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Buscas mais aceleradas por trabalho podem pressionar taxa de desemprego já nos próximos meses

O resultado de hoje é compatível com a nossa projeção de taxa de desemprego de 15,5% ao final de 2020 e de 14,5% ao final de 2021.

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Resumo:

De acordo com a PNAD Contínua, a taxa de desemprego nacional passou de 13,8% no trimestre encerrado em julho para 14,4% no trimestre encerrado em agosto (vs. exp. XP de 14,3% e consenso de 14,2%).  Com a reabertura das atividades econômicas e com a aproximação do fim do pagamento do auxílio emergencial, os indivíduos começaram a voltar gradualmente para a força de trabalho. A continuidade desse movimento deve pressionar ainda mais as medidas de desemprego nos próximos meses.

O ritmo de recuperação do mercado de trabalho brasileiro continua heterogêneo: o Caged tem apontado para um ritmo mais acelerado de recuperação das vagas formais, enquanto a PNAD tem apontando para um mercado (formal e informal) bastante frágil. Com o término do BEm e das parcelas do auxílio emergencial, que são as principais fontes de incerteza ao cenário de recuperação da demanda agregada, esperamos que a informalidade seja ainda maior no ano que vem. O resultado de hoje é compatível com a nossa projeção de taxa de desemprego de 15,5% ao final de 2020 e de 14,5% ao final de 2021.

Principais destaques:

  • De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desemprego nacional passou de 13,8% no trimestre encerrado em julho para 14,4% no trimestre encerrado em agosto (o equivalente a 15,0% na série livre de efeitos sazonais). O resultado veio levemente acima do consenso de mercado (de 14,4%) e em linha com a nossa expectativa (14,3%).
  • Com a aproximação do fim do pagamento do auxílio emergencial e com a reabertura das atividades econômicas, a taxa de participação (PEA/PIA) caiu em ritmo menor que vinha caindo nos últimos meses, sinalizando que, gradativamente, os indivíduos já estão retornando à força de trabalho (ou seja, estão voltando a procurar empregos). O aumento da população economicamente ativa já em agosto foi o principal destaque do resultado e a continuidade desse movimento deve pressionar ainda mais as medidas de desemprego nos próximos meses. Continuamos esperando que a taxa de desemprego ao final de 2020 seja de 15,5% e, ao final de 2021, de 14,5%. O pico de desemprego deve ser sentido entre dezembro desse ano e janeiro do ano que vem.
  • Os indicadores de informalidade voltaram a crescer em ritmo mais acelerado, enquanto a massa de renda continuou em queda. Para o ano que vem, o nosso entendimento é de que a informalidade será ainda mais elevada.
  • A boa notícia é que o número de ocupações tem melhorado marginalmente na maioria dos setores (especialmente na construção civil).
  • Em linhas gerais, Caged e PNAD reforçam a heterogeneidade do mercado de trabalho brasileiro. Ainda que o número de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada medido pela PNAD esteja em queda, o mercado de trabalho formal medido pelo Caged tem apresentado ritmo de crescimento mais consistente, como consequência principal do BEm. O mercado de trabalho informal, por outro lado, segue bastante fragilizado.
  • Olhando para frente, o término do BEm e das parcelas do auxílio emergencial são as principais fontes de incerteza ao cenário de recuperação da demanda agregada.
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