Economia em Destaque: seu resumo semanal de Economia no Brasil e no Mundo

Preocupações sobre vacinas e segunda e terceira ondas de covid-19 avançam na Europa e no Brasil, enquanto publicação do relatório trimestral e discussões fiscais são destaque na agenda político-econômica da semana.


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Atualizações Covid-19

Na Europa, a lentidão da vacinação e a ressurgência de casos continua gerando mais uma onda de lockdowns para conter o que está sendo chamado de “terceira onda de contágio” em países da região, como França e Itália. Ao mesmo tempo, a campanha de vacinação continua a ser fonte de tensões, após revelação que o bloco teria exportado mais doses do que haviam sido aplicadas nos países membros. Em vista disso, ganha força a ideia de limitar exportações de imunizastes produzidos no bloco.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o presidente Biden anunciou, em sua primeira entrevista coletiva, a nova meta de 200 milhões de doses de vacina disponíveis para a população até o centésimo dia de sua administração.

Já no Brasil, a média móvel semanal de óbitos voltou a subir, após normalização do sistema de registros do Ministério da Saúde. A métrica se encontra em 2.280 óbitos diários após os 2.777 computados ontem. Dados de ocupação de leitos mostram situação cada vez mais preocupante. São 24 das 27 unidades federativas com mais de 85% de ocupação; 11 deles já superam 95%.

Por outro lado, o ritmo de vacinação surpreendeu positivamente nos últimos dias. A média móvel semanal está em 510 mil doses diárias e, se mantida, indica vacinação total de idosos e trabalhadores da área da saúde até a última semana de junho. Acreditamos, porém, que o ritmo pode ser acelerado, caso a oferta de vacinas aumente a partir do próximo mês.

Ainda do lado positivo, o governador João Doria e o Instituto Butantan anunciaram o desenvolvimento de uma nova vacina contra o coronavírus, que será fabricada no Brasil e cuja fase final de testes terá início após a aprovação da Anvisa.

Cenário Internacional

O início da semana foi marcado pela forte depreciação da Lira turca, após a demissão do presidente do Banco Central. O Presidente da Turquia Erdogan tomou a decisão após o Banco Central subir 2 p.p. a taxa básica de juros na semana passada. O evento impactou moedas de outros emergentes, diante da preocupação de pressões inflacionárias potencialmente conflitantes com posições políticas em emergentes. A recente aprovação da autonomia do Banco Central no Brasil ganha relevância positiva na discussão.

Foi destaque também na semana um navio de carga de 400 metros, que encalhou no canal de Suez, um dos principais pontos de escoamento e trânsito de bens e serviços global. O incidente segue impedindo a passagem de outras embarcações, prejudicando a cadeia global logística, já conturbada diante de efeitos da pandemia da covid-19. Na esteira da redução de curto prazo da oferta de commodities, os preços de petróleo reagiram com alta ao longo da semana, interrompendo a tendência recente de queda.

Em política monetária, o presidente do Fed, Jerome Powell, e a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, reforçaram a visão destacada em comunicado do FOMC na semana passada. Em pronunciamentos ao longo da semana, as autoridades indicaram classificar as pressões inflacionárias correntes como temporárias, e sinalizaram continuidade dos estímulos à frente. Powel reforçou ter as ferramentas necessárias para controlar a inflação à disposição. Já Yellen destacou a importância de um pacote de infraestrutura para combater o desemprego. A secretária reconheceu que as medidas terão que ser custeadas por aumentos tributários, como o aumento do imposto corporativo a 28%.  

Na seara de indicadores, as vendas de casas existentes nos Estados Unidos caíram 6,6% em fevereiro, mais que o dobro do esperado (-3,0%). O mercado imobiliário, um dos principais destaques da retomada recente da atividade, pode estar perdendo fôlego. Na mesma direção, o consumo das famílias caiu 1% em fevereiro frente a janeiro, pior do que as expectativas de mercado. Por outro lado, a medida de inflação ao consumidor (PCE) preferida pelo FED veio em linha com o esperado, arrefecendo perspectivas de alta excessiva de inflação no país.

Enquanto isso, na Zona do Euro, a prévia dos PMIs de março surpreenderam positivamente. O indicador de serviços variou +3.1 para 48.8, e da indústria saltou +4.5 pontos para 62.4, com destaque para Alemanha e França. Os fortes resultados, no entanto, devem que ser lidos com cuidado, uma vez que as medidas de isolamento avançam na região. O mesmo não ocorre no Reino Unido, por outro lado, onde os resultados também surpreenderam para acima, mas já podem ser lidos como impactos do início da vacinação (que já chegou a 23% da população) na retomada da atividade.

Finalmente, na seara diplomática, os EUA, Reino Unido e União Europeia anunciaram sanções contra a China por violações aos direitos humanos em Xinjiang. Beijing repudiou as alegações e indicou que as sanções afetariam negativamente as suas relações com os países. Em resposta, Beijing apresentou sanções reciprocas contra autoridades europeias e adotou firme discurso contra os poderes.  

Enquanto isso, no Brasil

No Brasil, a semana começou com a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), quando elevou a taxa Selic em 0,75 pp. No documento, o Copom argumentou que o mercado de trabalho está melhorando mais do que o esperado e os riscos fiscais aumentam com o agravamento da pandemia. Como havia feito no comunicado pós-reunião, reforçou a necessidade de mais um aumento de 0,75 pp na próxima reunião (maio).

Na seara dos indicadores, a arrecadação total de impostos federais atingiu R $ 127.747 bilhões em fevereiro, o que representa o maior resultado mensal da história. O resultado aos poucos vai deixando de refletir o forte desempenho da produção econômica, especialmente do setor industrial, verificado nos meses anteriores. Para frente, esperamos que os resultados fiscais deixem de trazer surpresas positivas, especialmente à medida que começam a refletir a desaceleração da atividade esperada para o final do primeiro trimestre do ano, provavelmente se sentindo mais forte no segundo trimestre, a iniciar em abril.

a inflação medida pelo IPCA-15 de março veio um pouco abaixo das expectativas, em 0,93% ao mês (XP: 0,95%; consenso do BBG: 0,96%). Analisando a composição, destacamos a inesperada queda da gasolina. As medidas de núcleo de inflação vieram linha com nossa visão

Também foi destaque a publicação do Relatório Trimestral de Inflação por parte do Banco Central. No documento, a autoridade monetária reforçou seu plano de voo de ajuste parcial das condições monetárias – o que, a nosso ver, significa levar a taxa Selic para menos de 6% neste ano. Mantemos nossa projeção para a taxa Selic em 5,0% para 2021. Para 2022, subimos para 6,5% (5,0% antes).

Ao longo da semana, tivemos também a divulgação de índices de confiança referentes ao mês de março. Após recuperação observada ao longo do ano passado, e inicial reversão nos últimos meses, os principais índices de confiança registraram forte queda, puxados tanto pela piora da percepção sobre a  situação corrente quanto em expectativas para o futuro. A queda foi mais acentuada no setor varejista, que despencou 18,5 p.p. no período. Enquanto isso, a confiança do consumidor voltou ao nível visto em maio de 2020, a da construção recuou 3,2p.p., e a confiança industrial caiu para 104,2, permanecendo, porém, em patamar superior ao pré-crise.

Enquanto isso, no cenário político econômico, crescem as pressões para o aumento de gastos para conter os efeitos econômicos do avanço da segunda onda da pandemia da Covid-19. O Ministério da Economia discute formas de restabelecer o programa BEm de proteção ao emprego. Em nossa visão, a reedição do programa de auxílio ao emprego formal justifica-se, especialmente diante da efetividade observada no ano passado. Mas é crucial limitar o impacto fiscal da medida. Isso posto, a principal ferramenta no combate a pandemia segue sendo a vacinação.

Ainda na seara político-econômica, o Congresso aprovou ontem o Orçamento de 2021, o que deve permitir ao governo implementar duas das medidas emergenciais que estavam programadas: a antecipação do 13º do INSS e a nova fase do Pronampe – programa de crédito subsidiado a pequenas e médias empresas. Porém, na mesma linha de crescentes preocupações fiscais, o relatório final apresentado inclui corte substancial em despesas obrigatórias, para o aumento de emendas parlamentares. A manobra vai obrigar o governo a bloquear mais de R$ 30 bilhões para recompor as despesas obrigatórias, o que aumenta o risco de shutdown no segundo  semestre.

O que esperar?

Na seara internacional, destaque para índices de inflação na Zona do Euro, dados de desemprego nos EUA, além de PMIs industriais e de serviços na China, EUA e Europa.

No Brasil, seguem as discussões sobre o orçamento para esse ano na seara político-econômica, seguindo também os impactos nos mercados no país diante da crescente preocupação fiscal. Em indicadores, teremos a divulgação de dados fiscais referentes a fevereiro, além de dados de mercado de trabalho com a PNAD Contínua, e produção industrial também de fevereiro.

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