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Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) no Super Clássicos: vale ter mais de um bancão na carteira?

No Super Clássicos da Bolsa 2022, especialistas analisam papéis de grandes empresas na Bolsa para você investir melhor

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Itaú (ITUB4) ou Banco do Brasil (BBAS3)? O primeiro painel do Super Clássicos da Bolsa desta terça-feira, 7, abordou dois papéis de peso.

A performance nos primeiros meses de 2022 mostra que o mercado ainda gosta bastante dos grandes bancos. Por isso, o analista-chefe do Setor Financeiro da XP, Renan Manda, trouxe ao evento um gestor com quase 20 anos de experiência no setor para responder: vale ter mais de um bancão na carteira?

“É uma cabeça bem pragmática de não se apaixonar por nada, mas procurar realmente as melhores ideias, seja na parte comprada, seja na parte vendida”, disse Marcelo Mizrahi, gestor da Norte Asset. Ele disse que, embora não esteja apaixonado nem por Banco do Brasil nem por Itaú, atualmente ele não vive sem eles (no portfólio).

Setor financeiro

Desde 2008, Mizrahi enxergava uma desaceleração nos estímulos. Entretanto, a pandemia teria trazido de volta incentivos para empresas e pessoas, principalmente em forma de taxas de juros em patamares baixíssimos. Pessoas estariam se expondo mais ao risco devido à queda nas taxas de juros.

No entanto, à medida que as taxas sobem, o custo de oportunidade para se expor a cada ao risco também aumenta. Assim, atualmente, o custo de funding está altíssimo,.

O gestor entende que, nos últimos anos, o mercado estava avaliando os bancos usando uma rentabilidade decrescente. Mas, dada a dinâmica recente, a Norte Asset reviu isso e prevê uma rentabilidade mais estável (na casa dos 20%). Apesar do aumento expressivo no número de fintechs e neobanks, o lucro desses players ainda não apareceu. Para ele, deve haver um movimento de centralização dos produtos bancários.

Os próximos 5 anos, em termos de competição, não serão tão incertos quanto os 5 anos passados, segundo Mizrahi.

Serviços e Crédito

O gestor ressaltou ainda que a preocupação do mercado com a queda na receita com serviços não se materializou. Nos últimos 10 anos, a receita com prestação de serviços não teria sido muito afetada, mas reforçou que o que rentabiliza a operação dos bancos é a carteira de crédito.

Mizrahi disse ainda que as empresas da indústria de pagamentos (Cielo, Getnet, Stone, por exemplo) tiveram que buscar margem com aumento do Take Rate, devido ao aumento do custo de funding, consequência do aumento da taxa da Selic. Logo, acredita que os bancos vão encontrar um nível adequado de racionalidade em virtude do aumento da Selic.

Perguntado sobre quais os triggers poderiam destravar valor no curto prazo para esse setor, o gestou afirmou serem dois: manutenção da consistência na entrega dos resultados; e, especificamente para o Banco do Brasil, eleições.

Banco do Brasil

Em relação ao banco estatal, o gestor concordou que não é o “cara” mais eficiente, nem o mais rentável, mas que quando se olha o preço “não dá para ignorá-lo”. Para ele, apesar de o banco já ter passado por diferentes fases e momentos da economia, o momento atual é único.

Segundo ele, depois de “digerir” [a operação] Lava Jato e um crescimento muito forte durante o governo Dilma, o BB veio reduzindo a exposição a créditos que não faziam sentido, com retorno muito baixo ou até negativo. E aumentando a exposição em créditos. Notadamente o Agro e o Consignado.

Lembrou que o BB foi criado para ser o banco do Agro e que possui 60% de market share nessa linha. “Agro é o Brasil que deu certo”. Hoje, o agro representa mais de 30% da carteira de crédito banco.

“Risco eleição”

Sobre o “Risco Eleição”, o gestor reiterou que na sua visão a preocupação o mercado estaria precificando o pior cenário. No entanto, se ficar como está (sem interferência política sobre o BB), as ações do BB deveriam subir. Em relação à Governança, disse que o Banco do Brasil não pode ter diretores por indicação política. No entanto, não acredita que funcionários de carreira sustentariam uma visão política em detrimento de rentabilidade.

Renan Manda emendou dizendo que, em sua visão, o Banco do Brasil é muito defensivo. Possui duas camadas de proteção: (i) Inadimplência baixa devido perfil da carteira; e (ii) Índice de cobertura mais robusto do setor. E que o valuation atual “aguentaria desaforo”.

Itaú Unibanco

Sobre o Itaú, o gestor comparou a taxa de Inadimplência de cartão de crédito com a de veículos e imobiliário. Discutiu também o ciclo da carteira de crédito do cartão (30 dias) com o imobiliário (10 anos) e o de veículos (3 anos). De acordo com ele, a carteira de cartão pode ser alterada de forma rápida para ajustar os limites e aperfeiçoar taxas cobradas.

Para Mizrahi, o Itaú é um player muito eficiente, com uma ótima alocação de capital, e sabe fazer muito bem esse serviço.

Perguntado sobre suas preocupações com a possibilidade do cenário macro impactar a inadimplência, respondeu que espera uma piora, assim como um aumento da provisão. Entretanto, acredita que um índice de cobertura de 230% dá a folga necessária para surfar este momento de incerteza. Acrescentou que os bancos podem fazer write-offs de parte de suas carteiras, que isso é positivo para eles.

Em paralelo a isso, afirmou que acredita que parte de uma eventual piora de cenário já esteja no preço dos ativos. Concluiu que Itaú é um play de qualidade que possui um valuation mais assertivo que BBAS3.

Fintechs

O crescimento no número de fintechs no Brasil e no mundo está muito relacionado ao menor custo de oportunidade e ao diferencial em termos de User Experience (UX), disse o gestor.

Hoje, disse, seria necessário em torno de R$ 20 bi em carteira de credito para manter uma operação de neobank rodando regulamente, o que é “muito difícil”.

Acompanhe mais Super Clássicos da Bolsa

Ontem, o Super Clássicos trouxe a discussão sobre Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3). Nesta terça-feira, além do encontro sobre Banco do Brasil e Itaú, termos às 19hs um debate sobre Localiza e Movida. O evento terá discussões até dia 10 de junho, em que especialistas do Research XP debatem, ao lado de grandes especialistas e gestores, os Super Clássicos entre grandes empresas da Bolsa.

O objetivo é mostrar a quem investe fundamentos que ajudem a tomar suas decisões de investimentos em cada setor. Acompanhe a programação completa aqui.

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