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B3 anuncia nova metodologia do ISE: O que você precisa saber

Confira nossa visão sobre a nova metodologia do Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3

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Um questionário mais enxuto e adaptado às especificidades de cada setor, com vigência a partir de 2027

Um breve contexto. Como parte de seu esforço contínuo para manter a metodologia do ISE alinhada à evolução da agenda ESG e ao feedback do mercado, a B3 iniciou, no começo de 2026, uma revisão do processo de seleção das empresas que fazem parte do índice. Durante esse processo, a B3 divulgou uma versão preliminar do questionário para consulta pública, buscando contribuições sobre possíveis aprimoramentos e, ao mesmo tempo, apresentando uma proposta que reduz a carga de reporte das empresas. Embora tanto a estrutura do questionário quanto critérios específicos de seleção tenham sido revisados, os principais requisitos de elegibilidade permanecem inalterados: as companhias devem estar entre as 200 ações mais líquidas da bolsa, manter presença mínima em pregão de 50%, não serem classificadas como penny stocks e atingir uma pontuação no ISE acima do patamar mínimo aplicável. Lançada oficialmente no dia 11 de agosto, a primeira carteira sob a nova metodologia entrará em vigor no dia 3 de maio de 2027.

Principais mudanças na metodologia. O questionário agora é mais enxuto, mais quantitativo e mais alinhado às especificidades de cada setor. As principais alterações incluem: (i) estrutura mais simples: a avaliação ESG passa a ser organizada em três dimensões (Ambiental, Social e Governança), vs. cinco na metodologia anterior, reduzindo o número de perguntas em 17% e o conteúdo total do questionário em 40%; (ii) maior flexibilidade: as empresas passam a poder classificar determinadas questões como “não aplicáveis”, desde que apresentem justificativas adequadas para tal; (iii) ampliação do uso de métricas quantitativas: foram introduzidas 32 questões quantitativas, reforçando uma abordagem mais objetiva na avaliação; (iv) materialidade específica por setor: os pesos atribuídos aos diferentes temas passam a variar de acordo com o setor de atuação da companhia, tornando as pontuações mais aderentes às prioridades ESG de cada indústria; (v) CDP¹ deixa de ser critério de exclusão: embora continue compondo parte do questionário ambiental, a participação no CDP não é mais obrigatória para que a empresa permaneça elegível ao índice – ainda assim, companhias que não responderem ao questionário receberão nota zero nesse componente.

21ª Carteira do ISE B3. Como a nova metodologia só entrará em vigor em 2027, a carteira atual permanece inalterada. De forma geral, a carteira atual é composta por 69 empresas distribuídas em 39 setores, sendo Bens Industriais (12 empresas), Utilidades Públicas (12) e Consumo Discricionário (9) os setores com maior representatividade. As empresas com as maiores pontuações são VIVT3 (92,81), NTCO3 (92,45), LREN3 (91,33) e BBDC4 (91,02).

Nossa visão. Em nossa visão, revisões metodológicas periódicas são importantes para garantir que os índices de sustentabilidade permaneçam alinhados à evolução das práticas ESG, dos padrões de reporte e das expectativas dos investidores. De forma geral, embora a metodologia revisada envolva alguns trade-offs – já que um questionário mais simplificado pode reduzir o nível de granularidade e a amplitude dos temas avaliados -, um questionário menos oneroso tende a favorecer uma participação corporativa mais ampla e consistente no ISE B3. Além disso, destacamos positivamente: (i) a incorporação da materialidade específica por setor, o que deve permitir que o índice reflita de forma mais adequada os temas de sustentabilidade financeiramente e operacionalmente relevantes para cada indústria; (ii) o uso de métricas quantitativas, que aumenta a objetividade e a comparabilidade das avaliações ESG, além de fornecer informações mais aplicáveis para a tomada de decisão dos investidores. De maneira geral, vemos as mudanças de forma positiva. Ainda assim, mantemos a visão de que o ISE deve ser utilizado como uma ferramenta adicional de avaliação e direcionamento, e não como uma medida definitiva do desempenho ESG de uma companhia ou um fator substituto para uma análise ESG aprofundada.

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