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Economia em Destaque: Inflação pressionada reforça juros em alta nos EUA e Europa

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

No cenário internacional, o destaque da semana foi a aceleração da inflação ao consumidor nos EUA e a sinalização de alta de juros em julho pelo Banco Central Europeu. Na China, a retirada de lockdowns já provoca efeitos positivos na atividade econômica.

No Brasil, a semana foi marcada pela divulgação da inflação medida pelo IPCA, que teve leve desaceleração na margem, mas segue pressionada. Do lado da política, a discussão também foi centrada na inflação, e em medidas para combatê-la via desoneração de combustíveis e energia elétrica.

Na próxima semana, a atenção do mercado estará voltada para a decisão de juros no Brasil pelo Copom e nos Estados Unidos pelo FOMC.

Atualizações Covid-19 no Brasil

No Brasil, tanto a média móvel de sete dias de novos casos quanto a de óbitos subiram, para 37,1 mil e 123, respectivamente. Ao todo, 84,5% da população brasileira já está vacinada com ao menos a primeira dose de imunizante contra a doença; 79,3% já tomou dose única ou duas doses e 47,2% já teve o reforço da vacinação.

Cenário internacional

Inflação ao consumidor acelera nos EUA

A inflação ao consumidor nos EUA em maio avançou 1,0% em maio (XP e consenso de mercado: 0,7%), acumulando 8,6% em 12 meses. As altas mais relevantes foram nos itens de alimentos e energia, fortemente impactados pela guerra na Ucrânia, que pressionou preços de commodities em todo o mundo.

A inflação em alta reforça a necessidade do Fed – o banco central americano – continuar subindo sua taxa de juros em sua reunião de política monetária, na semana que vem.

Banco Central Europeu inicia ciclo de alta de juros

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou aumento das taxas de juros em 0,25pp em 21 de julho (próxima reunião de política monetária), o primeiro aumento de juros desde 2011, seguido por um movimento potencialmente maior em setembro. A inflação ao consumidor da zona do euro chegou a 8,1% em maio (em termos anualizados), o patamar mais elevado desde a criação do Euro.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, declarou em entrevista coletiva que o banco vai garantir que a inflação retorne à meta de 2% no médio prazo, e que isso não é um passo, mas sim uma jornada. Sua fala foi considerada hawkish (mais dura no combate à inflação, indicando ciclo mais longo de aperto monetário), o que levou o mercado a aumentar apostas de altas das taxas de juros da zona do euro nos próximos meses

China retoma o fôlego após retirada de lockdowns

Na China, o setor externo exibiu forte recuperação em maio, já refletindo o início da retirada das restrições à mobilidade por conta da Covid. O salto nas exportações foi de 16,9% em relação ao mesmo mês de 2021, a maior taxa de crescimento desde janeiro de 2022, e as importações avançaram 4,1% em maio, a primeira leitura positiva em três meses.

Apesar das surpresas positivas no comércio exterior, o governo chinês ainda tem o desafio de reanimar o consumo interno. As autoridades já anunciaram medidas de crédito para o segundo semestre.

Enquanto isso, no Brasil…

Brasil Macro Mensal: Emprego surpreende, fiscal volta a preocupar

Publicamos nessa semana o relatório Brasil Macro Mensal de junho. Reduzimos nossas projeções de desemprego, à luz do bom desempenho do mercado de trabalho nos últimos meses. Estimamos ainda o impacto das medidas de redução de impostos discutidas no Congresso sobre a inflação e fiscal. Caso aprovadas, as medidas devem provocar alívio na inflação no curto prazo, mas provocam preocupações com a sustentabilidade das contas públicas.

CAGED de abril reforça melhora no emprego

O CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostrou geração líquida de aproximadamente 197 mil ocupações formais em abril (XP: 185 mil; consenso: 174 mil). Os resultados vistos no período recente reforçam nossa avaliação de solidez do mercado de trabalho formal brasileiro, assim como evidenciado pela PNAD Contínua (IBGE), divulgada na semana passada.

Acreditamos que o mercado de trabalho formal continuará em expansão nos próximos meses, ainda que a um ritmo gradualmente mais suave. O fim dos efeitos do programa governamental BEm (logo, aumento dos desligamentos) e a expectativa de desaceleração da demanda interna a partir do 3º trimestre (logo, aumento mais moderado das contratações) são os principais fatores a sustentar essas perspectivas. Projetamos geração líquida de aproximadamente 1,3 milhão de ocupações com carteira assinada em 2022 (média ao redor de 145 mil no 1º semestre e 75 mil no 2º semestre).

IPCA um pouco abaixo do esperado, mas ainda alto

A inflação de maio medida pelo IPCA ficou abaixo do esperado, em 0,47% (média de mercado: 0,60%; XP: 0,58%). Em 12 meses, a inflação subiu 11,73% – leve desaceleração dos 12,13% de abril, mas ainda bastante elevada (a meta do BC para este ano é de 3,5%).

Para o ano, nossa projeção de inflação é de 9,2%, mas não consideramos nesse cenário a série de medidas propostas pelo governo a fim de reduzir preços de combustíveis e energia elétrica.

Propostas para abaixar o preço de combustíveis seguem em discussão

Com a finalidade de reduzir pressões sobre a inflação, o governo e o Congresso discutem uma série de medidas que envolvem desonerações. Duas propostas principais estão tramitando: a chamada “PEC dos Combustíveis”, que fixa um teto de R$ 29,6 bilhões para a União compensar as unidades da federação que zerarem o ICMS incidente sobre diesel, GLP, gás natural e reduzirem a alíquota do etanol; e o PLP/18, que impõe um teto ao ICMS incidente sobre combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte público coletivo, devido à mudança na classificação desses bens e serviços para essenciais.

Segundo nossas estimativas, a aprovação de todo pacote de propostas para reduzir os preços de combustíveis, energia elétrica e outros bens/serviços tem impacto fiscal potencial – perda de arrecadação aos cofres públicos – próximo a R$ 90 bilhões em 2022 (quase R$ 180 bilhões em termos anualizados). No caso da inflação, medida pelo IPCA de 2022, o efeito baixista poderia chegar a cerca de 2,5 pp considerando o repasse integral aos consumidores finais, o que não é o cenário mais provável.

Além desses projetos, o Congresso aprovou um projeto de lei que permite utilizar créditos tributários, ou valores cobrados a mais, para reduzir a conta de energia elétrica. Estimamos que o projeto, se aprovado, pode reduzir a inflação em 0,5 pp.

O que esperar para semana que vem?

No cenário internacional, semana de decisão de taxa de juros em algumas das principais economias do mundo: EUA, Reino Unido e Japão. Mais do que a decisão em si, os mercados estarão de olho no comunicado para os passos seguintes dos juros nesses países.

No Brasil, também atenções voltadas para decisão de juros do Banco Central, na quarta-feira. Esperamos aumento de 0,50 p.p. na taxa Selic. Em relação a indicadores econômicos, haverá divulgação dos resultados do setor de serviços em abril (PMS/IBGE). Por fim, no campo político, as propostas legislativas para redução dos preços de combustíveis, energia elétrica e alguns outros bens e serviços (PLP 18, “PEC dos Combustíveis”) continuam em destaque.

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