Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O pregão de quarta-feira fechou em alta, com o IBOV e o ISE avançando 0,9% e 1,39%, respectivamente.
• Do lado das empresas, (i) o BNDES aprovou um financiamento de R$ 123,6 milhões para a Toyota Brasil desenvolver um Centro de Desenvolvimento de Tecnologias para Biocombustíveis em Sorocaba (SP) – as instalações permitirão simulações e análises voltadas a eficiência energética, emissões e evolução de tecnologias para motores híbridos flex, aproveitando a experiência brasileira em biocombustíveis e a combinação entre eletrificação e etanol como rota para descarbonização no país; e (ii) a Compagas e a Cia Verde assinaram um contrato para instalação de um ponto de abastecimento de gás natural e biometano para transporte rodoviário de cargas dentro da sede da empresa de logística, em Araucária (PR) – com o acordo, a Cia Verde, que opera 36 caminhões movidos a gás, prevê incorporar mais 100 veículos a gás e biometano à frota.
• Na política, o Ministério de Minas e Energia convocou reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para 2 de setembro, com as diretrizes para o mapa do caminho brasileiro para a transição energética na pauta – a pauta também traz, entre outros temas, a criação de Grupos de Trabalho sobre Eletromobilidade e Valorização Energética de Resíduos, e a resolução sobre o Plano Nacional de Transição Energética (Plante).
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Brasil
Empresas
Os limites da governança formal no mercado de capitais
“Desde o acontecimento da fraude envolvendo as Americanas e os desafios de assimetria de informação na Ambipar, um caso mais recente, ficou evidente que há um limite nos modelos tradicionais de governança. Para a indústria de fundos, esses episódios funcionaram como testes de estresse, provando que a existência de estruturas formais de controle já não basta para mitigar o risco de crédito. Afinal, ambas as companhias cumpriam as exigências regulatórias habituais: eram listadas em segmentos de alta exigência da B3, compunham índices de mercado importantes, possuíam comitês de auditoria instalados e conselhos de administração preenchidos por nomes de relevância técnica. O que faltava então? O erro de uma abordagem puramente formal de governança é tratá-la como um checklist burocrático. A existência de um comitê independente ou de uma auditoria de primeira linha gera uma falsa sensação de segurança se a cultura de comando permanecer opaca. No caso da Americanas, a diretoria utilizou uma operação financeira legítima (o risco sacado) para esconder uma dívida bancária gigantesca e, enquanto isso acontecia, os órgãos de controle e fiscalização da empresa não viram porque estavam focados apenas em cumprir as formalidades da governança. Já no caso da Ambipar, o crescimento vertiginoso via aquisições e a engenharia financeira agressiva não parecem ter sido profundamente discutidos nos ritos formais do conselho. Quando os mecanismos de controle só reagem após o fato consumado, eles deixam de ser governança e passam a ser perícia forense. Para o gestor de recursos, que carrega o dever fiduciário de proteger o capital de terceiros, a blindagem contra essas assimetrias reside na profundidade do seu time de análise. Proteger-se desses eventos exige ir além do balanço auditado e das apresentações institucionais. É nesse cenário que se sobressai o valor de equipes experientes, capazes de exercer um ceticismo saudável e identificar os “sinais de fumaça” que antecedem o fogo. Esse trabalho envolve rastrear a consistência das notas explicativas, analisar o desalinhamento de incentivos da diretoria, como pacotes de remuneração que possam premiar metas agressivas de curto prazo, monitorar transações com partes relacionadas e, acima de tudo, questionar modelos de negócios que parecem imunes à gravidade econômica. Uma equipe de análise verdadeiramente preparada monitora a governança em sua dimensão viva e comportamental. Isso significa avaliar o tom que vem do topo: a empresa tolera o contraditório? O diretor financeiro tem real autonomia ou há uma centralização excessiva na figura do controlador? Ler o que não está escrito e ouvir o que não foi dito nas teleconferências de resultados torna-se o diferencial entre a preservação de capital e a perda.”
Fonte: Valor Econômico; 20/08/2026
“A Compagas, distribuidora de gás canalizado do Paraná, assinou um contrato com a Cia Verde para instalação de um ponto de abastecimento de gás natural e biometano para transporte rodoviário de cargas dentro da sede da empresa de logística, em Araucária (PR). Com o acordo, a Cia Verde, que opera 36 caminhões movidos a gás, prevê incorporar mais 100 veículos a gás e biometano à frota. O contrato com a Cia Verde é o terceiro deste tipo firmado pela Compagas neste ano. A distribuidora já atende 35 postos com o gás natural, sendo 13 postos em operação preparados para atendimento ao transporte pesado. As iniciativas fazem parte da estratégia da empresa de desenvolver corredores para o transporte de cargas. O objetivo da companhia é substituir o diesel por gás natural e biometano nas frotas pesadas, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa no transporte rodoviário.”
Fonte: Eixos; 19/08/2026
BNDES aprova R$ 123,6 mi para Toyota implantar centro de P&D em biocombustíveis em Sorocaba
“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 123,6 milhões para a Toyota do Brasil implantar um Centro de Desenvolvimento de Tecnologias para Biocombustíveis em Sorocaba (SP). O apoio será feito com recursos do programa BNDES Mais Inovação e tem como foco ampliar a capacidade da montadora em pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados a motores híbridos flex no país. Segundo o banco, o projeto foi selecionado em edital conjunto com a Finep, lançado em 2025, para atração, implantação ou expansão de centros de PD&I. A nova unidade deverá concentrar atividades de pesquisa, calibração, validação, testes funcionais e desenvolvimento contínuo de soluções embarcadas, com maior participação da engenharia brasileira. A implantação inclui compra de equipamentos, construção de laboratório e uma nova pista de testes dedicada às atividades de desenvolvimento. As instalações permitirão simulações e análises voltadas a eficiência energética, emissões e evolução de tecnologias para motores híbridos flex, aproveitando a experiência brasileira em biocombustíveis e motores flex. “O projeto associa a introdução de tecnologias de baixo carbono no setor automotivo no Brasil ao desenvolvimento da cadeia de fornecedores locais, com a aquisição de insumos locais”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota. Para a Toyota, o centro reforça a estratégia multi-pathway e a combinação entre eletrificação e etanol como rota para descarbonização no Brasil. “Este projeto reflete a confiança da Toyota na capacidade da engenharia brasileira”, afirmou o presidente da Toyota do Brasil, Evandro Maggio, também em comunicado.”
Fonte: Eixos; 19/08/2026
Carga acima de 4 GW para hidrogênio no Nordeste demanda investimentos em geração, afirma EPE
“A possível instalação de cargas superiores a 4 GW no Nordeste, sobretudo de projetos de hidrogênio verde no Ceará e Piauí, exigirá investimentos adicionais em geração de energia. A avaliação é da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que considera esse patamar uma espécie de limite para a expansão da transmissão na região sem a necessidade de construir novos parques. “Um dos estudos concluiu que, até aproximadamente 4GW, podemos expandir nossas linhas de transmissão sem nenhum custo adicional de geração”, afirmou Rafael Caetano, integrante da equipe de planejamento da transmissão de longo prazo da EPE, durante workshop com investidores associados à Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (Abihv). “Esses 4 gigawatts são uma espécie de limite, em termos de expansão no Nordeste. Podemos ampliar a transmissão em até 4 GW sem custo adicional de geração. Depois disso, começamos a identificar a necessidade de geração adicional” acrescentou. A EPE desenvolveu um plano de expansão da rede voltado à conexão de grandes consumidores de energia em Pecém, no Ceará, e Parnaíba, no Piauí. Os dois polos concentram projetos ultraeletrointensivos, especialmente de produção de hidrogênio verde e derivados, mas também data centers, e são considerados estratégicos por sua proximidade com portos e com os mercados europeu e norte-americano. Segundo Caetano, os novos corredores transportarão principalmente a energia renovável produzida no Rio Grande do Norte até os futuros centros consumidores. “A maior parte da geração destinada a essas grandes cargas no Ceará e no Piauí virá do Rio Grande do Norte e será levada até lá por esses novos corredores que estamos planejando”. O conjunto estudado representa investimentos estimados em R$ 5,7 bilhões, equivalentes a aproximadamente US$ 1 bilhão, e envolve cerca de 1.900 quilômetros de novas linhas. A previsão é que os empreendimentos entrem em operação em 2032.”
Fonte: Eixos; 19/08/2026
Gerdau estreia em Barretos com aço de baixo carbono e mira descarbonização do agro
“O agronegócio já representa cerca de 10% da carteira da Gerdau e está entre os mercados considerados estratégicos para sua expansão. É nesse contexto que a companhia siderúrgica estreia na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos (SP), que acontece entre 20 e 30 de agosto, e é uma das principais vitrines da cultura agro no Brasil, reunindo atrações que vão de shows e feiras a rodeios. A aposta é ousada e se materializa em infraestrutura: mais de 70 toneladas de aço de baixo carbono foram utilizadas na modernização do Parque do Peão, incluindo as estruturas do maior telão de LED da América Latina, instalado na arena, além da ampliação da área de hospitalidade. O projeto marca ainda a primeira aplicação da New Eco, nova linha lançada para clientes que buscam reduzir as emissões associadas às suas cadeias de produção. A aproximação com o agronegócio, porém, não começou em Barretos. A marca já está presente em eventos como a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), e a Expointer, em Esteio (RS). Para Pedro Torres, diretor global de Comunicação, Marca e Relações Institucionais da Gerdau, a estreia em Barretos é mais uma forma de fortalecer a relação com clientes e outros atores para ampliar sua atuação rumo à descarbonização. “Vamos levar produtos que representam soluções para os principais desafios do setor”, afirma à EXAME. A estratégia ganha corpo em um momento em que a descarbonização começa a avançar para além das emissões diretamente associadas à produção rural no campo: a pegada de carbono também envolve os materiais, equipamentos e insumos utilizados ao longo da cadeia produtiva. E o aço é parte importante dessa equação. A Gerdau está entre as siderúrgicas de menor intensidade de emissões no mundo. A companhia emite 0,85 tonelada de CO₂e por tonelada de aço produzida, menos da metade da média global do setor, de 1,92 tonelada. A meta da companhia é chegar a 0,82 tCO₂e por tonelada até 2031 e tornar as operações neutras em carbono até 2050. Segundo o diretor, o desempenho está relacionado em parte ao próprio modelo de produção que utiliza sucata como uma de suas principais matérias-primas. Como uma das maiores recicladoras de aço da América Latina, a companhia recicla cerca de 10 milhões de toneladas de sucata por ano. A cada tonelada reciclada, aproximadamente 1,5 tonelada de CO₂ é evitada no processo produtivo. A energia utilizada também pesa nessa conta. Atualmente, 52% da energia da Gerdau é proveniente de fontes renováveis e certificadas. A ambição é elevar esse percentual para 80% até 2031, com investimentos para ampliar o uso de fontes como solar e eólica. Para a Gerdau, o desafio agora é transformar a menor intensidade de carbono de seu aço em uma vantagem também na disputa por espaço em uma cadeia que começa a olhar com mais atenção para as emissões de seus fornecedores.”
Fonte: Exame; 19/08/2026
Mineração reconhece risco climático nos territórios, mas ainda engatinha na adaptação
“Apenas 7% dos especialistas da cadeia mineral acreditam que as comunidades no entorno das operações de mineração estão preparadas para enfrentar desastres climáticos. É o que revela uma pesquisa inédita feita pelo Instituto Mondó em parceria com o Movimento União BR, que ouviu 329 stakeholders do setor. O preparo dos territórios é insuficiente para 58% dos entrevistados, enquanto para 34% é apenas parcial. Em 2025, o Brasil registrou sete ondas de calor e eventos extremos que afetaram mais de 336 mil pessoas, com prejuízo de R$ 3,9 bilhões, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). É nesse cenário que a pesquisa escancara o problema: mesmo com o risco climático cada vez mais presente na pauta das mineradoras, a adaptação onde elas operam segue sem sair do papel. Até pouco tempo atrás, a vulnerabilidade climática das comunidades vizinhas às operações minerais era tratada, sobretudo, como uma questão social ou reputacional. Segundo Mayara Pimentel, especialista em ESG e sustentabilidade territorial, isso mudou e o tema já entrou na conta que investidores fazem antes de aportar recursos nestes negócios. “Hoje, investidores observam não apenas a eficiência operacional da mineração, mas também a capacidade da empresa de operar em territórios resilientes e socialmente estáveis”, afirma. Comunidades que enfrentam insegurança hídrica, enchentes, deslocamentos forçados ou conflitos territoriais, explica Pimentel, elevam o risco de interrupção das operações, de judicialização e de perda da licença social para operar, “além de encarecerem seguros e financiamentos”. A lógica já está incorporada a frameworks internacionais de risco climático. A pesquisa também mediu como o setor se comunica sobre os impactos socioambientais de suas atividades. Apenas 34,4% dos entrevistados classificam essa comunicação como boa. Para 45,9%, os impactos são retratados apenas ocasionalmente e para 21,4%, sequer são devidamente representados. “Há um descompasso entre o discurso do setor e a percepção de quem vive nos territórios. Comunicação não é apenas transmissão de informação, é construção de confiança”, destacaJúlia Jungmann, diretora de relações institucionais do Instituto Mondó. O relacionamento entre empresas e comunidades segue a mesma fragilidade: para 72,2% dos entrevistados, o envolvimento das mineradoras com os territórios acontece de forma pontual e geralmente vinculado a exigências legais ou momentos de crise. Apenas 16,7% percebem uma atuação constante.”
Fonte: Exame; 19/08/2026
Política
CVM diz que Justiça não poderia rever decisão sobre reporte ESG
“A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) protocolou, no dia 13 de agosto, sua defesa na ação civil pública que pede a anulação da Resolução 244. A ação é movida pelo Instituto de Direito Coletivo (IDC) e pela associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS) com o objetivo de suspender a norma que tornou voluntário o reporte financeiro de informações de sustentabilidade e clima pelas empresas de capital aberto. A defesa da autarquia era aguardada com expectativa pelo mercado, pois marca a primeira vez que a CVM apresenta para um órgão externo, por meio dos autos do processo, o trâmite interno que justificou a mudança. A autarquia defendeu que a nova norma, que tornou facultativo o reporte nos padrões IFRS S1 e S2, foi editada em estrita conformidade com o devido processo regulatório e sua competência legal. O juiz do caso, que corre na 30ª Vara Federal do Rio de Janeiro, determinou que a CVM apresentasse a cópia integral do processo administrativo que embasou a edição da Resolução 244. Isso, porém, não aconteceu. A defesa apresentada pela autarquia tem dez páginas e nenhum documento anexado. A CVM questionou a validade da ação em si, ao defender que uma ação civil pública não seria a via adequada para contestar a legalidade de um ato normativo e que o mérito de decisões discricionárias não poderia ser revisto pelo Judiciário — uma decisão discricionária é aquela em que a autoridade pública tem uma margem para escolher entre diferentes alternativas permitidas pela lei. “ A CVM agiu nos estritos limites da sua discricionaridade, de modo que os ajustes normativos promovidos, culminando com a Resolução CVM nº 244, se encontram dentro dos parâmetros legais, pelo que devem ser julgados improcedentes os pedidos autorais”, disse a autarquia na defesa. “Dizer que isso não pode ser controlado pelo Judiciário é um argumento pouco democrático”, avalia a advogada Luciane Moessa, diretora executiva e técnica da SIS. Segundo ela, cabe à Justiça o papel de verificar se a alternativa escolhida é tecnicamente justificável. “O controle de legalidade e constitucionalidade dos atos do Poder Executivo pelo Poder Judiciário faz parte do esquema de freios e contrapesos do Estado democrático moderno.” A ação aponta vícios de competência e uma composição classificada como “atípica” na reunião que resultou na edição da Resolução 244. A deliberação ocorreu em uma reunião extraordinária formada pelo presidente interino (João Accioly), um diretor substituto (Thiago Paiva Chaves, Superintendente de Relações Institucionais) e uma diretora efetiva (Marina Copola), a única que votou contra a alteração. Na defesa, a CVM diz que a reunião de 27 de maio de 2026 seguiu as regras de substituição previstas em seu regimento e portarias, atingindo o quórum mínimo de três membros exigido para a instalação e deliberação.”
Fonte: Capital Reset; 20/08/2026
CMapa do caminho entra na pauta do próximo CNPE
“O Ministério de Minas e Energia convocou reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para 2 de setembro, com as diretrizes para o mapa do caminho brasileiro para a transição na pauta. Encomendadas pelo presidente Lula (PT) em dezembro de 2025, as diretrizes chegam com meses de atraso. Aproveitando o embalo da COP30, Lula determinou, em um despacho de 8 de dezembro, que os ministérios de Minas e Energia (MME), Meio Ambiente (MMA) e Fazenda, além da Casa Civil apresentassem “diretrizes para elaboração do mapa do caminho para uma transição energética justa e planejada, com vistas à redução gradativa da dependência de combustíveis fósseis no país”. O prazo para entrega das propostas ao CNPE era 8 de fevereiro. A falta de consenso dentro do próprio governo contribuiu para a demora. Os ministérios envolvidos têm visões divergentes sobre as premissas para o afastamento do petróleo, gás e carvão. De um lado, o MME defende que a Política Nacional de Transição Energética (PNTE), já teve suas diretrizes aprovadas pelo CNPE em 2024 e deveriam ser o norte do mapa do caminho. O MMA, por outro lado, é a favor de um direcionamento mais incisivo em relação aos combustíveis fósseis, incluindo um teto para a produção de petróleo e gás natural e limites à abertura de novas fronteiras exploratórias. As demandas do Meio Ambiente, no entanto, não encontram apoio dentro da estratégia do governo Lula, que enxerga nos recursos do O&G importantes ativos para financiar políticas de desenvolvimento nacional. A própria orientação de Lula no despacho de dezembro foca na redução do consumo e indicação de mecanismos de financiamento para isso. A pauta do CNPE sinaliza nessa direção. “Resolução que estabelece diretrizes para a elaboração do mapa do caminho para uma transição energética justa e planejada, com vistas à redução gradativa da dependência dos combustíveis fósseis no País, e para a proposição de mecanismos de financiamento adequados à implementação da política de transição energética”, diz o documento.”
Fonte: Eixos; 19/08/2026
Adesão a acordo sobre cortes de geração depende de avanço nas regras sobre futuro, diz CEO da EDP
“A adesão ao acordo proposto pelo governo federal para ressarcir empresas geradoras de energia elétrica por parte dos cortes por razões sistêmicas, o “curtailment”, dependerá também do avanço das regras sobre este tema para além do período contemplado, disse nesta quarta-feira (19) o presidente da EDP na América do Sul, João Brito Martins. “É muito difícil aderirmos a um termo compromisso em que o período transitório e o futuro não estejam assegurados. Esse é o desafio que nós temos agora pela frente”, disse Martins, após participar do XV Fórum Acende Brasil: Setor Elétrico Carbono Zero, realizado pelo Instituto Acende Brasil, em São Paulo. A proposta de acordo do governo contempla dois dos três tipos de cortes de geração de energia por razões alheias às usinas entre setembro de 2023 e novembro de 2025. Em troca, as empresas devem abrir mão de ações na Justiça para obter o reembolso. Para o executivo, porém, é preciso que haja definições sobre as regras de ressarcimento para além deste horizonte, para que uma decisão vinculante seja tomada. O assunto está em discussão na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na visão de Martins, o período de cerca de 200 dias que as geradoras têm para tomar uma decisão definitiva sobre a adesão seria uma janela para que as discussões avançassem. A empresa não divulga, neste momento, uma previsão financeira do reembolso. O executivo comentou também a publicação de outro decreto pelo governo federal, na semana passada, que trata da abertura do mercado de energia para todos os consumidores. Na prática, a medida viabiliza que todos os consumidores, a partir de novembro de 2028, possam escolher seus fornecedores de energia elétrica. Para ele, eventuais medidas concorrenciais tomadas contra empresas que já atuam no setor elétrico nesta frente deveriam se estender, caso adotadas, também a outros setores da economia que desejam participar deste mercado. “Eu não posso penalizar um setor que não tem a mesma visibilidade do que outros como telecomunicações, combustíveis, varejo em geral”, concluiu.”
Fonte: Valor Econômico; 19/08/2026
Internacional
Empresas
Calor extremo bate à porta dos balanços de empresas europeias
“Uma em cada dez empresas europeias com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão mencionou calor extremo, seca ou incêndios florestais em suas teleconferências de resultados do segundo trimestre — um percentual recorde, segundo dados da plataforma de inteligência de mercado AlphaSense, divulgados pelo Financial Times. O número de empresas que relatam o impacto de condições climáticas extremas em seus negócios aumentou consideravelmente devido às ondas de calor extremo que atingem a Europa neste verão — o continente é o que aquece mais rapidamente no mundo. Isso forçou os executivos a abordar os impactos climáticos diretamente com os investidores. O calor impulsiona a demanda por alguns produtos, como piscinas, ar-condicionado, protetor solar, bombas de água subterrânea e geradores de eletricidade. Na outra ponta, interrompe atividades, caso de empresas de serviços públicos, do setor agrícola e de prestadores de serviços de infraestrutura, que enfrentam maiores riscos operacionais e redução na produtividade da mão de obra. O diretor financeiro da fabricante francesa de eletrodomésticos Groupe SEB afirmou que a empresa vendeu 30% mais ventiladores na Europa em junho, em comparação com o ano anterior. Junho também foi o mês com o maior volume de vendas de protetores solares na história da multinacional alemã Beiersdorf. Os executivos da Beijer Ref, empresa com sede na Suécia que fornece equipamentos de refrigeração e ar-condicionado, observaram que o maior aumento na demanda vem de mercados mais recentes na Europa Central, no Reino Unido e na França. Diversas empresas também afirmaram ter implementado ou previsto mudanças para adaptarem os negócios aos verões mais quentes, seja com o desenvolvimento de novos produtos ou novas práticas de trabalho. O grupo de engenharia holandês Koninklijke Heijmans estuda a possibilidade de sua política de licença por frio para os trabalhadores ser substituída por uma política de licença por calor, já que as temperaturas de 35°C obrigaram as equipes a interromper o trabalho. No campo, as ondas de calor estão obrigando os agricultores a modificar a forma e o horário de trabalho em diversos países europeus, com colheitas noturnas, cobertura dos campos com redes de sombreamento, resfriamento dos estábulos e mudanças nos cronogramas de plantio. “Muitos de nós nunca vivenciamos um verão como este. Grandes extensões da zona rural britânica parecem um deserto de poeira após sucessivas ondas de calor. O julho mais seco já registrado mergulhou mais de dois terços da Inglaterra e todo o País de Gales na seca”, disse Tom Bradshaw, presidente da União Nacional dos Agricultores do Reino Unido, em artigo publicado no FT. “O resultado foi uma colheita devastadora que entrará para a história como uma das piores de todos os tempos.”
Fonte: Capital Reset; 19/08/2026
Os aspectos econômicos da seca na Europa
“Com os níveis de água do rio Reno em mínimas históricas neste verão de calor intenso, empresas do maior e mais movimentado porto da Europa estão arcando com parte da conta da seca que atinge o continente. Embarcações de carga que transportam produtos químicos, petróleo e outras mercadorias de e para Roterdã, navegando por um rio com volume drasticamente reduzido, estão sendo carregadas com apenas cerca de 30% de sua capacidade para aliviar o peso e evitar que encalhem. Isso significa que os operadores precisam pagar por cerca de 100 barcaças extras por semana e, ainda assim, não conseguem transportar o mesmo volume de antes. Segundo Lex Bezemer, da Autoridade Portuária de Roterdã, trata-se de “um dos episódios mais significativos que vivenciamos nas últimas décadas”. As soluções alternativas de alto custo adotadas pelo porto representam apenas uma fração do custo total de uma estação seca que se instalou com uma rapidez surpreendente, acarretando grandes prejuízos para a agricultura, a indústria e até o setor de tecnologia, e que pode prenunciar mudanças duradouras na forma como o continente conduz suas atividades econômicas. Massimo Tavoni, diretor do Instituto Europeu de Economia e Meio Ambiente — um centro de pesquisa independente sediado em Veneza — alerta que a seca é apenas uma amostra do que está por vir, à medida que o continente que mais rapidamente aquece no mundo sente os impactos das mudanças climáticas. “Secas são perigosas. São eventos extremos, mas de longa duração”, afirma ele. “A Europa está extremamente exposta. É, de fato, um ponto crítico das mudanças climáticas.” Junho e julho foram os meses mais quentes já registrados na Europa Ocidental, segundo o Copernicus Climate Change, a agência de observação da Terra da União Europeia. Não se espera muito alívio para as próximas semanas: a previsão é de pouca chuva significativa. Grande parte da Europa enfrenta agora déficits críticos de umidade no solo e uma queda acentuada nos níveis dos rios. No ponto mais raso do Reno, em Kaub (Alemanha), o nível da água caiu na sexta-feira para a marca mais baixa desde o início dos registros — um nível de “um dígito” abaixo do qual a navegação pode se tornar inviável e o rio acabar dividido em dois.”
Fonte: Financial Times; 19/08/2026
Política
Hungria evita paralisação de usina nuclear por seca após obras de engenharia no Danúbio
“A usina nuclear de Paks, na Hungria, evitou uma paralisação completa após o nível da água do rio Danúbio, sua principal fonte de resfriamento, permanecer alto o suficiente nas proximidades da usina, afirmou o primeiro-ministro Peter Magyar nesta quinta-feira. Isso só foi possível, segundo o premiê, graças a obras de engenharia realizadas no rio. A usina poderá começar a religar suas seis turbinas paradas no domingo e voltar a operar em plena capacidade até quinta ou sexta-feira da próxima semana, acrescentou Magyar. A usina, responsável por quase metade da eletricidade gerada na Hungria, vem operando com apenas 25% de sua capacidade, com somente duas de suas oito turbinas em funcionamento, em meio a uma seca histórica e níveis recorde de baixa no Danúbio. A vizinha Romênia desligou seu último reator em funcionamento na semana passada, enquanto a seca deste verão vem causando graves impactos na geração de energia, no transporte marítimo e nos sistemas de saúde pública da Europa. A estiagem também levantou questionamentos na Hungria e na Romênia sobre como adaptar a energia nuclear a um clima cada vez mais extremo. “Agora podemos dizer com segurança que não teremos de desligar nenhuma das duas turbinas atualmente em funcionamento, já que conseguiremos manter o nível da água acima do limite que exigiria seu desligamento”, disse o primeiro-ministro Peter Magyar em um vídeo publicado no Facebook. Ele também afirmou que as obras de engenharia realizadas perto da usina já conseguiram elevar o nível da água entre 10 e 15 centímetros. “Como resultado, as seis turbinas paradas poderão começar a ser religadas gradualmente, no mais tardar à meia-noite de domingo”, disse Magyar, acrescentando que especialistas esperam que a usina volte a operar em plena capacidade até quinta ou sexta-feira da próxima semana. ”
Fonte: Valor Econômico; 19/08/2026
O sistema elétrico do Reino Unido está entre a cruz e a espada
“É um dilema conhecido. Alguém segue com confiança em uma direção que acaba se revelando errada: é melhor continuar e tentar tirar o melhor proveito da rota escolhida, ou assumir a perda de tempo e dinheiro e voltar atrás? Essa é uma questão pertinente para o Reino Unido. Os custos de energia do país são elevados e estão aumentando, com a previsão de que as contas residenciais atinjam os níveis mais altos dos últimos três anos. Os preços internacionais do gás são os principais responsáveis, mas a estrutura do mercado não ajuda. Há quase exatamente um ano, o Reino Unido rejeitou a precificação zonal — um sistema de mercado no qual os custos de eletricidade em uma determinada área refletem a oferta e a demanda locais — em favor de um preço nacional único. Essa decisão parece cada vez mais equivocada. Os preços locais são o sistema preferido em grande parte dos EUA e em países europeus como Itália, Suécia e Noruega, pois fornecem um sinal de mercado. Ao reduzir os custos de eletricidade em áreas com excesso de geração renovável, eles incentivam os consumidores a se mudar para essas regiões e levam novas usinas eólicas e solares a se instalarem em outros locais. Ao manter um preço nacional, o Reino Unido apostou, essencialmente, que os preços regionais não divergiriam o suficiente para justificar a instalação de muitas turbinas no sul em vez de na ventosa Escócia, ou para levar indústrias de alto consumo energético a mudar suas operações para mais perto das fontes de geração. A configuração do sistema ideal estava praticamente definida, e um preço nacional ofereceria mais segurança aos desenvolvedores de projetos renováveis, reduzindo seu custo de capital e acelerando a construção. No entanto, os mercados evoluem de maneiras inesperadas. O exemplo mais óbvio é a IA, que criou uma enorme demanda potencial cuja localização pode ser relativamente flexível. Se empreendedores de tecnologia encontrarem preços de energia suficientemente baixos na Escócia, por exemplo, é bem provável que desenvolvam soluções que escapam à visão dos planejadores centrais. A política atual não apenas corre o risco de levar a um resultado subótimo, como também segue um caminho tortuoso. As instalações de energia renovável estão avançando muito mais rápido do que as linhas de transmissão necessárias para escoar a produção; assim, o país gasta quantias vultosas pagando por energia eólica que acaba desperdiçada no norte, enquanto usinas a gás são acionadas para aliviar gargalos no sul. Apesar de tudo isso, provavelmente já é tarde demais para voltar atrás. O Reino Unido avançou bastante na rota escolhida, considerando o volume de projetos renováveis contratados e instalados, bem como as enormes atualizações na rede que já estão em andamento. A necessidade de honrar compromissos reduziria os benefícios de uma mudança de rumo. Em vez disso, o país está adotando medidas paliativas e soluções alternativas para minimizar os custos de manter o modelo de precificação nacional — incluindo um plano para melhor alocar ativos de geração e armazenamento, bem como descontos nas tarifas de energia em zonas de expansão de IA situadas em regiões com ampla oferta de fontes renováveis. Implementar uma “precificação nacional reformulada” é um processo trabalhoso. No entanto, se já é tarde demais para escolher o caminho ideal, o melhor que o Reino Unido pode fazer é avançar mais rapidamente pela via em que já se encontra.”
Fonte: Financial Times; 20/08/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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