Fluxo em foco: Estrangeiros aportam R$ 12,4 bilhões na Bolsa em outubro

Quais foram os principais fluxos e participantes da Bolsa brasileira no último mês? Neste relatório, destacamos as principais movimentações do mês.


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Em outubro, o cenário macro brasileiro se deteriorou ainda mais. A sinalização de Brasília de que o teto de gastos pode ser violado foi mal recebida pelo mercado, e a preocupação agora é que os gastos não parem por aí. Eventos como esses indicam um enfraquecimento do atual quadro fiscal do país, uma vez que a regra do teto de gastos, principal âncora para o controle dos gastos públicos, não será muito eficaz daqui para a frente. Essa mudança no quadro político e fiscal fez com que nossa equipe de Economia revisasse nossas projeções conforme tabela a seguir. Estamos agora nos aproximando de um antigo equilíbrio Macro: mais gastos, inflação mais alta e taxas mais altas.

Como resultado, os mercados reagiram mal e o Ibovespa teve o pior desempenho mensal do ano, mais uma vez inferior aos mercados globais. As ações brasileiras caíram -6,7% em outubro em reais, e com a taxa de câmbio caindo -3,4% em relação ao dólar, elas corrigindo fortemente em -9,8% em dólares. Em comparação, o índice de ações globais, medido pelo MSCI ACWI, registrou uma alta de +5,0% no mês passado

Quer saber a nossa visão dos acontecimentos recentes e visão para a Bolsa no Brasil? Clique aqui: Raio-XP da Bolsa: A Bolsa está barata? Voltando ao velho equilíbrio Macro

Apesar disso, o número investidores pessoas físicas continuou crescendo (link). Essa tendência, somada ao potencial de migração de renda fixa e poupança, que juntos somam mais de R$5 trilhões (levando em conta somente fundos investidos em renda fixa), para renda variável, nos deixam otimistas em relação ao potencial de crescimento da Bolsa no longo prazo.

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Fluxo de investidores estrangeiros foi positivo em outubro

O fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira foi positivo no mês de outubro de 2021, com um saldo de R$12,4 bilhões* e, se contarmos com os dados de novembro que já temos, o saldo fica ainda maior, R$14 bilhões*. O saldo mensal voltou então a ser positivo em comparação com o mês anterior que registrou um saldo negativo de -R$4,8 bilhões. Quanto ao saldo total de 2021 até agora, ele continua positivo e acumula +R$87,1 bilhões*, um número bem acima dos R$ 7,4 bilhões em 2020.

*Saldo não considera a entrada/saída de capital estrangeiro por IPOs e Follow Ons em setembro, pois os dados ainda não foram divulgados pela B3.

Como mencionamos em relatórios anteriores, a continuação do retorno desses investidores para a Bolsa brasileira se dará pelos seguintes fatores: i) melhor resolução sobre a trajetória fiscal e política do país; ii) a continuação da recuperação econômica; iii) cenário positivo para as commodities e os mercados emergentes, e iv) o avanço crescente das iniciativas ESG pelas empresas brasileiras.

Fundos investimento: Alocação em ações apresentou fluxo negativo

A alocação dos fundos de investimentos em ações teve um fluxo negativo em setembro, último dado disponível, de R$40,1 bilhões em comparação com o mês anterior, chegando a R$ 765,2 bilhões alocados em ações. Essa foi a maior saída mensal dessa classe de ativos desde janeiro de 2021, quando houve um fluxo negativo de R$ 35,7 bilhões. Além disso, a alocação em ações caiu -5p.p. M/M no patrimônio líquido das gestoras, representando apenas 14,0% do total.

Em contraste, os fundos têm R$4,7 trilhões alocados em renda fixa, correspondente a 85,6% do seu patrimônio. Em setembro, houve um fluxo de R$48,8 bilhões (+1,1% M/M) nessa classe de ativos no portfólio dos fundos.

Fundos de pensão: Alocação em ações aumentou, mas diminuiu em fundos de renda variável no primeiro semestre do ano

Quando olhamos apenas para os fundos de pensão, segundo dados mais recentes disponíveis de junho de 2021 da Abrapp, o fluxo de alocação em ações foi de +R$45,7 bilhões em relação à dezembro do ano passado (+60,6%). Com isso, eles fecharam o mês de junho com uma alocação de R$121,2 bilhões em ações.

Já o fluxo para fundos de renda variável foi levemente positivo em -R$34,0 bilhões (-26,0%), chegando a R$ 96,8 bilhões.

Juntos, investimentos em ações e fundos de renda variável representam 20,4% da carteira desses fundos de pensão, valor este que se compara aos 71,7% alocados em renda fixa, um saldo de R$766,2 bilhões em junho deste ano.

Os dados acima revelam que a participação das instituições no mercado acionário ainda é baixa quando comparado à exposição à renda fixa, ou seja, ainda existe um grande potencial de migração da renda fixa para a variável.

Pessoas físicas registram queda na posição na Bolsa em outubro

Como destacado em nosso relatório XP Monitor, o crescimento de investidores Pessoas Físicas continuou positivo em outubro com uma adição de 45.273 pessoas na Bolsa, +1,1% M/M, atingindo 4.015.657. Comparado a 2020, quando encerramos o ano com 3.229.318 contas ativas na B3, continuamos a ver uma alta expressiva de +24,4%.

Porém, vimos uma queda de -5,5% M/M na posição total dos investidores pessoas físicas de -R$28,1 bilhões, chegando à RS$485,8 bilhões. Ainda assim, quando comparamos esse valor de outubro com a posição no final de 2020 (R$452,6 bilhões), houve um aumento de +7,33%, o que reflete a evolução do mercado de ações brasileiro nos últimos anos.

Acreditamos que esse crescimento de longo prazo está alinhado com a melhora da educação financeira no país. A leve queda mensal na posição total de investidores pode ser atribuída à queda na Bolsa no último mês, com o aumento da taxa Selic, bem como a percepção de riscos aumentando, dado as incertezas políticas e fiscais que estamos vivendo.

Investidores estrangeiros, pessoas físicas e instituições possuem as maiores participações na Bolsa

Os principais investidores da Bolsa brasileira são: 1) investidores estrangeiros (52,1%), 2) instituições (25,7%) e 3) pessoas físicas (15,9%). Juntos, eles representam 93,7% dos participantes do mercado acionário.

Nessa publicação, considera-se apenas o fluxo do mercado à vista.

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