo

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

Alívio no Oriente Médio. Irã declarou o Estreito de Ormuz aberto para embarcações comerciais durante o cessar-fogo entre Israel e Líbano. A abertura é parcial: Trump mantém o bloqueio naval dos portos iranianos e Teerã ameaça fechar o Estreito novamente caso as embarcações com destino ao país não sejam liberadas. Os ativos financeiros reagiram positivamente à notícia.

Na China, o PIB do 1º trimestre cresceu levemente acima do esperado. No entanto, outros indicadores de atividade trouxeram sinais fracos. Como maior importador global de combustíveis e economia orientada para exportações, o país segue exposto ao choque do petróleo — que já vem pressionando custos e elevando a incerteza global.

No Brasil, a taxa de câmbio encerrou a semana abaixo de 5 reais por dólar. O movimento de apreciação foi reforçado pelo anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz, embora a tendência já estivesse em curso desde o início de 2025. No campo fiscal, o governo enviou ao Congresso o PLDO de 2027, mantendo a meta de superávit primário em 0,5% do PIB. Além disso, a semana foi marcada por novos anúncios de medidas de estímulo.

Nos indicadores econômicos, a recuperação nas vendas do varejo e nos serviços prestados às famílias corroborou nossa visão de aceleração do consumo no início de 2026.

Gráfico da Semana

Veja na seção “Irã reabre Estreito de Ormuz durante cessar-fogo, mas incertezas persistem”

Cenário Internacional

Irã reabre Estreito de Ormuz durante cessar-fogo, mas incertezas persistem

No final dessa semana, o Irã declarou o Estreito de Ormuz “completamente aberto” para embarcações comerciais pelo período do cessar-fogo, em movimento coordenado com o cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano. O preço do petróleo Brent chegou a cair mais de 10% com a notícia, refletindo o alívio nas perspectivas de oferta. O presidente Trump elogiou o anúncio, mas deixou claro que o bloqueio naval americano aos portos iranianos (anunciado no início da semana após o fracasso das negociações de paz realizadas no Paquistão) “permanecerá em plena vigência” até que um acordo de paz seja concluído. Em resposta, Teerã advertiu que poderia fechar novamente o Estreito caso os Estados Unidos não liberem as embarcações com destino ao Irã. Analistas alertam que o alívio no fornecimento de petróleo deve levar semanas, mesmo em cenário otimista, dado o acúmulo de embarcações no estreito e a necessidade de confirmação de seguros para os navios que tentarem transitar pela rota.

A notícia impulsionou os ativos financeiros: as bolsas americanas avançaram, com o S&P subindo cerca de 1,5% no momento do anúncio. No Brasil, a taxa de câmbio chegou a alcançar 4,95 reais por dólar, movimento que foi parcialmente revertido com a notícias sobre possibilidade de que o estreito feche novamente.

PIB da China cresce (um pouco) acima das expectativas no 1º trimestre

O PIB da China cresceu 5,0% no 1º trimestre de 2026 em relação ao 1º trimestre de 2025, um pouco acima da expectativa de mercado (4,8%). Em comparação ao 4º trimestre do ano passado, o indicador avançou 1,3%, enquanto a mediana das projeções indicava alta de 1,2%. No entanto, outros indicadores de atividade trouxeram sinais fracos. As vendas no varejo subiram 1,7% em março de 2026 versus março de 2025, abaixo da previsão de 2,3%. Os investimentos em ativos fixos também mostraram aumento mais moderado (1,7% vs. 1,9% no acumulado do ano), enquanto a taxa de desemprego subiu de 5,3% em fevereiro para 5,4% em março (estimativa: 5,2%). Em sentido contrário, a produção industrial teve desempenho um pouco melhor que o antecipado (5,7% vs. 5,5% na métrica interanual).

Pelo fato de ser o maior importador de energia do mundo e ter uma economia voltada para as exportações, a China está bastante exposta ao choque do petróleo, que já está desacelerando o comércio internacional, pressionando os custos de produção e tornando o cenário bastante incerto.

Conflito no Oriente Médio é principal fonte de incerteza para empresas dos Estados Unidos

O Fed, banco central dos Estados Unidos, divulgou o Livro Bege, seu relatório bimestral de condições econômicas regionais. Segundo o documento, o conflito no Oriente Médio foi considerado por empresas de todos os distritos como “a principal fonte de incerteza, complicando as decisões de contratação, precificação e investimento, com diversas firmas adotando postura de esperar para ver”.

A combinação de atividade ainda resiliente com crescente cautela empresarial reforça nossa expectativa de que o Fed manterá os juros inalterados ao longo deste ano.

Enquanto isso, no Brasil…

Taxa de câmbio abaixo de 5 reais por dólar

A taxa de câmbio brasileira encerra essa semana abaixo de 5 reais por dólar, no menor patamar desde o início de 2024. O movimento de apreciação ganhou força com a reabertura do Estreito de Ormuz e o anúncio de cessar fogo no Oriente Médio, mas a dinâmica favorável da moeda antecede esse evento e vem se consolidando desde o ano passado. O Brasil se configura como um “vencedor relativo” do atual choque do petróleo. O aumento das receitas de exportação, sobretudo de commodities energéticas, melhora os termos de troca e fortalece as contas externas. Esse efeito ocorre em paralelo a um processo de rotação dos fluxos globais em direção aos mercados emergentes. Nesse contexto, o real tem se beneficiado de forma consistente, apresentando desempenho superior ao de seus pares.

Diretor do Banco Central adota postura conservadora

O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Paulo Picchetti, adotou tom mais hawkish (conservador) em evento em Washington. Picchetti afirmou que o Copom acompanhará de perto as expectativas de inflação, os dados correntes do IPCA, o mercado de trabalho e as próprias projeções do Comitê para calibrar as próximas decisões. Questionado sobre eventual pausa no ciclo, disse que o Comitê optou deliberadamente por não oferecer nenhum forward guidance (orientação futura) no momento, por não enxergar valor esperado positivo nessa sinalização. Picchetti acrescentou que as condições definitivamente não melhoraram desde o último Copom e que um cenário de inflação mais alta pode reduzir o orçamento do ciclo de cortes — mas afirmou que isso não implica, necessariamente, em uma manutenção já na próxima reunião.

Dados de atividade econômica corroboram nossa visão de aceleração do consumo no início de 2026

A receita real de serviços avançou apenas 0,1% em fevereiro frente a janeiro (XP e Mercado: 0,5%). Na comparação com fevereiro de 2025, o setor registrou expansão de 0,5% (XP e Mercado: 1,5%). A surpresa baixista foi explicada, em grande medida, pelo desempenho fraco de Transportes e Armazenagem. Em contrapartida, os Serviços Prestados às Famílias apresentaram firme recuperação. Esse grupo é favorecido pela elevação da renda real, na esteira do mercado de trabalho aquecido e de maiores transferências fiscais. Com relação às vendas no varejo, houve crescimento pelo segundo mês consecutivo. O índice de varejo ampliado avançou 1,0% em fevereiro na comparação com janeiro.

A recuperação do comércio varejista, em conjunto com a melhora dos serviços prestados às famílias, corrobora nossa avaliação de aceleração do consumo no início de 2026. A renda real disponível permanece em trajetória de expansão, em linha com o mercado de trabalho aquecido e o aumento das transferências fiscais. Além disso, um amplo conjunto de medidas governamentais deve sustentar a demanda interna no curto prazo. De acordo com nossos cálculos, essas iniciativas (via impulsos de renda e crédito) podem adicionar mais de 1,0 p.p. ao crescimento do PIB este ano. Nesse contexto, projetamos elevação de 1,1% t/t para o PIB no 1º trimestre e de 2,0% em 2026;

Governo anuncia novas medidas de estímulo

O governo federal anunciou a ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), elevando a meta de contratações de 2 para 3 milhões de unidades até o fim de 2026. O pacote inclui aporte adicional de R$ 20 bilhões do Fundo Social, levando o orçamento total de habitação para R$ 200 bilhões no ano — recorde histórico do programa. O anúncio ocorre em ano eleitoral e o MCMV é o programa de maior aprovação popular do governo, com 90% de favorabilidade segundo a pesquisa Quaest. Os recursos adicionais mobilizam o Fundo Social, que não é contabilizado diretamente nos limites do arcabouço fiscal.

Além disso, o pacote antiendividamento do governo começou a ser delineado. Segundo o jornal O Globo, o Planalto estuda expandir as medidas para além da renegociação de dívidas, incluindo novas linhas de crédito com juros abaixo dos praticados pelo mercado destinadas a motoristas de aplicativo, taxistas e caminhoneiros para renovação de veículos — um plano que ainda depende do aval da equipe econômica. No campo da renegociação, avança a liberação de recursos do FGTS — entre R$ 7 bilhões retidos pela Caixa e outros R$ 5 a R$ 10 bilhões destinados à quitação de dívidas caras, como as de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais sem garantia —, além de estímulos à renegociação de dívidas de empresas de menor porte e uma linha de crédito para médias empresas.

Meta de superávit primário de 0,5% do PIB para 2027 é mantida

O governo enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027. O texto manteve a meta de superávit primário de 0,5% do PIB (R$ 73,4 bilhões). No que diz respeito aos principais parâmetros macroeconômicos, o PLDO considera: crescimento real do PIB de 2,6%; inflação (IPCA) de 3,1%; taxa Selic (over) de 10,55%; taxa de câmbio de R$/US$ 5,47; e salário-mínimo de R$ 1.717/mês.

Como destaque, o projeto trouxe que 39,4% do estoque de precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs) devem ser contabilizados para fins de aferição da meta de 2027. O governo optou por estabelecer um percentual acima do mínimo exigido (10%), que não poderá ser alterado ao longo da programação orçamentária anual e nos relatórios bimestrais de receitas e despesas.

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Destaques da próxima semana   

No cenário internacional, destaque para divulgações de sondagens PMI de abril nas principais economias ocidentais, uma vez que trarão mais informações sobre o impacto da guerra no Oriente Médio sobre as empresas. Nos Estados Unidos, serão divulgadas as vendas no varejo de março. Na China, o banco central define as taxas de juros de empréstimos de curto e médio prazo.

No Brasil, a agenda trará de relevante apenas as estatísticas do setor externo de março pelo Banco Central, para as quais esperamos os impactos iniciais da alta do petróleo e fretes. Veja as nossas projeções abaixo. Veja nossas projeções abaixo.

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